Trocadillos de jamón

maio 31, 2007

montaditos.jpg

Depois do pão meio dureza do Museo del Jamón, em Madri, Alê me apresentou os montaditos. Na Cervecería 100 Montaditos (foto acima) os pãezinhos são feitos na hora bem quentinhos e servidos com recheios a escolher – do apresuntado ao salmão com caviar.

O de jamón com tomate é uma delícia. Parece um molho cru de tomate que combina muito bem com o jamón salgadinho. ¿Cuánto? Um euro cada. Acompanhe com as cañas (um euro cada). Que beleza.

tapas.jpg

No dia seguinte, logo que o Valim chegou, com jet lag e tudo, já saímos nas tapas. Na Casa Toni, ao lado do hotel, tudo o que está na vitrine eles fazem na chapa. Provamos os sensacionais cogumelos e as linguicinhas chichurritas, que o PH tanto adora. São muito saborosas.

No bairro onde ficamos deu pra tapear a valer. A Cervecería Magister tem cervejas artesanais muito boas. É só pedir uma ‘Rubia’ ou uma ‘Tostada’ e escolher um pãozinho com jamón de cortesia. Depois pedimos os croquetes de jamón (croquetas ibericas), mas eram sem graça.

A Cervecería Alemana, que fica em uma linda praça, tem uma ótima tortilla – omeletão de batatas que mais parece uma torta e é servido em praticamente todos os botecos de lá. Você pode pedir para esquentarem um pouco, que fica mais gostosa. O peixe empanado deles é sensacional.

tortilla.jpg

A tortilla campeã é a do El Olivar. que fica perto do Museu do Prado. O atendimento é simpático, o vinho é ótimo e eles têm tortillas com recheios. A de camarão é uma loucura.

Os espanhóis também são bons de trocadilho. Perto do El Olivar você encontra algumas pérolas como os bares “Tapéame” e “Acañada”. Tiramos fotos pagando um mico, mas não dava pra resistir.

Não chegamos a entrar em um bar de pinchos, que não petiscos variados servidos no palito, mas o Alê já fez um toast do assunto de Barcelona. Provamos as tostas. São tapas de pão torrado cobertas com ingredientes variados. No La Tosta comemos uma de gambas con alioli (molho branco de alho com camarões). De chorar.

O lugar tem as sangrias mais bonitas que já vi. Acabamos tomando uma boa cerveja. E depois da meia noite, os caras diminuem a iluminação, aumentam o som e o lugar vira balada. A solução é prática e comum em vários botecos da área da Puerta del Sol.

Nesse esquema de bar em bar é melhor sair com dinheiro no bolso porque cada porção custa de 3 a 7 euros, as cañas geralmente custam um euro e o cartão de crédito, quando aceito, nem sempre é bem visto para pagar as cuentas de baixo valor. Mas cara feia, pra mim, é fome. Vai de tareja mesmo.

Cervecería 100 Montaditos – Calle Madri, 28 – Madri. Casa Toni – Calle Cruz, 14 – Madri. Cervecería Magister – Calle Pincipe, 18 – Madri. Cervecería Alemana – Praza Sta Ana, 6 – Madri. Cervecería El Olivar – Calle Jesús, 6 – Madri. La Tosta – Calle Victoria, 8.

Ciber ou café?

maio 29, 2007

jamon3.jpg

Sei que é um crime ficar um mês sem atualizar um blog e estava morrendo de saudades do Braun Café, mas pense comigo: você prefere ficar duas horas escrevendo em um cibercafé feioso com maquininha de Nescafé ou passar estas duas horas com os amigos em um café de Madri ou em um pub de Londres?

Conto com o perdão do leitor e prometo recuperar o tempo bebido dando as dicas de uma viagem de 22 dias entre a terra do jamón e a do fish and chips para o Braun Café Internacional.

Comida de avião não vale, mas preciso comentar que o vôo da Ibéria (São Paulo-Madri) serviu purê de batatas, carne refogada e… abobrinha!!! E estava bom! A foto da exceção que confirma a regra está no Flickr.

Museo del Jamon. Depois de ver as fotos da viagem da Dani Moreira e do Vinícius para a Europa, no ano passado, esse era meu primeiro alvo em Madri. Logo depois de acertar a vida no Hostal Marlasca, lugar bem bacana e providencialmente localizado no coração dos bares de tapas perto da Puerta del Sol, eu e Alejandre Scaglia fomos dar um rolê e achar o museu.

Palácio del Jamón? Paraíso del Jamón? Não. Eu (chatonilda) queria o Museo, que o Alê felizmente encontrou em uma travessa da Calle Mayor.

