Cerveja turca

julho 8, 2007

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Em uma travessa da Oxford Street, badalada rua das compras de Londres, você encontra uma série de bares e restaurantes charmosos com mesinhas na calçada. O clima é bem europeu e os preços também.

Felizmente, eu e Almeida encontramos o “Grand Bazaar Cafe Bistro”, que oferece porções acessíveis. O homus com uma cesta de pãezinhos quentes e macios (4 libras) caiu muito bem acompanhado da cerveja turca Efes (2,70 libras a long neck).

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Gostei da pilsen turca – leve e saborosa. Considerando que a Turquia não tem tradição na área, até rola uma nota A para a Efes, que desceu macia assim como a conta do bar. E o clima das mil e uma noites, garantido por luminárias orientais espalhadas pelo teto, reanimou.

Esse café turco é uma boa dica de happy hour depois da função turística. Só espero que você tenha a sorte de não encontrar mil e uma mulheres enlouquecidas em uma despedida de solteira na mesa ao lado.

Grand Bazaar – 42 James Street – Londres.

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A água mineral é cara na Europa. Na Inglaterra, a garrafinha custar uma libra se você comprar no ‘índia’, o apelido das lojas de conveniência por lá. Para economizar seu pobre dinheirinho, você pode optar pelas promoções de garrafas grandes de Evian.

O nome é chique, mas o sabor não é lá essas coisas. Uma outra opção é comprar Ave, a cover. Em Greenwich, no meio do mundo, Valim saca da mochila uma garrafinha de Evi…. Eu, que estava morrendo de sede fui beber um gole de… Ave? Ave! A embalagem é igualzinha, no melhor estilo Abidas, Mike, Cony etc. O gosto é parecido com o da Evian, ou seja, bem regular. Acho que se inspiraram na água benta. Valeu pela economia e pelos trocadilho. “Beba Ave… e reze meu filho”.

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E que tal um copo de água morna com gosto de ovo? Visite as termas de Bath (12 libras), no sudoeste da Inglaterra, e desta água beberás. O tour pelas termas mágicas adoradas pelos celtas, que foram transformadas pelos romanos em templo de Minerva e casas de banho há mais e 2 mil anos, vale cada centavo.

Ao final do passeio, em um belíssimo salão de chá, você tem direito a um copo da água naturalmente morninha de Bath. Um gole de civilização.

Salt beef bagle… Next!

junho 26, 2007

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Em Brick Lane, um dos bairros mais descolados de Londres, Fábio Almeida, nos apresentou um dos lugares favoritos de sua vizinhança: o Beigel Bake.

Atrás do balcão cheio de pães e doces do estabelecimento azulejado e dignamente ambientado a luz fluorescente, as mulheres da casa garantem que a fila ande. A dona, que deve ter visto o Soup Nazi, do Seinfeld, exige determinação do cliente na hora do pedido e no pagamento. É só ser rápido, que dá tudo certo.

Os homens deste lugar estão nos bastidores. Eles cozinham e assam os bagles e pães mais tenros que eu já experimentei. O pão ‘chola’, uma espécie de brioche gigante com sabor de pão de leite caseiro da vó, merece destaque. Segundo o Sammy Davis Jr., um senhor bem divertido, que comanda a cozinha, a pronúncia correta em judaico é ‘rôla’,  o melhor duplo sentido da vida.

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Mas o motor que faz pulsar a fila do local é o famoso salt beef bagle, que o estabalecimento [vazio] ao lado tenta imitar. A mulherada recheia, rapidamente, o bagle com diversas fatias de uma carne cozida e salgada, que se assemelha à carne seca, e manda bala na mostarda Dijon. Uma combinação perfeita para matar a fome dos baladeiros, que enxugaram muitos pints nos diversos bares do bairro.

Melhor ainda é o preço de tudo. O salt beef custa cerca de 2 libras. Já o não menos delicioso bagle com atum custa 90 centavos. A versão com salmão defumado e cream cheese (1,70 libra) também é imperdível.

Perdi a conta de quantas vezes eu e o Almeida fomos a este local. Se estiver em Londres, por favor, perca-se em Brick Lane.

