Guiozão e tempulá

abril 28, 2007

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Logo ao sair da estação Liberdade do metrô aquela mãozinha de fumaça do desenho do Pica-Pau já lhe conduz ao lado direito onde estão as barraquinhas de mil frituras orientais na Feira da Liberdade. Fui em um sábado e peguei a versão mais compacta. Dizem que aos Domingos é uma loucura.

Comece pela barraca da ponta da Rua dos Estudantes. Lá, a família Nakamura prepara deliciosos guiozas grelhados na hora com diversas opções de molhos para acompanhar. O guiozão vale por dois e custa 2,50 reais. Já valeu o passeio.

Depois do guioza, não há como escapar das frituras. Entre espetinhos de camarões médios e graúdos, bolinhos de peixe e até codorna resolvi provar o “tempulá”, como disse o Sr. Lei ao me entregar o disco de massa frita com alguns camarões encrustrados. Da próxima acho que vou de bolinho de peixe ou do rolão primavera que eles servem lá.

O almoço foi devidamente fechado na premiada pastelaria Yoka – oito vezes entre as melhores da cidade segundo a Veja São Paulo. As opções de recheio são convidativas, mas eu estava no espírito japa girl e deixei o pastel de carne com ovo para outro dia. Fui de tofu, shimeji e cebolinha. Não sei se era muita fritura de uma vez só, se o recheio estava farto demais ou se eu devia deixar de inventar moda, mas não deu para terminar. Estava gostoso, mas percebi que meu amor pelo tofu não é tão grande assim.

Doce de feijão é outra coisa que requer amor. Os mercadinhos próximos à feira estão cheios deles. No fim das contas ainda não provei o tal doce, mas sei que o resultado é amar ou odiar. No mercado Oriental acabei comprando chá verde com arroz torrado “não é pra comer o arroz não, mas o gosto é melhor. Eu tomo sempre”, explicou a dona do estabelecimento. O suco de lichia (2,50 reais a latinha) tem gosto de lichia mesmo. Incrível.

E a famosa padaria Ikitiri, com seu bandeijão de doces e o suco de ‘sagu’? Fica para a próxima. Eles já ficaram famosos demais (rs). O lugar estava lotado e não me deixaram tirar fotos dos pães. Poxa… os doces estavam tão a vontade. Fiz duas na teimosia. Chilikitiri!

E por falar em Liberdade, vou entrar de férias. Em breve espero ter novidades do Braun Café Internacional (diretamente do cibercafééé!).

Yoka – Rua dos Estudantes, 37 – Liberdade (SP). Tel: 3207-1795.
Comércio de Comestíveis Oriental – Rua dos Estudantes, 38 Liberdade (SP). Tel: 3209-8830

Pô Bello…

abril 18, 2007

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Achei esse autógrafo ontem à tarde nos meus e-mails. O Mau escaneou pra mim em dezembro de 2002. Alguns dias antes, em um sábado, fiz minha única visita ao Pandoro, tradicional bar paulistano onde criaram o ‘caju amigo’. Depois de muitos cajus com vodka e papo com os amigos entra no bar a Nair Bello. O Fernando, que levou a turma pra conhecer o happy-hour tiozinho mais famoso da cidade se empolgou e decidiu pedir para entregarem um buquê de flores no bar.

Todos animados fomos até a mesa da Nair, entregamos o buquê e recebemos de volta aquela risada gostosa. Bom… o Pandoro fechou, a Nair nos deixou ontem, depois de 75 anos sem conseguir segurar as gargalhadas e a Neide do autógrafo é uma longa história.

Vejam o que o caju amigo faz com as pessoas. Eu expliquei rapidamente para a Nair que a Neide era um personagem, um conceito de mulher dona-de-casa tradicional, que virou referência entre os amigos desde 2000. Ela economiza nas compras do mês, fala com sotaque paulistano bem carregado, detesta ‘craca’ no azulejo, aria todas as panelas, pensa sempre no que vai fazer de mistura pra janta (eu detesto essas palavras, mas precisava citar), assiste programa da Palmirinha na TV (Rê Mesquita achou a paródia da ‘Palmitinha’ no YouTube) pra anotar a receita de arroz de forno (‘risoto’ né lindinho?!) e por aí vai.

Todo mundo tem uma Neide dentro de si e os homens não escapam. Outro dia passei pelo programa do Ronnie Von (a Neide adora o Ronnie) e ela estava entrevistando uma turma de jovens mulheres que montaram uma turma da Dirce, uma espécie de prima da Neide, para cultuar e manter viva a experiência das mulheres do lar.

E a Nair? Pô Bello… nada mais ‘Neide’ do que desejar “Saúde” no autógrafo. Que linda. Vai deixar saudades.

Por Renata Mesquita*

Como a Dani já vem pregando nessas páginas virtuais, a Mooca, bela, tem lugares ótemos e sensacionais para jogar algumas horas de conversa fora na companhia agradável de deliciosos quitutes e chopes bem tirados. Mas há de se prestar atenção, coisa que eu não costumo fazer.

