Caffè
junho 10, 2007

Madrid tem ótimos cafés. O espresso do Il Caffè di Roma (1,50 euro) – rede de cafeterias do Grupo Lavazza – é fenomenal. Eles também oferecem variedades da Colômbia, Jamaica e do Brasil. Nesse ponto, cafés como o Santo Grão e o Cafeera, em São Paulo, não ficam devendo.
Outro lugar bem bacana é o 4D, que tem uma gelateria ao lado. Não deu tempo de provar o sorvete de lá, mas parecia bom. Tomamos café sentados no balcão (mais barato do que na mesa) e o mini-muffin de chocolate estava uma delícia. Valim foi de chá (té). Já estava se preparando para a temporada londrina.
O garçom foi com a nossa cara e indicou os bares com tablados e apresentações de guitarra flamenca, que só os locais conhecem. Perdemos o tacón flamenco, mas a dica é a Calle Cava Baja, que tem muitos restaurantes e bares convidativos.
4D Caffeteria Gelateria – Calle Cuchilleros, 17/19 – Madri.
O Bar do Partido
junho 4, 2007

A Casa Labra, dica da Denise Samarone, que teve a felicidade de morar em Madri por quatro meses, vale um post só pelo apelido que acabamos dando ao lugar: o bar do partido.
O boteco e restaurante, que fica na rua da loja de departamentos El Corte Inglés, é histórico não só pelos bolinhos de peixe fritos na hora. Lá foi fundado o Socialista Operário Espanhol (PSOE), em 1880.
A história ficou marcada durante a viagem. Nós tínhamos de visitar o local de qualquer jeito. Como nunca lembrávamos o nome acabou virando “bar do partido”.
No penúltimo dia, finalmente, fomos fazer um happy hour rápido no bar, que está lá desde 1860. O lugar antigão, com pé direito bem alto, é muito estiloso.
O serviço da Casa Labra é engraçado. No balcão da direita, as pessoas fazem fila para comprar os bolinhos e depois se ajeitam, do lado esquerdo, no balcão das bebidas.
A expectativa era tanta, que fui logo pedindo quatro ‘tapas de bacalao’, a especialidade da casa. Alê arrumou o espaço no balcão lotado e as cervejinhas.
Os pedaços de bacalhau bem tenros são empanados com leite e trigo. O resultado é bem diferente. Tanto o sabor como o preço são um pouco salgados – se não em engano, 2 euros cada – mas a Casa Labra tem história e a caña é boa. Merece a visita. Valeu Dê!
Casa Labra – Calle Tetuán, 12 – Madrid.
Uma tapinha não dói…
junho 4, 2007

Nada de ficar horas sentado no boteco. Em Madri, o negócio é sair de bar em bar, ou ‘salir de tapas’, bebericar, comer um petisco no balcão (‘picar en la barra’) e partir para o próximo e o próximo e… aí já viu que beleza.
O agito nos botecos perto da Puerta del Sol começa lá pelas 23h, mas vida de turista é dura e chegamos mais cedo. Para facilitar sua vida, a maioria dos bares exibe as matérias-primas de seus petiscos em vitrines.
É uma diversão olhar decorações de cogumelos gigantes, miúdos de porco, lulas, abobrinhas, camarões, peixes e até polvos montados com pimentões e tomates para atrair o botequeiro.

Muitos bares oferecem uma porção de cortesia. Podem ser as papas alioli, uma espécie de maionese de batatas mais cremosa com sabor bem acentuado de alho, ou azeitonas recheadas com pimentão ou pepinos em conserva enrolados em filezinhos de aliche. Hummm. E de graça!
Nas duas visitas ao La Fragua De Vulcano, rolaram as papas alioli e asinhas de frango picantes. Lá também comemos uma maravilhosa porção de camarões na chapa e uma bela paella, que custa 5 euros e dá pra dois (com fome). Regue com o limão siciliano e mande ver. O lugar é uma delícia, o atendimento é ótimo e tem TV para os meninos que amam futebol.

As azeitonas foram cortesia da Cervecería La Cruz de Malta. As cañas não são tããão boas como as da cerveja San Miguel, a Skol da Espanha, mas valeu a bebedeira com o Alê no balcão.
Essa estratégia da cortesia é perfeita. É uma porção pequenina só para aguçar seu apetite. Resultados: o cliente bebe mais para acompanhar a tapa e depois acaba pedindo uma porção. Os donos de bares daqui deviam adotar a cortesia. Uma tapinha não dói…
La Fragua Del Vulcano – Calle Alvarez Gato, 9 – Madri.
La Cruz de Malta – Calle Victoria, 4 – Madri
Trocadillos de jamón
maio 31, 2007
Depois do pão meio dureza do Museo del Jamón, em Madri, Alê me apresentou os montaditos. Na Cervecería 100 Montaditos (foto acima) os pãezinhos são feitos na hora bem quentinhos e servidos com recheios a escolher – do apresuntado ao salmão com caviar.
O de jamón com tomate é uma delícia. Parece um molho cru de tomate que combina muito bem com o jamón salgadinho. ¿Cuánto? Um euro cada. Acompanhe com as cañas (um euro cada). Que beleza.

No dia seguinte, logo que o Valim chegou, com jet lag e tudo, já saímos nas tapas. Na Casa Toni, ao lado do hotel, tudo o que está na vitrine eles fazem na chapa. Provamos os sensacionais cogumelos e as linguicinhas chichurritas, que o PH tanto adora. São muito saborosas.
No bairro onde ficamos deu pra tapear a valer. A Cervecería Magister tem cervejas artesanais muito boas. É só pedir uma ‘Rubia’ ou uma ‘Tostada’ e escolher um pãozinho com jamón de cortesia. Depois pedimos os croquetes de jamón (croquetas ibericas), mas eram sem graça.
A Cervecería Alemana, que fica em uma linda praça, tem uma ótima tortilla – omeletão de batatas que mais parece uma torta e é servido em praticamente todos os botecos de lá. Você pode pedir para esquentarem um pouco, que fica mais gostosa. O peixe empanado deles é sensacional.

