O suflê da boa lembrança

janeiro 18, 2008

Por Luiz Minervino*

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(Suflê de queijo com alho-poró do Restaurante Marcel)

Sei que não estamos na época mais propícia do ano para falarmos de suflês, um prato típico francês, de forno, portanto pesado e aconselhável para dias frios.

Mas, para começar, devo dizer a vocês que sou um fanático seguidor da Associação da Boa Lembrança. O nome já diz quase tudo, mas a história merece ser contada com alguns detalhes.

Quando visitamos um lugar diferente, conhecemos alguém interessante ou assistimos a um filme genial, sempre guardamos um souvenir. Seja uma fotografia, um cartão ou um ticket usado. Por que não fazer isso quando degustamos um prato criativo e bem preparado?

A idéia é de Danio Braga, fundador e vice-presidente da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança. Inspirado pelos costumes que trouxe da região onde nasceu, a Emilia Romagna, e de Parma, sua cidade natal, Danio resolveu estimular, aqui no Brasil, o hábito de se levar uma lembrança simpática depois de uma boa refeição. Aliás, mais do que um simples souvenir, o Prato da Boa Lembrança é uma peça de arte, digna de ser colecionada.

O modelo é muito similar ao da Unione Ristoranti Buon Ricordo, que anualmente lança um guia com todos os restaurantes que oferecem os pratos da boa lembrança na Itália. Hoje, os associados incluem restaurantes de outros países (Japão, Áustria, França e Luxemburgo).

A Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança conta hoje com dezenas de casas entre seus membros. Um número que tende a crescer dia após dia, seja pelo caráter ético do seu estatuto, seja pela nobre proposta de fazer com que ocasiões especiais façam parte da memória afetiva de uma infinidade de pessoas. Entrarei com mais detalhes sobre a associação num futuro post.

Numa das minhas várias idas ao site da associação para checar a chegada de novos pratos, vi que o bistrô Marcel tinha trocado sua receita. No mesmo dia, fui almoçar lá, sozinho mesmo, para aumentar minha coleção. O prato é o Suflê de Queijo Brie com Alho-Poró. Que coisa! Uma leveza como eu nunca tinha visto…

Costumo ir sempre no Marcel, restaurante tradicional francês, com quase 50 anos, especialista em suflês, mas onde prefiro pedir outros pratos típicos como o ótimo steak tartar, por achar o suflê um prato pesado. Por isso é oferecido em dois tamanhos.

Por que demorei tanto para provar os suflês??? Esse é sensacional, já que traduz exatamente seu nome – o queijo é bem percebido e o alho–poró não deixa que ele fique enjoativo.

Restaurante Marcel  – Rua da Consolação, 3.555, Jardins. Tel.: (11) 3064-3089. Rua Hans Oersted, 115,  Brooklin Novo – São Paulo. Tel: (11) 5505-2438.
Av. Hist. Raimundo Girão, 800, Praia de Iracema – Fortaleza. Tel: (85) 3219-7246 / 6767

*Luiz Minervino é economista e adorador da alta gastronomia. Poucos minutos após conhecer o Braun Café nos presenteou com este delicioso toast. Descobri que ele tem 42 pratos da Boa Lembrança! E eu que achava que meus nove já eram demais…

Terra à vista!

janeiro 16, 2008

 Por Ronaldo Miranda*

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Nestes tempos em que se prega a melhor relação entre custo e benefício, é comum que tenhamos de fugir dos bairros centrais para comer bem gastando pouco. Claro que há exceções, assim como elas existem quando se diz que comida de padaria é ruim.

Então esse post se propõe a ir na contramão de todos esses dogmas, apresentando uma padaria central onde se come bem e barato. Bom, você poderia argumentar que é fácil encontrar padarias com bons sanduíches em São Paulo, mas estou falando de pratos, e particularmente, de bacalhau que, convenhamos, não é um bife com fritas.

Se você é amante da iguaria portuguesa, não pode deixar de experimentar uma das seis opções da Padaria Aracajú, localizada o coração de Higienópolis, um dos bairros mais nobres da capital paulistana.

Indicada pela mãe da minha namorada, cujo ISO alimentar passa sobrando os 9000, a Padaria Aracaju oferece porções generosas com preços entre R$ 19,50 e R$ 26,00, que dão fácil fácil para duas pessoas. Tudo podendo ser acompanhado por vinho da casa ou uma long neck geladinha.

As opções são Bacalhau à Zé do Pipo, com natas, à Liberdade, à Portuguesa, com broa e à Gomes de Sá.

