Sunomono com lulas, sashimis de anchova negra defumada, atum, lula e polvo

Há muito tempo, o Uo Katsu deixou de vender peixes e frutos do mar para virar sushi bar, mas ainda é conhecido como ‘peixaria’ pelos clientes que lotam suas mesas comunitárias pelo frescor e a variedade dos produtos bem preparados.

Estive por lá no último sábado às 12h com o mestre Edgar Kanamaru em mais um momento de sabedoria gastronômica depois da aula no Miyabi. O ideal é chegar cedo para não ter de pegar uma senha de espera.

Pargo perfeito na 'ex-peixaria' que atrai clientes pela variedade e pelo frescor

No ambiente muito limpo, simples e claro, os clientes compartilham longas mesas comunitárias ou podem escolher o pequeno balcão de quatro lugares. Edgar e eu ficamos por lá em frente às vitrines de variados peixes prontos para o sashimi e de sushis já preparados para um dia de movimento.

Os sashimis são oferecidos por quilo – 100 gramas rendem de dez a 12 fatias de peixe e os preços variam de R$ 6 a sardinha a R$ 22 o atum ‘toro’, mas a média fica em torno de R$ 12. O ideal é pedir 50 gramas (seis fatias) para ter mais variedade à mesa.

Sashimi por quilo (100 gramas variam de R$ 6 a sardinha a R$ 22 o atum gordo 'toro') - 50 gramas rendem 6 fatias de sashimi, em média

Provamos o delicioso sashimi de anchova negra defumada, que eu não cansaria de repetir, sashimis de lula (um pouco viscosa, mas de sabor interessante e leve), polvo (ok), atum (macio e saboroso). Seguimos a recomendação da casa pedindo 50 gramas de pargo, que estava delicioso. Edgar conta que o pargo é embalado em gase e levemente escaldado para ter mais maciez. No Uo Katsu, o resultado é perfeito.

Tentações do balcão: ao fundo o saboroso sushi de shimeji e salmão

Na sequência, os sushis. Muitos deles já estão prontinhos no balcão e são servidos em porções de dois ou quatro. Escolhemos o uramaki de marisco (sou fã de marisco e gostei bastante), sushi de arroz temperado com salmão e ovas de salmão (explosão de sabor), de atum ‘tartar’ com um toque de maionese, cebolinha e ovas de peixe voador (meu favorito), o lindo ‘buquê’ de shimeji envolvido em salmão e alga, e finalmente o sensacional sushi de sardinha (o sabor do peixe em leve conserva casa muito bem com o sabor adocicado do arroz) com toque de gengibre moído e cebolinha.

Uramaki de marisco, susho de arroz temperado com ovas de salmão, sushi de atum com ovas de peixe voador e sardinha

O sushi de sardinha mereceu um ‘repeat’, acompanhado de um clássico da culinária japonesa:  sushi de ovas de ouriço do mar (uni) com lula (ika) crua fatiada. A iguaria chamada Ika-uni é só para iniciados. Como não sou chegada no sabor forte do uni e em comidas muito gosmentas (quiabo, por exemplo, só como se for bem frito) foi uma prova ‘no limite’. Valeu a experiência, comi tudo direitinho (rs), mas não vou pedir ‘bis’.

Sushi de sardinha em leve conserva com gengibre e o desafio: ovas de ouriço (uni) com lula (ika)

Depois de ouvir os atendentes cantarem tantas vezes o pedido, não resisti a uma ostra e me dei bem. Assim como todos os produtos da casa, o molusco estava fresco, saboroso e foi devorado rapidamente com limão e um toque de shoyu. Para fechar o banquete pedimos o doce sushi de unagi (enguia) com bastante molho tarê, embora eu ainda prefira os salgados.

Ostra deliciosamente fresca saboreada com limão e uma gota de shoyu

A conta pode parecer salgada (R$ 77 por pessoa), mas é um preço muito justo para a quantidade e a variedade de iguarias  que provamos. A casa ainda oferece grelhados e faltou provar a vieira, mas certamente não faltarão oportunidades de voltar.

