elidio300.jpg

O Elídio Bar, no coração da Mooca, é daqueles botecos para se virar freguês. Só de olhar o vasto balcão de acepipes e a considerável galeria de fotos de futebol-arte refletindo a luz fluorescente você já sabe que está no lugar certo.

Como estava visitando ‘a sede’ fui dar um alô ao boleiro Sr. Elídio e perguntar de um tal bolinho de carne que tinham me indicado. No cardápio havia porções de bolinhos de carne, polpetta e bolinho alemão. Esse último, segundo ele, era o concorrente do Boteco Bohemia 2006, mas tinha também um bolinho recheado de carne e a polpetta era empanada e… agradeci sorridente e perguntei tudo de novo ao garçom.

A pedida foi o bolinho alemão, uma porção de pequeninas e apetitosas bolinhas de carne (só carne) bem temperadas, servidas sobre um pouco de molho shoyo e decoradas com um toque de mostarda e maionese. O chope Brahma, que as acompanhou, estava à altura. As bolinhas podiam até ser maiores, mas aí não sobrava espaço para explorar o resto do cardápio.

Difícil foi escolher a segunda porção entre tantas opções brazucas, alemãs e portuguesas. Para variar um pouco, a decisão foi costelinha de porco defumada na chapa com cebolas. A porção (para dois) vem acompanhada de torradinhas com alho. Não decepcionou, embora um pãozinho francês seja um companheiro mais adequado.

Creio que já encontrei o velho Elídio no mezanino do Mercado Municipal, onde está a filial do bar, com seus acepipes sortidos e uma vitrine com irresistíveis pastéis de Belém. No ano passado levei meus pais para um passeio e até hoje eles falam com gosto da sardinha grelhada do lugar. Isso porque eles ainda não sabem da versão crocante, sem espinha.

Gostoso é sair de um boteco já querendo voltar. Melhor ainda é poder fazer isso em dois endereços. O da Mooca tem mais charme, mas a filial do Mercadão também é bacana, apesar da lotação no final de semana. Recentemente passou por uma reforma e “reabre na próxima terça (27/03)”, disse o garçom.

Quem quiser virar freguês do Elídio já pode preparar o cara ou coroa para decidir o local e a porção da vez. O chope fica só no replay.

Elídio Bar – Rua Isabel Dias, 57, Mooca. Tel: (11) 6966-5805 (Abre as 16h e aguenta até o último cliente. Aos sábados começa mais cedo, às 11h30, e aos Domingos vai das 11h30 às 18h. Segunda-feira o Elídio precisa descansar)

Muitas mulheres ficam revoltadas com essa história de Dia Internacional da Mulher. “Por que não tem dia internacional do homem?”, ouvi alguém dizer na redação. Concordo que as mulheres não precisam de uma data para serem homenageadas e que a igualdade de condições foi há muito conquistada em botecos e pés sujos.Bem fez a Cíntia Costa, que deixou pra lá a polêmica na redação e começou a sonhar diante do e-mail que acabara de receber com a foto das cebolas fritas do Outback, que ela pode saborear de graça no dia 8 de março, se quiser.

Cíntia tem razão. Depois de anos de luta pela igualdade de direitos, o que é que nós podemos fazer se os bares e restaurantes insistem em nos oferecer drinks, petiscos e sobremesas na próxima quinta-feira? Bom… nós podemos escolher:

Bar do Arnesto Você mulher… escolha uma caipirinha de frutas feita com a artesanal Cachaça da Tulha.
Rua Ministro Jesuíno Cardoso, 207 – Vila Olímpia (SP). Tel.: (11) 3848-9432.

Bar do Juarez Ao pedir uma Margarita Cuervo no happy Hour (das 17h às 20h) a dama ganha outra Margarita e depois tenta manter a classe para sair do bar.
Av. Jurema, 324/332 – Moema (SP). Tel. (11) 5052-4449
Av. Juscelino Kubitschek, 1164 – Itaim (SP).Tel. (11) 3078-3458

Bendita Gelada – Até sexta-feira, das 17h às 20h, este bar aberto recentemente na Vila Madalena oferece uma Bendita Batida Frozen às mulheres feita com (Hum…) Sagatiba.
Rua Fidalga, 375 – Vila Madalena. Tel.: (11) 3097-9255

Outback Steakhouse Clientes cadastradas no site ganham via e-mail um convite, que dá direito a um aperitivo como cortesia da casa. As opções são a BlominOnion (cebola gigante), o Kookaburra Wings (sobreasas de frango à moda de buffalo) ou as Billy Ribs (costelas de porco com molho Billabong). Lembre-se de levar o e-mail impresso ao restaurante.

