Berlim, Praga Connection e Budapeste
junho 7, 2009

Almoço no Kampa com amigo de Lucas Mendes e Paulo Francis. Foto: divulgação
Por Cecília Araújo*
Quando chegar a uma cidade na República Tcheca, se não souber falar ou ler tcheco, não chegue aos domingos. Caso aconteça, tenha paciência porque os balcões de informação estão fechados e você vai levar uma hora para comprar seu bilhete de metrô… e 1 minuto para descer até a plataforma na escala rolante mais rápida do mundo!

Confit de pato com cassoulet no restaurante Kampa, em Praga. Foto: Cecília Araújo
No primeiro dia, em Praga, recomendo um passeio de barco pela cidade, que faz parte de um city tour gigante, mas os 40 minutos no Rio Vltava já ajudam a te localizar na cidade.

Prato do dia em Praga: batatas gratinadas, filé de frango e mussarela de búfala com molho de frutas vermelhas.
Foi no barco que conheci Bernard, um negociador de vinhos aposentado, e seu filho Alex, dois norte-americanos muito simpáticos.
Quando falei que era do Brasil descobri que Bernard era um ótimo contador de histórias: passou a lua-de-mel por aqui, viajou pelo País, morou em Nova Iorque, onde tinha diversos amigos brasileiros: Lucas Mendes, Paulo Francis (jogava pôker com Francis) e James, sim o criador do vinho Marcus James. O James era simpático, contou Bernard, já o vinho…

Berlim: ótimos kebabs como este, no prato, em um restaurante turco
Bernard (Forrest Gump) passou apuros no Rio de Janeiro, por sua conta e risco. Resolveu pegar a ponte aérea Rio-São Paulo sem documentos, enfrentou o policial e foi demovido com uma arma na cabeça. A ousadia virou história de boteco e rendeu uma charge… do Henfil.

Berlim: tradicional eisben cozido com batatas e purê de maçã
Após um passeio com a dupla pela cidade, fui convidada para almoçar no Kampa Park, um restaurante bem bacana, na beira do rio. Pelo estilo achei que minhas economias acabariam ali, mas até que não saiu tão caro… pra falar a verdade, saiu de graça porque Bernard é um cavalheiro.
O restaurante oferece um menu especial de almoço, com opções bem interessantes. Escolhi um confit de pato com cassoulet de feijão branco, linguiça e bacon crocante (48 reais), que estava sensacional. Para beber escolhemos um vinho branco local [e agora prepare seu tcheco], o “Vinohrad, Ryzlink Rýnský, Kolekce Premium, 2007”. Não entendeu nada? Tudo bem. Estava uma delícia e custava 68 reais.
A sobremesa deliciosa era um prato de panquecas tchecas (fofinhas com a aparência de rabanadas) com molho de frutas vermelhas e creme branco de canela. Afff…
O atendimento do local merece destaque, não só porque a cada troca de pratos eu era chamada de ‘madam’, mas porque os garçons eram extremamente bonitos. Os homens de Praga são bem apessoados, em geral, mas a equipe do Kampa devia ter outra genética.

Budapeste: visite o Mercado Municipal e reserve quatro dias para conhecer a cidade
Café astronômico
Praga é uma cidade tão turística, que foi difícil saber onde os locais vivem – talvez eles morem nos restaurantes. Como tal, também reserva armadilhas. Fui esperar a hora cheia do relógio astronômico da cidade – quando vários bonequinhos saem pela janela – tomando um café expresso, que custou astronômicos 7 euros. E os bonequinhos nem tinham tanta graça.
A viagem começou em Berlim, onde comi uma deliciosa porção de falafel (4,50 euros), um kebab gostoso e muito bem servido (3 euros) e um tradicional eisbein cozido com batatas, que estava ok.

Ótimas cervejas tchecas, mas sempre em tamanho grande
Cervejas, claro, tomei todas e as tchecas eram as melhores, mas os nomes se parecem com o do vinho branco, então deixa pra lá. E se você quiser tomar só um chopinho, só um garotinho, esqueça. Os bares de Berlim, Praga e Budapeste não servem pouca cerveja.
Vinho dos reis
Não saia da Hungria sem comprar pelo menos uma garrafa de Tokaji Szamorodni, vinho de sobremesa tradicional de lá. Trouxe meia garrafa do “vinho dos reis” por apenas 8 euros.
Última dica: nunca tente pegar o metrô em Budapeste após algumas cervejas. Como diz o Chico Buarque, húngaro é o único idioma que o diabo respeita.

Albergue em Berlim: clima bacana e local organizado
Hospedagem:
Berlim – Wombats Hostel (20 euros a diária)
Praga – Akcent Hotel
Budapeste – Golden Park Hotel
*Cecília Araújo é publicitária, amigona do coração e sempre faz viagens bacanas pelo mundo.
Pão doce ‘pelando’ em Budapeste
agosto 28, 2008
Por Carlos Eduardo Valim*
Depois de conhecer um bar de leite na Cracóvia, se você estiver na rota comuna, com certeza, vai acabar passando por Budapeste, a Viena dada para os cariocas cuidarem.
Lá a dica é estar em pelo menos um dia de semana, para ver o caos, a confusão nas ruas e os húngaros andando pra lá e pra cá num dia útil e também pegar pelo menos um dia do fim de semana. Na sexta-feira à noite, os moradores desaparecem, ninguém mais trabalha e tudo fica fechado até segunda de manhã.
No fim de semana, os turistas dominam a cidade e o melhor: a ponte que dá no Castelo de Budapeste é fechada para o trânsito e uma feirinha toma conta do lugar junto com as comidas mais gostosas: batatonas (pra variar) com molho agridoce, salsichões, pedaços suculentos de carne e o espetacular pão doce húngaro, que você vai ver rodando o dia inteiro nas televisões de cachorro.
Comprou um, o primeiro desafio é não queimar a mão. O cheiro vai pedindo pra comer rápido, mas a pressa só serve pra fazer você ganhar queimaduras de segundo grau. Resista um pouquinho e então quebre a casca dura – o miolo vem junto. Assopre um pouco e pronto! Os sabores de amêndoas (com várias coladas na casca) e baunilha são os garantidos.
*Valim é jornalista e adora se perder pelo mundo alimentando-se culturalmente. Em sua viagem mais recente, ele também passou pela Cracóvia e ainda promete dicas de Roma. Fotos: Valim.