Ambiente simples e limpo tem longa mesas comunitárias. Vale chegar cedo para não pegar a senha de espera

Vale lembrar que a ‘peixaria’ só aceita Visa, cheque ou dinheiro. Na hora do pagamento, a gerente grita “caixinha!” e a equipe responde “obrigado!”. Eu é que agradeço.

Uo Katsu Sushi Bar – Rua Manoel da Nóbrega, 1.180 – Paraíso – São Paulo (SP). Tel.: (11) 3887-9426
Aceita cartão Visa, cheque ou dinheiro. Horários: Terça a sexta das 10h às 18h. Sábado das 10h às 16h.

Lado B, Lado A

julho 28, 2008

Indicar lugares bacanas para comer e beber bem, sem culpa, especialmente na conta bancária, sempre foi um dos principais objetivos deste blog. E foi com o intuito de saber se a gastronomia de um hotel cinco estrelas também é acessível às pessoas físicas, que aceitei o convite de um jantar itinerante para conhecer os novos espaços gastronômicos do Renaissance São Paulo Hotel, na terça-feira (22/07).

Após assumir meu “Lado B”, assim como outros blogueiros-jornalistas que estavam no evento, logo fui recebida com uma taça do leve, equilibrado e refrescante Taittinger Brut Reserve (R$ 198). Bom… Vale ressaltar que todo o jantar foi harmonizado com ‘vinhos top’, da importadora Expand e nesse quesito, o único argumento que harmoniza com seu bolso é o que se pode chamar de ‘preço da felicidade’. E champagne é uma bebida cara, não tem meio termo, só meia garrafa ou… Milagre de natal.

Tudo bem. Não podemos beber champagne todo dia, mas sair do trabalho, ou do cinema, na região da Avenida Paulista e fazer uma pausa para um happy hour com comida japonesa é possível, não? Essa é a proposta do Lobby Sushi, o novo sushi-bar do Renaissance, um pequeno espaço aproveitado ao lado do bar do lobby.

A degustação preparada pelo chef Herrara incluiu sushis de enguia, salmão com ovas e baby polvo. Todos muito frescos e saborosos. Mas o que me chamou a atenção foi sabor do minúsculo molusco chamado Idako, melhor do que o polvo convencional.

Carlos Eduardo Netto, diretor de bares e restaurantes do hotel, contou que o baby polvo é vendido em conserva em lojas especializadas, no bairro da Liberdade, assim como a água-viva em conserva, que também está no cardápio. Ao lado dos sushis foi servida uma cumbuquinha com o Chirashizuchi, um ‘sushi aberto’ (arroz japonês coberto com sashimis de salmão, atum e pepino) meio difícil de manobrar com o hashi, porém gostoso.


Os temakis (com preços de R$ 13 a R$ 17,50) ganham um toque especial com uma ‘temaqueira’ redonda. Não chequei a experimentar, mas pela foto não devem ficar atrás dos sushis degustados. Os preços são acessíveis. O menu do chef custa R$ 26 por pessoa e pode ser adaptado a pedido do freguês.

Harmonizar vinhos com comida japonesa não é fácil. A escolha da Expand foi o italiano Faìve Rose Brut, produzido na região do Vento com uvas cabernet sauvignon e merlot. Além do tom mais claro em relação aos rosés tradicionais, o Faìve (faísca, em italiano) é também mais leve e frutado no ponto certo para não roubar os sabores dos peixes. Preço da felicidade: R$ 78.

Continuamos nossa jornada no Terraço Jardins, o restaurante internacional do Renaissance, comandado pelo simpático Chef Gayber Silveira, eleito o melhor de toda a rede Renaissance (Brasil sil sil!).

As novidades no Terraço são um espaço reservado para o Chá da Tarde, do qual falaremos em outro toast (daaarling) e o Chef´s Table, uma degustação com harmonização de vinhos no jantar preparado pelo chef em frente aos comensais.

Na chegada, o chef Thomaz Leão já iniciava uma performance. Usando como base uma frigideira wok invertida sobre um fogareiro portátil, ele preparava uma versão do pão indiano naan, que é assado nas bordas internas do forno Tandoor. Boa idéia para quem quiser se arriscar a fazer um naan em casa. E naan ao contrário também dá naan, mas versão que degustamos tinha fermento (a massa básica do naan leva trigo, sal e uma pitada de açúcar). Menos crocante, mas saborosa.

