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Em uma viagem de cinco dias de carro ao Sul da Inglaterra descobrimos que é possível comer bem por lá. Depois de muita emoção e ventania em Stonehenge é preciso recarregar as energias.

Em uma viagem de carro por cinco dias pelo Sul da Inglaterra, rumo aos mistérios do Rei Arthur, encontrar uma estalagem e boa comida exige todo o seu espírito de cavaleiro. Exeter foi a primeira parada do trio. Após um belo rolê na chuva fina encontramos um ótimo Bed & Breakfast, o Road Lodge, e fomos buscar uma távola para jantar.

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Os indianos e seus restaurantes estão em toda parte. Na noite deserta de uma segunda-feira em uma pequena cidade de universitários, escolhemos o Real Índia, nosso melhor jantar nesta cruzada. Excelente entrada com papadom, um pão bem fininho frito com sabor de ‘Mandiopan’ para comer com vários molhos.

Em seguida traçamos um pão nan quentinho, frango com iogurte e ervas (chicken tikka), arroz de coco e bolinhos vegetais com molho levemente picante. A cerveja indiana Kingfisher e uma taça de chardonnay desceram macios. Toda esta felicidade custou 11 libras por cabeça. Na manhã seguinte, o delicioso breakfast (foto acima) em uma linda sala no Road Lodge fechou a estada em Exeter com chave de ouro.

dartmoor.jpgOutra grata surpresa foi o restaurante caseiro Fox Tor Cafe, na minúscula Princetown, situada no meio do parque Dartmoor. Um passeio de carro por esta espécie de reserva ambiental gigantesca (maior do que a cidade de Londres) revela paisagens belíssimas, pôneis selvagens e muitas ovelhinhas.

Torta de carne com purê, spaghettini ao pesto com cogumelos e jacket potatoe (batata assada) com cheddar inglês – queijo clarinho, leve e bem saboroso que nada lembra o laranja-radioativo do cheddar americano. Tudo delicioso, feito na hora e barato! O almoço saiu 15 pounds. Um mundo de fantasia.

Descendo mais um pouco, na cidade mágica de Glastonbury, no estado da Cornuália, onde estão as “brumas de Avalon”, nada melhor do fazer uma pausa para o chá. O pequeno e aconchegante Abbey Tea Room é uma casinha de conto de fadas. O salão cheio de simpáticos velhinhos ingleses exalava bolos que acabaram de sair do forno. Foi difícil escolher uma torta (1 a 2 libras a fatia) para acompanhar o chá earl grey com leite. Lovely!

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Gostamos muito do Bellevue, o B&B da Claire, em Glastonbury. Na noite anterior fomos ao mercado (Morrisson) para fazer um lanchinho no quarto – pão de forma, cheddar inglês, frios e o melhor tiramissú que eu já comi. No café da manhã, um delicioso iogurte orgânico de morango espantou o mau humor. Pena que o marido da Claire tinha de ir trabalhar e não fez os ovos mexidos. Fica para a próxima.

Quase na ponta da Inglaterra, em Newquay, acabamos comendo pizza no carro mesmo. Lá, o B&B não permitia comidas no quarto e o delivery já tinha fechado o salão de jantar. A pizza estava okay, mas valeu pela situação.

Legal foi ler, já aqui no Brasil, uma notícia que o Alê mandou dizendo que um grupo que defende a independência da Cornuália resolveu exigir a retirada da bandeira da Inglaterra de alguns estabelecimentos, em Newquay. Entre os locais estava o restaurante de um tal de Jamie Oliver. Tudo bem… deve ser caro jantar no Fifteen Cornwall. Muito caro. Pizza no carro. Hummm… que delícia! Muuuito melhor (rs).

Real India – 28 South Street, Exeter (Devon) – Inglaterra
Fox Tor Café  – Two Bridges Road, Princetown (Devon) – Inglaterra
Abbey Tea Room – 16 Magdalene Street, Glastonbury (Somerset) – Inglaterra
Road Lodge Guest House – 42 East Wonford Hill, Exeter (Devon) – Inglaterra
Bellevue Guest House – 2 Bere Lane, Glastonbury (Somerset) – Inglaterra

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Todo mundo sabe que a Inglaterra está longe… bem longe de ser uma referência gastronômica, mas a situação, na real, não é tão calamitosa. Como um bom turista, em uma cidade onde tudo custa quatro vezes e uns centavos o seu dinheirinho, seria bem sofrido gastar 16 libras para comer um peixe grelhado com saladinha verde.

