Café e bolo com dona Laurinda
novembro 22, 2007
Por Jordana Viotto*

Não fossem os tiroteios e as ocasionais balas perdidas, eu seria capaz de mudar para o bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, amanhã.Enfim… O bairro é charmosíssimo, cheio de ateliês lindos (me apaixonei por uma bolsa feita de negativos de filmes) e restaurantes deliciosos.
O pessoal sobe no bondinho (60 centavos) que equilibra-se nos arcos da Lapa e segue morro arriba, visita as lojinhas e ateliês e almoça por lá, aproveitando a vista do Rio que um bairro alto proporciona.
Provei um arroz ao açafrão com frutos do mar num restaurante chamado Sobrenatural. Pena que não tirei fotos, porque o prato estava muito bonito, mas minha fome era maior e eu só consegui lembrar quando o prato já tinha terminado. Mas não foi só pela fome que quase matei com uma amiga uma panela da iguaria. O sabor combina com o nome do restaurante.

A sobremesa e o café deixei para o Parque das Ruínas. Como diz o nome, são as ruínas de um castelinho da “belle epoque carioca”, onde morava uma moça chamada Laurinda Santos Lobo. Uma senhora distinta, que recebia a alta sociedade do Rio nos seus salões para ouvir Villa-Lobos ou ver Isadora Duncan – coisas básicas assim. Mas isso, no momento, não importa.
O que importa é que o parque tem um café supergostoso, que serve bolos e tortas também. As opções são poucas – três ou quatro. Mas os doces têm gosto de coisa feita pela avó. Experimentei o bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Recomendo!
Um belo lugar para passar um tempinho apreciando o sabor e a bela paisagem – lá tem um mirante de onde dá pra ver boa parte da cidade.
Restaurante Sobrenatural – Rua Almirante Alexandrino, 432, Santa Tereza – Rio de Janeiro – RJ.
Parque das Ruínas – Rua Murtinho Nobre, 169, Santa Tereza – Rio de Janeiro – RJ
*Jordana Viotto sempre conta ao Braun Café suas descobertas sobre as delícias da vida.
Pelos quatro cantos do Brasil
novembro 12, 2007
Até o dia 23 de dezembro, o Bar Canto Madalena promove um festival de culinária e música brasileiras trazendo um menu de almoço com especialidades de sete Estados.
A Rê Mesquita me passou a dica por e-mail e o menu, além de bem convidativo, é acessível (R$ 19 por pessoa). O festival começou no domingo, dia 11 de novembro, com a gastronomia do Piauí e a cachaça orgânica Mangueira, vinda diretamente de lá (R$ 3 a dose). Perdi o almoço do Piauí, mas já estou de olho no calendário:
18 de novembro – Minas Gerais
25 de novembro – Ceará
02 de dezembro – Pará
09 de dezembro – Pernambuco
16 de dezembro – Bahia
23 de dezembro – Especial de Natal
Como o nome indica, o bar fica em um cantinho mesmo, longe da badalação da Vila. A decoração meio retrô, meio ‘lá em casa’ – talvez inspirada na mercearia que funcionava antes no local – te convida a um longo happy hour.
Fora o festival, não deixe de escanteio o escondidinho e a porção de acarajé acompanhados de chope ou de uma das mais de 200 cachaças servidas por lá.
Canto Madalena – Rua Medeiros de Albuquerque, 471 – Vila Madalena. Tel: (11) 3813-6814
Bar do Mashup
novembro 8, 2007

