Quando saí de férias
novembro 12, 2006
Outro dia vi uma matéria com o Claio Blat fazendo um tour pelo bairro do Bom Retiro promovendo o filme “Quando meus pais saíram de férias”. Me lembrei de um toast de dar água na boca, que estava devendo ao Braun Café.
Quando saí de férias, em agosto, fiz um passeio por lá com meu amigo Fábio (comendo um sanduíche de falafel no toast abaixo) e fomos ao Shoshi Delishop.
Não sou da comunidade, mas gosto muito desse restaurante judaico com cardápio variado, bom preço e o atendimento carinhoso dos donos Adi e Shoshana Baruch. A cozinha é comandada pelo filho do casal, Nir. A foto ao lado, tirada do site do Shoshi, mostra o modesto salão do restaurante.
O cardápio bem variado mistura as influências da culinária judaica ashkenazi, dos judeus do leste europeu, que tem como principais ingredientes batatas e peixes, e a cozinha sefaradi, da península ibérica, com influência árabe, explicam os donos no site.
Da cozinha de Nir, portanto, saem antepastos como arenque, beringela curtida, sardinha com molho de coalhada e o tradicional ghelfite fish, bolinho frio bem leve de peixe moído – acho que falta um pouquinho mais de peixe na massa – servido com molho hrein (raiz forte e beterrada), que é levemente picante e bem gostoso. A porção de varenike, massa recheada de batata e cebola com molho de cebolas fritas, também é boa.
Para os dias frios, recomendo um prato de tchulent, a feijoada judaica. No Shoshi, o cozido inclui feijão branco, salsicha de vitelo, batatas e carne de peito de boi. Outra opção é a ótima costela de boi, que pode vir com uma massinha judaica ou trigo sarraceno.
Entre os mais pedidos está o frango assado com batatas e mel, que deve ser sensacional porque estava esgotado das três vezes que fui ao Soshi. Da próxima vez chegarei mais cedo.
Shoshana, cujo nome significa rosa em hebraico, não te deixa ir embora sem provar uma de suas sobremesas. Siga o conselho e peça o excelente pudim de caramelo. Superou o pudim de leite da minha tia Elza, que comi quando criança. Definitivamente não vou esperar pelas próximas férias para voltar lá.
Se sobrar espaço no estômago recomendo uma passada na doceria Burikita. Especialidade judaica vendida em padarias da ex-Iugoslávia, a burikita é um folhado com diversas opções de recheios doces e salgados. A vitrine tem outros doces tentadores. Feche com um café!
Shoshi: Rua Correia de Mello, 206 – Bom Retiro (SP). Tel: (11) 3228-4774 (Sábado até 15h)
Burikita: Rua Três Rios, 138 – Bom Retiro (SP). Tel: (11) 3227-2654 (Sábado até 16h)
Se meu fusca falafel
novembro 5, 2006
O falafel – bolinho de favas e grão-de-bico – é uma espécie de acarajé das arábias. Nos países árabes e nas ruas de Nova York, barraquinhas de rua vendem os bolinhos no pão sírio, com molho tahine e vegetais curtidos.
Me lembro vagamente de ter visto, pela primeira vez, esse sanduíche em um filme policial onde o cara interrompia uma perseguição para fazer uma boquinha em uma barraca de falafel. Fui perseguir meu desejo no segundo piso de uma velha galeria na Rua José Paulino. Era uma tarde de sol e estava com o querido Fábio Almeida (foto), que hoje mora em Londres e se especializa em fish and chips ao lado de Rafaella.
Nada melhor do que encontrar uma refeição boa e barata em um lugar suspeito.
No segundo andar da galeria se esconde o Falafelit Malka e seu delicioso sanduíche de falafel vendido a 10 reais. Atrás do balcão dessa lanchonete, que também tem PFs, está o israelense Malka Levy, um senhor simpático e apressado.
Dividi um sanduba com Almeida porque tinha outra parada gastronômica no Bom Retiro, mas o ideal é pedir um inteiro. A versão do Malka vem com beterraba e repolho curtidos, tomate, cebola e molho tahine. Como diria o pessoal da pamonha “Venha provar minha senhora. É uma delícia!”. Pedi talheres, mas quem consegue comer acarajé, tacos e temaki sem babar, pode dispensá-los. A visita é indispensável.
Infâmias: O nome do local, Falafelit, gerou trocadilhos infames e intermináveis com o nome de Gui Felitti, grande amigo do Braun Café. Suspeita-se que ele mantenha um negócio paralelo ao jornalismo para sustentar dois projetos. Um deles seria um podcast sobre a importância do falafel para a paz mundial, o programa Falafel eat que eu te escuto. Outro deve ser um curta-metragem sobre a história de um rapaz que pega seu carro popular e atravessa a Faixa de Gaza para entregar um sanduíche de falafel à namorada: Se meu Fusca Falafel.
Falafelit Malka: Rua José Paulino, 345, loja 23A – Bom Retiro (SP). Tels: (11) 3222-2157 / 3222-6057
Um Chico e dois pastéis
agosto 21, 2006

Foto de divulgação dos pastéis no site do Degrau
Se a vida de férias no Leblon é uma novela, tudo pode acontecer, não? Claro que sim. Basta caminhar na praia, por volta de 11h30 (não é muito saudável, mas o bloqueador resolve e na novela ninguém se queima). Na volta, tome uma água de coco gelada, cruze com Chico Buarque caminhando de óculos escuros, sossegado, moreno de sol, com a barriguinha de chope à mostra no calçadão. Bem-vindo ao Rio de Janeiro.
