Portobello… be happy

julho 10, 2007

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A feira de antiguidades da Portobello Road, em Londres, é um passeio delicioso. Bem lembrou a Kaks Garcia, que morou por lá e fez questão de indicar a rua comprida cheia de turistas e locais aos sábados.

Entre milhares de lojinhas, brechós e barracas de antiguidades, a vitrine de um restaurante exibia suas especialidades e o cardápio dentro de um Fiat 500 (o ‘cinquecento’ antigão) cor de laranja – uma prova de que os italianos realmente são apaixonados por carros e comida.

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Descendo a rua, enquanto experimentávamos um chapéu aqui, uns óculos ‘cheguei’ acolá e procurávamos manter Valim longe dos discos, começaram a aparecer as barracas de feira tradicionais. Claro que, em Londres, a feira também é bagunçada, porém ‘polite’. “Beautiful girl doesn´t pay… but does not take!” não rola.

Depois de comer muitos sandubas, na loucura da cidade, é reconfortante ver de perto lindos (e caros) legumes, frutas, verduras, secos e molhados. A vontade é encher a sacola e levar tudo para a casa de alguém que tenha o fogão mais próximo.

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No espírito ‘Jamie Oliver’, compramos uma caixinha de framboesas frescas (bem azedinhas). E se o hortifrutis já abrem o apetite espere até chegar às barracas de comidas.

Gigantescas paelleras borbulhantes exalando o perfume de Madri deram saudades e muita água na boca. A fome aumentou diante de tinas de robustas azeitonas pretas temperadinhas, queijos variados, azeites para degustação, crepes, sanduíches de falafel… chuva, Londres, e vamos no falafel mesmo.

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Embaixo da garoa chata, a barraquinha apertada do “Happy Vegetarian” nos salvou. O dono, Sr. Mustafa, é fã de brasileiros. Divide seu anúncio “Vegetarian! Eat Well! Live Well!” de um lado do flyer com o curso “Abada Capoeira – Afro-Brazilian Martial Art, do Mestre Camisa”, de outro.

Pela fartura, até que o falafel era barato (2,50 libras se não me engano). Enrolado no pão sírio quentinho o wrap acomodava, além dos bolinhos de favas, cebola roxa, homus, iogurte, salada, cebolinha, hortelã e não sei mais o quê, mas estava gostoso.

A simpatia do dono e o sabor ‘bem picante’ do falafel – não adiantou pedir sem pimenta – ajudaram a detonar a soda do Alê e minha frescura com a chuva. Don´t worry… be happy em Portobello.

Happy Vegetarian – Unit 104, Portobello Market – Londres.

A camiseta do doutor

julho 8, 2007

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Na terra onde nasceu o futebol, os ingleses também se divertem jogando pebolim no Bar Kick, no bairro cool de Shoreditch. O cardápio em um caderninho escolar quadriculado exibe cervejas long neck de vários países (2,70 libras cada, em média). Tem até mesa em formato de carteira para você se acomodar.

Da espanhola San Miguel à nossa Brahma é só escolher a sua e se meter no pebolim com um grupo de locais, como fez o Alê, ou então ficar jogando conversa fora, ouvir uma música pop e assistir uma partida na TV. Regrinhas de futebol, em português, espalhadas pelos cantos dão um charme ao ambiente de dois andares, que lembra um pouco o extinto Borracharia, na Vila Madalena.

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No Kick, os ídolos não estão pendurados nas paredes, mas carregados no peito. Lá estava eu batendo papo com o querido Fábio Almeida, que me apresentou o bar, quando vejo um dos habitués usando a camiseta mais legal que vi nessa viagem. A estampa do doutor, cabeludo e barbudo no ‘visu’ da década de 80, e apenas o nome embaixo: Sócrates.

E o cara não era brasileiro!!! Vibrei. No dia seguinte, enquanto eu descrevia a maravilhosa camiseta do Sócrates ao Alê e ao Valim, subindo a escada rolante do metrô e achando que eles nunca iam encontrar nada parecido, desce um cara (outro cara) com a mesma estampa no peito. Alguns ídolos nunca saem de moda.

Bar Kick – 126-127 Shoreditch High Street, Shoreditch – Londres.