A maior concentração de presuntos de porco – Serrano, Murciano, de Salamanca e muito mais – que alguém pode encontrar na vida faz juz ao nome do local, uma mistura de padoca, boteco e casa de frios, com salão de restaurante no andar de cima.

Cansados do rolê fomos direto ao salão para comermos a primeira porção de jamón sentadinhos. Aí vem a primeira lição para turistas na Europa: sentou, sorriu, pagou mais caro. Todas as comidas têm um preço no balcão e outro [maior] para quem vai se sentar. Em Londres é a mesma coisa. Então não é só por pressa ou costume que muita gente come na rua, no metrô e no balcão. O negócio é “to go”.

jamoncafe.jpg

Prezando nossos euros, eu e Alê encostamos no balcão e pedimos o tradicional bocadillo de jamón com queso no Museo del Jamón. O jamón estava ótimo, mas o pão digamos que foi meio duro de engolir. Para ajudar, seguindo a dica de Dani e Vini pedi uma taça de sangria. Muito boa e fuerte! O espanhol não economiza no vermute. ¡Beleza! Alê foi de caña (o equivalente a pedir um chope) de Amstel, que estava bem boa.

Logo vimos que o Museo del Jamón é uma franquia – você sempre esbarra em um por lá. A Dani tinha indicado o Museo na rua paralela a do nosso hotel. Valeu Dan. Achamos a fachada poperô do lugar e viramos fregueses do café-da-manhã. Por 3 euros (no balcão) você toma suco de laranja, café com leite e come um belo misto quente (com presunto normal mesmo, que está ótimo) no pão (mole) de forma. Tem até croissant na chapa com manteiga. Queria ter uma padoca dessa do lado de casa.

Café-da-manhã mais barato só na Pans&Company, uma rede de fast food que serve sandubas e bagles. Por 2 euros você come dois sandubinhas okay e toma um café com leite grande. Prefiro o misto do Museo, mas tem o trocadilho da viagem: ‘se pans você cola lá que é mais barato’.

Impressionante como há caça-níqueis em todos bares, cafés e museus do jamón na cidade. Deve ser a estratégia para você jogar os euros que economizou ficando em pé. Muy amigos.

Fast food à francesa

fevereiro 28, 2007

Por Alê Scaglia, de Paris*

grego1300.jpg

Viajar para fora do País é, além de um exercício gastronômico, fonte de uma verdadeira ginástica financeira. Para cada refeição mais ajeitada, é bom ser contido e trocar um almoço por um sanduíche; para cada garrafa de vinho, um suquinho comprado no supermercado é necessário. Pelo menos comigo é assim…

Enfim, em um recente périplo por terras estrangeiras fiz as minhas ginásticas. Em Paris, por exemplo, encarei um gyro pita, o bem conhecido de todos nós (pelo menos já visto, vai) churrasquinho grego. E devo confessar que não me arrependi! Por 5,60 euros comi um sanduba bacana, com fritas e acompanhado de uma cerveja chamada, vejam vocês, Zorbas!

grego2300.jpg

O gyro, pelo menos na França, é feito com carne de frango e de porco e servido com um molho à base de maionese, alface picado, tomate e batatas-fritas. Tudo dentro do mesmo pão. É quase uma maratona da gula. O pão você pode escolher: baguete, pão sírio (pyta) e uma terceira opção que não identifiquei direito.

Onde encontrar? Em praticamente cada esquina tem um. Divirta-se.

P.S.1: A fome era tanta que eu preciso confessar que não deu tempo de fazer foto. Desculpa aê, galera! Mas como existe o Google, essas fotos foram tiradas do site Parisit para pelo menos ilustrar o post.

P.S.2: No Brasil, já tive o desprazer de encarar um churrasquinho grego, pelo amor à profissão, é bom que se diga. Na época da faculdade estava de câmera em uma videoreportagem que mostrava os bastidores de um vendedor da “iguaria” no Largo do Batata. O ambiente de produção até era limpo, mas as carnes utilizadas não eram nada apetitosas – só cortes cheios de sebo, uma coisa horrível. Parece, no entanto, que nos Jardins há um boteco que vem fazendo churrasquinho grego com qualidade. Prometo me informar, provar e contar!

*Alexandre Scaglia é jornalista e grande companheiro nas descobertas do Braun Café. Se empolgou na Europa e voltou cheio de dicas da viagem ao estrangeiro. Manda bala Alê!

