Aventuras, revelações e sabores da Restaurant Week 2011

abril 2, 2011

Risotto di Salmone con Pisseli do Vicolo Nostro (cubos de salmão, ervilhas frescas e hortelã)

Depois do Obá, a ‘maratona’ do Braun Café na 8ª São Paulo Restaurant Week 2011 passou pelo italiano Vicolo Nostro, o chinês Ping Pong e o francês Robin de Bois. A temporada paulista de cardápios promocionais em 300 restaurantes da capital e 12 cidades paulistas termina neste domingo (3/4), mas deve voltar no segundo semestre.

Juntei neste ‘toast’ minhas impressões de mais três restaurantes visitados e algumas considerações gerais para quem quiser arriscar uma reserva aos 45 do segundo tempo ou já ficar de olho na próxima temporada.

“Vale a pena participar da Restaurant Week?”, perguntei ao sócio-proprietário do Robin de Bois enquanto esperava minha irmã para o jantar, na última quinta-feira. “Vale sim porque você divulga o restaurante e muita gente volta”, disse Otávio. “E o preço do nosso cardápio não está tão acima da promoção. É possível fazer uma refeição por R$ 45 em um dia normal, com entrada e prato principal, que é bem servido, ou prato principal e sobremesa”, comparou.

Opção no cardápio promocional do Vicolo Nostro: Tortelloni d' Agnello (massa fresca recheada com cordeiro ao molho cremoso de sálvia)

Em seu segundo ano de Restaurant Week, o proprietário do bistrô aberto há três anos também fez uma observação interessante: “Se você não entrar na Restaurant Week, prepare-se para ficar com o restaurante vazio por duas semanas… Pode até aproveitar para fazer uma reforma (rs)”.

Levantei a questão após ter lido uma entrevista da chef Paola Carosella do Arturito, que estreou na SPRW com reservas esgotadas antes do início do evento. A chef criticou o evento  dizendo que os preços praticados na Restaurant Week são muito baixos, levando restaurantes a oferecer produtos de qualidade inferior.  Pelo que pude provar em dois ótimos jantares no Robin de Bois e no Obá, por exemplo, o argumento pode ser descartado. Como disseram amigos “ninguém é obrigado a participar”. E se participar, que seja para fazer bonito e atrair clientes depois da promoção.

Ping Pong: saladinha de agrião com shitake e Pork puf (massa folhada com recheio de mignon suíno, coberta com mel e gengibre)

E vale a pena sair de casa às 11h, se perder no Brooklin para chegar às 12h no caro e bem cotado Vicolo Nostro, sem perder a reserva? No meu caso e da amiga Cecília, a aventura compensou pelos ótimos pratos principais: Risotto di Salmone con Pisseli (com cubos de salmão, ervilhas frescas e hortelã) e  Tortelloni d` Agnello (massa fresca recheada com cordeiro ao molho cremoso de sálvia).

A salada caprese estava boa, mas nada espetacular (a gente faz em casa). Já a salada de folhas com croutons feitos de polenta frita mostrou criatividade dentro do orçamento. As sobremesas  (ambrosia e banana flambada com sorvete de creme) estavam gostosas, mas nada de mais. O que me deixou surpresa foi o serviço tão rápido a ponto de servirem as entradas antes das bebidas, claramente um sinal de que a clientela precisava ‘circular’.

O melhor do Ping Pong: bolinhos de massa fina ao vapor recheados de carne de caranguejo e camarão, frango e castanha e camarão e broto de bambú

Percebemos a pressa, mas não demos muita bola. Para celebrar a aventura, arriscamos um rosé francês que custou o almoço das duas (R$ 59), mas era a melhor relação custo-benefício que encontrei. Estava leve e refrescante, perfeito para o ‘almoço do meio-dia’ no sábado. O café com muitos docinhos também foi uma ótima pedida (R$ 5) fora do cardápio. Voltarei ao Vicolo fora da SPRW? Difícil. A maioria dos pratos do cardápio regular custa entre R$ 50 e R$ 80.

No domingo passado foi a vez do chinês Ping Pong. Cheguei às 13h pontualmente e minha reserva estava lá. Como fui sozinha peguei uma mesa no balcão e pude acompanhar a chef Paula Villas Boas dando saída nos pratos para o restaurante lotado por conta do evento. Também fiquei observando o preparo dos bolinhos ‘dim sum’ feitos em recipientes de bambu, furadinhos, em plataformas de vapor.

Mousse de capim santo com gelatina de maracujá também agradou no Ping Pong. Atendimento não foi tão doce para alguns clientes.

A porção de três pequenos bolinhos com massa finíssima semelhante à do guiozá e recheios de caranguejo, frango e camarão foi o que mais agradou no amplo cardápio elaborado pelo Ping Pong. A saladinha de folhas de agrião com shitake, tiras de cenoura e gergelim também estava saborosa.

