Até o talo

outubro 16, 2007

Hoje é o Dia Mundial da Alimentação. Esse blog, que tanto fala de comida, não iria desperdiçar o toque do amigo Ronaldo.

A data comemora a criação da FAO (Food and Agriculture Organization) fundada em 1945 pela Organização das Nações Unidas para conscientizar o mundo sobre o problema da fome.

“Se o nosso planeta produz comida suficiente para alimentar toda a sua população, por que 854 milhões de pessoas ainda dormem de estômago vazio?”, disse hoje o diretor geral da FAO, Jacques Diouf, na cerimônia que comemora a data.

Este ano, a campanha da FAO tem como tema “O Direito à Comida”. Aqui no Braun Café, onde todo mundo deve ter direito ao boteco e ao PF a preços honestos, vamos digerir algumas questões. Você tem se alimentado direito, meu jovem? Quanta comida joga fora?

Nos últimos anos, infelizmente, já vi muita comida sair da minha geladeira e ir direto para o lixo. E se você não usa esse precioso eletrodoméstico apenas para gelar cervejas e super bonder, também já viu muita coisa estragar.

Que tal evitar o desperdício? Dá pra ir ao mercado uma vez por semana – com pouca fome, de preferência -, comprar legumes congelados, calcular o que entra na panela, congelar logo o que sobrou, fechar bem o que deixou aberto – pode ser com pregador mesmo – etc. Não é difícil, faz bem para o bolso e para a consciência.

E os pilotos de fogão podem muito bem usar a criatividade e algumas dicas para aproveitar melhor o que vão cozinhar. Parece papo de nutricionista – Fabiana Braun vai gostar dessa – mas você pode comer até os talos, as folhas e as cascas sem fazer cara feia.

No restaurante Buttina, por exemplo, as cascas de beringela, abobrinha e outros legumes são torradinhas no azeite, salgadas e viram uma saborosa cortesia de entrada. A ONG Banco de Alimentos tem receitas que não são de jogar fora.

Vai deixar a cervejinha gelada estragar? Claro que não!
Faça o mesmo com a sua comida.

FonDri

agosto 29, 2007

fondri.jpgJá que o frio voltou “pegando de surpresa os paulistanos”, nada como um vinho e um fondue feito em casa pra esquentar.

Esse ‘toast’ é uma homenagem à querida Adri Lutfi, que além de fazer um fondue leve e delicioso, incrementou os beliscos com opções criativas ao pão italiano, como legumes e damasco. Coisa fina.

Aqui vai a receita que ela mesma escreveu por e-mail para o Braun Café. Com vocês, o FonDri:

“A receita é simples… basta usar 500g de queijo ementhal e mais 300g de gorgonzola, ralados grossos. Eu não uso o gruyere, porque o gorgonzola dá um gosto mais marcante e especial. Para preparar, é necessário também ter vinho branco (Miolo é ótimo e barato), alho e noz moscada.

Untar a panela de fondue com 2 dentes de alho. Aquecer um pouco de vinho na panela (sem ferver) e ir acrescentando, aos poucos, o ementhal ralado. Mexer sempre. Terminado o ementhal, pingar mais vinho (o equivalente a 2 colheres de sopa) e colocar o gorgonzola por último, aos poucos.

O ideal é ir experimentando com o gorgonzola para evitar que o sabor fique marcante demais. Pode colocar mais vinho no fim também, porque ele faz com que a mistura combine mais com os legumes que vão mergulhar no queijo. O toque final é 1 colher de chá de noz moscada em pó. Levar a panela para a mesa.

Na mesa, além dos pães italianos, eu sirvo abobrinha, beringela, batata bolinha (aquela bem pequenininha), couve de bruxelas… você pode brincar com os legumes que quiser (e que fiquem em um tamanho bom para espetar).

Da última vez que fiz, experimentei com as batatinhas. Ficou uma delícia. A beringela também fica demais. Eu recomendo assar no forno antes (cortando-a em metades e, depois, em quadradinhos). Todos os legumes devem estar “al dente”, porque senão desmancharão dentro do queijo.

Outra dica: espetar damasco seco no queijo. Fica um tesão! É bom para quem gosta de misturar doce com salgado, mais para o final.

Para acompanhar, vinho branco ou tinto, ao gosto do freguês!” (Foto: Fiery-Foods.com)

Manjericão-pegadinha

agosto 22, 2007

jardimmanjericao.gifVocê já ouviu falar em Manjericão-limão? Eu também não conhecia esta variedade do mundo dos temperos até o último sábado à noite, quando dei uma passada rápida na Casa Santa Luzia para comprar tomates pelados e manjericão fresco.