Após um encontro clássico, reponha suas energias com um almoço igualmente tradicional – para rimar – no Degrau. Graças à amiga Pepa, que já mandou um comentário cobrando o ‘toast’, conheci este restaurante do Leblon, que mantém em seu cardápio bossa-nova pratos como o filé a cubana, e tem um serviço muito atencioso. A versão de frango, com bacon, cebola, banana, palmito, ervilhas, acompanhada de batatas palha (feitas na hora) estava excelente e bem servida para dois.
O destaque, no entanto, é uma entrada pra lá de especial: pastel de queijo com cebola. Só de ver a foto acima, do site do Degrau, já dá água na boca. Não posso fazer nada em relação aos que rejeitam cebola, mas esse é dos deuses. Eles devem refogar a cebola e colocar uma mussarela especial ralada. Quando frito, o recheio quente se mistura e o sabor é incrível. Dá água na boca só de lembrar.
Eu ia dizer que o restaurante Degrau é outro nível, mas os caras são bons até de trocadilho. No site, a porção de pastéis apresenta o slogan: “O pastelzinho é o topo do Degrau!”.
Lembrando o Chico, se você for à Lapa, não perca a viagem. O delicioso cabrito assado com arroz de brócolis do centenário Nova Capela é praticamente obrigatório, acompanhado de chope Brahma bem gelado. O restaurante fica aberto até as 5 da manhã. Que beleza!
Degrau: Av. Ataulfo de Paiva, 517 – B – Leblon. Tel (21) 2259-2842
Nova Capela: Rua Mem de Sá, 96 – Lapa. Tel (21) 2252-6228
Bagel é pop
agosto 8, 2006

O bagel (‘beigol’), pãozinho em forma de rosca criado por um padeiro austríaco de origem judaica, equivale ao nosso pão francês para os norte-americanos. Lá, os pães redondinhos – integrais, com gergelim, sementes de papoula, queijo, sabor de cebola, passas, ao natural ou torrados etc. – são devorados tradicionalmente com cream cheese e/ou geléia, ou na dupla cream cheese e salmão defumado.
Aqui, o filãozinho dos gringos ganha saborosas reproduções sandubescas na lanchonete Pop´s Sandwich & Coffee, que também serve ometele com aspargos e ainda faz adaptações finas do hot-dog, com salsichas de vitelo ou cordeiro.
Além do sanduba, você tem a árdua tarefa de escolher o sabor do bagel (integral? parmesão? gergelim? cebola? anyone?). Essa dúvida cruel pode lhe trazer de volta ao Pop´s só para provar o mesmo recheio com um bagel diferente – que sofrimento. Entre opções como salmão defumado, vegetais e pastrami, experimentei o integral com rosbife, pepino, cebora e molho tártaro, acompanhado de salada verde (ou chips para quem está tão leve quanto sua consciência), que sai por R$ 16,80.
Enquanto espera para provar que os nossos bagels são mais criativos, divirta-se com a decoração ao estilo Andy Wahrol que rodeia o pequeno salão do Pop´s. Depois do café, não deixe de aproveitar seus 15 minutos de fama: escolha um giz e faça arte nas paredes dos banheiros.
Pop´s Sandwich & Coffee: Rua Bela Cintra, 1541 – Jardins. Tel: (11) 3063-5232
Cadê o Luizinho?… Assou!
julho 17, 2006
Para ser um apreciador de boa comida é preciso trabalhar o desapego. Por exemplo: nunca dê nome a um animal que você pretende levar, literalmente, para jantar. Ontem, uma amiga contou que ela e os irmãos não comem carne de coelho. Eu suspirei, triste, porque gosto muito da tenra e leve carne desse animal fofinho, mas entendo que nem todos os traumas de infância sejam superáveis.
Tudo ia bem na vida da pequena Gisele até que os coelhinhos de estimação da criançada começaram a entrar na panela. Imagine a cena dos coelhinhos saltitando pelo quintal e as crianças dizendo: “Olha o Joãozinho, que fofo…”, “Olha lá o Floquinho pulando!”, “Mãe! Olha lá o… ué… cadê o Luizinho?”.
Meu pai tinha um ganso de estimação. Uma fera, nascida do maior de todos os ovos da mamãe ganso. Protegia a casa. Brincava com as crianças. Era querido por todos. Tão querido e gostoso que foi compartilhar a mesa com a família… assado. O menino Braun chorou desolado. Hoje, não resiste a um foie gras. E agora entendo porque nunca, por mais que eu insistisse, ele me deu um coelhinho de estimação na Páscoa.
Para quem desenvolveu o desapego, recomendo o coelho cozido ao vinho branco e ervas com polenta cremosa (R$ 33 para dois) da cantina Il Cacciatore, que tem um ambiente muito acolhedor e uma alcachofra de entrada sensacional.
E dos Donuts você tem dó? Não? Então saiba o que eles pensam disso.
Il Cacciatore: Rua Santo Antônio, 855 – Bela Vista. Tel: (11) 3120-5119