Na sequência vieram os fritos – Rolinho primavera com legumes e Crispy prawn ball (Camarões fatiados com cebolinha em macarrão de fios de ovos) -, o assado Pork puf (Massa folhada com recheio de mignon suíno, coberta com mel e gengibre), os bolinhos no vapor e ainda uma cumbuca de arroz a base de leite de coco com molho de frango (um pouco salgado). Achei o cardápio bem farto, mas meio carregado. Valeu pelos delicados bolinhos e pela sobremesa (mousse de capim santo com gelatina de maracujá).

Tartare de Saint Pierre com saladinha de rúcula e chips de batata. Boa comida e simpatia no Robin de Bois

O atendimento do Ping Pong foi correto, porém um pouco tenso. Compreensiva, cheguei a levantar da cadeira e ir direto ao balcão para pedir outra água – os garçons perceberam e pega mal para eles. Já duas amigas, que estiveram por lá esta semana, quase partiram para o Kung-Fu. A reserva não tinha sido anotada e as duas quase imploraram pelo atendimento “do refri ao cafezinho”, contou a Simone.

Um belo dia, quando a equipe estiver mais tranquila, pretendo voltar ao Ping Pong fora da SPRW para provar os combinados de bolinhos, que parecem acessíveis (R$ 30 a R$ 40), e os chás florais chineses – outro destaque da casa.

Clássico Boeuf Bourguignon com purê de batata e couve crocante

Finalmente, meu espírito ‘Magali’ sossegou na última quinta-feira em um lugar que eu queria muito conhecer, e que superou minhas expectativas: o bistrô Robin de Bois. De cara me encantei com e clima e a decoração do lugar, inspirado na matriz nova-iorquina que começou como antiquário há 11 anos. A simpatia e atenção do dono da casa, em plena loucura de Restaurant Week, o bom-humor dos garçons e, é claro, a comida saborosa e bem preparada me conquistaram.

A casa também oferece diversas opções interessantes de vinhos em taça e mini garrafas (R$ 14 a R$ 18 em média). Uma taça do adorável Figaro Rouge rosé foi minha escolha (R$ 14) para o jantar. Destaque para o bem temperado tartar de saint pierre com salada de rúcula, o boeuf bourguignon acompanhado de purê de batata e couve crocante e o filé de saint pierre ao molho de maracujá acompanhado de purê de batatas com gengibre.

Le Moules - Mariscos cozidos ao molho Robin (creme de leite, vinho branco e tomate). Há opções de molho ao curry e com leite de coco

Nas sobremesas, a torta de maçã ‘invertida’ (massa crocante quente com canela sobre lâminas de maçã cremosa) ganhou do gateau de chocolate meio-amargo com creme inglês. Falando em doces, o bistrô fica ao lado da Maria Brigadeiro e também oferece no cardápio os quitutes ‘gourmet’ da vizinha para a hora do café.

O único porém do Robin de Bois é a proximidade das mesas para dois (quase entrei no bate-papo sobre música com o casal ao lado). A aproximação faz certo sentido nos bistrôs apertadinhos, mas acho que o restaurante tem espaço para dar mais privacidade aos clientes.

E finalmente, tive mais uma surpresa fora do cardápio do bistrô. Matei a curiosidade e a vontade de comer uma das especialidades da casa: Le Moules (tenros e deliciosos mariscos ‘lambe-lambe’ à moda francesa cozidos em molho de vinho branco, creme de leite fresco e pedacinhos de tomate). A porção farta (R$ 38) acompanha fritas crocantes e fatias de pão ‘tipo italiano’ macio e quentinho. Quase desisti do menu da Restaurant Week para pedir mais. Vale dar uma ligada antes para checar se é dia de mariscos.

Ping Pong – Rua Lopes Neto , 15 – Itaim Bibi – São Paulo (SP). Tel.: (11) 3078-5808

Robin des Bois – Rua Capote Valente , 86 – Pinheiros – São Paulo (SP). Tel.: (11) 3063-2795

Vicolo Nostro – Rua Jataituba , 29 – Jardim das Acácias – São Paulo (SP). Tel.: (11) 5561-5287

5 Responses to “Aventuras, revelações e sabores da Restaurant Week 2011”

  1. moi Says:

    ótimas dicas, Braun. Fiquei com vontade de conhecer o Robin. O Vicolo é bom pelo ambiente, vale um jantar romântico, por exemplo, mesmo que um tanto mais caro.

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  2. moi Says:

    Ah, Jordana Viotto ai em cima, esqueci de mudar o login. =P

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  3. […] minha sorte estava ocorrendo o Rio Gastronomia, um tipo de Restaurante Week carioca (inclusive com o formato de menu com entrada, prato principal e […]

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