Bem que eu vi na embalagem o “limão” no nome, mas nem dei bola. O formato era igualzinho ao do “manjericão-manjericão”. O jantar ficou ótimo, mas o molho do spaghetti ficou bastante ‘azedinho’.

Cozinhando e aprendendo: não seja Wilbour como eu. O Manjericão-limão não serve para seu molho de tomates, nem para sua caipirinha. No fim das contas, descobri um excelente tempero para peixes.

Basilicata é cosa nostra!

março 18, 2007

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Domingo pra mim é dia de massa. Especialmente agora que o outono começou a dar as caras em São Paulo. Fala a verdade se não é uma delícia comer aquele spaguetti ao sugo acompanhado de um bom pão italiano? E ele vai bem antes do almoço, com manteiga ou antepastos, e até depois para não desperdiçar o molho que ficou no prato.

Em busca de um bom pão italiano – é… porque o que vejo nos hipermercados é dureza – finalmente, neste domingo, dei uma passada na Loja Basilicata, no bairro do Bixiga.

Bem que a Kay e o Mau falavam: “Tem uma fornada por volta do meio dia”. Cheguei 12h20 e fiquei maravilhada. Na entrada, um provolone gigante já impõe respeito. A Basilicata é lugar de tradição.

E nada mais tradicional do que ver muita gente falando alto na mercearia, me pedindo licença enquanto eu atrapalhava o trânsito empolgada tirando fotos, e um senhor, provavelmente italiano, falando da vida com o caixa na hora de pagar seu pão.

Depois de passar por variedades de massas, vinhos, queijos e antepastos mil, chegue no balcão e peça o seu pão italiano. Meu! Por 3,80 reais o seu domingo ficará muito mais paulistano.

Bom… isso se você conseguir entrar e sair de lá só comprando um pão. Eu não resisti e peguei um pedaço do pão de calabresa, que estava lindo e… sensacional. Da próxima compro o inteiro, que sai por 9 reais. Não vou nem falar do balcão de doces, que inclui lindos canollis.

P.S.: O pão italiano acompanhou um spaguetti à bolonhesa. Experimente refogar os temperos com pedacinhos de bacon e depois adicionar a carne moída, antes do molho. Fica outra coisa belo.

Basilicata – Rua Treze de Maio, 614 – Centro. Tel. (11) 3289-3111 Todos os dias das 7h às 20h. Domingo até 14h.

Falando de abobrinha

fevereiro 11, 2007

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Outro dia cheguei para um amigo meu e disse “Hoje vou pra casa fazer abobrinha regogada. É tudo o que eu quero… fazer abobrinha”. Nada como chegar do trabalho numa segunda-feira chuvosa e preparar abobrinha refogada como acompanhamento.

Dizem que cozinhar é terapia. Falar abobrinha também. Então, para quem é fã deste fruto da família das curcubitácias, recomendo a experiência. A abobrinha ainda tem vitaminas a valer. Faz bem para a pele e para a vista. Que beleza.

Coloque uma boa música* vá para a cozinha, lave bem uma abobrinha italiana sem tirar a casca e passe para o processo lúdico. Pique-a em cubinhos, triângulos, rodelas ou fatias bem fininhas. Descasque e pique aquele dentão de alho, refogue no azeite e sinta o aroma da felicidade. Agora jogue sua abobrinha direto na panela, coloque sal e deixe dar uma abafadinha por dez a 15 minutos. Finalize com tomilho fresco, alecrim ou hortelã e relaxe.

A abobrinha italiana refogada é minha favorita, mas não recuso as amarelinhas – abobrinhas brasileiras conhecidas como ‘tipo menina’. Na versão da foto coloquei cenouras em tirinhas para dar uma variada. A foto está feia, mas ficou bem gostoso… juro.

Outra receita muito gostosa e fácil, que a Kay me ensinou, é a abobrinha com spaghetti ao sugo. Pique a abobrinha em tirinhas bem finas, adicione ao molho de tomate e deixe cozinhar um pouco. Coloque tomilho fresco, sirva com a massa, parmesão e pimenta ralada na hora. Uma taça de vinho tinto – Chianti é o ideal – para acompanhar e aí está uma receita para espantar as trevas da segundonda.