Brick Lane Beigel Bake – 159 Brick Lane, Londres

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Em uma viagem de cinco dias de carro ao Sul da Inglaterra descobrimos que é possível comer bem por lá. Depois de muita emoção e ventania em Stonehenge é preciso recarregar as energias.

Em uma viagem de carro por cinco dias pelo Sul da Inglaterra, rumo aos mistérios do Rei Arthur, encontrar uma estalagem e boa comida exige todo o seu espírito de cavaleiro. Exeter foi a primeira parada do trio. Após um belo rolê na chuva fina encontramos um ótimo Bed & Breakfast, o Road Lodge, e fomos buscar uma távola para jantar.

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Os indianos e seus restaurantes estão em toda parte. Na noite deserta de uma segunda-feira em uma pequena cidade de universitários, escolhemos o Real Índia, nosso melhor jantar nesta cruzada. Excelente entrada com papadom, um pão bem fininho frito com sabor de ‘Mandiopan’ para comer com vários molhos.

Em seguida traçamos um pão nan quentinho, frango com iogurte e ervas (chicken tikka), arroz de coco e bolinhos vegetais com molho levemente picante. A cerveja indiana Kingfisher e uma taça de chardonnay desceram macios. Toda esta felicidade custou 11 libras por cabeça. Na manhã seguinte, o delicioso breakfast (foto acima) em uma linda sala no Road Lodge fechou a estada em Exeter com chave de ouro.

dartmoor.jpgOutra grata surpresa foi o restaurante caseiro Fox Tor Cafe, na minúscula Princetown, situada no meio do parque Dartmoor. Um passeio de carro por esta espécie de reserva ambiental gigantesca (maior do que a cidade de Londres) revela paisagens belíssimas, pôneis selvagens e muitas ovelhinhas.

Torta de carne com purê, spaghettini ao pesto com cogumelos e jacket potatoe (batata assada) com cheddar inglês – queijo clarinho, leve e bem saboroso que nada lembra o laranja-radioativo do cheddar americano. Tudo delicioso, feito na hora e barato! O almoço saiu 15 pounds. Um mundo de fantasia.

Descendo mais um pouco, na cidade mágica de Glastonbury, no estado da Cornuália, onde estão as “brumas de Avalon”, nada melhor do fazer uma pausa para o chá. O pequeno e aconchegante Abbey Tea Room é uma casinha de conto de fadas. O salão cheio de simpáticos velhinhos ingleses exalava bolos que acabaram de sair do forno. Foi difícil escolher uma torta (1 a 2 libras a fatia) para acompanhar o chá earl grey com leite. Lovely!

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Gostamos muito do Bellevue, o B&B da Claire, em Glastonbury. Na noite anterior fomos ao mercado (Morrisson) para fazer um lanchinho no quarto – pão de forma, cheddar inglês, frios e o melhor tiramissú que eu já comi. No café da manhã, um delicioso iogurte orgânico de morango espantou o mau humor. Pena que o marido da Claire tinha de ir trabalhar e não fez os ovos mexidos. Fica para a próxima.

Quase na ponta da Inglaterra, em Newquay, acabamos comendo pizza no carro mesmo. Lá, o B&B não permitia comidas no quarto e o delivery já tinha fechado o salão de jantar. A pizza estava okay, mas valeu pela situação.

Legal foi ler, já aqui no Brasil, uma notícia que o Alê mandou dizendo que um grupo que defende a independência da Cornuália resolveu exigir a retirada da bandeira da Inglaterra de alguns estabelecimentos, em Newquay. Entre os locais estava o restaurante de um tal de Jamie Oliver. Tudo bem… deve ser caro jantar no Fifteen Cornwall. Muito caro. Pizza no carro. Hummm… que delícia! Muuuito melhor (rs).

Real India – 28 South Street, Exeter (Devon) – Inglaterra
Fox Tor Café  – Two Bridges Road, Princetown (Devon) – Inglaterra
Abbey Tea Room – 16 Magdalene Street, Glastonbury (Somerset) – Inglaterra
Road Lodge Guest House – 42 East Wonford Hill, Exeter (Devon) – Inglaterra
Bellevue Guest House – 2 Bere Lane, Glastonbury (Somerset) – Inglaterra

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Todo mundo sabe que a Inglaterra está longe… bem longe de ser uma referência gastronômica, mas a situação, na real, não é tão calamitosa. Como um bom turista, em uma cidade onde tudo custa quatro vezes e uns centavos o seu dinheirinho, seria bem sofrido gastar 16 libras para comer um peixe grelhado com saladinha verde.