Queria ir ao Elídio Bar com um grupo de meninas, depois de fazer a maior propaganda do “Mooquinha”, mas vacilei e acabei sentada numa das mesas do Autêntico creeente que estava no bar certo. Primeiro, nada do lanche aparecer no cardápio. Foi só aí que eu me toquei… quer dizer, na verdade a Claudia virou para mim, apontando para o outro lado da rua: “Mas o Elídio não é ali?”. E tome gozação…

Já tínhamos pedido bebidas e o balcão de acepipes parecia honesto, decidimos ficar. OK, não foi a pior experiência do mundo, mas o atendimento deixa muuuuito a desejar. O garçom me perguntou três vezes que bebida eu queria, e eu tinha pedido um singelo guaraná. A Paulinha, recém-grávida com manias de recém-grávidas, pediu um suco de limão sem açúcar… e o cara me aparece com um suco de limão com leite condensado!!!

A lista de pontos negativos aumentou com a porção de carne-de-sol com mandioca, bem chinfrim, e com o banheiro feminino, simplesmente disgusting. E só subiu quando outro garçom, o menos atrapalhado, ao trazer a conta soltou a pérola: “Em sete anos nessa empresa vital eu nunca servi uma mesa mais bonita”. Os caras podem não primar pelo atendimento, mas mandam ver nos galanteios…

*Rê Mesquita é jornalista, adora inventar moda e cometer deliciosos pecados da gula. Agora a Rê também confessa tudo aqui no Braun Café.

(O estabelecimento está fechado. Agora a Rê não corre o risco de errar o boteco…) 

No coffee for you!

abril 5, 2007

Quem trabalha na região da Vila Olímpia e foi tomar um expresso com canudinho de chocolate (hummm…), esta semana, na Kopenhagen recebeu a notícia de que a loja não estava vendendo café por conta da alta demanda pelos ovos de Páscoa.No melhor estilo Soup Nazi, de Seinfeld, a loja sequer deixou um aviso na porta. O Nando contou, por exemplo, que o Gui Felitti e o Alê Scaglia só ficaram sabendo do remanejamento no balcão. No coffee for you!

Além de perder os fregueses do tradicional cafezinho-pós-almoço-corporativo, potenciais consumidores de ovos e coelhos de chocolate, a loja ganhou certa antipatia. Para evitar as más línguas acho que a loja deveria distribuir [vejamos] três línguas de gato com o café, na próxima semana. Kopenhagen… se eu fosse como tu…

Feliz Páscoa!

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Conforme anunciado no toast anterior, o projeto de virar freguesa do Elídio Bar está de pé. No último sábado estive na Mooca e até tentei visitar o vizinho Autêntico, mas o cardápio não apeteceu meu bolso (18 reais uma porção de pastéis???). Atravessei a rua e não me arrependi.

Nesta segunda rodada fui direto ao balcão de acepipes. Sardinha enrolada em azeitona, cebolinhas curtidas no vinho tinto – achei que era pinhão -, gorgonzola, linguiça curada, moela em azeite e temperos, batatinha escabeche e até um mini chuchu bem temperado estavam deliciosos. O pão italiano que acompanhou a porção podia estar mais fresco, mas não atrapalhou. Já o ‘pão líquido’ da Brahma estava perfeito.

Os pastéis do Elídio, vendidos individualmente (2,50 reais) – exceto sabores especiais como o de bacalhau (4 reais) – são bem mais baratos que os do vizinho. O tamanho é pequeno em relação ao da feira. Por outro lado, o recheio é farto. Adorei a solução para a eterna dúvida dos botequeiros sobre o sabor dos pastéis na porção. No Elídio, o saquinho que acomoda o pastel já vem com carimbo: “Carne”, “Queijo” e por aí vai.

Ao fim dos acepipes logo chegou o ‘Mooquinha’ fazendo presença na mesa. A versão do Elídio para o famoso ‘buraco quente’ vem no pão francês quentinho com parmesão gratinado no topo. O delicioso sanduba é generosamente recheado com carne moída, pedaços de tomate seco e azeitonas verdes.

E por falar em verdes, impossível deixar de notar o símbolo do Palmeiras e o “Verdão” entalhados em um quadro de madeira ao lado do caixa. Sim, o dono é palmeirense, embora alguns reviews na rede citem o “são-paulino Elídio Raimondi”.

Fui tirar a dúvida e a filha, Solange, confirmou. “Ah! Ele diz que é são-paulino às vezes, brincando… diz que gosta de ver o São Paulo jogar, mas o time de coração dele é o Palmeiras mesmo”, contou sorrindo. Aêêê Elídio… Primeiro de abril né?!

(18h55: Depois do resultado de hoje, o Elídio que me desculpe, mas o verdão virou freguês)

Elídio Bar – Rua Isabel Dias, 57, Mooca. Tel: (11) 6966-5805