Sanduba de espinha
julho 18, 2007
Pedir um peixe e se deliciar com… as espinhas? Isso já deve ter acontecido com muita gente, mas nada justifica o fato de que o cliente tenha de fazer o trabalho que o pessoal da cozinha não fez – pegar uma pinça e caçar as espinhas no esquema manual.
Essa história da pinça, aprendi na cozinha do querido Renato Frias, no Chef du Jour, wem um curso prático de culinária no próprio restaurante, na Vila Olímpia. Dá trabalho, mas o importante é deixar o comensal tranquilo, apreciando o sabor do prato e não temendo engasgar com uma espinha entalada na garganta a cada garfada.
A equipe do bar Prainha Paulista levou uma bela bronca do gerente no último sábado. Lá eles preparam o que eu chamo de “Mc Fish superior”. O robusto sanduba de filé de peixe empanado, com queijo e vinagrete (12 reais) é delicioso e não costuma ter surpresas. Já peguei algumas espinhas, mas estava tão bom, que deixei passar.
Desta vez, no entanto, meu acompanhante pediu o sanduíche de peixe com queijo, que é um pouco mais simples – no cardápio, além de 2 reais de diferença, este último não vem com vinagrete. A versão mais modesta do que a ‘especial’ estava saborosa, mas a quantidade de espinhas e escamas por mordida era impraticável.
Será que o cozinheiro preguiçoso imaginou que o pão aliviaria as espinhas dos filés de pescada? Pensou errado. Levou ‘pito’ da gerência e o sanduba foi trocado por um de calabresa. Bem mais seguro.
A pinça para espinhas de peixe é facilmente encontrada em lojas de utensílios domésticos no bairro da Liberdade. O curso do Renato para pequenos grupos é um delicioso aprendizado.
Chef du Jour – Al. Raja Gabaglia, 133, Vila Olímpia – São Paulo. Tels: (11) 3845-6843 / 3846-1502
O melhor pão com bife ever!
julho 11, 2007
*Por Rê Mesquita

Fotos: Henrique (com fome) Martin
Pão com bife é mais que um lanche improvisado com as sobras de alguma outra farta refeição: trata-se de uma verdadeira instituição alimentar, mundialmente conhecida e reconhecida.
Aqui em São Paulo, você vai encontrá-lo em qualquer padaria que se dê o respeito como o famoso ‘churrasquinho no frança’, com ou sem queijo e com ou sem vinagrete – uma versão sensacional pode ser degustada no Fazenda, na Tamoios, voltando do Litoral Norte, com direito a fumaça no cabelo.

Em Portugal, é o prego no pão (comi um excelente em Belém, próximo ao Mosteiro dos Jerônimos). Nos Estados Unidos, é o não tão popular assim Bread and Beef, geralmente cheio de outras coisas como picles, mostarda, tomate, fatias de bacon etc.
Em quase qualquer lugar do planeta você pode comer pão com bife, qualquer que seja o nome com o qual é batizado (é óbvio que na Índia, por exemplo, não vai rolar). Em casa, você pode ainda fazer uma suculenta versão a cavalo, ou seja, com um ovo frito bem molinho em cima, para escorrer a gema entre os dedos. Mas tem um pão com bife que é inesquecível: o do Almeida, em Santos.

Essa casa quase octagenária (foi inaugurada em 1932) fica na beiradinha do centro santista e serve uma boa variedade de pratos que, imagino, devem ser todos saborosos. Mas meu pai, que ia lá na adolescência, me recomendou a pedir a iguaria (R$ 15), falando que era o melhor do mundo. O resultado? Toda vez que eu volto não consigo pedir outra coisa!
Tem que ser um pão com bife (um pedaço generoso de filé mignon com o miolo bem rosadinho, daqueles que soltam caldo a cada mordida), algumas boas fatias de queijo prato e um pão francês sempre, sempre, fresquinho e crocante. Não há nenhum segredo aparente, mas inexplicavelmente é de lamber os dedos! Se você for, peça com uma porção de fritas portuguesas (R$ 10) para acompanhar: é o par perfeito.