Então, relaxe e coma. O tour pelos fast foods, o sanduba-isopor pronto ‘to go’ e um prato de fish and chips no pub da Rafa são tão inevitáveis como a insistente chuva que viajou conosco naquela país. Entretanto, a terra do chá preto com leite, que é bom e barato, também reserva surpresas como um jantar indiano dos deuses,  um delicioso pato assado em sua pequena Chinatown, saborosas comidinhas típicas na feira de Camdentown e o melhor sanduba de bagle da sua vida.

“Quem converte não se diverte”, disse o Márcio Kameoka no pub The Tabard, nossa primeira parada na cidade para o grande encontro. Após nove meses de saudades, fomos para Londres visitar nossos brothers do coração: Rafa Gobara, a felizarda que trabalha (e mora) no pub com um time de brasileiros nota mil, e o querido Fábio Almeida, que me apresentou lugares sensacionais na cidade (aguarde os próximos toasts).

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Como o ‘ovo é um mundo de codorna’, Henrique e Sérgio estavam de passagem por Londres no dia da nossa chegada. E o Kameoka também mora na cidade. Foi um encontro digno de seriado. Só com muita cerveja para aguentar a emoção.

As deliciosas cervejas dos pubs londrinos, felizmente, não são muito caras, na comparação com as daqui. A média, no The Tabard, é de 2,85 libras (12 reais). Só essa conversão já vale um pint de Guinness, Old Speckle Hen, Pilsner Urquell ou Kronenbourg 1664 para comemorar. Agora você já sabe porque a terapia do inglês é ficar no pub até 23h (quando tudo fecha), sair feliz e bem bêbado na rua, pegar seu ônibus para casa e se preparar para um novo dia… uma nova vida.

Mas se você está de férias e não tem nada a ver com isso, sempre há a Companhia dos Índias Ocidentais para lhe servir. “Vai lá no Índia pegar uma breja”, dizia a Rafa referindo-se às lojas de conveniência, geralmente comandadas por indianos, onde você encontra de tudo, incluindo latas de meio litro de Stella Artois, Grolsch ou Carlsberg geladinhas até por menos de 1 pound para beber enquanto espera o night bus chegar.

Ah! A comida… bom… o primeiro prato que vi no Tabard foi o fish and chips que o Fábio pediu. Embora a Ju (Stru), que comanda a cozinha no estilo Anthony Bourdain, insista que é tudo pronto, alguns pratos merecem destaque.

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O fish and chips é a fritura com fritura – a conversão de calorias também deve ser abolida em uma viagem à Inglaterra. Tradicionalmente, o prato vem com um filézão de peixe empanado, fritas, ervilhas  e molho tártaro para dar um gostinho. No Thabard você come seu fish com purê de ervilhas, que eu acho mais gostoso.

Vai salgar suas fritas? Cuidado. Os ingleses amam pimenta. Sendo assim, o ‘saleiro’ (com mais furos) tem pimenta do reino e o outro leva sal. É só seguir a lógica da direção invertida, que dá tudo certo.

O hamburguer do pub tem jeitinho brasileiro, já que as meninas temperam a carne, o que é uma ótima notícia. A torta de carne com cerveja (acho que chama-se Stake & Beer Pie) é um clássico dos pubs, especialmente porque cada um prepara a torta com uma cerveja diferente. No Tabard, com Old Speckle Hen, a torta de carne com uma espécie de molho roti acompanha purê de batatas e legumes cozidos para deixar a culpa [se ainda tiver alguma] um tiquinho mais leve.

Achou tudo muito heavy metal? Então espere pelos os ovos com bacon que o Sérgio pediu. Até aquele primeiro dia em Londres, para mim, ovos fritos eram acompanhados de tirinhas de bacon. Foi então que o Sérgio apresentou um filé parecido com uma picanha de lombo embaixo de dois ovos com fritas. Impressionante. E estava uma delícia. Colester… o quê? Esqueça. Quem converte não se diverte!

The Tabard – 1 Bath Road, W4 1LN – Chiswick, Londres.

Caffè

junho 10, 2007

Madrid tem ótimos cafés. O espresso do Il Caffè di Roma (1,50 euro) – rede de cafeterias do Grupo Lavazza – é fenomenal. Eles também oferecem variedades da Colômbia, Jamaica e do Brasil. Nesse ponto, cafés como o Santo Grão e o Cafeera, em São Paulo, não ficam devendo.