O processo das tirinhas requer paciência, o que é muito terapêutico, mas se estiver com pressa existe um cortador ótimo da Metaltex, parecido com um descascador de legumes. Use o cortador com abobrinha, cenoura e nabo, por exemplo, refogue as tiras de legumes na manteiga e você terá um salteado de legumes para acompanhar peixes grelhados.

Se estiver com a maior preguiça disso tudo peça uma Bráz. A redonda, que dá nome a uma das melhores pizzarias da cidade, leva abobrinhas refogadas no azeite, muzzarela de búfala e é gratinada com parmesão. Chame sem culpa.

Falando delas…
Abobrinhas e abóboras foram as estrelas do caderno Paladar da última quinta (15/02). Giedre, fã de abobrinhas, enviou o link da reportagem, que explora o mundo das abóboras e inclui dicas como o restaurante Xapuri, de Belzonte, tema de um saudoso toast neste blog.

O jazz-soul Alligator Bogaloo, de Lou Donaldson, é uma boa pedida para embalar a terapia culinária, na segunda. Se quiser uma trilha mais temática, o menu pode incluir I Don’t Like Mondays, do The Boomtown Rats (letra de Bob Geldof), New Moon On Monday, do Duran Duran, Blue Monday do New Order e até Manic Monday, do The Bangles.

À mestre-cuca com carinho

janeiro 22, 2007

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A grande amiga, Karina, e eu temos muito em comum. Além de falarmos pelos cotovelos, amamos trocar dicas gastronômicas e cozinhar… sempre falando pelos cotovelos. Uma diversão.

Na linda foto retratada por Maurício – felizardo alvo das experiências culinárias de sua esposa – observo atentamente os detalhes explicados pela Kay sobre o preparo de dois molhos praticamente infalíveis.

Na mesa, ao lado do delicioso ‘uvattone’ (Gran Natale) que comemos, nos debruçamos sobre os livros “Cozinhando para Amigos”, de Heloisa Bacellar, e “Fundamentos da Cozinha Italiana Clássica”, de Marcella Hazan. Deste último livro devorado pela Kay, saíram as receitas da conversa.

Quando recebi a foto, logo pensei que esses papos não podiam passar em branco (e preto). Devo confessar que a Kay me incentivou a tomar gosto pela cozinha, além do que eu já tinha pelas cozinhas de restaurantes e botecos.

Entre outras deliciosas receitas, essa cozinheira de mão cheia me ensinou a fazer o primeiro risotto (de funghi) com arroz italiano. Me lembro que anotei tudo… tintin por tintin. Aprendi a fazer risottos, ensinei minha mãe, outra fonte de clássicos conselhos culinários, e a Ana Luiza, que também se empolgou na cozinha, para felicidade do Calenda.

Minha receita favorita é o atum em crosta de gergelim. Preparei outro dia com farfalle al limone e foi muito bem recebido. Compartilho aqui algumas dicas vindas da Fantástica Cozinha da Kay.

  • Fetuccine, spaghetti, linguine ou a massa que você quiser (Miojo?) na Manteiga (Tempo de preparo: The Flash)
    Para duas pessoas prepare meio pacote de massa. Quando estiver quase pronta, adicione em uma panelinha um tablete de caldo de carne amassado, duas colheres generosas de sopa de manteiga, dois dentes de alho inteiros (amasse o alho com a lateral da faca e a casca sai que é uma beleza) e um raminho de alecrim fresco. Derreta tudo mexendo bem para que o caldo de carne se dissolva. Escorra a massa e adicione o molho coado em uma peneira. Acrescente queijo parmesão (ou pecorino… hummm), sirva e seja feliz.
  • Molho de Tomate da Cebola Mágica Adicione em uma panela duas latas de tomates pelados picados. Segundo a Kay, você pode picá-los com a faca dentro da latinha mesmo. Vale lembrar que ela tem destreza. Acrescente duas colheres de sopa de manteiga, sal e pimenta a gosto e – atenção! – uma cebola pequena inteira. Ligue o fogo baixo e deixe apurar por 45 minutos. Retire a cebola e sirva. Se quiser cortá-la e adicionar ao molho após o cozimento também fica uma delícia. Não é magia… é gastronomia.
  • Atum em crosta de gergelim – Peça para o peixeiro cortar medalhões de lombo de atum com mais ou menos dois dedos de altura. Recomendo a Peixaria Pacífico, que é cara, mas tem um atum de primeira. Tempere o atum com sal (ou shoyo) e pimenta. Reserve por 20 minutos. Torre mais ou menos 100 gramas de gergelim (para dois filés) em uma frigideira e depois coloque em um prato raso.
    Misture duas colheres cheias de sopa de Dijon em duas colheres de sopa de azeite. Pincele este creme nos filés e empane-os no gergelim.
    Em uma frigideira quente, com um pouquinho de azeite, grelhe o atum empanado por mais ou menos um minuto de cada lado. Se quiser mais cru no meio, deixe menos tempo e também vai ficar ótimo.
    Vai bem com risottos (shitake, abobrinha etc.), penne al limone, creme de mandioquinha ou o que você quiser inventar. Sensacional.