TGI Friday´sNa compra de um prato principal, mulheres correm o risco de enlouquecer ganhando um Oreo Madness (dois sanduíches de pedaços de bolachas Oreo recheados com sorvete de creme e cobertos com calda de caramelo e chocolate) de sobremesa.

Vicolo Nostro Após se deliciar com a excelente culinária italiana desta bela e romântica casa escondida no Brooklin você tem direito a uma sobremesa à sua escolha, no almoço ou no jantar. Vá com o bolso preparado.
Rua Jataituba, 29, Brooklin. Tel.: (11) 5561-5287

Dia de Guinness!
Entre uma pesquisa e outra na rede descobri que sexta-feira (09/03) é Dia de Guinness no O’Malley’s Bar. Todo dia 9 do mês o preço do pint de Guinness (cerca de meio litro da cerveja stout mais famosa do mundo) cai para nove reais. Nove reais o pint de Guinness na sexta! Grande dia!

O’Malley’s Bar – Alameda Itú, 1529 – Jardins – São Paulo. Tel: (11) 3086 0780

A cidade sem botecos

janeiro 24, 2007

clauale2.jpg

Águas de Lindóia, uma das 11 estâncias hidrominerais do Estado de São Paulo, não tem esse nome à toa. Na cidade, que está a um pulinho de Minas Gerais, não há um boteco sequer.

Os amigos Alê e Clau, que adoram botecos, descobriram a curiosa ausência de bares na cidade quando estiveram por lá para um merecido descanso no final do ano.

No primeiro dia pediram a indicação de um barzinho e acabaram caindo em um sambão. No segundo foram comer uma pizza e tomar uma cerveja. No terceiro dia queriam ir a um bar de qualquer jeito. Viraram a cidade do avesso e nada. O mais próximo que encontraram de um lugar para tomar uma cerveja em uma mesinha na calçada foi a sorveteria do centro, que servia apenas sorvetes, café e cerveja.

Original, Bohemia, Serramalte, uma mesinha na sorveteria e… que tal uma porção? “Eles vendiam cerveja, mas não tinham nenhum petisco, tanto que o cara conseguiu improvisar uma porção de salame na cozinha do hotel ao lado, por 8 reais. Em compensação, foi a Original mais barata que tomei: 3 reais”, conta o Alê.

Depois dessa, Alê e Clau pediram água. Voltaram ao hotel e se contentaram com o barzinho de lá, relaxando à beira da piscina.

Dizem que as águas de Lindóia são curativas. Não tenho dúvidas. Mas acho que uma cervejinha no boteco da cidade, um único botequinho que seja, no calor de dezembro, tem propriedades medicinais incalculáveis. Conclusão: abra um bar em Águas de Lindóia e você vai nadar na grana.

Felizmente, quando voltaram a São Paulo, Alê e Clau encontraram um oásis botequeiro na Vila Olímpia, o Bar do Arnesto. Eles recomendam Original gelada e a porção de carne seca acebolada com mandioquinha. Ótima notícia em um bairro onde são raríssimos os botecos que sirvam geladas de 600 ml e porções bem preparadas sem a intragável badalação local. Pois o Bar do Arnesto nos convidou.

Bar do Arnesto – Rua Ministro Jesuíno Cardoso, 207 – Vila Olímpia. Tel: (11) 3848-9432

Trocadilho feliz

janeiro 16, 2007

genialpeq.jpg

Recentemente a Vila Madalena ganhou mais um gostoso boteco e um trocadilho que foi bem feliz. A fusão de ambientes e cardápios dos bem-sucedidos Filial e Genésio, deu origem ao Genial.

Tirando a iluminação aconchegante e uma parte externa mais ampla, o ambiente do Genial mantém a mesma levada dos primos da Fidalga. O chope Brahma de colarinho alto é igualmente bem tirado e o cardápio amplo é uma espécie de cover variado dos menus dos vizinhos.

Recomendo a ‘polentinha de colher’, receita vinda do Genésio. A cumbuquinha com polenta mole, tomates, manjericão e azeitonas pretas vem na medida certa para deixar seu estômago feliz. Outra boa pedida é o sanduba de filé à milanesa com queijo no pão francês – “Na França” para os chapeiros.

Já a cumbuca de bacalhau gratinado com parmesão deixou a água na boca a desejar. Faltou a informação de que a leve receita – mais para ‘batatau’ – levava cenouras raladas.

O famoso caldo de feijão preto com torresmos, servido madrugada a dentro pelo Filial, também está no cardápio. Pena que a versão de feijão branco, prata da outra casa, não tenha entrado.

Fiquei pensando na reunião para definir o nome do novo bar. “Filial… Genésio… hummm… vamos ver [pegam caneta, a bolacha do chope e começam a cruzar as palavras]. Gelial?!… não… Filésio?! – ótima sacada do Miguel Icassatti, no Estadão. [Mais um gole de chope] Ge… né… Ge… ni… GENIAL!”. Idéia de gênio.

