Se essa rua fosse minha
agosto 19, 2006

Entre a Rua da Cantareira e a Avenida Tiradentes, no Centro, esconde-se a Paula Souza, rua onde chefs, donos de restaurantes, lanchonetes, pizzarias e botecos equipam suas cozinhas, a preços amigos.
Em pouco mais de três quarteirões mágicos encontram-se diversas lojas com tudo o que você precisa para ser feliz no fogão, ou tudo o que você não precisa, mas ainda sim quer ter… de qualquer jeito.
De férias fui testar a resistência entre panelões de refeitório para ‘aquela feijoada’, chapas, frigideiras, espremedores de sucos profissionais, spagueteiras, fogões a lenha, máquinas de cortar massa e até um baleiro de vidro no formato de um Fusquinha – precisar, não precisa, mas é o máximo e só custou R$ 25.
Para relaxar depois de aplacar o vício dos utensílios domésticos dê uma parada na Esquina na Cachaça (Paula Souza com a Cantareira). Lá é possível degustar e comprar uma variedade extasiante de pingas de alambique – desde as bacanas como Germana, Santo Grau, Boazinha, Cachaça do Parol, Espírito de Minas, João Mendes e Chico Mineiro (em diversos níveis de envelhecimento e embalagens), até as mais suspeitas batizadas com trocadilhos como Tira Mágoa, Malvada, Tome Juízo entre outros nomes divertidos também encontrados no site do Museu da Cachaça.
Se ainda estiver de pé, atravesse a rua e adentre o empório Metapunto paraíso de azeites, chocolates, massas e bebidas importados. Lá encontrei toda a linha de chocolates holandeses Droste. As pastilhas de chocolate com laranja (R$ 9) vão muito bem com um café expresso. O dark chocolat com 72% de cacau é ótimo – com café deve ser algo do tipo ‘Suco Gami’.
A adega é bem variada já que o empório trabalha com Expand, Mistral, Casa do Porto, Adega Alentejana etc. Comprei um nacional da Miolo, o Fortaleza do Seival Tannat por R$ 19,50 – jovem, frutado e agradável. A área de cervejas também é bem-servida. Encontrei uma long neck da inglesa Old Speckle Hein, mas o preço estava salgado. Levei a brasileira Devassa por R$ 3,90 – a loira-pilsen e a ruiva-ale foram aprovadas.
Para encerrar sua cruzada gastronômica, avance apenas dois quarteirões na Rua da Cantareira e encontrarás o Santo Mercado Municipal. Se tiver o coração puro e o estômago vazio coma um pastel de bacalhau e tome chopes Brahma no Rocca Bar. No passeio para fazer a digestão é impossível resistir à iguarias do Mercadão. Após uma pesquisa rápida, os quijos mais em conta estavam no Empório Petali, que vende pela internet e entrega compras acima de R$ 100 em qualquer endereço da cidade, sem taxa.
Cajé:Rua Paula Souza, 198 (panelão de alumínio nº 28 por R$ 42). Tel: (11) 3311-0301
Companhia das Cozinhas: Rua Paula Souza, 222 (spagheteira Panex por R$ 68). Tel: (11) 3228-4022
Mig Center: Rua Paula Souza, 316 (escorredor de massas de inox por R$ 33). Tel: 3227-5681
Esquina na Cachaça: Rua da Cantareira, 589. Tel: (11) 3328-8220
Metapunto: Rua da Cantareira, 651. Tel (11) 3328-8200
Empório Petali: Rua da Cantareira, 306 (rua E box 19). Tel: (11) 3313-5053
Pãodcast
julho 31, 2006
Quem gosta de cozinhar e tem iPod, o famoso (e caro) player da Apple, ganhou uma mãozinha de Olivier Anquier, o famoso (e belo) chef e padeiro francês.