Cerveja turca

julho 8, 2007

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Em uma travessa da Oxford Street, badalada rua das compras de Londres, você encontra uma série de bares e restaurantes charmosos com mesinhas na calçada. O clima é bem europeu e os preços também.

Felizmente, eu e Almeida encontramos o “Grand Bazaar Cafe Bistro”, que oferece porções acessíveis. O homus com uma cesta de pãezinhos quentes e macios (4 libras) caiu muito bem acompanhado da cerveja turca Efes (2,70 libras a long neck).

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Gostei da pilsen turca – leve e saborosa. Considerando que a Turquia não tem tradição na área, até rola uma nota A para a Efes, que desceu macia assim como a conta do bar. E o clima das mil e uma noites, garantido por luminárias orientais espalhadas pelo teto, reanimou.

Esse café turco é uma boa dica de happy hour depois da função turística. Só espero que você tenha a sorte de não encontrar mil e uma mulheres enlouquecidas em uma despedida de solteira na mesa ao lado.

Grand Bazaar – 42 James Street – Londres.

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A água mineral é cara na Europa. Na Inglaterra, a garrafinha custar uma libra se você comprar no ‘índia’, o apelido das lojas de conveniência por lá. Para economizar seu pobre dinheirinho, você pode optar pelas promoções de garrafas grandes de Evian.

O nome é chique, mas o sabor não é lá essas coisas. Uma outra opção é comprar Ave, a cover. Em Greenwich, no meio do mundo, Valim saca da mochila uma garrafinha de Evi…. Eu, que estava morrendo de sede fui beber um gole de… Ave? Ave! A embalagem é igualzinha, no melhor estilo Abidas, Mike, Cony etc. O gosto é parecido com o da Evian, ou seja, bem regular. Acho que se inspiraram na água benta. Valeu pela economia e pelos trocadilho. “Beba Ave… e reze meu filho”.

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E que tal um copo de água morna com gosto de ovo? Visite as termas de Bath (12 libras), no sudoeste da Inglaterra, e desta água beberás. O tour pelas termas mágicas adoradas pelos celtas, que foram transformadas pelos romanos em templo de Minerva e casas de banho há mais e 2 mil anos, vale cada centavo.

Ao final do passeio, em um belíssimo salão de chá, você tem direito a um copo da água naturalmente morninha de Bath. Um gole de civilização.

Salt beef bagle… Next!

junho 26, 2007

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Em Brick Lane, um dos bairros mais descolados de Londres, Fábio Almeida, nos apresentou um dos lugares favoritos de sua vizinhança: o Beigel Bake.

Atrás do balcão cheio de pães e doces do estabelecimento azulejado e dignamente ambientado a luz fluorescente, as mulheres da casa garantem que a fila ande. A dona, que deve ter visto o Soup Nazi, do Seinfeld, exige determinação do cliente na hora do pedido e no pagamento. É só ser rápido, que dá tudo certo.

Os homens deste lugar estão nos bastidores. Eles cozinham e assam os bagles e pães mais tenros que eu já experimentei. O pão ‘chola’, uma espécie de brioche gigante com sabor de pão de leite caseiro da vó, merece destaque. Segundo o Sammy Davis Jr., um senhor bem divertido, que comanda a cozinha, a pronúncia correta em judaico é ‘rôla’,  o melhor duplo sentido da vida.

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Mas o motor que faz pulsar a fila do local é o famoso salt beef bagle, que o estabalecimento [vazio] ao lado tenta imitar. A mulherada recheia, rapidamente, o bagle com diversas fatias de uma carne cozida e salgada, que se assemelha à carne seca, e manda bala na mostarda Dijon. Uma combinação perfeita para matar a fome dos baladeiros, que enxugaram muitos pints nos diversos bares do bairro.

Melhor ainda é o preço de tudo. O salt beef custa cerca de 2 libras. Já o não menos delicioso bagle com atum custa 90 centavos. A versão com salmão defumado e cream cheese (1,70 libra) também é imperdível.

Perdi a conta de quantas vezes eu e o Almeida fomos a este local. Se estiver em Londres, por favor, perca-se em Brick Lane.

Brick Lane Beigel Bake – 159 Brick Lane, Londres