Cê se serve

janeiro 14, 2007

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No Meaípe, você pode apreciar uma boa moqueca capixaba pagando pouco e sentindo-se em casa. Na chegada, Paulo Cezar Casagrande, dono, garçom, poliglota e entusiasta da cultura capixaba, logo avisa que as bebidas estão na geladeira. Você se serve!

Fui logo dar uma fuçada na geladeira e, embora a cerveja seja a melhor pedida, não resisti à Tubaína Xereta. Sabor de infância.

O menu, assim como o serviço, é bem enxuto: moqueca capixaba com camarão (28 reais por pessoa) ou sem camarão (15 por cabeça).

A receita tradicional do Espírito Santo é bem saborosa e mais leve do que a baiana, já que leva urucum no lugar do dendê. Tomate, cebola, alho, bastante cheiro verde e coentro fresco complementam o sabor do cação anjo e te levam aos céus.

Da cozinha da Fradique Coutinho, em Pinheiros, as panelas de barro saem rapidinho do fogão direto para as mesas com as moquecas borbulhando. Pirão, arroz e farinha acompanham.

Recomendo algumas gotas da pimentinha malagueta da casa para realçar o sabor do prato. Na visita mais recente pedi a moqueca sem camarão e achei que o tempero do peixe estava mais leve do que de costume. Nada que uma pitadinha extra de sal e mais tempo no fogo não resolvam.

O self service também se aplica ao pagamento. Casagrande anota as bebidas, faz a conta no papelzinho e você mesmo passa seu cartão. Os 10% ficam por sua conta.

O Meaípe tem quatro endereços na cidade, com dias e horários de funcionamento diferentes. Para quem quiser sentir-se em casa de fato, o site revela a receita.

Meaípe
– Rua Fradique Coutinho, 276 – Pinheiros (Terça a Domingo). Tel: (11) 3088-9103
– Rua Cristiano Viana, 506 – Pinheiros (Segunda a Sábado). Tel: (11) 3081-5945
– Alameda Itú, 09, esquina com a Al. Campinas (Domingo a Sexta-Feira). Tel: (11) 3283-5762
– Rua Caramuru, 768 – Metrô Praça da Árvore. Tel: (11) 2275-2884

Momo, o rei do Miojo

janeiro 8, 2007

momofuku.jpgAté ontem, acredito que pouca gente sabia quem foi Momofuku Ando. Eu também não. Ele se foi, aos 96 anos, deixando um legado que muitos conhecem: o macarrão instantâneo, nosso querido Miojo.

A história do instant ramen, que aqui virou ‘lámen’, começa logo após a segunda guerra mundial, conta uma reportagem do Japan Times.

Ao ver as imensas filas de pessoas famintas a espera do escasso ‘ramen’ fresco, feito na hora, Ando resolveu correr atrás de um ideal. Para ele, a paz chegaria ao mundo quando as pessoas tivessem o que comer. E ainda por cima em três minutos!
(Foto: Japan Times / Kyodo Photo)

Em 1948, ele criou a Nissin Food Products e inventou o primeiro ‘macarrão instantâneo sabor galinha’ em 1958. A trajetória do macarrão virou tema de museu no Japão, o Momofuku Ando Instant Ramen Museum.

Quase 50 anos depois, o Miojo, com seus mais diversos sabores genuinamente artificiais – da galinha caipira ao camarão, da picanha ao caldo de feijão – ainda é uma causa nobre.

Com a dica do Mário Nagano, achei uma associação da indústria do lamen, a International Ramen Manufacturers Association (IRMA). Além de incentivar o consumo de bilhões de lamens no mundo todo, a IRMA envia remessas de Miojo a refugiados de guerra, comunidades carentes e vítimas de desastres naturais. Isso incluiu vítimas do Tsunami, do furacão Katrina e do terremoto no Paquistão.

O Miojo também salvou a vida de muitos estudantes, solteiros e baladeiros em geral. Juntando a fome [a preguiça e a falta de grana] com a vontade de comer, o Brasil é o décimo maior consumidor de Miojo do mundo.