O Programa do Olivier, transmitido na internet gratuitamente desde 2004, ganhou uma versão para o tocador portátil. Isso significa que você pode (se tiver iPod) levar o Olivier para te alegrar na espera de uma reunião entendiante, para te acompanhar na cozinha, para tomar um café…
E se você não tem iPod, divirta-se no computador mesmo com a didática, o sotaque e o jeito ‘lá em casa’ do chef. O site é recheado de outras dicas e mais de 400 receitas.
No programa de julho, Olivier prepara ‘una sop di cebol gratinad’. A receita é super simples, barata e você fica muito bem na fita. Salgado é só o preço das panelinhas maravilhosas da La Grande Maison que ele usa para servir a sopinha.
Para beber sem estourar o orçamento, indico os vinhos franceses Figaro Rouge 2002 (US$ 10,90 na Mistral) ou Cave de Ladac (R$ 19) no Pão de Açúcar. Voilá… lá em casa.
Restrições
julho 11, 2006
Como é bom cozinhar para os amigos (quando a comida dá certo, é claro). Mas tem uma sensação melhor: converter alguém com a sua comida.
Certa vez fui preparar um prato bem brazuca no open house do querido Felitti, autor da foto ao lado e do popular CháQuente.
Carne seca acebolada com manteiga de garrafa, purê de abóbora, couve e arroz. Um dos convidados, ninguém sabia, não comia carne seca nem por decreto.
Imagine o sofrimento de ter alguma restrição alimentar, que vem a ser justamente o prato principal de um pequeno evento? Pense na sensação de estômago vazio e desespero pensando se revela que não come aquilo nem amarrado, se alega dieta, simula um desmaio, ou então torce para aparecer um cachorropela casa pra despachar o inimigo. E o medo de passar mal após a primeira garfada diante da cozinheira ansiosa? Que gastrite.
Acho que todo mundo já passou por isso. Tive um episódio, certa vez, com figo em calda. Olhei bem pra cara daquele figo verde de compota, coloquei um pedaço na boca bravamente e… detestei. Não consegui nem engolir o comentário “Ah. Não vai dar”, soltei. Ninguém se feriu, ou melhor, ninguém me feriu.
No dia da minha comida, a meiga e doce Dani Moreira foi digna. Ficou calada, enfrentou a carne seca, comeu e… repetiu. Depois daquele dia, Moreira nunca mais deixou de comer carne seca. Não só a minha, mas carnes secas de diversas cozinhas, em PFs, restaurantes, botecos, casas de família, bares, entre outros lugares. Agora, ela se prepara para ir à Europa onde deve eliminar outras restrições alimentares, ou então, levar carne seca na bagagem.
Essa história real de conversão foi revelada ao BraunCafé na semana passada, meses após o open house. Pouco depois, Dani estava diante, é claro, de mais um PF com carne seca. Que orgulho.
A linda carne seca e a manteiga de garrafa daquele open house vêm de um lugar mágico: o Açougue e Casa do Norte Santana, que não fica na Zona Norte, mas na Bela Vista e tem muitos produtos específicos nordestinos de boa qualidade. Vende até caldo de eguia (?). Indico para todos os feitiços culinários de conversão. Será que funciona com arroz e feijão? Aguardem os próximos capítulos de ‘Restrições’.
Açougue e Casa do Norte Santana: Rua Peixoto Gomide, 72 – Bela Vista.
Feitiço: peça para o açougueiro Pedro cortar meio quilo de carne seca. Ele vai dizer que é tão macia, que você nem precisa colocar na pressão. Ignore. Lave a carne um pouco em água corrente, corte em pedaços grandes e coloque na panela de pressão com água. Quando a panela começar o ‘chique-chique’ deixe cozinhar por 20 a 30 minutos.
Retire a pressão, escorra a carne e desfie com um garfo. Se alguém aparecer na cozinha oferecendo ajuda, terceirize a função. Refogue, na manteiga de garrafa, uma cebola grande cortada em rodelas. Ponha a carne, refogue mais um pouco, coloque um punhado de salsinha picada e mande ver.


