Yuzu é pra jacu
novembro 4, 2007

Por Henrique Martin*
Começando a série de toasts “Henrique asiático”, o primeiro da coisa mais legal que bebi nos últimos tempos: Yuzu. Antes, uma breve introdução ao mundo dos líquidos no Japão: bebe-se muito chá (menos exóticos que na China; os mais comuns são o Oolong e o Verde), muito café gelado (bizarro, mas real, nas variantes puro ou com leite), porém muito pouco qualquer coisa gasosa. Eles são meio que contra coca-cola e bebidas gaseificadas em geral.
Tente achar um mísero restaurante em Tóquio que sirva coca! Nem fast-food de curry indiano vende! Os japinhas olham com cara de ‘que é isso?’. É mais fácil achar Calpis Soda (a com gás) na Liberdade que no Japão (é sério – só vi em uma vending machine e era latinha).
Mas alguns lugares selecionados não têm coca-cola, mas têm Yuzu (ou Yuzu Soda). E é sensacional. Yuzu, em comparações ocidentais, é como se fosse uma Schweppes Citrus melhorada demais, com mais laranja e bem mais amarga (talvez sem a maçã da Citrus). Vem em versões prontas, servidas como refrigerante mesmo, ou preparadas na hora.
Alguns lugares, como o Cafe Moco (delicadamente apelidado de “mocó”), em Akihabara, fazem do modo “roots”: botam uma geléia de laranja e especiarias no fundo do copo, enchem de gelo e de soda limonada. Fica sensacional e vem com uma colherinha de pau para você comer a geléia que ficou lá embaixo.
De qualquer modo, os japoneses mais tradicionais vão estranhar se um ocidental pedir Yuzu – acho que eles acreditam que é algo tão cool pra um gringo beber ou, sei lá, não é coisa pra estrangeiro. Mas vale a pena e você ganha o respeito deles – mais que isso, só se cantar em japonês em um karaokê.
*Henrique Martin é jornalista de tecnologia e editor do site Zumo. Recentemente viajou ao Japão, de onde trouxe diversas curiosidades gastronômicas.
Crazy Town
agosto 12, 2007

Todo mundo que voltava de Londres me dizia “Você tem de ir a Camden Town!” ou “Você vai pirar em Camden Town!”. Todos estavam certos, mas acho que é impossível não adorar aquele lugar.
Camden Town, aos domingos, é uma piração. De brechós bacanas, a artigos de decoração, móveis e comidas, muitas comidas típicas, você simplesmente quer levar tudo. Felizmente, o limite de bagagem controla sua sanidade. Já o excesso de comidas e cervejas fica por sua conta.
Na área de alimentação, a escolha é difícil. Se você passar entre as barracas de comida tailandesa, por exemplo, e olhar dois segundos a mais eles já vão fazendo seu prato.
Alê, Almeida e eu avaliamos todas as delícias, babamos na travessa de chucrute da barraca alemã, mas ficamos no oriente. Eles foram de frango com gengibre e outras iguarias chinesas e eu me encantei em uma barraca de comida marroquina-hippie e fui de kebab de frango marinado no iogurte, ervas e saladas.
Nunca fiquei tão feliz em comer na escada de um lugar, mesmo porque, pelo que se pode imaginar, não há mesas suficientes e muito menos garçons em um lugar como Camden Town. A comida e a companhia eram ótimas. O que mais você vai querer?
De estômagos devidamente cheios fomos esvaziar os bolsos nos brechós e lojinhas da gigantesca feira. Para comemorar as compras, Fábio Almeida nos levou em um pub no final da rua principal de Camden: The Lock Tavern.
Pausa para a versão do momento: “Won´t you take me to… Camden town…” (FunkyTown, do Lipps Inc.).

Depois de muitas andanças, turismo e fortes emoções na Inglaterra, restando apenas dois dias para deixarmos Londres, era hora de viver como os lonrinos – chegar cedo e mergulhar na terapia do pub. E o local escolhido foi perfeito. Um pub estiloso, com muita gente bacana e animada se divertindo entre o três andares e dois terraços do bar. Não deixe de tomar uma cerveja por lá – se conseguir tomar uma só – e prove o churrasco de hamburguer feito na hora.
Pegamos uma mesa por volta de 17h, bebemos muitos pints, brincamos com o balões de hélio que decoravam a balada rock´n´roll ao vivo e saímos de lá mais de três horas depois, rindo, despreocupados e felizes da vida. É tudo verdade. Você tem de pirar em Camden Town.
The Lock Tavern – 35 Chalk Farm Road, Camden Town – Londres. Tel: 020 7424 9067
Fame
julho 31, 2007

