Nêga Maluca, a terapia
julho 19, 2009

Cozinhar por prazer e sem obrigação definitivamente é uma terapia. Nada como preparar uma comida gostosa e deixar os problemas do lado de fora da cozinha.
Recentemente aprendi a terapia do bolo de chocolate com a clássica receita do “Nêga Maluca” ou “Peteleco”, que a Kay me passou. Não requer prática, batedeira nem liquidificador. É tão fácil que ela faz desde criança. Se você nunca fez um bolo, dê um peteleco em si mesmo e entre em ação! O resultado é pura felicidade.
Bolo Nêga Maluca (Peteleco)
Ingredientes: 2 xícaras de farinha, 2 xícaras de açúcar, 1 xícara de chocolate em pó, 1 xícara de água quente, 3/4 de xícara de óleo, 4 ovos e 1 colher de sopa de fermento (não muito cheia).
Modo de preparo (“Fracassos são bons mestres. Não tenha medo.” – Anthony Bourdain)
Ligue o forno na temperatura de 180 graus (ou médio) para que ele fique pré-aquecido por 15 minutos, o tempo máximo que você vai levar para preparar a massa.

Unte uma assadeira com manteiga ou margarina na temperatura ambiente (não esquente a manteiga porque o bolo vai grudar). Polvilhe trigo na forma (bata de leve nela até que o trigo se espalhe e jogue fora o que sobrou). Uma dica da Kay: você pode polvilhar com chocolate em pó. Hummm… chocolaaate.
Em uma tigela bata os 4 ovos com o fermento (ele vai empelotar. Tenha calma e bata com os ovos até que ele se dissolva tranquilamente).
Coloque em uma tigela grande os ingredientes secos (farinha, chocolate em pó e açúcar) e misture. Agora na ordem: inclua o óleo, a água quente e os ovos batidos com o fermento.
Misture bem os ingredientes e dê um agito! Bata bem a massa na mão até que fique bem homogênea. Despeje a massa na forma untada e leve ao forno por 30 minutos sem abrir a porta. Segure a ansiedade.
Depois deste período faça o teste do palito: coloque um palito no centro do bolo. Se ele sair com pedacinhos da massa, deixe mais 5 minutos e vá testando com outro palito até ele sair quase limpo. Palito ok? Desligue o forno e deixe esfriar.

Calda da Sol
Se quiser uma calda para incrementar seu bolo, aqui vai a receita fácil da Solange, a Sol, que sempre alegra a redação com suas doces terapias.
“1 lata de leite condensado, 1 lata de creme de leite (com o soro), 1 colher de sopa de manteiga e 4 colheres de sopa de chocolate em pó bem cheias. Misture tudo e leve ao fogo, mexendo sempre até que fique cremoso. Aplique.”
Se estiver com preguiça de fazer calda, outra dica da Sol é polvilhar açúcar com uma peneira sobre o bolo para dar uma graça. Se estiver com a maior preguiça do mundo compre uma barra de chocolate Hershey´s Special Dark (60% cacau). Cura qualquer tristeza.
Abaixo a mistura!
junho 17, 2009

