Por Alê Scaglia, de Barcelona*

Uma das cidades mais lindas da Europa é também uma das melhores fontes de boa comida e muita diversão. Capital da Catalunha, Barcelona é conhecida pelas ramblas e pelo frescor absurdo de seus frutos do mar. Mas merecia também um destaque por seus “botecos”… Não, não é para pensar em boteco como o Bar Leo ou o Frangó. O conceito aqui é bem diferente. Os bares de tapas são uma atração à parte na cidade onde Gaudi fez sua história.

Para conhecer o que a cidade tem de melhor nesse quesito, recomendo uma visita ao Bairro Gótico, o mais antigo da cidade. Em meio a ruelas estreitas, casas e prédios (quatro) centenários e MUITA gente bonita, é fácil encontrar onde sentar para tomar uma cerveja ou cava. Mas é em pé que se encontra uma das pérolas da região.

Em uma das muitas vielinhas fica o Sagardi, um bar cuja especialidade são os “montaditos”, comidinha de boteco típica do país Basco.

O sistema é simples e não tem a menor chance de dar certo no Brasil: você entra, encosta no balcão (se der sorte), pede um prato e sai escolhendo o que comer, diretamente de travessas com uma espécie típica de canapés, feitos de fatias de baguetes com recheios os mais variados. Há os de patê de atum, com alface, queijo de cabra e uma fatia de aliche (recomendo!) ou com um chorizo apenas. Todos, sem exceção, sensacionais. Na hora de ir embora, o garçom conta os palitos de seu prato e você paga. Tudo na base da confiança.

Na visita feita ao bar, em quatro amigos consumimos nada menos que 20 e poucos “montaditos”, além de algumas “cañas” e cidras. A conta deu 60 euros, nada excepcional para o lugar. E menos ainda relevante quando se leva em conta a diversão de escolher uma a uma as porções a serem provadas.

Para completar, o Sagardi tem um ambiente delicioso, com um balcão interminável como marca mais característica. Gente bonita, boa comida e uma cerveja deliciosa definem o local. Se você tiver a sorte de ir a Barcelona, não perca a oportunidade de visitar o boteco.

Sagardi – Argentería, 62_08003. Tel: 93.319-99-93

*Alexandre Scaglia é jornalista e grande companheiro nas descobertas do Braun Café. Teve a sorte de visitar Barcelona no último final de semana, se empolgou e mandou dois toasts de lá. Gracias Alejandre por salvar este blog da ressaca de Carnaval e inaugurar a ala dos correspondentes no “Braun Café 2.0”.

Tão longe…

fevereiro 6, 2007

Meu analista, que fica pertinho do Masp, me contou hoje que conseguiu um autógrafo do Anthony Bourdain, em sua cópia do livro “Cozinha Confidencial”, quando o chef esteve em São Paulo, na semana passada. Bom… ele disse que vai escanear pra mim. É isso aí.

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Foto: divulgação

…Tão perto

Quer fugir das massas e da barulheira do almoço no domingo, sem gastar muito? Uma opção bem tranquila é o Restaurante do MASP. O acervo gastronômico é simples e honesto: grelhados com três acompanhamentos – a partir de 16,50 -, massas e crepes feitos no balcão a escolha do freguês.

No último domingo pedi uma truta grelhada (na hora). Esperei uns cinco minutos enquanto devorava os mini-pães franceses no balcão ao lado. Dos acompanhamentos escolhi abobrinha – legume tão amado – gratinada, purê de batatas com espinafre e couve refogada. As saladas parecem bem apetitosas também.

Fechei a ‘refeição saúde’ com uma salada de frutas, mas não resisti ao café expresso. Tudo por 24 reais. E o lugar fica aberto até 16h30, o que não lhe obriga a acordar cedo para o almoço do domingo. No caminho do restaurante, que fica no sub-solo do museu, você ainda pode apreciar uma exposição gratuita ou então investir em uma visita ao acervo do Masp. A exposição do Manet ainda está em cartaz.