Segundo a IRMA, em 2005, comemos mais de 1,2 bilhão de pacotes de lamen. Em primeiro lugar, é claro, estão os chineses. Eles são muitos e o macarrão é deles… de muitos deles. Consumiram mais de 44 bilhões de Miojos em 2005.

E logo depois do Brasil vem o México, onde o Miojo chegou a ser item da cesta básica. O lamen até que foi bem adaptado à culinária local. Os muchachos comem o macarrão com aquela salsa tradicional de tomate, cebola e coentro. Ai ai ai!

Desde criança, adoro Miojo. Quando minha avó, cozinheira de mão cheia, vinha me visitar, a primeira coisa que eu pedia era um Miojo – a segunda era sopa de feijão e a terceira era bolinho de chuva.

Hoje, não faço isso. Hoje também não como mais Miojo com caldo e de colher. E, obviamente, aproveito melhor os dotes culinários da Vó Eline.

Aqui em casa sempre tem um Miojo no armário… para emergências. Depois de prepará-lo das mais diversas formas, muitas delas bem equivocadas e rapidamente ingeridas, gosto mesmo é do tradicional: tirar o caldo quando estiver al dente e boa. Outra opção é colocar um pouquinho de manteiga e cebolinha fresca. Delícia.

Outro dia, prepararam para mim o lamen al dente, no azeite, com alho, cebola, fatias de linguiça e cebolinha. Estava ótimo. Momofuku ficaria orgulhoso. “Jamais menospreze o potencial do Miojo”, diria o rei do lamen.

O site da Nissin no Brasil dá algumas idéias para incrementar o Miojo como o “Nissin Lámen Basílico”. Não deixe de ver as receitas enviadas pelos usuários. Nomes como “Miojo do Amor”, “Macarrãozinho Alucinante” e “Nissin do Fundo do Quintal” já valem a visita. Tem também a “Lasanha de Miojo”. Vai encarar?

Agradecemos a preferência

dezembro 31, 2006

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O BraunCafé deseja a todos um Feliz Ano Novo com muita diversão, saúde, ótimas companhias, amor, boas surpresas gastronômicas, paz, muitos brindes alegres, um Engov antes e outro depois.

E que em 2007 este blog complete um ano de vida, para servir sempre!

Deu crepe!

dezembro 31, 2006


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É difícil ficar órfão de um restaurante. Desde que o Crepe de France fechou suas portas na Vila Nova Conceição, os paulistados perderam a leves e deliciosas galettes sarrasin (crepes de trigo sarraceno) servidas com cidra francesa.

Na casinha simples da Rua Marcos Lopes, decorada com pôsteres da Bretanha, região noroeste da França, o chef Frédéric Serre explicava em seu cardápio que o trigo sarraceno, um tipo comum na região, tinha entre seus atributos, a vitamina “P”. O importante era que os crepes eram fantásticos. O de espinafre com molho bechamel, queijo e ovo estrelado e o de pêras em calda de chocolate ao rum [flambado] com sorvete de creme eram meus favoritos.

Como não adianta chorar, o jeito é buscar um substituto à altura. Os caçadores do crepe perdido, no entanto, têm encontrado certa dificuldade em completar a missão.

O Crepon, por exemplo, oferece crepes simples e gostosos a preços acessíveis, em uma charmosa casinha na Vila Madalena. O ambiente à luz de velas é bem romântico se a dona não estiver de mau humor ou se a casa não ficar lotada, desbaratinando os poucos garçons, como ocorreu no sábado passado (23/12).

A creperia oferece cervejas em garrafa de 600 ml. Fique com as cervejas. Da carta de vinhos, por exemplo, o vinho “Do Lugar”, da região de Bento Gonçalves – cujo nome não é um trocadilho com vinho “da casa” como imaginei – tem preço convidativo, mas o esforço não vale a pena. Na última tentativa, a bebida estava quase quente, sinalizando que o armazenamento precisa de cuidados.

