medium_happy-tree-friends2.jpeg

Para ser um apreciador de boa comida é preciso trabalhar o desapego. Por exemplo: nunca dê nome a um animal que você pretende levar, literalmente, para jantar. Ontem, uma amiga contou que ela e os irmãos não comem carne de coelho. Eu suspirei, triste, porque gosto muito da tenra e leve carne desse animal fofinho, mas entendo que nem todos os traumas de infância sejam superáveis.

Tudo ia bem na vida da pequena Gisele até que os coelhinhos de estimação da criançada começaram a entrar na panela. Imagine a cena dos coelhinhos saltitando pelo quintal e as crianças dizendo: “Olha o Joãozinho, que fofo…”, “Olha lá o Floquinho pulando!”, “Mãe! Olha lá o… ué… cadê o Luizinho?”.

Meu pai tinha um ganso de estimação. Uma fera, nascida do maior de todos os ovos da mamãe ganso. Protegia a casa. Brincava com as crianças. Era querido por todos. Tão querido e gostoso que foi compartilhar a mesa com a família… assado. O menino Braun chorou desolado. Hoje, não resiste a um foie gras. E agora entendo porque nunca, por mais que eu insistisse, ele me deu um coelhinho de estimação na Páscoa.

Para quem desenvolveu o desapego, recomendo o coelho cozido ao vinho branco e ervas com polenta cremosa (R$ 33 para dois) da cantina Il Cacciatore, que tem um ambiente muito acolhedor e uma alcachofra de entrada sensacional.

E dos Donuts você tem dó? Não? Então saiba o que eles pensam disso.

Il Cacciatore: Rua Santo Antônio, 855 – Bela Vista. Tel: (11) 3120-5119

O Dom de fazer PF *

abril 11, 2006

O restaurante D.O.M, comandado pelo… chef… Alex… Atala… está entre os 50 Melhores Restaurantes do Mundo (veja a íntegra aqui). Tudo bem que ficou na 50ª posição, mas é um reconhecimento para o Brasil, a terra onde tudo que se cozinha dá. Uma vez eu fui ao D.O.M em um almoço de trabalho (como pessoa física ficaria difícil).

O meu pedido não envolveu nada parecido com filé do demônio da tasmânia ao molho de trufas negras preparado por virgens celestiais. Comi um legítimo PF. Era o almoço executivo do dia com arroz, feijão, farofa, banana frita e um grelhado a escolha – pedi um peixe. Impossível deixar de comentar que tudo foi servido em panelinhas Le Cruiset. Tudo bem fino, mas deixemos a prataria de lado. Estava bom? Não, excelente.

Quem já fez e/ou já comeu arroz, feijão e bife sabe que o ponto maravilha é uma prova de fogo. Acho que um bom chef ou dono de boteco no Brasil tem de saber fazer PF e Ponto Final.

Leia a Trip de abril com fotos apimentadas de Alex Atala e assista ao chef falando… em… pausas… no ótimo programa ‘Mesa para Dois’ no GNT, com a simpática chef Flávia Quaresma.

*Toast publicado no Blog Atonal .

Gryptonita*

abril 6, 2006

Gripe. Essa é a pior coisa que pode acontecer a um bom de garfo e de copo. Pior do que começar um regime macrobiótico na sexta, do que comer quiabo com baba, do que beber vinho Marcon… é sentir o gosto do nada. Na verdade, o único sabor que tenho sentido nos últimos dois dias é o de própolis. Hummm! Que delícia, hein? Tomem vitamina C porque a kryptonita dos gourmets está à espreita. Tenho medo do nada.

*Toast de 06/04/2006 publicado no Blog Atonal.