Restaurante do MASP – Av. Paulista, 1578 – Bela Vista. Tel: (11) 3253-2829

Tão longe, tão perto…

fevereiro 2, 2007

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Foto do blog do Marcelo Katsuki tietando Anthony Bourdain hoje de manhã no Mercadão

Estava trabalhando feliz e contente, hoje à tarde, quando recebo uma mensagem de Henrique dizendo “tenha um chilique agora…” e o link para o apetitoso blog do Marcelo Katsuki.

Quando vi as fotos do Anthony Bourdain, o chef rockstar que tanto adoro, tiradas hoje de manhã no Mercado Municipal Paulistano, quase caí pra trás. Bourdain está no Brasil para filmar seu programa Sem Reservas (No Reservations), transmitido pelo Discovery Travel & Living.

Marcelo conta que caiu da cama para encontrar Bourdain no Mercadão. O chef, escritor e apresentador de TV estava começando uma maratona que incluiu o boteco Valadares, uma escola de samba (clássico dos ‘gringous’) e uma descida para o ultra bem cotado restaurante Manacá, em Camburi.

No programa, originado de uma série feita para a TV norte-americana juntamente com o livro Em busca do prato perfeito, o destemido e irônico chef nova-iorquino vasculha a comida e a cultura de diversos países.

De Paris ao Vietnã, Bourdain caminha pelas ruas fumando seu Marlboro vermelho e come de tudo – do restaurante com estrelas no Guia Michelin àquele lugarzinho sinistro que serve um prato especial, há 300 anos, e só é descoberto por indicação.

Essa é a segunda ou terceira vez que Bourdain passa por aqui. Feijoada é o que ele considera um dos pratos perfeitos. A Vejinha SP acompanhou uma dessas maratonas, que incluiu Mercadão, Rancho da Empada, Jun Sakamoto, D.O.M e Ponto Chic. Que disposição.

Comecei a acompanhar o Bourdan depois de ler Cozinha Confidencial, meu favorito. Em sua trajetória, ele conta que botava fogo na pia da cozinha do restaurante onde trabalhava ao som de The End, do Doors, para entrar no clima Apocalipse Now! antes de iniciar sua batalha diária.

No mais recente Afinal, as receitas do Les Halles – Nova York, ele abre segredos e receitas da cozinha que comanda desde 1998, mas sempre alerta que a vida de chef não é para qualquer um. Encontrar o Bourdain no Mercadão não é para qualquer um. Parabéns com louvor ao Marcelo.

Pelo menos temos o consolo de encontrar o Bourdain, em breve, na TV, fazendo um programa do Brasil. Se você não tem um pacote power plus de TV a cabo, baixe No Reservations no BitTorrent, mas não perca esse programa.

Salve uma quitanda

janeiro 29, 2007

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É possível ser feliz sendo vegetariano? Acredito que sim, mas o grau de iluminação para resistir a um suculento filé não depende somente de conscientização, de não ser chegado a derivados de animais ou de força de vontade.

Um bom tempero e muita criatividade são os ingredientes básicos para quem deseja sorrir diante de um prato sem carne. Também são pontos fundamentais para os vegetarianos de ocasião, como é meu caso.

Strogonoff de shimeji, torta de acelga, abobrinha gratinada com queijo e palmito, saladas frescas e mais uma série de variedades fazem você esquecer os prazeres ou pecados da carne no Lá na Quitanda.

Passando a quitanda na entrada, que também vende pães caseiros bem bonitos, você entra em um salão muito sossegado e rústico, do tipo que não tem uma cadeira e uma mesa ‘ornando’. O tempero é muito bom – até encarei a carne de soja refogada – e o preço é ótimo.

Por 14 reais, além do buffet, você tem direito a sucos – o de clorofila só recomendo aos sofredores – e sobremesas à vontade. Até nos doces o lugar oferece uma opção ao clássico ‘salada de frutas, iogurte e granola’. Se tiver canjica e doce de leite não pense duas vezes. Você vai ter de pensar muito depois… para não comer duas vezes.

