I left my clam in San Francisco
outubro 8, 2008

Quanto tive a oportunidade de ir a São Francisco, na Califórnia, na maioria das vezes a trabalho, nunca deixei de provar o caranguejo “King Crab” cozido na hora, com um pãozinho italiano e uma cervejinha perto do Pier 39 do Fisherman´s Wharf.
O melhor lugar é a área das barraquinhas, onde você pode pedir para experimentar antes de escolher entre os diversos e convidativos petiscos de frutos do mar (patinhas e bolinhos de caranguejo, coquetéis de camarão etc.). A dica da prova é da Dani Moreira, que esteve por lá há pouco tempo para degustar seu favorito do local: o clam chowder.
Na tradução literal, clam chowder é uma sopa espessa de moluscos. O nome “chowder” vem do francês “chaudiere”, que significa panela ou cardeirão. Na tradução emocional, o clam chowder é uma sopa amiga, quentinha e gostosa que combina moluscos, peixes ou frutos do mar com batatas, cebolas, leite e temperos. O cremoso clam chowder no estilo de New England é servido no pão italiano. Ainda existem duas variações do chowder: o Manhattan, com base de tomate, e o Rhode Island, com um caldo mais fino (um brodo).

Na volta da viagem, a Dani me presentou com um souvenir especial: uma latinha de clam chowder do restaurante Guardino´s, um dos mais tradicionais da área das barraquinhas – desde 1908. Estive lá em 2002 e comi um caranguejo delicioso. Agora diversificaram o negócio. Mantiveram a barraquinha e, no lugar de restaurante, fizeram uma loja de souvenirs. A receita funciona. Na Boudin Bakery, que faz pães em formato de caranguejo e lagosta, comprei um caranguejo de plástico. É só dar corda que ele faz a “dança do caranguejo”.
Há alguns dias fui degustar meu presente. A latinha conta a história do Seu Salvatore Guardino, que deixou a Itália em meados do século 19 em busca de ouro na Califórnia. Acabou apostando nos preciosos frutos do mar, trouxe a ‘famiglia’ e as gerações vêm perpetuando a alegria de milhares de turistas.
Abri a latinha e as lembranças da cidade, que merece a declaração de amor de Louis Armstrong. Bastava colocar na panela, adicionar leite e dissolver devagar, no fogo baixo, mas ‘sem fever’, alertava o rótulo. A consistência é bem firme, então adicionei leite até o ponto que mais me agradou. Montei a mesa, fiz a foto que está nesse toast, e degustei o clam chowder.
Dava pra sentir os diversos pedaços de mariscos, vôngoles e batatas. O sabor, no entanto, era distante dos frutos do mar, mas me trouxe outra boa recordação: uma sopa Campbell´s de letrinhas que tomei quando criança. Foi à luz de velas, na cozinha da minha mãe, na Rua Cotoxó. Estávamos sem energia. Nunca me esqueci daquele jantar.
Chocolate Fudge
Dani Moreira também contou que tomou o melhor sorvete de sua vida no Pier 39. Chocolate Fudge é o sabor. E a casquinha é feita na hora e coberta com chocolate. Seria uma barraquinha do Ghirardelli, o rei dos chocolates da área? Segundo a Dani, dá pra achar o lugar pelo aroma. Ela afirmou, categoricamente, que esse chocolate fudge superou o sorvete de figo que tomou na Itália.
Pão doce ‘pelando’ em Budapeste
agosto 28, 2008
Por Carlos Eduardo Valim*

Depois de conhecer um bar de leite na Cracóvia, se você estiver na rota comuna, com certeza, vai acabar passando por Budapeste, a Viena dada para os cariocas cuidarem.
Lá a dica é estar em pelo menos um dia de semana, para ver o caos, a confusão nas ruas e os húngaros andando pra lá e pra cá num dia útil e também pegar pelo menos um dia do fim de semana. Na sexta-feira à noite, os moradores desaparecem, ninguém mais trabalha e tudo fica fechado até segunda de manhã.

No fim de semana, os turistas dominam a cidade e o melhor: a ponte que dá no Castelo de Budapeste é fechada para o trânsito e uma feirinha toma conta do lugar junto com as comidas mais gostosas: batatonas (pra variar) com molho agridoce, salsichões, pedaços suculentos de carne e o espetacular pão doce húngaro, que você vai ver rodando o dia inteiro nas televisões de cachorro.
Comprou um, o primeiro desafio é não queimar a mão. O cheiro vai pedindo pra comer rápido, mas a pressa só serve pra fazer você ganhar queimaduras de segundo grau. Resista um pouquinho e então quebre a casca dura – o miolo vem junto. Assopre um pouco e pronto! Os sabores de amêndoas (com várias coladas na casca) e baunilha são os garantidos.
*Valim é jornalista e adora se perder pelo mundo alimentando-se culturalmente. Em sua viagem mais recente, ele também passou pela Cracóvia e ainda promete dicas de Roma. Fotos: Valim.
Um pedacinho do México no meio das Rochosas
maio 27, 2008
* Por Jordana Viotto

