O Gaulês: aventura e deliciosa surpresa na região de Bragança Paulista (Foto: Divulgação/Facebook)

O Gaulês – Restaurante francês‘. Quando bati os olhos na placa em um cantinho da Estrada de Piracaia (caminho para a Pousada Fazenda Serrinha onde passei um final de semana em junho) logo pensei ´bistrô + gaulês = tenho de conhecer esse lugar´. Fiz um desvio e me aventurei por sete quilômetros de estrada de terra às quatro da tarde para conhecer o local. Cheguei a pensar que era uma ilusão gastronômica, mas finalmente cheguei à casa, fechada, sem campainha…

Salão principal amplo com espaço para jazz e chorinho ao vivo

Nada de desistir: batidas no portão, palmas e algumas buzinadas depois, o simpático maitre, Ademar, abriu as portas para o novo restaurante especializado em culinária francesa da região.

Descoberta gastronômica seguindo uma placa na Estrada de Piracaia

Aberto em meados de maio, O Gaulês é o novo projeto de Isabelle Rocha, chef francesa nascida na região de Cognac, e especialista em molhos. Ela já comandou outro bistrô na região de Bragança Paulista por 20 anos e agora, ao lado  da filha e sub-chef Cecilia, agita a cozinha centrada em clássicos da culinária francesa como confit de pato, blanquette de vitela, ragout de carneiro, entre outros.

Couvert com terrines de pato e pernil, patê de ricota com ervas, azeitonas e pepino em conserva (R$ 30 para duas pessoas)

Felizes da vida com nossa aventura, voltamos ao restaurante para jantar no sábado, à luz de velas. A sugestão da chef, que foi nossa escolha, a própria Isabelle faz questão de explicar aos comensais: confit de coxa de pato marinada por 24 horas com temperos e vinho (R$ 54, a média de preço dos pratos ´carro-chefe´ da casa).

Bom vinho francês, clima romântico e atendimento muito atencioso

Começamos pelo ótimo couvert (R$ 30) com terrines de pato e pernil, patê de ricota fresca com ervas, azeitonas pretas chilenas, picles de pepino e cestinha de pão italiano. Seguindo o tema, escolhi um vinho francês da região de Côtes-du-Rhône (R$ 60), mas me pareceu uma opção mais interessante aos rótulos chilenos e nacionais na mesma faixa de preço.

Isabelle, a chef, na cozinha de seu novo projeto: bate-papo com os clientes antes de sugerir os pratos

Todas as porções, do couvert à sobremesa, são fartas. Para acompanhar a imponente coxa de pato (R$ 54), batatas sautée, legume gratinado à sua escolha (abobrinha, meu legume favorito, claro), além de arroz branco. Arroz? Pois é… foge da proposta, na minha avaliação, mas estava bem soltinho e gostoso. Imagino que seja uma demanda dos clientes.

Coxa de pato confitada, batatas sautée e legume de sua preferência gratinado (abobrinha? Oui!)

Pato não é fácil, exige dedicação e uma boa receita – quem já tentou fazer em casa sabe disso – mas a carne estava muito macia e deliciosa. O gratinado de abobrinha ao molho branco e as batatinhas sautée cortejaram muito bem o confit.

Pêra assada com muita calda de chocolate e lâminas de castanha

Com tanta fartura cheguei a pedir a carta de sobremesas só  para dar ‘uma olhadinha’ em respeito à chef, mas não resisti à sugestão de pêra com calda de chocolate meio amargo e lâminas de castanhas. No fim, quase não consegui pedir o café expresso, acompanhado de um ‘mimo digestivo’: uma taça de Cointreau.

Café com mimo: uma taça de Cointreau

Entre as sobremesas, a sugestão da casa é o bolo feito com nozes colhidas na nogueira do jardim e sorvete de creme, se desejar. Mas desta vez só conheci o quitute ‘de vista’, ao visitar a espaçosa e bela cozinha, após o jantar, bater papo com a Isabelle e dar parabéns à equipe pelo excelente jantar.

Aprendiz e filha, a sub-chef Cecilia decora a sobremesa da casa: bolo de nozes e sorvete de creme

O Fábio também foi brincar um pouco nos instrumentos da área reservada para apresentações de música ao vivo, geralmente aos sábados. E lá descobriu um piano Washburn centenário adquirido pelo dono da casa, Sr. Adriano, por apenas R$ 900 (em três vezes!). Achados são assim, inesquecíveis, e devem ser compartilhados.

Piano raro achado em um antiquário na área dos músicos

O Gaulês Restaurante Francês – Estrada Municipal José Benedito de Souza, km 3, Bairro do Rio Acima. Vargem – SP. Telefones.: (0xx11) 4598-4271 /(0xx11) 7547-0906/ (0xx11) 7547-1517. O site www.restauranteogaules.com.br ainda está em construção, mas O Gaulês tem perfil no Facebook.

Depois de contar a aventura do Gaulês a alguns amigos e colegas de redação soube que a região tem uma série de ‘achados gastronômicos’ e merece outras expedições gourmet. A Carol Mendl, que também adora boa comida e frequenta a área, recomenda A Estalagem Dom João e O Francês, listados entre estas dicas de restaurantes em Bragança Paulista do Guia 4 Rodas.