Então, relaxe e coma. O tour pelos fast foods, o sanduba-isopor pronto ‘to go’ e um prato de fish and chips no pub da Rafa são tão inevitáveis como a insistente chuva que viajou conosco naquela país. Entretanto, a terra do chá preto com leite, que é bom e barato, também reserva surpresas como um jantar indiano dos deuses,  um delicioso pato assado em sua pequena Chinatown, saborosas comidinhas típicas na feira de Camdentown e o melhor sanduba de bagle da sua vida.

“Quem converte não se diverte”, disse o Márcio Kameoka no pub The Tabard, nossa primeira parada na cidade para o grande encontro. Após nove meses de saudades, fomos para Londres visitar nossos brothers do coração: Rafa Gobara, a felizarda que trabalha (e mora) no pub com um time de brasileiros nota mil, e o querido Fábio Almeida, que me apresentou lugares sensacionais na cidade (aguarde os próximos toasts).

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Como o ‘ovo é um mundo de codorna’, Henrique e Sérgio estavam de passagem por Londres no dia da nossa chegada. E o Kameoka também mora na cidade. Foi um encontro digno de seriado. Só com muita cerveja para aguentar a emoção.

As deliciosas cervejas dos pubs londrinos, felizmente, não são muito caras, na comparação com as daqui. A média, no The Tabard, é de 2,85 libras (12 reais). Só essa conversão já vale um pint de Guinness, Old Speckle Hen, Pilsner Urquell ou Kronenbourg 1664 para comemorar. Agora você já sabe porque a terapia do inglês é ficar no pub até 23h (quando tudo fecha), sair feliz e bem bêbado na rua, pegar seu ônibus para casa e se preparar para um novo dia… uma nova vida.

Mas se você está de férias e não tem nada a ver com isso, sempre há a Companhia dos Índias Ocidentais para lhe servir. “Vai lá no Índia pegar uma breja”, dizia a Rafa referindo-se às lojas de conveniência, geralmente comandadas por indianos, onde você encontra de tudo, incluindo latas de meio litro de Stella Artois, Grolsch ou Carlsberg geladinhas até por menos de 1 pound para beber enquanto espera o night bus chegar.

Ah! A comida… bom… o primeiro prato que vi no Tabard foi o fish and chips que o Fábio pediu. Embora a Ju (Stru), que comanda a cozinha no estilo Anthony Bourdain, insista que é tudo pronto, alguns pratos merecem destaque.

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O fish and chips é a fritura com fritura – a conversão de calorias também deve ser abolida em uma viagem à Inglaterra. Tradicionalmente, o prato vem com um filézão de peixe empanado, fritas, ervilhas  e molho tártaro para dar um gostinho. No Thabard você come seu fish com purê de ervilhas, que eu acho mais gostoso.

Vai salgar suas fritas? Cuidado. Os ingleses amam pimenta. Sendo assim, o ‘saleiro’ (com mais furos) tem pimenta do reino e o outro leva sal. É só seguir a lógica da direção invertida, que dá tudo certo.

O hamburguer do pub tem jeitinho brasileiro, já que as meninas temperam a carne, o que é uma ótima notícia. A torta de carne com cerveja (acho que chama-se Stake & Beer Pie) é um clássico dos pubs, especialmente porque cada um prepara a torta com uma cerveja diferente. No Tabard, com Old Speckle Hen, a torta de carne com uma espécie de molho roti acompanha purê de batatas e legumes cozidos para deixar a culpa [se ainda tiver alguma] um tiquinho mais leve.

Achou tudo muito heavy metal? Então espere pelos os ovos com bacon que o Sérgio pediu. Até aquele primeiro dia em Londres, para mim, ovos fritos eram acompanhados de tirinhas de bacon. Foi então que o Sérgio apresentou um filé parecido com uma picanha de lombo embaixo de dois ovos com fritas. Impressionante. E estava uma delícia. Colester… o quê? Esqueça. Quem converte não se diverte!

The Tabard – 1 Bath Road, W4 1LN – Chiswick, Londres.