Usando o termo da moda na internet, a Cantina e Bar do Magrão é um verdadeiro mashup. Na tranquilidade de uma área residencial do Ipiranga, você pode se acomodar na varanda do pub, tomar uma cerveja belga, alemã ou de Blumenau, e apreciar a decoração acidental – uma múmia no mezanino, um pôster de Charlie Chaplin no banheiro e a bandeira do Brasil.
No cardápio, a fusão de opções segue a linha da decoração do pub. Além da variedade de cervejas e das porções apetitosas, é possível pedir as massas caseiras da cantina – no salão ou na outra varanda ao lado do bar – ou uma feijoada bem servida para dois. A combinação fica por sua conta.
Estive lá em um sábado ensolarado e o mashup já começou pela Coca-Cola. O copo veio com limão congelado dentro da pedra de gelo. Bem prático.
E após degustar uma pilsen Paulaner, na medida, nada como uma bela massa. Por que não? O slogan da cantina já diz “Se magna e se beve.”
O ravioli de queijo (massa caseira) e a porção de porpetas ao sugo estavam perfeitos. Gui Felitti, que esteve lá há pouco tempo, recomenda o fetuccine na manteiga com tomates frescos, azeitonas e manjericão. O Magrão, aliás, está no “Mashup dos Botecos“, que ele começou a fazer no Google Maps.
Para embalar o almoço no pub, mais um mashup. Magrão, o dono – um cara magro, alto e que tem uma Harley – desligou a Kiss FM para a apresentação de um trio de chorinho, com direito a “Rock around de clock” no cavaquinho.
Depois dos saborosos antagonismos do Magrão recomendo um passeio pelos jardins do Museu do Ipiranga antes do por do sol. E fechou.
Bar do Magrão – Rua Agostinho Gomes, 2988, Ipiranga. Tel: (11) 6161-6649
Dobradinha de Elite
outubro 19, 2007
Não sou fresca para comida, mas não me venha com dobradinha, jiló e nem figo meu camarada! E depois de ver Tropa de Elite, também não comeria arroz e feijão no chão, sinceramente.
A Cecília, que também compartilha das mesmas “frescuras” já ganharia um ponto na equipe do capitão Nacimento.
Ontem, quinta-feira, dia 18 de outubro de 2007, Araújo bateu um pratão de dobradinha com feijão branco e paio, sem acompanhamento, fora uma taça de Shiraz. “Olha, é a dobradinha em tirar finas, muito macia…”, contou.
Conseguiram dobrá-la direitinho. Tudo bem que foi no Empório Ravióli e que ela teve acesso a uma cumbuquinha para degustar a dobradinha antes de ver se ia encarar o bucho.
Encarou, voltou sorridente ao trabalho e me mandou um e-mail com o título “Caio o Mito” para contar a história. “Tá de sacanagem comigo 02!”
Empório Ravioli – Rua Fidêncio Ramos, 18, Vila Olímpia (SP). Tel: (11) 3846-2908.
Sanduba de espinha
julho 18, 2007
Pedir um peixe e se deliciar com… as espinhas? Isso já deve ter acontecido com muita gente, mas nada justifica o fato de que o cliente tenha de fazer o trabalho que o pessoal da cozinha não fez – pegar uma pinça e caçar as espinhas no esquema manual.
Essa história da pinça, aprendi na cozinha do querido Renato Frias, no Chef du Jour, wem um curso prático de culinária no próprio restaurante, na Vila Olímpia. Dá trabalho, mas o importante é deixar o comensal tranquilo, apreciando o sabor do prato e não temendo engasgar com uma espinha entalada na garganta a cada garfada.
A equipe do bar Prainha Paulista levou uma bela bronca do gerente no último sábado. Lá eles preparam o que eu chamo de “Mc Fish superior”. O robusto sanduba de filé de peixe empanado, com queijo e vinagrete (12 reais) é delicioso e não costuma ter surpresas. Já peguei algumas espinhas, mas estava tão bom, que deixei passar.
Desta vez, no entanto, meu acompanhante pediu o sanduíche de peixe com queijo, que é um pouco mais simples – no cardápio, além de 2 reais de diferença, este último não vem com vinagrete. A versão mais modesta do que a ‘especial’ estava saborosa, mas a quantidade de espinhas e escamas por mordida era impraticável.
Será que o cozinheiro preguiçoso imaginou que o pão aliviaria as espinhas dos filés de pescada? Pensou errado. Levou ‘pito’ da gerência e o sanduba foi trocado por um de calabresa. Bem mais seguro.
A pinça para espinhas de peixe é facilmente encontrada em lojas de utensílios domésticos no bairro da Liberdade. O curso do Renato para pequenos grupos é um delicioso aprendizado.
Chef du Jour – Al. Raja Gabaglia, 133, Vila Olímpia – São Paulo. Tels: (11) 3845-6843 / 3846-1502


