Por Mario Nagano*

Pastelaria Hirata, no centro de Marília (SP), ficou famosa pelo pastel de carne com ovo

Fundada em 1945, a tradicional Pastelaria Hirata fica localizada no antigo Mercado Municipal de Marília (atual Mercadão 9 de Julho), no interior paulista. O local seria mais uma lanchonete de centro, se não fosse por um item do seu cardápio que a tornou famosa dentro e até fora da cidade: o seu Pastel de Ovo. Continue lendo »

O Gaulês: aventura e deliciosa surpresa na região de Bragança Paulista (Foto: Divulgação/Facebook)

O Gaulês – Restaurante francês‘. Quando bati os olhos na placa em um cantinho da Estrada de Piracaia (caminho para a Pousada Fazenda Serrinha onde passei um final de semana em junho) logo pensei ´bistrô + gaulês = tenho de conhecer esse lugar´. Fiz um desvio e me aventurei por sete quilômetros de estrada de terra às quatro da tarde para conhecer o local. Cheguei a pensar que era uma ilusão gastronômica, mas finalmente cheguei à casa, fechada, sem campainha…

Salão principal amplo com espaço para jazz e chorinho ao vivo

Nada de desistir: batidas no portão, palmas e algumas buzinadas depois, o simpático maitre, Ademar, abriu as portas para o novo restaurante especializado em culinária francesa da região.

Descoberta gastronômica seguindo uma placa na Estrada de Piracaia

Aberto em meados de maio, O Gaulês é o novo projeto de Isabelle Rocha, chef francesa nascida na região de Cognac, e especialista em molhos. Ela já comandou outro bistrô na região de Bragança Paulista por 20 anos e agora, ao lado  da filha e sub-chef Cecilia, agita a cozinha centrada em clássicos da culinária francesa como confit de pato, blanquette de vitela, ragout de carneiro, entre outros.

Couvert com terrines de pato e pernil, patê de ricota com ervas, azeitonas e pepino em conserva (R$ 30 para duas pessoas)

Felizes da vida com nossa aventura, voltamos ao restaurante para jantar no sábado, à luz de velas. A sugestão da chef, que foi nossa escolha, a própria Isabelle faz questão de explicar aos comensais: confit de coxa de pato marinada por 24 horas com temperos e vinho (R$ 54, a média de preço dos pratos ´carro-chefe´ da casa).

Bom vinho francês, clima romântico e atendimento muito atencioso

Começamos pelo ótimo couvert (R$ 30) com terrines de pato e pernil, patê de ricota fresca com ervas, azeitonas pretas chilenas, picles de pepino e cestinha de pão italiano. Seguindo o tema, escolhi um vinho francês da região de Côtes-du-Rhône (R$ 60), mas me pareceu uma opção mais interessante aos rótulos chilenos e nacionais na mesma faixa de preço.

Isabelle, a chef, na cozinha de seu novo projeto: bate-papo com os clientes antes de sugerir os pratos

Todas as porções, do couvert à sobremesa, são fartas. Para acompanhar a imponente coxa de pato (R$ 54), batatas sautée, legume gratinado à sua escolha (abobrinha, meu legume favorito, claro), além de arroz branco. Arroz? Pois é… foge da proposta, na minha avaliação, mas estava bem soltinho e gostoso. Imagino que seja uma demanda dos clientes.

Coxa de pato confitada, batatas sautée e legume de sua preferência gratinado (abobrinha? Oui!)

Pato não é fácil, exige dedicação e uma boa receita – quem já tentou fazer em casa sabe disso – mas a carne estava muito macia e deliciosa. O gratinado de abobrinha ao molho branco e as batatinhas sautée cortejaram muito bem o confit.

Pêra assada com muita calda de chocolate e lâminas de castanha

Com tanta fartura cheguei a pedir a carta de sobremesas só  para dar ‘uma olhadinha’ em respeito à chef, mas não resisti à sugestão de pêra com calda de chocolate meio amargo e lâminas de castanhas. No fim, quase não consegui pedir o café expresso, acompanhado de um ‘mimo digestivo’: uma taça de Cointreau.

Café com mimo: uma taça de Cointreau

Entre as sobremesas, a sugestão da casa é o bolo feito com nozes colhidas na nogueira do jardim e sorvete de creme, se desejar. Mas desta vez só conheci o quitute ‘de vista’, ao visitar a espaçosa e bela cozinha, após o jantar, bater papo com a Isabelle e dar parabéns à equipe pelo excelente jantar.

Aprendiz e filha, a sub-chef Cecilia decora a sobremesa da casa: bolo de nozes e sorvete de creme

O Fábio também foi brincar um pouco nos instrumentos da área reservada para apresentações de música ao vivo, geralmente aos sábados. E lá descobriu um piano Washburn centenário adquirido pelo dono da casa, Sr. Adriano, por apenas R$ 900 (em três vezes!). Achados são assim, inesquecíveis, e devem ser compartilhados.

