A cidade sem botecos
janeiro 24, 2007
Águas de Lindóia, uma das 11 estâncias hidrominerais do Estado de São Paulo, não tem esse nome à toa. Na cidade, que está a um pulinho de Minas Gerais, não há um boteco sequer.
Os amigos Alê e Clau, que adoram botecos, descobriram a curiosa ausência de bares na cidade quando estiveram por lá para um merecido descanso no final do ano.
No primeiro dia pediram a indicação de um barzinho e acabaram caindo em um sambão. No segundo foram comer uma pizza e tomar uma cerveja. No terceiro dia queriam ir a um bar de qualquer jeito. Viraram a cidade do avesso e nada. O mais próximo que encontraram de um lugar para tomar uma cerveja em uma mesinha na calçada foi a sorveteria do centro, que servia apenas sorvetes, café e cerveja.
Original, Bohemia, Serramalte, uma mesinha na sorveteria e… que tal uma porção? “Eles vendiam cerveja, mas não tinham nenhum petisco, tanto que o cara conseguiu improvisar uma porção de salame na cozinha do hotel ao lado, por 8 reais. Em compensação, foi a Original mais barata que tomei: 3 reais”, conta o Alê.
Depois dessa, Alê e Clau pediram água. Voltaram ao hotel e se contentaram com o barzinho de lá, relaxando à beira da piscina.
Dizem que as águas de Lindóia são curativas. Não tenho dúvidas. Mas acho que uma cervejinha no boteco da cidade, um único botequinho que seja, no calor de dezembro, tem propriedades medicinais incalculáveis. Conclusão: abra um bar em Águas de Lindóia e você vai nadar na grana.
Felizmente, quando voltaram a São Paulo, Alê e Clau encontraram um oásis botequeiro na Vila Olímpia, o Bar do Arnesto. Eles recomendam Original gelada e a porção de carne seca acebolada com mandioquinha. Ótima notícia em um bairro onde são raríssimos os botecos que sirvam geladas de 600 ml e porções bem preparadas sem a intragável badalação local. Pois o Bar do Arnesto nos convidou.
Bar do Arnesto – Rua Ministro Jesuíno Cardoso, 207 – Vila Olímpia. Tel: (11) 3848-9432
Momo, o rei do Miojo
janeiro 8, 2007
Até ontem, acredito que pouca gente sabia quem foi Momofuku Ando. Eu também não. Ele se foi, aos 96 anos, deixando um legado que muitos conhecem: o macarrão instantâneo, nosso querido Miojo.
A história do instant ramen, que aqui virou ‘lámen’, começa logo após a segunda guerra mundial, conta uma reportagem do Japan Times.
Ao ver as imensas filas de pessoas famintas a espera do escasso ‘ramen’ fresco, feito na hora, Ando resolveu correr atrás de um ideal. Para ele, a paz chegaria ao mundo quando as pessoas tivessem o que comer. E ainda por cima em três minutos!
(Foto: Japan Times / Kyodo Photo)
Em 1948, ele criou a Nissin Food Products e inventou o primeiro ‘macarrão instantâneo sabor galinha’ em 1958. A trajetória do macarrão virou tema de museu no Japão, o Momofuku Ando Instant Ramen Museum.
Quase 50 anos depois, o Miojo, com seus mais diversos sabores genuinamente artificiais – da galinha caipira ao camarão, da picanha ao caldo de feijão – ainda é uma causa nobre.
Com a dica do Mário Nagano, achei uma associação da indústria do lamen, a International Ramen Manufacturers Association (IRMA). Além de incentivar o consumo de bilhões de lamens no mundo todo, a IRMA envia remessas de Miojo a refugiados de guerra, comunidades carentes e vítimas de desastres naturais. Isso incluiu vítimas do Tsunami, do furacão Katrina e do terremoto no Paquistão.
O Miojo também salvou a vida de muitos estudantes, solteiros e baladeiros em geral. Juntando a fome [a preguiça e a falta de grana] com a vontade de comer, o Brasil é o décimo maior consumidor de Miojo do mundo.
Segundo a IRMA, em 2005, comemos mais de 1,2 bilhão de pacotes de lamen. Em primeiro lugar, é claro, estão os chineses. Eles são muitos e o macarrão é deles… de muitos deles. Consumiram mais de 44 bilhões de Miojos em 2005.
E logo depois do Brasil vem o México, onde o Miojo chegou a ser item da cesta básica. O lamen até que foi bem adaptado à culinária local. Os muchachos comem o macarrão com aquela salsa tradicional de tomate, cebola e coentro. Ai ai ai!
Desde criança, adoro Miojo. Quando minha avó, cozinheira de mão cheia, vinha me visitar, a primeira coisa que eu pedia era um Miojo – a segunda era sopa de feijão e a terceira era bolinho de chuva.
