Miojo de colecionador

julho 29, 2008

Se estiver no supermercado e encontrar um “Lámen clássico sabor galinha” com visual bem antigo, não se assuste, você não foi teletransportado. É uma embalagem comemorativa dos 50 anos do primeiro lámen da Nissin, popularmente conhecido como Miojo, criado por Momofuko Ando, em 1948.

A dica é do Mário Nagano, que descobriu o Miojo de colecionador no mercadinho do Seu Joaquim, em São Bernardo do Campo (SP), e logo fez um review completo no blog Zumo. E segundo ele, a edição especial ainda é superinstantânea: leva um minuto e meio (metade do tempo do tradicional) para ficar pronta.

Achamos que a Nissin usou a técnica do Cup Noodles, que fica pronto no copinho térmico em 2 minutos. Por falar nele, aproveito esse toast instantâneo para fazer um alerta: o Cup Noodles de legumes da Turma da Mônica não é nada divertido. Detestei.

Para acompanhar a edição de 50 anos do Miojo, nada melhor do que uma Coca-Cola Classic de colecionador, hein? Um perfeito menu nerd.

Momo, o rei do Miojo

janeiro 8, 2007

momofuku.jpgAté ontem, acredito que pouca gente sabia quem foi Momofuku Ando. Eu também não. Ele se foi, aos 96 anos, deixando um legado que muitos conhecem: o macarrão instantâneo, nosso querido Miojo.

A história do instant ramen, que aqui virou ‘lámen’, começa logo após a segunda guerra mundial, conta uma reportagem do Japan Times.

Ao ver as imensas filas de pessoas famintas a espera do escasso ‘ramen’ fresco, feito na hora, Ando resolveu correr atrás de um ideal. Para ele, a paz chegaria ao mundo quando as pessoas tivessem o que comer. E ainda por cima em três minutos!
(Foto: Japan Times / Kyodo Photo)

Em 1948, ele criou a Nissin Food Products e inventou o primeiro ‘macarrão instantâneo sabor galinha’ em 1958. A trajetória do macarrão virou tema de museu no Japão, o Momofuku Ando Instant Ramen Museum.

Quase 50 anos depois, o Miojo, com seus mais diversos sabores genuinamente artificiais – da galinha caipira ao camarão, da picanha ao caldo de feijão – ainda é uma causa nobre.

Com a dica do Mário Nagano, achei uma associação da indústria do lamen, a International Ramen Manufacturers Association (IRMA). Além de incentivar o consumo de bilhões de lamens no mundo todo, a IRMA envia remessas de Miojo a refugiados de guerra, comunidades carentes e vítimas de desastres naturais. Isso incluiu vítimas do Tsunami, do furacão Katrina e do terremoto no Paquistão.

O Miojo também salvou a vida de muitos estudantes, solteiros e baladeiros em geral. Juntando a fome [a preguiça e a falta de grana] com a vontade de comer, o Brasil é o décimo maior consumidor de Miojo do mundo.

Segundo a IRMA, em 2005, comemos mais de 1,2 bilhão de pacotes de lamen. Em primeiro lugar, é claro, estão os chineses. Eles são muitos e o macarrão é deles… de muitos deles. Consumiram mais de 44 bilhões de Miojos em 2005.

E logo depois do Brasil vem o México, onde o Miojo chegou a ser item da cesta básica. O lamen até que foi bem adaptado à culinária local. Os muchachos comem o macarrão com aquela salsa tradicional de tomate, cebola e coentro. Ai ai ai!

Desde criança, adoro Miojo. Quando minha avó, cozinheira de mão cheia, vinha me visitar, a primeira coisa que eu pedia era um Miojo – a segunda era sopa de feijão e a terceira era bolinho de chuva.

Hoje, não faço isso. Hoje também não como mais Miojo com caldo e de colher. E, obviamente, aproveito melhor os dotes culinários da Vó Eline.

Aqui em casa sempre tem um Miojo no armário… para emergências. Depois de prepará-lo das mais diversas formas, muitas delas bem equivocadas e rapidamente ingeridas, gosto mesmo é do tradicional: tirar o caldo quando estiver al dente e boa. Outra opção é colocar um pouquinho de manteiga e cebolinha fresca. Delícia.

Outro dia, prepararam para mim o lamen al dente, no azeite, com alho, cebola, fatias de linguiça e cebolinha. Estava ótimo. Momofuku ficaria orgulhoso. “Jamais menospreze o potencial do Miojo”, diria o rei do lamen.

O site da Nissin no Brasil dá algumas idéias para incrementar o Miojo como o “Nissin Lámen Basílico”. Não deixe de ver as receitas enviadas pelos usuários. Nomes como “Miojo do Amor”, “Macarrãozinho Alucinante” e “Nissin do Fundo do Quintal” já valem a visita. Tem também a “Lasanha de Miojo”. Vai encarar?