Piano raro achado em um antiquário na área dos músicos

O Gaulês Restaurante Francês – Estrada Municipal José Benedito de Souza, km 3, Bairro do Rio Acima. Vargem – SP. Telefones.: (0xx11) 4598-4271 /(0xx11) 7547-0906/ (0xx11) 7547-1517. O site www.restauranteogaules.com.br ainda está em construção, mas O Gaulês tem perfil no Facebook.

Depois de contar a aventura do Gaulês a alguns amigos e colegas de redação soube que a região tem uma série de ‘achados gastronômicos’ e merece outras expedições gourmet. A Carol Mendl, que também adora boa comida e frequenta a área, recomenda A Estalagem Dom João e O Francês, listados entre estas dicas de restaurantes em Bragança Paulista do Guia 4 Rodas.

Delícias do interior

outubro 26, 2008

A cozinha do interior de São Paulo pode estar longe do requinte da capital, mas tem vantagens como produtos frescos vindos diretamente do quintal ou da horta do vizinho, aves criadas livremente, refrescos específicos para aplacar o calor, frutas direto do pé e lanches feitos com carinho e pão caseiro.

Na semana passada estive alguns dias no município de Magda visitando meus sogros. A pequena e tranquila cidade de 4 mil habitantes fica no Noroeste do Estado, duas horas depois de São José do Rio Preto, foi fundada em 1953 por conta do plantio de café e hoje seus moradores querem mesmo é sossego.


O programa noturno da cidade é uma caminhada na praça para se refrescar do calor de quase 40 graus que costuma fazer na região. Depois do rolê, o negócio é tomar uma cerveja com os amigos e/ou comer um lanche nos trailers. Nos finais de semana, a pedida é o churrasco no jardim. Nada melhor para se desconectar, de fato, nas férias.

Após sete horas e meia de viagem de ônibus, Aurora, Lola para os íntimos, me recebeu com um cafezinho passado na hora, em sua linda casa com uma cozinha gigantesca (meu sonho de consumo), e já me perguntou do cardápio. No almoço teríamos frango caipira, criado numa boa, sem pressa e sem hormônios. Os pedaços refogados e cozidos na pressão estavam tenros e muito bem temperados. Para acompanhar, saladinha verde, purê de batatas, arroz e feijão. Ah… que delícia.


Lola ainda comprou quitutes para alegrar nossa estada. Já vou procurar aqui em São Paulo o maravilhoso sorvete de coco com abóbora da marca Jundiá, de Itupeva (SP). Recomendo a sobremesa para alegrar as visitas, sem ter trabalho. Outra delícia foi pãozinho austríaco enrolado e salpicado com açúcar cristal, que Lola comprou para o filho, Fábio, na loja de doces Tia Ana, que vale uma visita para compras.

No quintal da casa, cheio de árvores frutíferas plantadas pelo Seu Clóvis, pai do Fábio e jardineiro de primeira, o destaque é o pé de manga espada. Como as mangas estavam verdes, meu sogro foi buscar para mim a variedade ‘coquinho’ (uma manga menor e amarelinha). O guaraná Cotuba – uma espécie de tubaína – também não pode passar batido. Sabor de infância.


No dia seguinte, o pernil de panela também foi uma deliciosa surpresa. Em vez de ir para o forno, a carne bem saborosa e macia (em um pedaço pequeno desossado) é frita lentamente na panela, regada aos poucos com o molho do tempero e um pouco de água. Sensacional.

Outra idéia ótima da Lola foi o arroz branco finalizado com um pouco de manteiga, palmito picadinho e queijo. Também parece arroz de forno, só que é feito na panela. É prático e fica uma delícia.


Na noite de sábado Fábio e eu fomos fazer o programa tradicional de Magda: tomar um lanche na praça, no trailer “Big Lanches”. Comandado há 16 anos pelo carinhoso Antônio, que tem como braço direito seu filho Joel, gente finíssima, o trailer oferece sandubas variados, feitos com carnes de primeira e um pão de hambúrguer caseiro dos deuses.

Minha escolha foi o X-Peitinho com filé de frango cortado na chapa, alface, tomate, mussarela e maionese. Adorei o nome do sanduba e a idéia de cortar o filé – bem mais fácil saborear o lanche. O “Misto com Carne” do Fábio (filé, queijo, presunto e salada) e também  estaba delicioso. Antônio contou que encomenda o pão na padaria da esquina e é rigoroso. “O pão tem de ser grande (…) e a carne é filé mignon mesmo!”

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