O barato da culinária brasileira
outubro 16, 2008

Semana passada, Cecília teve a felicidade de provar dois extremos da culinária brasileira. Na terça-feira esteve no D.O.M., seu restaurante dos sonhos, para experimentar o robalo com sopa de tucupi e sagu de tapioca. Almoçou com executivos, ao som de bossa nova, com direito a uma passadinha rápida do chef Alex Atala na mesa. No sábado esteve comigo no BIU Comidas Caseiras, primeiro tomando uma soda na mesa do lado de fora, ao som de ônibus e discos de freio gastos, e depois almoçando um gostoso comercial de vaquejada (carne de sol grelhada, acompanhada de abóbora à milaneza, arroz, feijão e salada).
Tomando uma cerveja na mesinha da calçada, ouvi Cecília me contar sobre o D.O.M. enquanto provava a gostosa linguiça assada com cebolas, que o simpático e grande garçom Rodrigo chamou uma vez de ‘linguiça surpresa’.

“Bom, meu PF foi um robalo crocante com consomé de tucupi e tapioca e depois um menu degustação de sobremesas. O robalo estava bem gostoso, mas não foi a coisa mais incrível que eu já comi na vida. O tucupi (que eu nunca tinha experimentado) é uma delícia e combinou muito com peixe. As sobremesas estavam deliciosas!
Conselho: não vá com fome ou então coma bastante pão. De todos os restaurantes chiques que eu conheço (que foram poucos), esta foi de longe a menor porção.
É isso. Era o restaurante dos meus sonhos, mas acho que o que eu queria mesmo era o menu degustação (que custa uns 250). Quem sabe numa próxima”. Detalhe para o trocadilho: o menu é o D.O.M.Gustação. E como bem lembrou Rê Mesquita em outro toast, Cecília ainda quer descobrir como Atala faz as deliciosas batatinhas fritas em cubinhos simétricos.

No BIU, durante a semana, o PF alimenta os operários da região, que não dispensam o refri de 2 litros na mesa. Cecília já esteve lá em dia útil. No sábado, o restaurante simples e acolhedor, com direito a TV para o futebol (desde que seja jogo do Corinthias) fica repleto de estudantes e descolados por conta da feira da Benedito Calixto, que fazem fila pelo baião de dois, pela feijoada ou pelo comercial (16 reais) com opção de vaquejada.
No D.O.M., só o prato da Cecília (75 reais) custou mais que o nosso almoço inteiro (50 reais). O que é que eu posso dizer? É o merecido preço da reinvenção gastronômica. Mas, sem desdenhar o bom PF do Atala (42 reais), que experimentei certa vez em um almoço ‘pessoa jurídica’, fico com o bom e barato do BIU.
BIU Comidas Caseiras – Rua Cardeal Arcoverde, 776 (esquina com a Rua João Moura). Tel.: (11) 3081-6739.
O que é que a Bahia tem?
setembro 7, 2008
Por Alê Frata*

Nada como conhecer um lugar bacana nas férias, não? Mas sempre rolam as dúvidas de como será a pousada e, principalmente, a comida…
O trajeto até Barra Grande, povoado localizado na Península de Maraú, no sul da Bahia, foi longo. Saímos da Vila Mariana em São Paulo por volta das 7h30, num domingo ensolarado, sem saber exatamente como iríamos chegar, mas depois de andar de táxi, avião, barco, carro, lancha e, finalmente, a pé chegamos em nosso destino por volta de 19h. O guia que nos recebeu no pier da Barra Grande logo de cara nos deu dicas de pousadas, passeios e restaurantes.

Não pela sua participação no programa ‘Mais Você’, mas pela simpatia do lugar, A Tapera nos conquistou mesmo antes de a conhecermos.
A entrada do lugar, especialmente decorado e colorido, me lembrou um rancho dos desenhos animados. O restaurante fica ao lado da casa de sua dona, a chef Naiá, como se fosse sua enorme varanda.