Outro lugar bem bacana é o 4D, que tem uma gelateria ao lado. Não deu tempo de provar o sorvete de lá, mas parecia bom. Tomamos café sentados no balcão (mais barato do que na mesa) e o mini-muffin de chocolate estava uma delícia. Valim foi de chá (té). Já estava se preparando para a temporada londrina.

O garçom foi com a nossa cara e indicou os bares com tablados e apresentações de guitarra flamenca, que só os locais conhecem. Perdemos o tacón flamenco, mas a dica é a Calle Cava Baja, que tem muitos restaurantes e bares convidativos.

4D Caffeteria Gelateria – Calle Cuchilleros, 17/19 – Madri.

O Bar do Partido

junho 4, 2007

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A Casa Labra, dica da Denise Samarone, que teve a felicidade de morar em Madri por quatro meses, vale um post só pelo apelido que acabamos dando ao lugar: o bar do partido.

O boteco e restaurante, que fica na rua da loja de departamentos El Corte Inglés, é histórico não só pelos bolinhos de peixe fritos na hora. Lá foi fundado o Socialista Operário Espanhol (PSOE), em 1880.

A história ficou marcada durante a viagem. Nós tínhamos de visitar o local de qualquer jeito. Como nunca lembrávamos o nome acabou virando “bar do partido”.

casalabrabolinho.jpgNo penúltimo dia, finalmente, fomos fazer um happy hour rápido no bar, que está lá desde 1860. O lugar antigão, com pé direito bem alto, é muito estiloso.

O serviço da Casa Labra é engraçado. No balcão da direita, as pessoas fazem fila para comprar os bolinhos e depois se ajeitam, do lado esquerdo, no balcão das bebidas.

A expectativa era tanta, que fui logo pedindo quatro ‘tapas de bacalao’, a especialidade da casa. Alê arrumou o espaço no balcão lotado e as cervejinhas.

Os pedaços de bacalhau bem tenros são empanados com leite e trigo. O resultado é bem diferente. Tanto o sabor como o preço são um pouco salgados – se não em engano, 2 euros cada – mas a Casa Labra tem história e a caña é boa. Merece a visita. Valeu Dê!

Casa Labra – Calle Tetuán, 12 – Madrid.

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Nada de ficar horas sentado no boteco. Em Madri, o negócio é sair de bar em bar, ou ‘salir de tapas’, bebericar, comer um petisco no balcão (‘picar en la barra’) e partir para o próximo e o próximo e… aí já viu que beleza.

O agito nos botecos perto da Puerta del Sol começa lá pelas 23h, mas vida de turista é dura e chegamos mais cedo. Para facilitar sua vida, a maioria dos bares exibe as matérias-primas de seus petiscos em vitrines.

É uma diversão olhar decorações de cogumelos gigantes, miúdos de porco, lulas, abobrinhas, camarões, peixes e até polvos montados com pimentões e tomates para atrair o botequeiro.

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Muitos bares oferecem uma porção de cortesia. Podem ser as papas alioli, uma espécie de maionese de batatas mais cremosa com sabor bem acentuado de alho, ou azeitonas recheadas com pimentão ou pepinos em conserva enrolados em filezinhos de aliche. Hummm. E de graça!

Nas duas visitas ao La Fragua De Vulcano, rolaram as papas alioli e asinhas de frango picantes. Lá também comemos uma maravilhosa porção de camarões na chapa e uma bela paella, que custa 5 euros e dá pra dois (com fome). Regue com o limão siciliano e mande ver. O lugar é uma delícia, o atendimento é ótimo e tem TV para os meninos que amam futebol.

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As azeitonas foram cortesia da Cervecería La Cruz de Malta. As cañas não são tããão boas como as da cerveja San Miguel, a Skol da Espanha, mas valeu a bebedeira com o Alê no balcão.

Essa estratégia da cortesia é perfeita. É uma porção pequenina só para aguçar seu apetite. Resultados: o cliente bebe mais para acompanhar a tapa e depois acaba pedindo uma porção. Os donos de bares daqui deviam adotar a cortesia. Uma tapinha não dói…

La Fragua Del Vulcano – Calle Alvarez Gato, 9 – Madri.
La Cruz de Malta – Calle Victoria, 4 – Madri