Se existe uma palavra mais indigesta para se referir a uma comida é ‘mistura’. A segunda pior é “janta”. Meus amigos sabem que eu detesto essas palavras e adoram brincar de “irritando Daniela Braun”. Eu fico brava e eles se divertem.
Esta semana recebi a foto acima, enviada pela querida Rê Mesquita. Prefiro não saber o que está em promoção do “Dia da Mistura” neste supermercado paulistano, mas em três anos de blog, falando de comidas gostosas, almoços, jantares (não ‘jantas’) e botecos, tenho de me manifestar.
Não sou fresca para comida (só não gosto de dobradinha e jiló), mas chamar o que não é acompanhamento de ‘mistura’ é degradar a comida. É dizer que comeu arroz e feijão com uma gororoba qualquer, uma mistureba.
Se alguém me pergunta “O que tem de mistura pra janta?” eu largo o fogão, entrego os cardápios do delivery e a pessoa vai jantar a mistura que deseja.
Com a palavra ‘bife’ já me acostumei. Também não gostava muito, mas é um corte de carne (nem todo filé é bife e vice-versa) então tudo bem. Eu faço um bom bife de contrafilé e fico feliz com ele – não na ‘janta’, mas no jantar, por favor.
Agora, a visão do apocalipse, para mim, é aquela marmita no trabalho com tudo bem juntinho (o arroz, o feijão e a carne). Aí a pessoa esquenta aquele grude, sem individualidade, e come tudo junto sem perceber o sabor. Isso é mistura… e que fique longe de mim.
Cada comida tem seu lugar. Um baião de dois (do Bar Biu, que é uma delícia), é tradicionalmente um mexidão e eu adoro. Aliás, também levo comida ao trabalho, às vezes, mas em uma marmita com divisória. Elas são baratinhas e resolvem o problema. Por favor, respeite sua comida. Abaixo a mistura!

Carne de panela da Braun, com abobrinha refogada e arroz
Aprendi a fazer uma carne de panela ótima, com acem, cebola, tomates picadinhos e caldo de picanha na pressão. Popularmente, esta carne seria chamada de ‘mistura’, mas quem falar isso em casa fica sem acem!
Tempere meio quilo de acem em cubos (pode ser braço também) em um recipiente com vinagre, uma colher de chá de alho picado, e um tablete de caldo de picanha moído. Deixe marinar por uns 20 minutos enquanto corta meia cebola e dois tomates.
Frite a cebola picada no óleo, coloque a carne e refogue. Adicione os tomates e frite bem a carne até que ela fique corada. Jogue um litro de água fervente, tampe e deixe 25 minutos na pressão. Retire, deixe reduzir o caldo até a consistência que deseja e sirva com arroz e abobrinha refogada. Delícia!
Sobre baladas e cigarros
maio 19, 2009

Tostex já tem lei: cigarros só no andar de baixo. Cena do filme "Sobre café e cigarros" de Jim Jarmusch
Na última sexta-feira estive em uma balada onde não era permitido fumar. A lei antifumo começa a valer em todo o Estado de São Paulo, a partir de 5 de agosto, e os apreciadores de cigarros podem se preparar porque bares e casas noturnas já estão guardando os cinzeiros no armário.
Estive no Tostex, na festa de uma amiga muito querida, e a simpática plaquinha “Não fume aki” deixava a regra clara: nada de cigarros no aconchegante ambiente principal, dividido entre a pista, uma sala com pufes de oncinha e o bar onde pedi diversas long necks (R$ 5 a Skol e R$ 6,50 a Stella) durante a long night.
Sim… sou fumante, não nego, paro quando puder. Sei que é péssimo para a saúde, estraga o paladar e deixou de ser ‘um sucesso’ como mostravam as propagandas do Hollywood. Acho terrível fumar enquanto alguém está comendo, por exemplo, mas o que eu acho não interessa mais neste Estado.
Felizmente, no Tostex, cigarros ainda têm sinal verde no andar de baixo, mas só até 5 de agosto, lembre-se. Mesmo assim era estranho pegar uma cerveja, começar a bater papo com os amigos na festa e largar tudo para fumar a toda hora – claro, porque um fumante sabe a vontade que uma cervejinha provoca.