Restaurante Almeida – Av. Ana Costa, 1 – Vila Mathias – Santos – SP – tel.: (13) 3232-7508.
*Rê Mesquita é jornalista, adora cometer deliciosos pecados da gula e contar tudo por aqui. Foi para Portugal e não perdeu o lugar no Braun Café.
Guiozão e tempulá
abril 28, 2007
Logo ao sair da estação Liberdade do metrô aquela mãozinha de fumaça do desenho do Pica-Pau já lhe conduz ao lado direito onde estão as barraquinhas de mil frituras orientais na Feira da Liberdade. Fui em um sábado e peguei a versão mais compacta. Dizem que aos Domingos é uma loucura.
Comece pela barraca da ponta da Rua dos Estudantes. Lá, a família Nakamura prepara deliciosos guiozas grelhados na hora com diversas opções de molhos para acompanhar. O guiozão vale por dois e custa 2,50 reais. Já valeu o passeio.
Depois do guioza, não há como escapar das frituras. Entre espetinhos de camarões médios e graúdos, bolinhos de peixe e até codorna resolvi provar o “tempulá”, como disse o Sr. Lei ao me entregar o disco de massa frita com alguns camarões encrustrados. Da próxima acho que vou de bolinho de peixe ou do rolão primavera que eles servem lá.
O almoço foi devidamente fechado na premiada pastelaria Yoka – oito vezes entre as melhores da cidade segundo a Veja São Paulo. As opções de recheio são convidativas, mas eu estava no espírito japa girl e deixei o pastel de carne com ovo para outro dia. Fui de tofu, shimeji e cebolinha. Não sei se era muita fritura de uma vez só, se o recheio estava farto demais ou se eu devia deixar de inventar moda, mas não deu para terminar. Estava gostoso, mas percebi que meu amor pelo tofu não é tão grande assim.
Doce de feijão é outra coisa que requer amor. Os mercadinhos próximos à feira estão cheios deles. No fim das contas ainda não provei o tal doce, mas sei que o resultado é amar ou odiar. No mercado Oriental acabei comprando chá verde com arroz torrado “não é pra comer o arroz não, mas o gosto é melhor. Eu tomo sempre”, explicou a dona do estabelecimento. O suco de lichia (2,50 reais a latinha) tem gosto de lichia mesmo. Incrível.
E a famosa padaria Ikitiri, com seu bandeijão de doces e o suco de ‘sagu’? Fica para a próxima. Eles já ficaram famosos demais (rs). O lugar estava lotado e não me deixaram tirar fotos dos pães. Poxa… os doces estavam tão a vontade. Fiz duas na teimosia. Chilikitiri!
E por falar em Liberdade, vou entrar de férias. Em breve espero ter novidades do Braun Café Internacional (diretamente do cibercafééé!).
Yoka – Rua dos Estudantes, 37 – Liberdade (SP). Tel: 3207-1795.
Comércio de Comestíveis Oriental – Rua dos Estudantes, 38 Liberdade (SP). Tel: 3209-8830
Elídio e o time do coração
abril 1, 2007
Conforme anunciado no toast anterior, o projeto de virar freguesa do Elídio Bar está de pé. No último sábado estive na Mooca e até tentei visitar o vizinho Autêntico, mas o cardápio não apeteceu meu bolso (18 reais uma porção de pastéis???). Atravessei a rua e não me arrependi.
Nesta segunda rodada fui direto ao balcão de acepipes. Sardinha enrolada em azeitona, cebolinhas curtidas no vinho tinto – achei que era pinhão -, gorgonzola, linguiça curada, moela em azeite e temperos, batatinha escabeche e até um mini chuchu bem temperado estavam deliciosos. O pão italiano que acompanhou a porção podia estar mais fresco, mas não atrapalhou. Já o ‘pão líquido’ da Brahma estava perfeito.