Paella contemporânea

fevereiro 20, 2007

Por Alê Scaglia, de Barcelona*

tapeliapaella300.jpg

Talvez o prato mais conhecido da Espanha, a paella encontra em Barcelona um espaço de destaque. Principalmente porque aqui os frutos do mar são abundantes e absurdamente frescos (sim, você lá leu isso em outro toast!). Foi com isso em mente que aceitei de bom grado a sugestão dos grandes amigos Deia e Jorge, moradores da cidade, para um passeio no sábado chuvoso ao Passeig de Gràcia, onde ficam as casas Milà e Batlló.

A idéia era caminhar pela avenida (a Deia sempre diz que essa é a preferida dela, a mais charmosa e chique da cidade), passar pelas obras de Gaudi e fechar a tarde com uma boa paella. A escolha na hora da finalização foi pelo Tapelia, um restaurante que surpreende pelo bom gosto da decoração, pelo atendimento super atencioso e pelos preços justos. A comida? Ótima é a melhor definição.

tapeliasangria300.jpg

Comemos duas paellas, uma negra com lulas e outra tradicional, com camarões e vegetais. Ambas estavam ótimas, mas a com tinta de lula, na minha opinião, estava imbatível: o arroz no ponto, o tempero acertado e o alioli (uma espécie de maionese com alho, misturada na paella) justo, para melhorar o que já era bom! Tomamos também uma sangria (com uma dose um pouco exagerada de vermute), que cumpriu seu papel de se equilibrar com a refeição.

Os detalhes são uma coisa à parte: pães de entrada quentinhos, um azeite extra-virgem delicioso para acompanhar, as paellas servidas em panelas com porções para duas pessoas diretamente na mesa… Tudo isso em um ambiente aconchegante, daqueles que não dá vontade de ir embora.

Para finalizar, a conta: com 20 euros por pessoa é possível fazer uma refeição deliciosa – e bebendo vinho! Eu simplesmente amo essa cidade!

Tapelia – Passei de Grácia, 15 – Barcelona. Tel: 933 428 188

*Alexandre Scaglia é jornalista e grande companheiro nas descobertas do Braun Café. Teve a sorte de visitar Barcelona no último final de semana, se empolgou e mandou dois toasts de lá. Gracias Alejandre por salvar este blog da ressaca de Carnaval e inaugurar a ala dos correspondentes do “Braun Café 2.0”.

Por Alê Scaglia, de Barcelona*

Uma das cidades mais lindas da Europa é também uma das melhores fontes de boa comida e muita diversão. Capital da Catalunha, Barcelona é conhecida pelas ramblas e pelo frescor absurdo de seus frutos do mar. Mas merecia também um destaque por seus “botecos”… Não, não é para pensar em boteco como o Bar Leo ou o Frangó. O conceito aqui é bem diferente. Os bares de tapas são uma atração à parte na cidade onde Gaudi fez sua história.

Para conhecer o que a cidade tem de melhor nesse quesito, recomendo uma visita ao Bairro Gótico, o mais antigo da cidade. Em meio a ruelas estreitas, casas e prédios (quatro) centenários e MUITA gente bonita, é fácil encontrar onde sentar para tomar uma cerveja ou cava. Mas é em pé que se encontra uma das pérolas da região.

Em uma das muitas vielinhas fica o Sagardi, um bar cuja especialidade são os “montaditos”, comidinha de boteco típica do país Basco.

O sistema é simples e não tem a menor chance de dar certo no Brasil: você entra, encosta no balcão (se der sorte), pede um prato e sai escolhendo o que comer, diretamente de travessas com uma espécie típica de canapés, feitos de fatias de baguetes com recheios os mais variados. Há os de patê de atum, com alface, queijo de cabra e uma fatia de aliche (recomendo!) ou com um chorizo apenas. Todos, sem exceção, sensacionais. Na hora de ir embora, o garçom conta os palitos de seu prato e você paga. Tudo na base da confiança.

Na visita feita ao bar, em quatro amigos consumimos nada menos que 20 e poucos “montaditos”, além de algumas “cañas” e cidras. A conta deu 60 euros, nada excepcional para o lugar. E menos ainda relevante quando se leva em conta a diversão de escolher uma a uma as porções a serem provadas.

Para completar, o Sagardi tem um ambiente delicioso, com um balcão interminável como marca mais característica. Gente bonita, boa comida e uma cerveja deliciosa definem o local. Se você tiver a sorte de ir a Barcelona, não perca a oportunidade de visitar o boteco.

Sagardi – Argentería, 62_08003. Tel: 93.319-99-93

*Alexandre Scaglia é jornalista e grande companheiro nas descobertas do Braun Café. Teve a sorte de visitar Barcelona no último final de semana, se empolgou e mandou dois toasts de lá. Gracias Alejandre por salvar este blog da ressaca de Carnaval e inaugurar a ala dos correspondentes no “Braun Café 2.0”.