Deu crepe!

dezembro 31, 2006


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É difícil ficar órfão de um restaurante. Desde que o Crepe de France fechou suas portas na Vila Nova Conceição, os paulistados perderam a leves e deliciosas galettes sarrasin (crepes de trigo sarraceno) servidas com cidra francesa.

Na casinha simples da Rua Marcos Lopes, decorada com pôsteres da Bretanha, região noroeste da França, o chef Frédéric Serre explicava em seu cardápio que o trigo sarraceno, um tipo comum na região, tinha entre seus atributos, a vitamina “P”. O importante era que os crepes eram fantásticos. O de espinafre com molho bechamel, queijo e ovo estrelado e o de pêras em calda de chocolate ao rum [flambado] com sorvete de creme eram meus favoritos.

Como não adianta chorar, o jeito é buscar um substituto à altura. Os caçadores do crepe perdido, no entanto, têm encontrado certa dificuldade em completar a missão.

O Crepon, por exemplo, oferece crepes simples e gostosos a preços acessíveis, em uma charmosa casinha na Vila Madalena. O ambiente à luz de velas é bem romântico se a dona não estiver de mau humor ou se a casa não ficar lotada, desbaratinando os poucos garçons, como ocorreu no sábado passado (23/12).

A creperia oferece cervejas em garrafa de 600 ml. Fique com as cervejas. Da carta de vinhos, por exemplo, o vinho “Do Lugar”, da região de Bento Gonçalves – cujo nome não é um trocadilho com vinho “da casa” como imaginei – tem preço convidativo, mas o esforço não vale a pena. Na última tentativa, a bebida estava quase quente, sinalizando que o armazenamento precisa de cuidados.

Outra busca da gallete perdida ocorreu na noite de sexta-feira (29/12), na Mercearia do Francês, em Higienópolis, que tem crepes de trigo sarraceno no cardápido. Frustração. Liguei antes de sair para verificar se o local estava aberto e fui informada de que estava funcionando normalmente até 1h.

Cheguei antes das 22h, fui atendida por um garçom que não parava de olhar no relógio, equanto anotava os pedidos. Também deixou clara sua impaciência na explicação dos pratos. O crepe, infelizmente, não superou a indelicadeza. A massa, pesada, mais parecia um croque moussier do que uma galette.

Quando o garçom veio retirar os pratos e perguntar se queríamos a sobremesa, respondi calmamente que iria esperar mais um pouco. “A cozinha vai fechar senhora”, respondeu apressado. Pedi um café e a conta… com pressa de ir embora.

Para arrematar, na saída, uma mesa de três mulheres pediu para que o garçom chamasse um táxi. “Ah… taxi a essa hora, aqui, vai ser difícil…”. É mole?

Acredito que datas comemorativas como Natal e Ano Novo demandem plantões e horários especiais em restaurantes, mas nada justifica a má vontade em atender os clientes. Nestes casos é melhor não abrir as portas.

A busca do crepe perdido continua em 2007…

Crepon – Rua Paulistânia, 602 – Vila Madalena – São Paulo – SP. Tel.: (11) 3032-7907.

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