Os pastéis do Elídio, vendidos individualmente (2,50 reais) – exceto sabores especiais como o de bacalhau (4 reais) – são bem mais baratos que os do vizinho. O tamanho é pequeno em relação ao da feira. Por outro lado, o recheio é farto. Adorei a solução para a eterna dúvida dos botequeiros sobre o sabor dos pastéis na porção. No Elídio, o saquinho que acomoda o pastel já vem com carimbo: “Carne”, “Queijo” e por aí vai.
Ao fim dos acepipes logo chegou o ‘Mooquinha’ fazendo presença na mesa. A versão do Elídio para o famoso ‘buraco quente’ vem no pão francês quentinho com parmesão gratinado no topo. O delicioso sanduba é generosamente recheado com carne moída, pedaços de tomate seco e azeitonas verdes.
E por falar em verdes, impossível deixar de notar o símbolo do Palmeiras e o “Verdão” entalhados em um quadro de madeira ao lado do caixa. Sim, o dono é palmeirense, embora alguns reviews na rede citem o “são-paulino Elídio Raimondi”.
Fui tirar a dúvida e a filha, Solange, confirmou. “Ah! Ele diz que é são-paulino às vezes, brincando… diz que gosta de ver o São Paulo jogar, mas o time de coração dele é o Palmeiras mesmo”, contou sorrindo. Aêêê Elídio… Primeiro de abril né?!
(18h55: Depois do resultado de hoje, o Elídio que me desculpe, mas o verdão virou freguês)
Elídio Bar – Rua Isabel Dias, 57, Mooca. Tel: (11) 6966-5805
Bolinho alemão e chope no replay
março 25, 2007
O Elídio Bar, no coração da Mooca, é daqueles botecos para se virar freguês. Só de olhar o vasto balcão de acepipes e a considerável galeria de fotos de futebol-arte refletindo a luz fluorescente você já sabe que está no lugar certo.
Como estava visitando ‘a sede’ fui dar um alô ao boleiro Sr. Elídio e perguntar de um tal bolinho de carne que tinham me indicado. No cardápio havia porções de bolinhos de carne, polpetta e bolinho alemão. Esse último, segundo ele, era o concorrente do Boteco Bohemia 2006, mas tinha também um bolinho recheado de carne e a polpetta era empanada e… agradeci sorridente e perguntei tudo de novo ao garçom.
A pedida foi o bolinho alemão, uma porção de pequeninas e apetitosas bolinhas de carne (só carne) bem temperadas, servidas sobre um pouco de molho shoyo e decoradas com um toque de mostarda e maionese. O chope Brahma, que as acompanhou, estava à altura. As bolinhas podiam até ser maiores, mas aí não sobrava espaço para explorar o resto do cardápio.
Difícil foi escolher a segunda porção entre tantas opções brazucas, alemãs e portuguesas. Para variar um pouco, a decisão foi costelinha de porco defumada na chapa com cebolas. A porção (para dois) vem acompanhada de torradinhas com alho. Não decepcionou, embora um pãozinho francês seja um companheiro mais adequado.
Creio que já encontrei o velho Elídio no mezanino do Mercado Municipal, onde está a filial do bar, com seus acepipes sortidos e uma vitrine com irresistíveis pastéis de Belém. No ano passado levei meus pais para um passeio e até hoje eles falam com gosto da sardinha grelhada do lugar. Isso porque eles ainda não sabem da versão crocante, sem espinha.
Gostoso é sair de um boteco já querendo voltar. Melhor ainda é poder fazer isso em dois endereços. O da Mooca tem mais charme, mas a filial do Mercadão também é bacana, apesar da lotação no final de semana. Recentemente passou por uma reforma e “reabre na próxima terça (27/03)”, disse o garçom.
Quem quiser virar freguês do Elídio já pode preparar o cara ou coroa para decidir o local e a porção da vez. O chope fica só no replay.
Elídio Bar – Rua Isabel Dias, 57, Mooca. Tel: (11) 6966-5805 (Abre as 16h e aguenta até o último cliente. Aos sábados começa mais cedo, às 11h30, e aos Domingos vai das 11h30 às 18h. Segunda-feira o Elídio precisa descansar)