Pira, pira, pirou…

novembro 27, 2007

piraque2.jpg

No final de semana vi uma propaganda lançando o macarrão lámen Piraquê. Como sou fã das bolachas de água e gergelim da marca carioca fui dar uma olhada no site.

Se dependesse dos “Miojos cover” dançando o “Funkadão do Piraquê” na home page, eu não compraria os produtos. Embora ache que o marketing da Piraquê tenha pirado, valeu pela risada. E gostei do trocadilho dos ‘Piraqueridos’ para o conteúdo infantil.

Os novos lámens da Piraquê ainda têm sabores inusitados como hamburguer. Boa idéia. Já dispensa o acompanhamento.

Como gosto muito das bolachas e amava o salgadinho de presunto quando criança, vou dar um voto de confiança no lámen. Vamos ver se o novo rival consegue superar o Miojo.

À mestre-cuca com carinho

janeiro 22, 2007

danikay.jpg

A grande amiga, Karina, e eu temos muito em comum. Além de falarmos pelos cotovelos, amamos trocar dicas gastronômicas e cozinhar… sempre falando pelos cotovelos. Uma diversão.

Na linda foto retratada por Maurício – felizardo alvo das experiências culinárias de sua esposa – observo atentamente os detalhes explicados pela Kay sobre o preparo de dois molhos praticamente infalíveis.

Na mesa, ao lado do delicioso ‘uvattone’ (Gran Natale) que comemos, nos debruçamos sobre os livros “Cozinhando para Amigos”, de Heloisa Bacellar, e “Fundamentos da Cozinha Italiana Clássica”, de Marcella Hazan. Deste último livro devorado pela Kay, saíram as receitas da conversa.

Quando recebi a foto, logo pensei que esses papos não podiam passar em branco (e preto). Devo confessar que a Kay me incentivou a tomar gosto pela cozinha, além do que eu já tinha pelas cozinhas de restaurantes e botecos.

Entre outras deliciosas receitas, essa cozinheira de mão cheia me ensinou a fazer o primeiro risotto (de funghi) com arroz italiano. Me lembro que anotei tudo… tintin por tintin. Aprendi a fazer risottos, ensinei minha mãe, outra fonte de clássicos conselhos culinários, e a Ana Luiza, que também se empolgou na cozinha, para felicidade do Calenda.

Minha receita favorita é o atum em crosta de gergelim. Preparei outro dia com farfalle al limone e foi muito bem recebido. Compartilho aqui algumas dicas vindas da Fantástica Cozinha da Kay.

  • Fetuccine, spaghetti, linguine ou a massa que você quiser (Miojo?) na Manteiga (Tempo de preparo: The Flash)
    Para duas pessoas prepare meio pacote de massa. Quando estiver quase pronta, adicione em uma panelinha um tablete de caldo de carne amassado, duas colheres generosas de sopa de manteiga, dois dentes de alho inteiros (amasse o alho com a lateral da faca e a casca sai que é uma beleza) e um raminho de alecrim fresco. Derreta tudo mexendo bem para que o caldo de carne se dissolva. Escorra a massa e adicione o molho coado em uma peneira. Acrescente queijo parmesão (ou pecorino… hummm), sirva e seja feliz.
  • Molho de Tomate da Cebola Mágica Adicione em uma panela duas latas de tomates pelados picados. Segundo a Kay, você pode picá-los com a faca dentro da latinha mesmo. Vale lembrar que ela tem destreza. Acrescente duas colheres de sopa de manteiga, sal e pimenta a gosto e – atenção! – uma cebola pequena inteira. Ligue o fogo baixo e deixe apurar por 45 minutos. Retire a cebola e sirva. Se quiser cortá-la e adicionar ao molho após o cozimento também fica uma delícia. Não é magia… é gastronomia.
  • Atum em crosta de gergelim – Peça para o peixeiro cortar medalhões de lombo de atum com mais ou menos dois dedos de altura. Recomendo a Peixaria Pacífico, que é cara, mas tem um atum de primeira. Tempere o atum com sal (ou shoyo) e pimenta. Reserve por 20 minutos. Torre mais ou menos 100 gramas de gergelim (para dois filés) em uma frigideira e depois coloque em um prato raso.
    Misture duas colheres cheias de sopa de Dijon em duas colheres de sopa de azeite. Pincele este creme nos filés e empane-os no gergelim.
    Em uma frigideira quente, com um pouquinho de azeite, grelhe o atum empanado por mais ou menos um minuto de cada lado. Se quiser mais cru no meio, deixe menos tempo e também vai ficar ótimo.
    Vai bem com risottos (shitake, abobrinha etc.), penne al limone, creme de mandioquinha ou o que você quiser inventar. Sensacional.

Valeu amiga!

Peixaria Pacífico – Rua Fernando de Albuquerque, 288 – Consolação (SP). Tel: (11) 3237-0740. (Seg a sexta: 7h às 16h. Sábado: 7h às 13h)

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