Nosso guia havia indicado a lagosta, prato que Naiá ensinou para a Ana Maria Braga, na TV, mas como bons carnívoros, fomos direto à Picanha (R$ 45) e ao Filet Mignon (R$ 42), que se destacou e teve direito à repeteco num outro dia.
A generosa porção de filet foi servida numa chapa de ferro, junto com manga, abacaxi, abobrinha, tomate, pimentão, cebola e banana da terra, todos assados na própria chapa e cobertos com um molho agridoce. Nem tive coragem de pedir a receita, pois deveria ser um segredo de família. Para acompanhar: arroz, farofa amarelinha, batatas fritas e, óbvio, pimenta da boa.
Fomos muito bem servidos pelo gentil garçom e, diga-se de passagem, o povo baiano da Barra Grande foi muito hospitaleiro. Esse pessoal sabe como tratar os turistas.
Na saída do restaurante, uma senhora muito simples nos aborda na porta e nos pergunta se a comida estava boa. Reconhecendo-a pelas fotos expostas no mural do restaurante, disse que estava ótima e perguntei se estava falando com a famosa cozinheira da Ana Maria Braga. Ela humildemente me respondeu: “Isso é o que dizem por aí.”
A Tapera
Rua Dra. Lili, s/n – Barra Grande – Maraú (BA).
Tel.: (73) 3258-6119.
http://www.atapera.com.br
*Alê Frata é publicitário, músico do rock´n´roll e um grande brother. Agora, o Alê visita a nossa cozinha e nos deixa com vontade de viajar 12 horas até Maraú.
Oba Obá
setembro 6, 2008
A liquidação de restaurantes São Paulo Restaurant Week acabou no dia 31 de agosto deixando alguns desgostos, como retratou o Braun Café, mas algumas surpresas boas como o Obá Restaurante, um espaço charmoso e colorido nos Jardins.
O atendimento foi muito simpático e eficiente, sem distinção para clientes atraídos pelo desconto. Outro ponto positivo foi a criatividade na elaboração do cardápio promocional (R$ 25 no almoço) sem deixar de lado as características do restaurante, que faz um mix de cozinha brasileira, mexicana e oriental. Nada de servir spaghetti só para entrar na promoção.

Após um pouco de espera com um casal de amigos no aconchegante andar superior fomos para a mesa. O menu promocional era apresentado logo na primeira página do cardápio. Mais uma estrelinha no caderno. A Folha fez uma avaliação de 14 participantes da Restaurant Week e um dos pontos avaliados era a recomendação do cardápio especial. Muitos estabelecimentos não passaram no teste.

Entre as opções de entrada do Obá fiquei com as Chimichangas (burritos dourados recheados de pernil, com salsa de abacaxi). O molho de abacaxi deu um toque muito especial aos rolinhos bem saborosos. Adorei. A Ciça foi mais light e escolheu o lindo e leve Rolinho thai de manga com vegetais frescos enrolados em massa de arroz, com molho picante ao lado.

Nos pratos principais, a sensação eram os “Tacos de tinga de pollo faça seus taquitos como no méxico, com carne de frango desfiada num molho de tomate e pimenta chipotle, frijoles refritos, guacamole e creme azedo, de chupar os dedos”, como dizia o cardápio. Ao lado das cumbuquinhas e da panelinha com os ingredientes, as massinhas do taco vinham dentro de uma bolsinha térmica para não esfriarem. Um primor. O sabor não ficou atrás a apresentação.

Para variar, ou melhor, testar o trivial, escolhi o “Lagarto saudoso como na casa da vovó, recheado de legumes, acompanhado de purê de mandioquinha e finalizado com um molhinho feito com o fundo da panela”. Minha avó vai ficar brava, mas o lagarto do Obá, derretendo de tão macio, superou o dela. E o purê de madioquinha estava no ponto.

E ainda tem a sobremesa. A Ciça matou minha curiosidade escolhendo o Khao tom pad (bolinho thai de banana e arroz ao coco cozido no vapor na folha de bananeira), que era bem suave, insinuando um manjar de coco. Eu resolvi me enrolar mesmo em um perfeito bolo de rolo com sorvete de creme. Uma delícia.