Califórnia: sem fumaça dentro e sem bebidas na rua. Foto: http://www.allposters.com
Resultado: no meio da festa, a recepção virou um fumacê – um ambiente ‘bem saudável’ para a hostess – e uma balada à parte. Unidos pelo vício, fumantes convictos e ocasionais – aqueles que ‘só fumam na balada’ – soltavam suas baforadas felizes, pediam isqueiros, filavam cigarros, falavam das restrições da lei, da vida, do universo e tudo mais.
No fim das contas, os fumantes se adaptam. Eles levam suas fumacinhas para um fumódromo, ficam na janelinha, na área de serviço, saem do shopping, do aeroporto, do restaurante, do bar… saem de casa, vão comprar cigarros e não voltam nunca mais. Eu já me adaptei em algumas viagens para a Califórnia, onde o negócio é ainda pior: você não fuma do lado de dentro e não pode beber na rua.
Para quem parou de fumar recentemente [parabéns], essa lei é uma maravilha. Eu já parei algumas vezes e sei o que é tomar cerveja sem fumar enquanto seu amigo puxa aquele cigarrinho gostoso na sua frente.

Cigarro e aeróbica? Só os holandeses... Foto: http://ajourneyroundmyskull.blogspot.com
Ainda bem que existem adesivos, medicamentos, ou aquele chiclete – que mais parece um cinzeiro molhado na boca – para que os ex-fumantes continuem amando seus amigos. Agora tem até uma lei! Você chegará da festa sem parecer um cinzeiro ambulante, são e salvo, sem a meia furada ou o braço queimado por uma brasinha na pista. Você vai tomar um chope no bar e ninguém fumará na sua frente.
Mas se fumar não é legal – e não é mesmo – então proibam logo a venda de cigarros. Pronto. Ninguém fuma mais. Ah… eles geram uma arrecadação incrível… E que tal um incentivo em medicamentos para parar de fumar? Eles são caros, mas a bupropiona [e um pouco de força de vontade] fazem com que você, literalmente, esqueça que o cigarro existe. Fico imaginando o pessoal no Tostex se encontrando no ex-fumódromo sem saber a razão.
Por que voltei a fumar? Ah sim… deixei de seguir uma simples recomendação da minha médica: “Fique longe do boteco”. Mas agora tenho uma nova receita da Dra. Cássia na bolsa e uma forte recomendação do governador. Só não sigo a recomendação do governo de São Paulo para livros didáticos.
Tostex – Rua Haddock Lobo, 949, Jardins – São Paulo – SP. Tel.: (11) 3898-1265.
Link aperitivo
fevereiro 24, 2009

Ode ao colesterol : Linguiça frita empanada nas fritas (Foto: This is why you´re fat)
Aproveitando o carnaval chuvoso, aqui vão alguns links enviados recentemente por amigos para beliscar dicas e bizarrices gastronômicas na web.
Quintandas de Minas
Desta vez, o livro deu origem ao blog. A jornalista mineira Rosaly Senra dá continuidade ao “Quitandas de Minas, receitas de família e histórias”, lançado em outubro de 2008. Aconchegue-se na deliciosa cozinha mineira – o Braun Café já se aventurou em BH duas vezes – com dicas de lugares, receitas e literatura.
Chez Pim
A tailandesa Pim deixou o emprego no Vale do Silício, em 2005, para se aventurar pela gastronomia mundial e se deu bem. As fotos do Chez Pim são de babar.
This is why you´re fat
Essa sequência de imagens com o pior da ‘trash food” é impressionante. Como você pode ver pela foto, no início deste ‘toast’, pastel de feijoada é coisa leve. Tome um efervescente antes de abrir.

Não aguenta? Bebe leite... Foto: Oddee.com
10 bebidas bizarras
Este post da revista Galileu traduz uma seleção feita pelo Oddee, que lista as mais variadas bizarrices deste mundo. O blog selecionou dez bebidas estranhas vendidas por aí. Refrigerante de pepino da Pepsi, cerveja de leite (com o infame nome “Bilk”) e gelada para crianças estão no ranking.
Somos o que comemos mesmo
A descoberta do fogo levou o homem a cozinhar os alimentos e definiu sua evolução como uma espécie única. No artigo What’s cooking? da revista The Economist, o professor Richard Wrangham, da Universidade de Harvard, mostra que quanto mais processado é o alimento, menos o corpo gasta para fazer a digestão e aí muitos evoluíram para o “This is why you´re so fat”.
Comidinhas para ler 