No Terraço, o assunto é alta gastronomia. Na cozinha dos mortais, podemos reproduzir algumas idéias boas como a polenta crocante com recheio de queijo de cabra que acompanhava o macio carré de cordeiro e javali com aspargos e espuma de hortelã, a lá Ferran Adrià. “Temos de acompanhar as tendências”, disse Netto, ansioso pela vinda do gênio espanhol, em novembro, ao Brasil.

Para acompanhar o cordeiro, um vinho com nome e sobrenome, o mais top da noite: Brunello di Montalcino D.O.C.G. Pian delle Vigne 2000, do produtor Marchesi Antinori. O preço: R$ 298 – degustação de alta responsabilidade.

Criei bastante expectativa em relação à bebida, que está bem longe do meu orçamento, e acredito que igualmente do meu paladar. Sem dúvida é um vinho de alta classe, redondo, equilibrado e complexo. Ao contrário do que imaginava, no entanto, ao sorver os primeiros goles daquele Brunello, não ouvi o som de harpas celestiais e o céu iluminado não se abriu sobre a taça – com todo respeito aos 600 anos de história da família produtora. Conseguirei viver sem ele.

Na sequência, filet mignon grelhado, foie gras e palmito pupunha muito macio. Alê Blanco, do Comidinhas, ficou impressionada com o pupunha grelhado. “O meu nunca fica assim”, comentou. E o chef Silveira deu a dica: retire o pupunha da casca, sele na frigideira e depois deve ao forno médio. Boa.


Gostei de estudar os sabores do fígado de ganso derretendo na boca, com um fim levemente adocicado. A experiência foi saborosa e menos complexa com uma taça do Terrunyo Carménère Peumo Valley 2005, uma das preciosidades da Concha Y Toro. O vinho de aroma frutado, encorpado e elegante, sai por R$ 133 para o consumidor. É uma delícia e pode até caber no bolso, um dia.

Pela qualidade do cardápio e dos vinhos, o Chef´s Table vale quanto pesa. Os interessados pagam R$ 190 reais pela experiência.

Quem busca uma refeição mais leve, em calorias e preços, pode apostar no Bytes (belo trocadilho), novo restaurante-lanchonete-cibercafé do Renaissance. E foi lá, ao lado da academia e do spa urbano do hotel, que provamos as mini sobremesas. E, me desculpe, mas diante do delicioso creminho brulée de pistache, do cintilante mousse de framboesa e do copinho de mousse de chocolate meio-amargo, mandei as calorias às favas, ou melhor, à barriga.


O jerez seco e envelhecido Lustau Solera Reserva Península Palo Cortado foi um cavalheiro com todas as sobremesas e superou o vinho do Porto – escolha inteligente da sommelier. Anote o nome e compre sem medo: Lustau Solera Reserva Península Palo Cortado, por R$ 135.


O Bytes ainda merece uma visita. Não houve tempo ou espaço para provar os sanduíches que estão no cardápio que decora uma das paredes. O chef recomendou o de carpaccio de picanha defumada, mostarda Dijon e cebola caramelizada no pão de sete grãos. Quem trabalha na região também pode optar por pratos saudáveis como hambúrguer de salmão, filé mignon orgânico e penne integral com pesto e confit de tomate, saladas ou o Flat Bread, uma massa bem fininha, assada com 20 opções de recheio. Hummm…


Depois da experiência voltei para casa pensando no Brunello do Montalcino. Talvez a alta gastronomia não esteja ao meu alcance, talvez eu invista mais no ‘preço da felicidade’ ou então tente reproduzir algumas dicas valiosas em casa.

Gostei muito das propostas acessíveis do sushi-bar e do Bytes, que entram no circuito do Braun Café. E agora, no fim deste toast gigante, peço licença para voltar ao meu Lado A, e escrever sobre outros bytes. Até a próxima!

Renaissance Alameda Santos, 2233, Jardins (SP). Tel.: (11) 3069-2233.

Fotos: Dani Braun. Milagres: Calenda, Dexter e suas ferramentas maravilhosas.

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