Para acompanhar o almoço, algumas Bohemias long neck, ótimo bate-papo e um cafezinho fechando a tarde com chave de ouro. Dei uma espiada no cardápio da casa e tudo parece ótimo, até a muqueca vegetariana de palmito. Oba, tem volta.
Obá Restaurante – Rua Doutor Melo Alves, 205, Jardins – São Paulo – SP. Tel.: (11) 3086-4774.
Fotos: Ciça Aidar, Paulo e Dani
Restaurant Mico: Segregados no Segato
agosto 24, 2008
“Cliente: Oi, eu gostaria de tomar uma água na espera, por favor?
Garçom: Ah sim, claro.
(15 minutos depois…)
Cliente: Será que eu poderia comer o couvert aqui nas mesinhas de espera?
Hostess: Ah não dá. Com essa promoção o restaurante está lotado. Está difícil, sabe? Não vai ser possível.
(25 minutos depois…)
Cliente: Eu pedi uma água para tomar enquanto espero a mesa e ainda não chegou. O senhor pode checar, por favor?
Gerente: Senhora, aqui não é fast food.”
E foi mais ou menos assim que começou o atendimento do almoço da última sexta-feira, dia 22, para Karina e Mauricio, na espera do restaurante La Risotteria Alessandro Segato, um dos 49 participantes da São Paulo Restaurant Week, que oferece o menu de almoço por R$ 25 reais, até 31 de agosto.
O “Restaurant Mico” só estava começando. Karina ligou para o restaurante e foi informada de que estava cheio, mas não havia espera. Meia hora depois estava no local e teve de esperar 45 minutos por uma mesa. Acontece – menu promocional em um restaurante ‘bacana’, na sexta-feira, em São Paulo.
Vale ressaltar que outros clientes, aparentemente freqüentadores do local, estavam bebericando seus sucos de tomate na espera, conforme relatou Karina. Mas ela estava com fome e era uma oportunidade de experimentar o menu do Alessandro Segato, mesmo engolindo sapos de entrada.
Karina começou engolindo polvos na “Saladinha morna de polvo sobre carpaccio de batatas com pesto e pinoli”. Estavam gostosos. Pena que eram apenas dois polvinhos, enquanto o prato da mesa ao lado tinha cinco (conforme a foto*). Acontece? Sim, mas se a porção está no fim, melhor servir outra coisa. Foi o que ocorreu na sobremesa, mas sem aviso.
Maurício deu mais sorte com o “Xadrez de polenta branca e amarela aos cogumelos trifolati-e fondue de
queijos”.
O que mais Karina tinha de engolir em seu almoço? Espinhas. Sim, o robalo do “Branzino Al forno a lenha su tagliolini all’Amalfitana” estava mais para “All’Alfinetada”. Que vergonha. O que o chef Gordon Ramsay diria sobre isso em uma Hell´s Kitchen? Certamente algo com muitos “piiiis” para censurar.
E que tal a “Meringata de sorbét ao Champagne rosé, morangos e sementes de baunilha” ou a “Charlottina de Limão siciliano”? Acabaram. Sem avisar, o garçom já trouxe outra. Segundo Karina, a cheese cake de amoras estava ótima, mas o que sobrou do almoço foi um gosto amargo na boca.
“Devia ter ido comer os vareniques da AK Delicatessen“, comentou sobre o restaurante de influência judaica da premiada chef Andrea Kaufmann, que também faz parte da promoção.
A conta ainda demorou 15 minutos para chegar à mesa. Enquanto isso, Karina observava clientes aparentemente regulares recebendo mesuras, enquanto “os da promoção” se levantavam impacientes para pagar a conta no caixa.
“O serviço foi um lixo”, declarou transtornada ao Braun Café logo após a experiência desastrosa. O casal pagou os 10% para não ter de se explicar. Agora, por favor, me expliquem qual a intenção de um restaurante de “alta gastronomia” ao participar do evento? Se desejava aumentar a clientela – já não estou muito certa disto – a receita desandou.
Obviamente fiquei com o pé atrás quando à promoção, mas ainda assim decidi experimentar o almoço do Obá Restaurante pela Restaurant Week. Liguei antes, fui avisada sobre a espera e o restaurante estava cheio. Aguardei – menos do que o previsto – no aconchegante andar superior, bebericando e comendo uma porção de salgadinhos. O preço da porção, que estava fora do cardápio, era bem salgadinho também (R$ 17), mas o serviço e a refeição do menu promocional estavam impecáveis. Oba. É assim que se conquista um novo cliente.
*Fotos: divulgação
AK Delicatessen – Rua Mato Grosso, 450, Higienópolis – São Paulo – SP. Tels.: (11) 3231-4497 / 3129-7359
Obá Restaurante – Rua Doutor Melo Alves, 205, Jardins – São Paulo – SP. Tel.: (11) 3086-4774
Liquidação gastronômica
agosto 19, 2008

(Jantar no Obá: peixe assado na folha de bananeira com creme de coco e curry vermelho. Menu completo por R$ 39 e R$ 1 para a Ação Criança. Foto: divulgação)
Paulistanos bons de garfo e de conta terão a oportunidade de provar alta gastronomia a preços de baixa durante a segunda edição do festival São Paulo Restaurant Week (SPRW), que começou na segunda-feira, dia 18, e vai até 31 de agosto.
O ‘outlet gastronômico’ envolve 49 restaurantes de São Paulo. Nem todos são ‘fashion’, mas os preços caem muito bem: R$ 25 (por pessoa) no almoço e de R$ 39 no jantar. Alguns participam no almoço e no jantar, outros só em uma das refeições.
O valor não inclui bebidas, couvert, manobrista e os 10% do serviço, mas vale a pena considerando os menus especiais. Dê uma espiada nos cardápios do SPRW de participantes como Blú Bistrô, Braverie, Capim Santo, Chakras, El Patio, Gardênia Restrô, La Risotteria Alessandro Segato, La Table & Co. e Obá.
A idéia de liquidar os menus surgiu em Nova York, há 16 anos, fazendo uma dobradinha com o Fashion Week, para dar uma agitada nos restaurantes locais durante as férias de julho. O resultado foi tão bom que eles fazem a quinzena de descontos duas vezes ao ano e já exportaram o festival para Londres, Japão e Brasil – 8 capitais brasileiras estão na programação.
E o evento ainda tem uma função social. Já que você economizou em uma boa refeição, pode colaborar com R$ 1 para a Fundação Ação Criança, que alimenta crianças carentes de até sete anos.
Gostei das dicas na home do site para tornar sua refeição mais agradável e econômica (ligar para fazer reserva e dispensar o ‘pão com manteiga’ estão entre elas). Confira a lista completa de participantes do Restaurant Week.