Hoje, não faço isso. Hoje também não como mais Miojo com caldo e de colher. E, obviamente, aproveito melhor os dotes culinários da Vó Eline.
Aqui em casa sempre tem um Miojo no armário… para emergências. Depois de prepará-lo das mais diversas formas, muitas delas bem equivocadas e rapidamente ingeridas, gosto mesmo é do tradicional: tirar o caldo quando estiver al dente e boa. Outra opção é colocar um pouquinho de manteiga e cebolinha fresca. Delícia.
Outro dia, prepararam para mim o lamen al dente, no azeite, com alho, cebola, fatias de linguiça e cebolinha. Estava ótimo. Momofuku ficaria orgulhoso. “Jamais menospreze o potencial do Miojo”, diria o rei do lamen.
O site da Nissin no Brasil dá algumas idéias para incrementar o Miojo como o “Nissin Lámen Basílico”. Não deixe de ver as receitas enviadas pelos usuários. Nomes como “Miojo do Amor”, “Macarrãozinho Alucinante” e “Nissin do Fundo do Quintal” já valem a visita. Tem também a “Lasanha de Miojo”. Vai encarar?
Agradecemos a preferência
dezembro 31, 2006
Você acredita do termômetro?
dezembro 30, 2006

Nunca vou me esquecer da primeira vez que minha mãe comprou o peru Sadia já temperado que vinha com um termômetro para indicar quando o assado estava pronto.
Acredito que tenha sido em meados da década de 80. Foi uma sensação, um símbolo da mudança de comportamento da mulher moderna, que trabalhava fora, cuidava dos filhos e ainda tinha de se encumbir do preparo da ceia perfeita.
O termômetro do peru vinha para salvar as mulheres multitarefas e hipnotizar as crianças em frente à espera do momento mágico em que a pontinha vermelha subiria. Eu, obviamente, era uma delas.
“Você acredita no termômetro do peru?”, perguntei, neste Natal, a Marisa, minha mãe, a mulher moderna e prática, que vivia dando ‘pito’ na filha por ficar no calor da cozinha a espera do grande truque. “Não acredito filha”, respondeu agitada, enquanto terminava os preparativos para colocar a ave – com termômetro – no forno.
Em todos estes anos, Marisa não deu muita bola para o termômetro. É mais uma referência. O que vale, segundo ela, é “um bom vinhadalho – bastante alho, vinho branco, sal e ervas -, pelo menos duas horas de forno com a parte brilhante do alumínio virada para dentro, depois você tira para dourar, mas não pode deixar ficar seco”. Pura intuição culinária.
Pouca coisa mudou desde a invenção do termômetro do peru e do ‘ave Chester’. E, sinceramente, acho que alguns segredos culinários, que sobrevivem por gerações, não se abalam com a tecnologia. Talvez porque nada supere amor, muita paciência, sensibilidade e o famoso ‘olhômetro’.
Confesso que, uma hora depois, passei pela cozinha e acendi a luz do forno para ver se, naquele exato momento, o termômetro se manifestava. Tradição é tradição.
Saída pela direita…
outubro 6, 2006
Se você detesta brócolis, a ciência acaba lhe dar a melhor desculpa para driblar sua tia diante daquele prato de brócolis cozido que ela colocou na sua frente. Segundo pesquisadores da Filadélfia, o problema é genético.
Em um artigo da revista Current Biology de setembro, as pessoas que possuem um gene hTAS2R38 (sensível a brócolis) duplicado sentem um sabor muito mais amargo ao comer este vegetal do que outras.
Voltando à cena em que a vítima está diante do prato lotado de brócolis e dos olhares ansiosos de seus familiares…
A primeira saída é explicar todo o processo da pesquisa em detalhes até que chegue a sobremesa. Outra opção ainda mais efetiva é distribuir cópias do artigo aos familiares e dar cabo do brócolis enquanto eles se divertem com a leitura. A terceira opção, que mais me agrada, é dizer a verdade: “sou genéticamente evoluído e desenvolvi uma alergia grave a esse ser híbrido vegetal-alienígena, que está invadindo a Terra ao ser ingerido, diariamente, em todos os lares do mundo”.
Obviamente, quem me enviou este artigo detesta brócolis e todos os outros vegetais da natureza, exceto alface… e só crespa. Esse tipo de excentricidade alimentar – também conhecida como ‘frescura’ ou ‘falta de uns bons tabefes’ – a ciência certamante deveria estudar. Aguardo estudos sobre a teoria de Darwin e o feijão com arroz.
Em tempo: adoro brócolis. Dizem que faz muito bem para o estômago. Refogada com alho, na manteiga e com um pouquinho de shoyo fica sensacional. Me deu fome. Vou almoçar.





