Íris coffee

janeiro 31, 2007

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Mesmo após caminhar sob um sol escaldante não resisti a um café com as amigas no último sábado. Paramos no Florinda, um lugar muito charmoso aberto há pouco tempo, na esquina da Aspicuelta com a Harmonia.

Já ia pedir uma água bem gelada para não derreter com o expresso, quando li a palavra ‘gelado’ no cardápio. “Café gelado? Vamos nessa!”

A bebida, que está na foto acima, vem batida com um pouco de leite condensado para rebater o amargor. Na verdade a receita precisa de muuuito Leite Moça, mas nada que dois saquinhos de açúcar a mais não resolvam. Relaxe e peça logo um brigadeiro ou um bolo de pêra para acompanhar.

Já tinha provado o café gelado do Starbucks. Não sei se entrou no cardápio da filial paulistana, mas ele vem com creme bem geladinho em uma latinha pequena. O primeiro gole é estranho. “Pô! Café gelado???”, você pensa. Depois fica uma delícia.

Não se assuste. Um café ‘gelado’ é um drink. Um café ‘frio’, como diz a Cecília, “vai te dar pneumonia! Deixa que eu faço outro.”

Essa história me lembra da Cecília contando que foi vítima de um infeliz trocadilho por conta do atendimento primoroso do Fran´s Café. Pediu um Irish Coffee (café com creme de leite, uísque e açúcar) e trouxeram café com sorvete de creme.

– “Mas não foi esse que eu pedi”, reclamou.
– “Foi sim… foi o Iced Coffee”, teimou o garçom.
– “Não foi não. Eu pedi esse aqui”, insistiu irritada apontando para o cardápio.
– “Aaaah… mas esse é o Íris Coffee senhora”, disse o garçom, que teve de trocar a bebida… “Essa gente não sabe pedir! Olha aí… vou ter de trocar”, deve ter dito ao pessoal da cozinha. “Manda um Íris aí.”

Aliás, o ‘ice’ do coffee foi inventado pelos austríacos. Descobri agora na página de curiosidades da Companhia Cacique de Café Solúvel. Café solúvel é algo das trevas. Não há solução, exceto no leite quente, admito. Mas o site tem informações bem interessantes.

Soube que os etíopes tomam café com sal, que os marroquinos preferem uma pitada de pimenta e que os japoneses já tomam mais café gelado do que quente (não deixe que os garçons do Fran´s saibam disso).

Mário Nagano, que está virando consultor de curiosidades gastronômicas japonesas, me deu uma latinha de café parecida com a do Starbucks. A latinha toda preta tem a mensagem “100% black”. Ele acha que devo esquentar em banho Maria, mas agora com a dica do Cacique vou tomar gelado… e ficar três noites sem dormir, provavelmente.

O site também mostra como se diz ‘café’ em diversos idiomas. Gafae, kafes, masbout, kalawa, koohi, souro, kaffei, buna, koffie estão entre eles. Gostei. Kaveeee!!!

Florinda – Rua Aspicuelta, 181 – Vila Madalena. Tel: (11) 3814-1060

Panettone pelado

novembro 28, 2006

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O Natal desperta os melhores sentimentos e paladares. Nesta época do ano, muitas pessoas que comem ‘de um tudo’ abrem seus corações e revelam que detestam frutas cristalizadas. “Sempre nessa época do ano, eu penso na pessoa q nos salvou: o inventor do chocotone”, desabafou o amigo Calenda em seu blog, no Natal de 2004.

A frase me marcou por expressar tão bem a aversão às inocentes frutinhas que fazem parte da tradicional receita natalina. Dizem que tudo começou em Milão, entre os séculos XV e XVII, pelas mãos de um padeiro chamado Toni.

Hoje, o “Pane di Toni” ganhou gotas de chocolate, nozes, mousse, chocolate branco, gotas maiores de chocolate, cobertura de castanhas, versões light (?), somente com uvas passas (Gran Natale ou Uvattone, como diria Cecília), tamanho ‘família insaciável’ (4 kg!) e muito mais.

Particularmente acho o Toni um cara bem bacana e sempre gostei da receita dele. O querido Maurício, que não come frutas nem por decreto, também adora. É o verdadeiro milagre do Natal.