A tortilla campeã é a do El Olivar. que fica perto do Museu do Prado. O atendimento é simpático, o vinho é ótimo e eles têm tortillas com recheios. A de camarão é uma loucura.
Os espanhóis também são bons de trocadilho. Perto do El Olivar você encontra algumas pérolas como os bares “Tapéame” e “Acañada”. Tiramos fotos pagando um mico, mas não dava pra resistir.
Não chegamos a entrar em um bar de pinchos, que não petiscos variados servidos no palito, mas o Alê já fez um toast do assunto de Barcelona. Provamos as tostas. São tapas de pão torrado cobertas com ingredientes variados. No La Tosta comemos uma de gambas con alioli (molho branco de alho com camarões). De chorar.
O lugar tem as sangrias mais bonitas que já vi. Acabamos tomando uma boa cerveja. E depois da meia noite, os caras diminuem a iluminação, aumentam o som e o lugar vira balada. A solução é prática e comum em vários botecos da área da Puerta del Sol.
Nesse esquema de bar em bar é melhor sair com dinheiro no bolso porque cada porção custa de 3 a 7 euros, as cañas geralmente custam um euro e o cartão de crédito, quando aceito, nem sempre é bem visto para pagar as cuentas de baixo valor. Mas cara feia, pra mim, é fome. Vai de tareja mesmo.
Cervecería 100 Montaditos – Calle Madri, 28 – Madri. Casa Toni – Calle Cruz, 14 – Madri. Cervecería Magister – Calle Pincipe, 18 – Madri. Cervecería Alemana – Praza Sta Ana, 6 – Madri. Cervecería El Olivar – Calle Jesús, 6 – Madri. La Tosta – Calle Victoria, 8.
Ciber ou café?
maio 29, 2007
Sei que é um crime ficar um mês sem atualizar um blog e estava morrendo de saudades do Braun Café, mas pense comigo: você prefere ficar duas horas escrevendo em um cibercafé feioso com maquininha de Nescafé ou passar estas duas horas com os amigos em um café de Madri ou em um pub de Londres?
Conto com o perdão do leitor e prometo recuperar o tempo bebido dando as dicas de uma viagem de 22 dias entre a terra do jamón e a do fish and chips para o Braun Café Internacional.
Comida de avião não vale, mas preciso comentar que o vôo da Ibéria (São Paulo-Madri) serviu purê de batatas, carne refogada e… abobrinha!!! E estava bom! A foto da exceção que confirma a regra está no Flickr.
Museo del Jamon. Depois de ver as fotos da viagem da Dani Moreira e do Vinícius para a Europa, no ano passado, esse era meu primeiro alvo em Madri. Logo depois de acertar a vida no Hostal Marlasca, lugar bem bacana e providencialmente localizado no coração dos bares de tapas perto da Puerta del Sol, eu e Alejandre Scaglia fomos dar um rolê e achar o museu.
Palácio del Jamón? Paraíso del Jamón? Não. Eu (chatonilda) queria o Museo, que o Alê felizmente encontrou em uma travessa da Calle Mayor.
A maior concentração de presuntos de porco – Serrano, Murciano, de Salamanca e muito mais – que alguém pode encontrar na vida faz juz ao nome do local, uma mistura de padoca, boteco e casa de frios, com salão de restaurante no andar de cima.
Cansados do rolê fomos direto ao salão para comermos a primeira porção de jamón sentadinhos. Aí vem a primeira lição para turistas na Europa: sentou, sorriu, pagou mais caro. Todas as comidas têm um preço no balcão e outro [maior] para quem vai se sentar. Em Londres é a mesma coisa. Então não é só por pressa ou costume que muita gente come na rua, no metrô e no balcão. O negócio é “to go”.
Prezando nossos euros, eu e Alê encostamos no balcão e pedimos o tradicional bocadillo de jamón com queso no Museo del Jamón. O jamón estava ótimo, mas o pão digamos que foi meio duro de engolir. Para ajudar, seguindo a dica de Dani e Vini pedi uma taça de sangria. Muito boa e fuerte! O espanhol não economiza no vermute. ¡Beleza! Alê foi de caña (o equivalente a pedir um chope) de Amstel, que estava bem boa.
Logo vimos que o Museo del Jamón é uma franquia – você sempre esbarra em um por lá. A Dani tinha indicado o Museo na rua paralela a do nosso hotel. Valeu Dan. Achamos a fachada poperô do lugar e viramos fregueses do café-da-manhã. Por 3 euros (no balcão) você toma suco de laranja, café com leite e come um belo misto quente (com presunto normal mesmo, que está ótimo) no pão (mole) de forma. Tem até croissant na chapa com manteiga. Queria ter uma padoca dessa do lado de casa.
Café-da-manhã mais barato só na Pans&Company, uma rede de fast food que serve sandubas e bagles. Por 2 euros você come dois sandubinhas okay e toma um café com leite grande. Prefiro o misto do Museo, mas tem o trocadilho da viagem: ‘se pans você cola lá que é mais barato’.
Impressionante como há caça-níqueis em todos bares, cafés e museus do jamón na cidade. Deve ser a estratégia para você jogar os euros que economizou ficando em pé. Muy amigos.