Outra busca da gallete perdida ocorreu na noite de sexta-feira (29/12), na Mercearia do Francês, em Higienópolis, que tem crepes de trigo sarraceno no cardápido. Frustração. Liguei antes de sair para verificar se o local estava aberto e fui informada de que estava funcionando normalmente até 1h.

Cheguei antes das 22h, fui atendida por um garçom que não parava de olhar no relógio, equanto anotava os pedidos. Também deixou clara sua impaciência na explicação dos pratos. O crepe, infelizmente, não superou a indelicadeza. A massa, pesada, mais parecia um croque moussier do que uma galette.

Quando o garçom veio retirar os pratos e perguntar se queríamos a sobremesa, respondi calmamente que iria esperar mais um pouco. “A cozinha vai fechar senhora”, respondeu apressado. Pedi um café e a conta… com pressa de ir embora.

Para arrematar, na saída, uma mesa de três mulheres pediu para que o garçom chamasse um táxi. “Ah… taxi a essa hora, aqui, vai ser difícil…”. É mole?

Acredito que datas comemorativas como Natal e Ano Novo demandem plantões e horários especiais em restaurantes, mas nada justifica a má vontade em atender os clientes. Nestes casos é melhor não abrir as portas.

A busca do crepe perdido continua em 2007…

Crepon – Rua Paulistânia, 602 – Vila Madalena – São Paulo – SP. Tel.: (11) 3032-7907.

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Outra saideira, desta vez, do Rio de Janeiro. Da semana de férias, em agosto, ficou faltando uma receita de diversão na cidade maravilhosa.

Em uma bela manhã de sol pegue um taxi até o Cristo Redentor. O taxista vai ouvir seu sotaque e lhe oferecer uma corrida completa até o topo do morro do Corcovado por 90 reais. Dispense. O trem faz um passeio super gostoso, com uma vista linda por 36 reais.

Na volta do Cristo, siga para o morro de Santa Teresa para um belo almoço no Restaurante Sobrenatural, especializado em peixes e frutos do mar. Nosso anfitrião foi Eugene, querido amigo que mora no Rio há anos. Foi a segunda vez que estive com ele lá para outro almoço fenomenal. A primeira foi no carnaval de 2004, com Eugene e a querida Pepa, quando provamos casquinha de siri e uma senhora moqueca de camarão.

Este ano, a pedida foi uma porção de pastéis de camarão, Original gelada e uma saborosa moqueca de namorado, que serve bem três pessoas. Ah! Se você gosta de samba [e bom sujeito é] veja a programação de rodas de samba do restaurante.

Para fazer a digestão, dê uma caminhada pelo charmoso bairro, que tem todo um jeito de centro histórico com um pique de Vila Madalena. Nas estreitas ruas de paralelepípedo, casinhas antigas viram restaurantes, lojas de artesanato, cinemas, residências, centros culturais e ateliers, abertos uma vez por ano, para visitas. É o evento Arte de Portas Abertas, que este ano aconteceu no final de julho.

O passeio estava ótimo, mas começou a escurerecer. Era hora de pegar o bonde do rolê. Impressionante ver como aquele bonde do arco da velha passa chacoalhando sobre os arcos da Lapa. Impressionante também é o equilíbrio do cobrador. Ele pega o dinheiro, dá o troco, pergunta se você já pagou e bate papo com o condutor, enquanto você procura um inexistente cinto de segurança ou se agarra fortemente ao banco para não saltar antes da hora.

O ponto final do bonde de Santa Teresa fica logo após a Lapa. Andando um poquinho caímos na Cinelândia, em pleno fim de expediente. Pegamos o fluxo da multidão e encontramos o clássico Cine Odeon. O teatro, todo reformado, é lindo. Deu gosto de ver o filme. Final feliz.

Restaurante Sobrenatural – Rua Almirante Alexandrino, 432 – Santa Teresa. Tels: (21) 2224-1003 / 9465