Pousada Serrinha: convite ao 'modo offline' na região de Bragança Paulista

Quando quiser fazer uma viagem curta, no fim de semana, só para sair um pouco da correria, recomendo a região de Bragança Paulista. Em pouco mais de uma hora de viagem você já sente o ar puro, o clima de montanha e pode explorar as delícias locais.

A dica veio do Guia Quatro Rodas, na seção “10 passeios de um dia perto de SP”. Para escolher a cidade só me bastou ler a primeira frase do guia: “Quem visita Bragança Paulista tem um compromisso certo: experimentar a famosa linguiça da cidade, feita com pernil de porco e especiarias.”

Toalhas de chita e café fresquinho no forno à lenha

Comprometidos a provar a famosa iguaria e a passar dois dias ‘desconectados’ , eu e Dexter, nos hospedamos, no final de maio, na Pousada Fazenda Serrinha, que fica na Estrada de Piracaia, um local bem tranqüilo, mais afastado da cidade (R$ 180 a diária fora de temporada).

Café da manhã de fazenda

As quatro charmosas acomodações da pousada ficam em uma casa próxima à fazenda principal, comandada pelo Sr. Marcos e por sua esposa Ana, muito simpáticos e atenciosos com os hóspedes. O café-da-manhã de fazenda, com direito a bolos, pães, frutas e café fresquinho no forno à lenha, é servido em outra casinha com mesas de madeira e toalhas de chita até 10h30. O ideal é passar na cidade para comprar algumas guloseimas se não quiser sair a toda hora para as outras refeições.

Vista da fazenda durante a caminhada

Para dar um agito após o café, a dica é fazer a caminhada até o mirante no alto da propriedade, onde uma ´porta simbólica´ no meio da mata lhe convida a contemplar uma represa com belas casas particulares. No passeio, além do ar puro e do cheiro de terra, o visitante também respira ´arte´ entre  instalações ao ar livre e a loja-atelier ‘ Roça Chic’ onde a Ana, que também é responsável pela decoração dos ambientes, coloca lindas peças à venda. Em julho, o local abre espaço para palestras e shows (incluindo aulas de gastronomia) no Festival de Arte Serrinha.

Mirante da represa no alto da trilha

Na visita a Bragança Paulista, descobrimos a famosa lingüiça do Rosário. A iguaria feita artesanalmente desde 1948 é tradição do Bar do Rosário, próximo à igreja do Rosário, no centro da cidade, mas pode ser degustada no pão, ao lado do estádio do Bragantino, e em ‘linguiçarias afiliadas´, como o Restaurante Minas Brasil, que fica bem na entrada da cidade.

A famosa linguiça bragantina acebolada e bem-servida

Além da calabresa, de sabor e coloração bem mais suaves do que as que encontramos no mercado, a Rosário produz linguiças com sabores especiais como Alho e Vinho que também são vendidas nos restaurantes (R$ 16,90 o quilo). Encontrei até blogs que oferecem a receita da linguiça bragantina para quem quiser tentar em casa.

No Minas Brasil, a calabresa caseira é grelhada na chapa, com cebola, cortada em pedaços disformes e servida em um porquinho de cerâmica. A porção no ‘maravilhoso animalzinho mágico’, como diria Homer Simpson, não tinha fim. O pedido para duas pessoas (R$ 17,90 com pãozinho francês e vinagrete) serviria até quatro. Saímos pra lá de satisfeitos e ainda levamos uma quentinha que rendeu um belo lanche, no dia seguinte, com o delicioso pão caseiro do Frango Assado.

Rosário: linguiças artesanais em versões como alho e vinho

Para quem não é muito chegado a carne de porco, o Sr. Marcos indica a truta e o salmão do Restaurante Breda, em Piracaia. Para a noite, a dica do Fábio, filho do Marcos e responsável pelas atividades culturais, é sair para beber e comer uma pizza no Galpão Busca Vida, pertinho da fazenda, no bairro da Serrinha.

A viagem a Bragança Paulista valeu a pena ainda reserva outras surpresas, como um bistrô que encontramos no meio da estrada de Piracaia, mas essa aventura eu conto no próximo ‘toast’. Veja mais fotos no Flickr do Braun Café .

Bar do Rosário – Rua Barão de Juqueri, 6 (ao lado da Igreja do Rosário) – Bragança Paulista (SP). Tel.: (11) 4892-0023*.

Galpão Busca Vida – Estrada da Serrinha, km 3 – Piracaia (SP). Tel.: (11) 9694-9390 / 7340-3016.

Minas Brasil Restaurate – Av. Dom Pedro I, 2.587 – Taboão – Bragança Paulista (SP). Tel.: (11) 4032-2277*.

Pousada Fazenda Serrinha – Estrada da Serrinha (acesso no Km 5 da Estrada para Piracaia) – Bragança Paulista (SP). Tel.: (11) 4892-9683*.

Restaurante Breda – Praça da Matriz, 10 – Centro – Piracaia (SP). Tel.: (11) 4036-4337*.

*Na região de Bragança é necessário digitar o código da operadora antes do código de área 11.

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