Imagine-se almoçando no refeitório de uma escola de dança, em Londres, cheio de jovens com seus sandubas e iogurtes naturais, batendo papo e alongando as pernas nas cadeiras.
O seriado “Fame”, da década de 80, foi a primeira imagem que me veio à mente ao entrar no restaurante da academia The Place, pertinho da estação Kings Cross, onde estávamos hospedados.
O responsável por esse ‘achado’ de Londres foi Marcos Sêmola, querido colunista veterano do IDG Now! e excelente anfitrião. Nada melhor do que deixar a chuvinha chata da cidade lá fora e almoçar um prato de fuzilli ao molho branco – simples e bem feito – em ótima companhia.
Durante o almoço, Sêmola contou que adora ir ao The Place para dar uma espairecida. Há três anos em Londres, até pão de queijo e feijoada ele já sabe onde encontrar. Outro dia escreveu para contar sua mais nova descoberta: Açaí.
“O lugar se chama Neal’s Yard Salad Bar e fica um lugar bem gostoso no meio de Convent Garden. Estão estabelecidos desde 1982 e são especializados em comida vegetariana. Mas o bom mesmo foi me deparar com aquele tigela de açaí com banana e granola. Claro que não se compara ao mesmo prato feito belo Bibi Sucos, mas estando tão longe do Rio, não há nada melhor!”, contou.
Com preços acessíveis e opções saudáveis, o “Fame” rendeu replay para um café-da-manhã com Alê e Valim. Eles gostaram, mas sentiram falta das bailarinas. O agito rola no almoço mesmo.
The Place – 17, Duke´s Road – Londres.
Pra lá de ‘olde’
julho 30, 2007

Pelos lados da City, a “cidade original” de Londres, é comum encontrar advogados usando aquelas perucas brancas de época. Bem que procuramos, mas não vimos nenhuma figura dessas. Encontramos, no entanto, um dos pubs mais antigos da cidade: o Ye Olde Cheshire Cheese.
“Olde” é pouco para descrever a idade do lugar. O estabelecimento reconstruído em 1667, após o grande incêncio de Londres, fica em uma rua de paralelepípedos bastante estreita e pouco iluminada. Cenário perfeito para um filme de suspense…

O pequeno salão de entrada, decorado em madeira escura, com quadros muito antigos nas paredes, deixa o ar ainda mais misterioso. Na mesa ao lado, altos executivos bebiam seus pints na hora do almoço – sem peruca.
Como diria Jack, o estripador, que também deve ter tomado umas por lá, vá por partes. Peça sua cerveja, que ainda por cima tem um preço abaixo da média (2,50 o pint se não me engano), dê um tempo em uma das mesas e depois faça um tour pelas intermináveis salas do pub.
Ye Olde Cheshire Cheese – 145 Fleet Street, City – Londres
Tea… lot´s of tea
julho 29, 2007
City é o nome dado à parte mais antiga de Londres. Em cada ruela da ‘cidade original’ há um impressionante acúmulo de história, mistérios e, segundo Fábio Almeida, de muita poeira.
Nesta região está localizada a Temple Church, uma igreja simples e bastante peculiar. Para visitá-la não é preciso pagar dez pounds de entrada, o que é comum na maioria das catedrais de Londres. Tivemos a felicidade de participar de uma missa celebrada por um coral espetacular e depois vimos de perto as efígies de quatro cavaleiros templários – bem Dan Brown mesmo.
Pertinho da Temple está a antiga loja da Twinings, cujas paredes certamente não têm ouvidos ou ficariam loucas. Em seu livro “História do mundo em seis copos”, Tom Sandage conta que, em 1717, Thomas Twining, dono de um café em Londres, abriu uma loja de chás ao lado, só para as mulheres. Foi a alegria das inglesas, que saíam para comprar seus chás ou tomá-los no salão enquanto falavam da vida alheia… daaarling.

Hoje, essa mesma loja, muito tranquila e belíssima, exibe prateleiras repletas das mais variadas infusões. E os preços são ótimos. Por uma média de 1,50 a 2 libras você compra, por exemplo, uma caixa com 20 saquinhos de chá de camomila com folhas de limão (delicioso) ou de chá preto com laranja e canela. Dá para fazer a festa e trazer chás… muitos chás de lembrança.
A loja também vende xícaras de porcelana para seu chá. Como colecionadora de canecas e xícaras não pude resistir a levar uma (3,99 libras). Ela está aqui, lovely, ao lado do micro, me ajudando a trazer boas lembranças de lá.
Twinings – 216 The Strand, City, Londres.