Como debutantes no local, Fernanda e eu chegamos tarde e tivemos de experimentar [pela primeira vez] a única opção restante, que era o bacalhau com broa. Ele vem desfiado e gratinado, com cebolas, azeitonas, tomate e broa de milho. E vem acompanhado de batatas ao murro. Sobrou de embrulhar pra levar pra casa, e tenho que dizer que há muito não comia um bacalhau tão bom. E olha que já morei em Portugal.

aracaju02.jpgSe você, como eu, não quiser nem pensar em comida após essa esbórnia, sugiro que entre na padaria [sim, as mesas são na calçada] e leve para casa uns doces portugueses, que são vendidos por quilo em tamanho mini, sendo assim possível fazer um mix de tortinhas com amêndoas e os tradicionais pastéis de nata e toucinho do céu. Humm…

Para evitar a falta de algum desses pratos pode-se também encomendar o seu preferido, para comer in loco ou levar pro almoço de família. Basta telefonar com um dia de antecedência.

PS: Caso você não goste da culinária portuguesa, vi no balcão várias opções de pães recheados lindos lindos, e também uma variedade impressionante de doces árabes [!!!].

Padaria AracajúRua Maranhão, 760 [esquina com a Aracajú] – São Paulo. Tel: (11) 3666-8857

*Ronaldo Miranda é designer, bom garfo e autor das tiradas do Blog do Ronaldo. A ele devo os primeiros ‘toasts’ que deram origem ao Braun Café.

Spaghetti de cacau

janeiro 12, 2008

Você já se viciou um único prato de um restaurante e toda vez que volta ao lugar não consegue pedir outra coisa? Isso costuma me acontecer em alguns lugares. Fico com uma certa sensação de culpa por não explorar o cardápio, mas já sei que se mudar o pedido vou me arrepender depois. Então vamos eliminar a culpa porque ela não “harmoniza” com boa gastronomia.

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Acredito que muitos clientes do restaurante italiano Buttina não se sentem culpados em pedir “o de sempre”: spaghetti de cacau ao molho de mascarpone com pedaços de presunto parma. A Deca é um destes clientes e bem que me avisou.

Quando estive lá, no ano passado, entendi porque o prato já ocupa um lugarzinho de destaque no menu – atendendo a pedidos. A mistura de sabores do leve queijo mascarpone com o toque adocicado do spaghetti e o salgadinho do parma dão até “alegria de viver”. O prato é simples, perfeito e custa 29 reais.

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A entradinha de cortesia (cascas de legumes empanadas), além de criativa, é muito gostosa. E confesso que, antes de provar o famoso prato da casa, cheguei a me arrepender diante do filé mignon ao molho de azeitonas pretas com spaghetti de meu acompanhante. No entanto, o sabor não era tão incrível como a apresentação.

Concordo com o Josimar Melo quando ele critica a insistência da maioria dos restaurantes em servir o mignon no lugar de outros cortes mais saborosos. Fiquei feliz com meu spaghetti.

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Sinceramente, eu até comeria esse spaghetti em pé, na rua. O que importa é o que sai da cozinha e não a decoração, mas a casa que abriga o Buttina ainda oferece três ambientes muito agradáveis, boa carta de vinhos e bom atendimento. Você pode escolher entre o aconchegante salão da casa, na frente, o mezanino do moderno ambiente intermediário ou ainda sentar-se à sombra de uma jaboticabeira no quintal.

Quando voltar ao Buttina, seja para um jantar românico ou um descontraído almoço ao ar livre com os amigos, você pode até ‘brincar’ que está em um restaurante diferente, sem culpa de pedir “o de sempre”.

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Lavando pratos
Verifique sempre as formas de pagamento antes de ir a um bar ou restaurante pela primeira vez. O Buttina não aceita cartões Visa.

Na noite em que estive lá, um dos clientes foi pego de surpresa. A gerência foi bem compreensiva e disse que ele poderia voltar outro dia para pagar a conta. Excluindo o fato de que as outras mesas ficaram sabendo da situação, talvez por problemas de acústica ou descrição do atendimento, pelo menos a casa é simpática e não mandou o cliente lavar pratos.

Buttina – Rua João Moura, 976, Pinheiros (SP). Tel: (11) 3083-5991 /3088-6840

Très bien!

janeiro 10, 2008

Por Jordana Viotto*

laperovaranda300.jpg O L’Aperô é um simpático bistrô que garante alguma tranqüilidade a quem quer fugir da agitada Mourato Coelho, na Vila Madalena.

São três ambientes: a varanda, o salão interno inferior e uma sala superior com sofás e paredes coloridas, no estilo Mondrian.

A casa serve carnes, saladas, quiches e otras cositas mas.