No último final de semana, o Dexter me apresentou o Pandoro, que apelidei de ‘panettone pelado’. Provei a versão da Bauducco (Bold´Oro), com e sem manteiga, e adorei. O bolo coberto com açúcar de confeiteiro tem a massa do panettone, um pouco mais leve, sem qualquer recheio. E nada disso é fruto de estudos de marketing.

O Pandoro também é uma receita tradicional natalina, só que foi criada em Verona, também no Norte da Itália. A idéia pode ter sido de um tal Eliodoro, primo radical do Toni. Vai saber?

dicunto.jpgA versão ainda tem a vantagem de ser versátil e não enjoar. Imagine um pedaço com geléia de damasco, outro com Nutella (aí está seu chocottone) e outro pelado mesmo. Soube que a tradicional Di Cunto também oferece o Pandoro. Vou correr pra lá!

Felizmente, São Paulo tem ótimos lugares para se comer deliciosos panettones em fatias. Um deles, que já vale pelo passeio, é a Casa Bauducco, na charmosa Rua Normandia, em Moema. Outro pedaço cobiçado é o da Cristallo, que pode ser acompanhado de um bom café.*

Casa Bauducco – Rua Normandia, 51 – Moema (Segunda a sábado das 10h às 19h. Até 24/12).

*Com dicas da Kay, amigona do coração, que ama frutas, ama Maurício, mas só come chocottone. No Natal de 2008 será a vez da pequena Clara – linda recém-nascida desse casal – escolher seu panettone favorito.

Tomates maduros cozidos

novembro 21, 2006

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Com tantas lanchonetes boas em São Paulo, achei que já havia comido os melhores cheese saladas da cidade. Tudo mudou em uma tarde nublada das férias de agosto, quando os queridos amigos Renata e Henrique, me levaram para almoçar na lanchonete do Seu Oswaldo.

Há tempos eles falavam maravilhas daquela lanchonete na Rua Bom Pastor, que serve o cheese salada com hamburguer leve e bem temperado, queijo, alface e os segredos da casa há 40 anos: maionese caseira e, no lugar do tomate, um molho especial.

“O lugar tem fila. Chegue e já peça logo dois porque eles não são muito grandes”, aconselhou outra amiga Renata, a Bitar, moradora do Ipiranga. A fila não cheguei a conhecer [ainda], mas em pleno dia da semana, os 15 lugares no balcão da modesta lanchonete estavam praticamente ocupados.

Pedi os dois cheese saladas, uma Coca-Cola de garrafa e me senti uma menina no balcão de uma lanchonete do interior. Para completar o sabor de infância, eles servem laranjada. Nada de suco com sabor artificial de laranja. É uma boa laranjada mesmo.

Quando o primeiro sanduíche chegou fiquei contente em saber que logo teria outro igual. Na terceira mordida, o molho especial começou a se misturar à maionese caseira e ao hamburguer deixando o mistério daquele cheese salada ainda mais delicioso.

Meu palpite é que o molho é feito com tomates maduros levemente cozidos e batidos com um pouco de alho, cebola e sal. Já o Henrique acha que o segredo pode ser um pouco de pimentão ou até pedaços de goiaba. A solução é voltar e comer mais dois. Não vejo a hora de pegar a fila.

O simpático Oswaldo, descendente de portugueses e italianos, sabe disso. “Oswaldo Hamburgueres… com sabor especial desde 1966”, diz seu cartão.

Oswaldo hamburgueres: Rua Bom Pastor, 1659 – Ipiranga. Segunda a sábado das 12h às 22h. Fecha aos domingos e feriados, não tem telefone e não aceita cartões. Não desista.

Quando saí de férias

novembro 12, 2006

Outro dia vi uma matéria com o Claio Blat fazendo um tour pelo bairro do Bom Retiro promovendo o filme “Quando meus pais saíram de férias”. Me lembrei de um toast de dar água na boca, que estava devendo ao Braun Café.

delishop.jpgQuando saí de férias, em agosto, fiz um passeio por lá com meu amigo Fábio (comendo um sanduíche de falafel no toast abaixo) e fomos ao Shoshi Delishop.

Não sou da comunidade, mas gosto muito desse restaurante judaico com cardápio variado, bom preço e o atendimento carinhoso dos donos Adi e Shoshana Baruch. A cozinha é comandada pelo filho do casal, Nir. A foto ao lado, tirada do site do Shoshi, mostra o modesto salão do restaurante.