Valeu amiga!

Peixaria Pacífico – Rua Fernando de Albuquerque, 288 – Consolação (SP). Tel: (11) 3237-0740. (Seg a sexta: 7h às 16h. Sábado: 7h às 13h)

Momo, o rei do Miojo

janeiro 8, 2007

momofuku.jpgAté ontem, acredito que pouca gente sabia quem foi Momofuku Ando. Eu também não. Ele se foi, aos 96 anos, deixando um legado que muitos conhecem: o macarrão instantâneo, nosso querido Miojo.

A história do instant ramen, que aqui virou ‘lámen’, começa logo após a segunda guerra mundial, conta uma reportagem do Japan Times.

Ao ver as imensas filas de pessoas famintas a espera do escasso ‘ramen’ fresco, feito na hora, Ando resolveu correr atrás de um ideal. Para ele, a paz chegaria ao mundo quando as pessoas tivessem o que comer. E ainda por cima em três minutos!
(Foto: Japan Times / Kyodo Photo)

Em 1948, ele criou a Nissin Food Products e inventou o primeiro ‘macarrão instantâneo sabor galinha’ em 1958. A trajetória do macarrão virou tema de museu no Japão, o Momofuku Ando Instant Ramen Museum.

Quase 50 anos depois, o Miojo, com seus mais diversos sabores genuinamente artificiais – da galinha caipira ao camarão, da picanha ao caldo de feijão – ainda é uma causa nobre.

Com a dica do Mário Nagano, achei uma associação da indústria do lamen, a International Ramen Manufacturers Association (IRMA). Além de incentivar o consumo de bilhões de lamens no mundo todo, a IRMA envia remessas de Miojo a refugiados de guerra, comunidades carentes e vítimas de desastres naturais. Isso incluiu vítimas do Tsunami, do furacão Katrina e do terremoto no Paquistão.

O Miojo também salvou a vida de muitos estudantes, solteiros e baladeiros em geral. Juntando a fome [a preguiça e a falta de grana] com a vontade de comer, o Brasil é o décimo maior consumidor de Miojo do mundo.

Segundo a IRMA, em 2005, comemos mais de 1,2 bilhão de pacotes de lamen. Em primeiro lugar, é claro, estão os chineses. Eles são muitos e o macarrão é deles… de muitos deles. Consumiram mais de 44 bilhões de Miojos em 2005.

E logo depois do Brasil vem o México, onde o Miojo chegou a ser item da cesta básica. O lamen até que foi bem adaptado à culinária local. Os muchachos comem o macarrão com aquela salsa tradicional de tomate, cebola e coentro. Ai ai ai!

Desde criança, adoro Miojo. Quando minha avó, cozinheira de mão cheia, vinha me visitar, a primeira coisa que eu pedia era um Miojo – a segunda era sopa de feijão e a terceira era bolinho de chuva.

Hoje, não faço isso. Hoje também não como mais Miojo com caldo e de colher. E, obviamente, aproveito melhor os dotes culinários da Vó Eline.

Aqui em casa sempre tem um Miojo no armário… para emergências. Depois de prepará-lo das mais diversas formas, muitas delas bem equivocadas e rapidamente ingeridas, gosto mesmo é do tradicional: tirar o caldo quando estiver al dente e boa. Outra opção é colocar um pouquinho de manteiga e cebolinha fresca. Delícia.

Outro dia, prepararam para mim o lamen al dente, no azeite, com alho, cebola, fatias de linguiça e cebolinha. Estava ótimo. Momofuku ficaria orgulhoso. “Jamais menospreze o potencial do Miojo”, diria o rei do lamen.

O site da Nissin no Brasil dá algumas idéias para incrementar o Miojo como o “Nissin Lámen Basílico”. Não deixe de ver as receitas enviadas pelos usuários. Nomes como “Miojo do Amor”, “Macarrãozinho Alucinante” e “Nissin do Fundo do Quintal” já valem a visita. Tem também a “Lasanha de Miojo”. Vai encarar?

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