KebAbbey Road
julho 17, 2007

O tradicional sanduíche de origem turca, que aqui chamamos de ‘churrasquinho grego’, está em todos os lugares na Europa. Ao contrário daquele que vem com suco grátis, no centro de São Paulo, o kebab de lá é gostoso e, o melhor, barato. Em Paris, segundo o toast do Alê, fritas acompanham.
Em uma bela tarde de ressaca, antes de atravessarmos a Abbey Road com chapéus de nozes de papelão na cabeça – homenagem ao vídeo “As árveres somos nozes” -, Rafa Gobara nos levou para comer kebab em seu bairro, Chiswick.
A pequena e ajeitadinha lanchonete oferecia desde o tradicional kebab do ‘rolo de carne’, a versões de kafta e frango. As carnes são feitas na chapa e vêm quentinhas dentro do pão sírio com salada de repolho, tomate, picles e até chilli se você aguentar.
A Rafa, que já tem o paladar e o estômago adaptados, mandou ver no chilli. Nós… bom… nós mandamos ver no refrigerante porque ‘spicy’ era pouco para explicar o quão apimentado estava aquele delicioso sanduba de kafta. “Kebab? Então toma!” comentei.
Dizem que pimenta faz bem à saúde. Os indianos devem acreditar que ajuda a elevar o espírito. Não sei se os turcos piram na pimenta, mas em Londres, onde a culinária não é das melhores, pimenta é sabor.
Felizmente, aqui em São Paulo, já é possível provar um tradicional kebab turco. Outro dia estava andando na Rua Augusta e encontrei o Kebab Salonu. Ainda não provei, mas o lugar e o site causaram boa impressão. Ótima notícia para quem vai fazer uma boquinha ou tomar o café turco para elevar o espírito depois do cinema.
Kebab Salonu – Rua Augusta, 1416, Consolação – São Paulo. Tel.: (11) 3283-0890
Garbo e elegância
julho 16, 2007

Visitar museus abre o apetite. Depois de um belo passeio pelo Natural History Museum de Londres e uma passada pelo Victoria and Albert Museum, que vale outro dia inteiro de visitação, nada como apreciar as delícias de uma patisserie em um dos bairros mais elegantes da cidade.
indicação de um dos guias era a Patisserie Valerie, bem pertinho do Victoria and Albert. A vitrine exibe estonteantes bolos decorados e o balcão torna praticamente impossível escolher um sanduíche sem pensar que deveria ter pedido outro.

Era aniversário de Rafaela Gobara (gorgeous na foto) e fomos todos ao salão da patisserie para nosso chá da tarde inglês. Tudo, como ela mesma diz, com “garbo e elegância”.
Os sanduíches de parma na baguete estavam deliciosos. O bagle com salmão defumado e cream cheese do Valim também estava ótimo. Pedi um belo bule de chá preto com leite e, para finalizar, Alê e eu dividimos um divino mousse de berries (strawberry, rapsberry, blueberry etc.).
A conta não foi tão divina. Como em quase todos os lugares da Europa, na Patisserie Valerie, o preço da comida no balcão fica 2 pounds mais caro se você for comer sentado. E não adiantou reclamar depois. Ce la vie.
De estômagos devidamente forrados e bolsos consequentemente vazios, a poucos metros da patisserie estava a glamourosa loja de departamentos Harrods.
Seguindo uma das mil e uma ótimas dicas da Thiane visitamos a delicatessen principal. O lugar é tudo o que os empórios Santa Maria e Santa Luzia (juntos), de São Paulo, gostariam de ser.

Ficamos de queixo caído diante da variedade e da disposição das vitrines com embutidos, rotisserie, patisserie, chás, cafés (incluindo nosso brasileiro vendido a mais de 7 libras o quilo) e muito mais. O Alê até parou para admirar as carnes do açougue, enquanto eu ficava horrorizada com a idéia de jerico da peixaria: peixes frescos dispostos em uma fonte no estilo clássico, ao lado da virtrine.
Os preços, como bem lembrou Gobara, são exorbitantes, mas dar “uma olhadinha” na deli, de estômago cheio, não custa nada. É um pedacinho da terra dos sonhos… de consumo dos ingleses.
O melhor pão com bife ever!
julho 11, 2007
*Por Rê Mesquita

Fotos: Henrique (com fome) Martin
Pão com bife é mais que um lanche improvisado com as sobras de alguma outra farta refeição: trata-se de uma verdadeira instituição alimentar, mundialmente conhecida e reconhecida.
Aqui em São Paulo, você vai encontrá-lo em qualquer padaria que se dê o respeito como o famoso ‘churrasquinho no frança’, com ou sem queijo e com ou sem vinagrete – uma versão sensacional pode ser degustada no Fazenda, na Tamoios, voltando do Litoral Norte, com direito a fumaça no cabelo.

Em Portugal, é o prego no pão (comi um excelente em Belém, próximo ao Mosteiro dos Jerônimos). Nos Estados Unidos, é o não tão popular assim Bread and Beef, geralmente cheio de outras coisas como picles, mostarda, tomate, fatias de bacon etc.
Em quase qualquer lugar do planeta você pode comer pão com bife, qualquer que seja o nome com o qual é batizado (é óbvio que na Índia, por exemplo, não vai rolar). Em casa, você pode ainda fazer uma suculenta versão a cavalo, ou seja, com um ovo frito bem molinho em cima, para escorrer a gema entre os dedos. Mas tem um pão com bife que é inesquecível: o do Almeida, em Santos.