Os ogros de plantão, que perguntam “cadê a comida” na frente de um prato de folhas, que me perdoem, mas vale sentar numa das mesinhas da varanda pelo menu de saladas da casa.

A base delas é o tomate, a alface e aquelas batatinhas francesas (agora me foge o nome) bem crocantes.

Elas vêm com queijo ralado e temperadas com aceto balsâmico. Provei uma com endívias, queijo roquefort, maçã e nozes que é uma loucura.

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Para acompanhar, a casa tem uma carta de vinhos interessante (franceses, claro), mas num dia de calor, a cerveja de garrafa que chega trincando também cai perfeitamente.

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L’Aperô – Rua Mourato Coelho, 1343 – Vila Madalena Tel: 3814-2445

*Jordana Viotto sempre conta ao Braun Café suas descobertas sobre as delícias da vida.

Por Alexandre Scaglia*

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Posta de atum grelhado do vizinho: o aroma estava sensacional!*

Sim, ele é um dos chefs mais premiados do País. E, dizem, um cara pouco afeito a dar atenção aos clientes. O que eu pude confirmar na minha primeira visita (eu preciso voltar lá! PRECISO!!!) ao restaurante de Jun Sakamoto é que a primeira afirmação é real. E a segunda, não. O cara, além de um sushiman genial, é bom papo.

Estive no restaurante para um jantar corporativo e, infelizmente, não me sentei no balcão. Mas mesmo assim provei 15 diferentes tipos de cortes nos sushis, além de um tartar de atum com foie gras de entrada que é qualquer coisa! Ah! Tinha um molho de peixe com saquê delicioso para acompanhar.

O mais interessante é que os sushis de Sakamoto são completamente fora do comum. Mesmo um básico niguiri de atum ganha sabores deliciosos, caso do sushi de atum com foie gras (ele de novo!).

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Sushis de ostra e de ovas de ouriço*

Dos 15 cortes provados (cada vez que eu vejo a lista com minhas anotações, dá água na boca…), o destaque fica para:

– Enguia – um corte de enguia marinada, que vem assim do Japão e no restaurante recebe acabamento com um molho tarê;

– Ostra – um maki raso, de pouco arroz e com uma ostra monstruosa e saborosa como nenhuma outra que eu já tinha provado na vida. Beira a perfeição;

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Tartar de atum com foie gras: imperdível*

– Carapau – simples e maravilhoso: arroz na medida, gengibre ralado e nada mais. Babei no teclado… ;

– Robalo – sim, entre os top 5 está um sushi de robalo, quase básico. Quase porque esse recebe um corte de shisô, um arbusto japonês cujo sabor é indescritível. E perfeito para o peixe;

– Atum com foie gras – um dos cortes que fez a fama do restaurante. Fama mais que justificada, diga-se.

Para finalizar a degustação, uma ostra escaldada em saquê e limão siciliano. Quem ainda estava em condições, provou um delicioso sorvete de maçã verde com gelatina de saquê de sobremesa. Eu, que não gosto de doces, adorei.

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Sushi de enguia, o melhor da noite*

Na mesa, duas pessoas pediram uma degustação diferente, que era finalizada com duas postas de atum grelhado cujo aroma tomou conta da mesa. A vontade era avançar no prato do pessoal.

Claro que uma visita ao Jun Sakamoto não é para todo dia, infelizmente. Primeiro porque os preços são altos (não vi a conta, mas amigos que lá estiveram gastaram entre 200 reais e 300 reais em uma degustação, devidamente acompanhada de champagne). Claro que dá para gastar menos, mas se essa for a opção, não deixe de lado o saquê. Nunca!

O segundo motivo para a dificuldade de visitar o restaurante é que o local é pequeno e atende a um número limitado de clientes por dia, sempre com reservas. Mas o atendimento é atencioso e, a cada corte que chega à mesa, o cliente é informado sobre o que está comendo e se deve ou não colocar shoyu. No balcão a coisa é mais rígida, com Sakamoto pessoalmente temperando as iguarias.

Por fim, uma dica: até o meio do ano que vem Sakamoto lançará um livro de culinária, onde ensinará alguns de seus segredos. Mas, como ele mesmo disse, não se aventure a fazer sushi em casa. “Come-se muito melhor em restaurantes. De preferência aqui”, garante. Eu assino embaixo.

Jun Sakamoto – Rua Lisboa, 55 – Pinheiros. Tel: (11) 3088-6019

*Alê Scaglia é jornalista de tecnologia, colabora com o Braun Café e tem muita sorte!
*Fotos: Roberta Prescott, outra sortuda. Tratamento: Cris Calegaro (valeu girl)