Em uma noite fria recomendo o buffet de sopas. Eles também servem sushi vegetariano no jantar, mas esse ponto de iluminação ainda não vivenciei.

Aliás, adoro as quintandas. Esses pequenos e acolhedores símbolos dos hortifrutis com seus belos legumes e frutas, às vezes bagunçados com certo charme, vêm alimentando a cultura vegetal há anos. Uma pena terem entrado em extinção, esmagadas pelos sacolões e hipermercados.

A quitanda da portuguesa aqui perto de casa, na Pedro Taques, por exemplo, é uma feliz conveniência. Um belo domingo corri pra lá, antes de começar o almoço. Comprei um raminho de manjericão fresquinho por 50 centavos. É bem caro, mas era tudo o que eu precisava naquele momento… por um molho melhor.

Acho que temos de colaborar com a sobreviência das quitandas. “Pense no seu molho e salve uma quitanda… não é todo dia que se compra um ramo de tomilho fresco no supermercado 24 horas.”

Lá na Quitanda – Rua Rodésia, 128 , Vila Madalena. Tel: (11) 3097-0410

O Elo perdido

janeiro 18, 2007

tanukipeq.jpgO esquema de rodízio é tão comum nos restaurantes japoneses de São Paulo, que muita gente se perde diante de um cardápio à la carte.

“No rodízio você não tem que pensar muito. As comidas vão chegando”, disse Giedre ao se deparar com um universo de escolhas disponíveis no Tanuki – um animal ‘primo’ do guaxinim em japonês – na Vila Madalena.

Giedre tem razão. Suas únicas decisões em um rodízdio são o sabor do temaki, se o guioza pode ser levemente grelhado invés de frito e o que será eliminado – pobres yakissobas.

É claro que há exceções que confirmam a regra, como o Haru, restaurante dos ex-donos do Sushi Ghen aberto há cinco meses, no Itaim. Lá, a escolha do rodízio é praticamente personalizada. Fiquei assustada com o poder de decisão dado ao cliente. Só não escolhi a faca e o sushimen, mas valeu o trabalho. O preço é convidativo (24,90 reais de segunda a quinta incluindo sobremesa) e o resultado satisfatório.

No cardápio à la carte do Tanuki, opções é que não faltam, então relaxe. Recomendo as mesas do andar superior, onde você tira os sapatos, pode fumar e perambular usando chinelos japoneses. Eles têm pontinhos de ‘do-in’ que massageiam seus pés, enquanto você começa a pensar no pedido.

Degustamos a cortesia da casa, uma deliciosa espécie de ceviche japonês (peixe branco marinado com pepinos). Estava ótimo. Eu já queria umas dez cortesias daquelas. Depois pedimos um [bem preparado] shimeji na manteiga com cebolinha na chapa, seguido de sashimis de salmão e peixe prego – bem saborosos e frescos.

Finalmente resolvi encarar o “Elo Perdido” e pedir alguma coisa bacana, que não fizesse parte do vocabulário do rodízio. Felizmente, o Tanuki oferece pratos do dia e um deles tinha tradução: “Canja de frutos do mar”. Canja sem galinha? Canja no japonês? Eu não tinha como resistir.

Acho que apelidaram o prato de ‘canja’ pela presença de arroz no caldo, que leva açafrão, cebola e pimentão picadinhos, camarões, polvo, lula e kani. Uma delícia suficiente para esquentar os ânimos de dois estômagos famintos por 18 reais. A conta toda, incluindo duas cervejas de 600 ml, refris e mais um temaki saiu 30 reais para cada, em três pessoas. Um preço justo.

Após um dia inteiro de trabalho duro, quem não quer pensar mesmo é a equipe do Tanuki. Na última terça (16/01), enquanto esperavam Alê e Deca terminarem a saideira, shushiman, entregadores e cozinheiros não pensaram duas vezes e chamaram uma pizza.

Tanuki – Rua Jéricó, 287 – Vila Madalena. Tel: (11) 3814-3760

Sushi Haru – Rua Manoel Guedes, 233 – Itaim Bibi. Tel: (11) 3477-7247