O cardápio bem variado mistura as influências da culinária judaica ashkenazi, dos judeus do leste europeu, que tem como principais ingredientes batatas e peixes, e a cozinha sefaradi, da península ibérica, com influência árabe, explicam os donos no site.

Da cozinha de Nir, portanto, saem antepastos como arenque, beringela curtida, sardinha com molho de coalhada e o tradicional ghelfite fish, bolinho frio bem leve de peixe moído – acho que falta um pouquinho mais de peixe na massa – servido com molho hrein (raiz forte e beterrada), que é levemente picante e bem gostoso. A porção de varenike, massa recheada de batata e cebola com molho de cebolas fritas, também é boa.

Para os dias frios, recomendo um prato de tchulent, a feijoada judaica. No Shoshi, o cozido inclui feijão branco, salsicha de vitelo, batatas e carne de peito de boi. Outra opção é a ótima costela de boi, que pode vir com uma massinha judaica ou trigo sarraceno.

Entre os mais pedidos está o frango assado com batatas e mel, que deve ser sensacional porque estava esgotado das três vezes que fui ao Soshi. Da próxima vez chegarei mais cedo.

Shoshana, cujo nome significa rosa em hebraico, não te deixa ir embora sem provar uma de suas sobremesas. Siga o conselho e peça o excelente pudim de caramelo. Superou o pudim de leite da minha tia Elza, que comi quando criança. Definitivamente não vou esperar pelas próximas férias para voltar lá.

Se sobrar espaço no estômago recomendo uma passada na doceria Burikita. Especialidade judaica vendida em padarias da ex-Iugoslávia, a burikita é um folhado com diversas opções de recheios doces e salgados. A vitrine tem outros doces tentadores. Feche com um café!

Shoshi: Rua Correia de Mello, 206 – Bom Retiro (SP). Tel: (11) 3228-4774 (Sábado até 15h)
Burikita: Rua Três Rios, 138 – Bom Retiro (SP). Tel: (11) 3227-2654 (Sábado até 16h)

Se meu fusca falafel

novembro 5, 2006

fabiofalafel.jpgO falafel – bolinho de favas e grão-de-bico – é uma espécie de acarajé das arábias. Nos países árabes e nas ruas de Nova York, barraquinhas de rua vendem os bolinhos no pão sírio, com molho tahine e vegetais curtidos.

Me lembro vagamente de ter visto, pela primeira vez, esse sanduíche em um filme policial onde o cara interrompia uma perseguição para fazer uma boquinha em uma barraca de falafel. Fui perseguir meu desejo no segundo piso de uma velha galeria na Rua José Paulino. Era uma tarde de sol e estava com o querido Fábio Almeida (foto), que hoje mora em Londres e se especializa em fish and chips ao lado de Rafaella.

Nada melhor do que encontrar uma refeição boa e barata em um lugar suspeito.

No segundo andar da galeria se esconde o Falafelit Malka e seu delicioso sanduíche de falafel vendido a 10 reais. Atrás do balcão dessa lanchonete, que também tem PFs, está o israelense Malka Levy, um senhor simpático e apressado.

Dividi um sanduba com Almeida porque tinha outra parada gastronômica no Bom Retiro, mas o ideal é pedir um inteiro. A versão do Malka vem com beterraba e repolho curtidos, tomate, cebola e molho tahine. Como diria o pessoal da pamonha “Venha provar minha senhora. É uma delícia!”. Pedi talheres, mas quem consegue comer acarajé, tacos e temaki sem babar, pode dispensá-los. A visita é indispensável.

Infâmias: O nome do local, Falafelit, gerou trocadilhos infames e intermináveis com o nome de Gui Felitti, grande amigo do Braun Café. Suspeita-se que ele mantenha um negócio paralelo ao jornalismo para sustentar dois projetos. Um deles seria um podcast sobre a importância do falafel para a paz mundial, o programa Falafel eat que eu te escuto. Outro deve ser um curta-metragem sobre a história de um rapaz que pega seu carro popular e atravessa a Faixa de Gaza para entregar um sanduíche de falafel à namorada: Se meu Fusca Falafel.

Falafelit Malka: Rua José Paulino, 345, loja 23A – Bom Retiro (SP). Tels: (11) 3222-2157 / 3222-6057