Essa casa quase octagenária (foi inaugurada em 1932) fica na beiradinha do centro santista e serve uma boa variedade de pratos que, imagino, devem ser todos saborosos. Mas meu pai, que ia lá na adolescência, me recomendou a pedir a iguaria (R$ 15), falando que era o melhor do mundo. O resultado? Toda vez que eu volto não consigo pedir outra coisa!
Tem que ser um pão com bife (um pedaço generoso de filé mignon com o miolo bem rosadinho, daqueles que soltam caldo a cada mordida), algumas boas fatias de queijo prato e um pão francês sempre, sempre, fresquinho e crocante. Não há nenhum segredo aparente, mas inexplicavelmente é de lamber os dedos! Se você for, peça com uma porção de fritas portuguesas (R$ 10) para acompanhar: é o par perfeito.
Restaurante Almeida – Av. Ana Costa, 1 – Vila Mathias – Santos – SP – tel.: (13) 3232-7508.
*Rê Mesquita é jornalista, adora cometer deliciosos pecados da gula e contar tudo por aqui. Foi para Portugal e não perdeu o lugar no Braun Café.
Portobello… be happy
julho 10, 2007

A feira de antiguidades da Portobello Road, em Londres, é um passeio delicioso. Bem lembrou a Kaks Garcia, que morou por lá e fez questão de indicar a rua comprida cheia de turistas e locais aos sábados.
Entre milhares de lojinhas, brechós e barracas de antiguidades, a vitrine de um restaurante exibia suas especialidades e o cardápio dentro de um Fiat 500 (o ‘cinquecento’ antigão) cor de laranja – uma prova de que os italianos realmente são apaixonados por carros e comida.

Descendo a rua, enquanto experimentávamos um chapéu aqui, uns óculos ‘cheguei’ acolá e procurávamos manter Valim longe dos discos, começaram a aparecer as barracas de feira tradicionais. Claro que, em Londres, a feira também é bagunçada, porém ‘polite’. “Beautiful girl doesn´t pay… but does not take!” não rola.
Depois de comer muitos sandubas, na loucura da cidade, é reconfortante ver de perto lindos (e caros) legumes, frutas, verduras, secos e molhados. A vontade é encher a sacola e levar tudo para a casa de alguém que tenha o fogão mais próximo.

No espírito ‘Jamie Oliver’, compramos uma caixinha de framboesas frescas (bem azedinhas). E se o hortifrutis já abrem o apetite espere até chegar às barracas de comidas.
Gigantescas paelleras borbulhantes exalando o perfume de Madri deram saudades e muita água na boca. A fome aumentou diante de tinas de robustas azeitonas pretas temperadinhas, queijos variados, azeites para degustação, crepes, sanduíches de falafel… chuva, Londres, e vamos no falafel mesmo.

Embaixo da garoa chata, a barraquinha apertada do “Happy Vegetarian” nos salvou. O dono, Sr. Mustafa, é fã de brasileiros. Divide seu anúncio “Vegetarian! Eat Well! Live Well!” de um lado do flyer com o curso “Abada Capoeira – Afro-Brazilian Martial Art, do Mestre Camisa”, de outro.
Pela fartura, até que o falafel era barato (2,50 libras se não me engano). Enrolado no pão sírio quentinho o wrap acomodava, além dos bolinhos de favas, cebola roxa, homus, iogurte, salada, cebolinha, hortelã e não sei mais o quê, mas estava gostoso.
A simpatia do dono e o sabor ‘bem picante’ do falafel – não adiantou pedir sem pimenta – ajudaram a detonar a soda do Alê e minha frescura com a chuva. Don´t worry… be happy em Portobello.
Happy Vegetarian – Unit 104, Portobello Market – Londres.
A camiseta do doutor
julho 8, 2007

Na terra onde nasceu o futebol, os ingleses também se divertem jogando pebolim no Bar Kick, no bairro cool de Shoreditch. O cardápio em um caderninho escolar quadriculado exibe cervejas long neck de vários países (2,70 libras cada, em média). Tem até mesa em formato de carteira para você se acomodar.
Da espanhola San Miguel à nossa Brahma é só escolher a sua e se meter no pebolim com um grupo de locais, como fez o Alê, ou então ficar jogando conversa fora, ouvir uma música pop e assistir uma partida na TV. Regrinhas de futebol, em português, espalhadas pelos cantos dão um charme ao ambiente de dois andares, que lembra um pouco o extinto Borracharia, na Vila Madalena.

No Kick, os ídolos não estão pendurados nas paredes, mas carregados no peito. Lá estava eu batendo papo com o querido Fábio Almeida, que me apresentou o bar, quando vejo um dos habitués usando a camiseta mais legal que vi nessa viagem. A estampa do doutor, cabeludo e barbudo no ‘visu’ da década de 80, e apenas o nome embaixo: Sócrates.
E o cara não era brasileiro!!! Vibrei. No dia seguinte, enquanto eu descrevia a maravilhosa camiseta do Sócrates ao Alê e ao Valim, subindo a escada rolante do metrô e achando que eles nunca iam encontrar nada parecido, desce um cara (outro cara) com a mesma estampa no peito. Alguns ídolos nunca saem de moda.
Bar Kick – 126-127 Shoreditch High Street, Shoreditch – Londres.