(Enchilada do El Paisa Grill, em Salt Lake City. Foto: JV*)
Pat Lisboa e eu tínhamos acabado de chegar a Salt Lake City para um evento. Eram 11h30 de um sábado e David, o motorista que foi nos buscar no aeroporto, disse que estaria à nossa disposição até as 15h, horário do check in do hotel. Depois de uma passadinha básica pelo Best Buy e pelo Wallgreen`s, decidimos comer.
David nos perguntou o que queríamos. Decidimos que depois de tanta comida de avião, era hora de botar um pouco de tempero na história e mandar comida mexicana.
Ele explicou que conhecia dois lugares – um mais arrumadinho, mais cara de americano, e outro bem simples e bem típico. Óbvio que ficamos com a segunda opção.

(Molcajete: carne, frango e camarão com molho de tomates. Foto: JV*)
Quando chegamos lá, a impressão é de que, por alguma mágica, não estávamos no meio das Montanhas Rochosas, mas nos arredores da Cidade do México. As paredes eram todas amarelas, com alguns detalhes em vermelho e verde e bandeirinhas do México aqui e ali. Os clientes e garçons eram todos mexicanos e o idioma oficial, claro, era o espanhol.
De cara, pedi uma enchilada de frango, que veio preciosamente temperada e servida com molho de creme de leite e queijo. Também dividimos a especialidade da casa – o Molcajete (mistura de carne assada, frango e camarão com molho de tomate).
Para encarar toda essa comilança, pedimos uma michelada (mistura de cerveja, gelo, limão e especiarias), mas ela estava mais picante do que esperávamos e acabamos não conseguindo tomar. Daí resolvi mandar uma água de horchata, bebida feita com água de arroz, açúcar, canela e gelo. Se você gosta de arroz doce, deve aprovar.
Não preciso dizer que saímos de lá quase rolando de tanto comer e prontas para uma bela siesta!
El Paisa Grill – 2126 South 3200 W – South Lake City, Utah (EUA). Tel: (866) 257-1030.
*Jordana Viotto sempre conta ao Braun Café suas descobertas sobre as delícias da vida.
Creme Brûlée em Paris
março 19, 2008

*Por Fabi MonteCreme Brûlée (acabo de descobrir que se escreve assim) sempre foi uma de minhas sobremesas favoritas. O sabor é leve, suave e, ao mesmo tempo, tem personalidade. Acho que ela vem da crosta de açúcar queimado que se quebra quando você enfia a colher, revelando aquele creme amarelo clariiiinho.
Sempre que vou a um restaurante e o creminho danado aparece no cardápio, é minha escolha como sobremesa.
Tive o privilégio de experimentar em Paris um creme brûlée muito gostoso. Não sei se é o melhor de Paris, mas para mim teve – e sempre terá – um gostinho especial.

Estava vagando pela cidade, nos arredores do Jardim de Luxemburgo, e escolhi, aleatoriamente, um bistrô para almoçar. Com apenas dez mesas, além de aconchegante, o restaurante Les Fontaines é bem localizado – fica exatamente em frente ao Panthéon. Escolhi uma mesa de frente para a porta, de propósito, para ver a cidade passar.Como todo bom turista, pedi um “Menu du jour” e uma taça de vinho. O menu era uma saladinha de folhas verdes e pão, muito pão. Como prato principal, uma massa bem saborosa, acompanhada de um delicioso filé.
A sobremesa não aparecia no menu – à escolha do Chef. E, para minha alegria, era Creme Brûlée. Ponto para os franceses! Gastei 18 euros e voltei a vagar, feliz, pelas ruas de Paris.
Les Fontaines – 9 Rue Soufflot 75005 – Paris.
*Fabiana Monte é jornalista, curiosa, gulosa e tem muita sorte. Adora comer e não sabe o que é engordar. Adora creme brulée e, sem saber, escolheu o lugar certo em Paris.
Dicas
Que tal viajar para sua cozinha e preparar um Creme Brulée? Encontrei uma receita bacana do blog Tomato e Potato.
Uma única vez (que preguiçosa…) preparei um creme brulée no curso do Renato Frias, dono do Chef Du Jour, na Vila Olímpia, em São Paulo. Veja aqui as preciosas dicas do chef:
Após bater os ovos com o açúcar e a baunilha, deixe descansar por 30 minutos para eliminar a espuma. Só depois esquente o creme de leite;
Coloque papel absorvente no fundo da assadeira e água antes de colocar os recipientes com o creme no forno em banho-maria;
Se você não tem um maçarico, pode esquentar uma colher no fogo para queimar o açúcar e fazer seu brulée.
(Praça do mercado de Cracóvia: caminho para o PF comunista. Foto: Valim)