Como o repertório é vasto e o lugar bastante agradável, devo dizer que novo Filial do Genésio merece bis. Só tenho receio se aplicarem a fórmula do nome ao próximo boteco. Gelesial? Geliálsio! Finésial? Não… melhor não.

Genial: Rua Girassol, 374. Tel: (11) 3812-7442
Filial: Rua Fidalga, 254. Tel: (11) 3813-9226
Genésio: Rua Fidalga, 259-A. Tel: (11) 3812-6252

Brincadeira do copo

dezembro 29, 2006

jomar.jpgA foto já mostra o que o espírito botequeiro pode provocar após 12 horas de bar em bar em Belo Horizonte. A saga começou em um sábado (14 de outubro de 2006), com um almoço no Parrilla del Mercado, que fica ao lado do Mercado Distrital do bairro de Cruzeiro – uma versão reduzida do maravilhoso Mercado Central de BH.

Após alguns chopes para curar a ligeira ressaca do dia anterior, sob a orientação do amigo Jack, anfitrião nota dez, pedimos uma saborosa linguiça de cordeiro e deliciosas batatas assadas com creme de roquefort. O protagonista foi um belo corte de carne à moda uruguaia com um molho ao poivre [de chorar de felicidade] e mais batatas com roquefort.

Muitos chopes depois, os animados foram direto ao Estabelecimento, bar aberto pelo Gibi – empreendedor do mercado botequeiro de BH – onde o querido Jomar (na foto) sempre dá uma uma palhinha na roda de samba. A presença do queiro amigo fluminense cantando samba e todo o esquema de fundo de quintal do Estabelecimento dão um espírito carioca ao boteco mineiro. A porção de asinhas de galinha com molho especial, apesar de um pouquinho salgada, caiu muito bem com o samba e a cerveja, como sempre, estupidamente gelada.

A roda de samba acabou, mas a diversão não. Deixamos o quintal a pé em busca de uma nova acolhida. De portas abertas, o Gibi, que é a cara do Tom Zé, nos recebeu no bar que leva seu nome, pela segunda vez. O lugar tem um pique mais paulista, com páginas de clássicos dos quadrinhos, como o Recruta Zero, decorando as paredes. No dia anterior tinhamos provado o excelente caldinho de bobó de camarão e um mito: pescoço de peru.

O Gibi diz que um dia tinha sobras de pescoço de peru – natalinas talvez – e foi ver no que dava. O ensopado é bem temperado, o processo de degustação é, como diz o ditado, como ‘carne de pescoço’, mas o sabor não é surpreendente. Já comi pescoço de peru. Pronto. Próximo!

Voltando à saga, no segundo dia do Bar do Gibi, eu e Clau resolvemos pedir bolinho de espinafre. Peso na consciência? Necessidade de comer verdura à uma da manhã? Bom, era bem frito, o que elimina qualquer uma das preocupações anteriores, bem gostoso, todo mundo comeu e repetiu.

Lá pelas tantas, os meninos resolveram fazer a primeira brincadeira do copo e me aplicaram um teste cego. Como eu não acompanhei a mesa e quis pedir Original dizendo que era muito melhor que Brahma, três copos depois, trocaram o meu e continuei bebendo a minha Originalíssima Brahma, até que começaram a me perguntar se a Original estava boa.

Tenho a desculpa de ter perdido o paladar, já que estávamos no terceiro boteco do dia, mas isso não resolve tudo. Fiquei com a pulga atrás da orelha. Será que eu teria escolhido a Kaizer naquele teste cego divulgado este ano indicando a ‘não-cerveja’ como favorita? Não… não… nem pensar!

Os espíritos botequeiros brincalhões não se deram por satisfeitos. O Gibi (Tom Zé) tinha de fechar as portas então fomos dar uma volta em busca de outro boteco aberto, o que costuma ser raro em BH, na alta madrugada. A solução foi comer algo para forrar o estômago antes de dormir. Coisa leve. Só um mexidão mineiro bem servido e mais… um poquinho… de cerveja…

Alê e Clau conseguiram levantar, no dia seguinte, para fazer um cooper no Mercadão tentando comprar o máximo de queijos e doces antes que as portas se fechassem, às 13h, no domingo. Me lembro de pedir para o Alê comprar doce de leite e dizer “nunca mais vou me levantar…”

Parrilla del Mercado – Rua Ouro Fino, 452, Mercado Distrital, Cruzeiro. Tel (31) 3225-5507

Estabelecimento – Rua Monte Alegre, 160, Serra. Cel: (31) 9666-1569

Bar do Gibi – Rua Cláudio Manoel, 329, Funcionários. Cel: (31) 9737-1290

Mercado Central – Av. Augusto de Lima, 744, Centro.