Vietnã sem frescuras

novembro 17, 2019

O salão principal do Bánh Mi Vietnam traz os recados da casa: “sem frescuras”.

Quando você entrar no sobrado sem placa da Rua Dr. Seng, número 44, terá o prazer de conhecer a acolhedora e deliciosa cozinha vietnamita do Bánh Mì Vietnam onde “se faz se come como no Vietnã, sem adaptações”, diz um dos recados na parede da casa adaptada para o restaurante.

Importante reservar aos sábados porque há poucas mesas – contei menos de dez – que lotam rapidamente nos quatro cantinhos da casa. Vale tentar uma mesa no quintal cheio de plantas e almoçar ao ar livre cercado de verde. Eu cheguei cedo e dei sorte. Mesmo sem reservas logo me acomodaram em uma mesinha com sofá.

A entrada oficial da casa é o Goi Cuon, rolinho de ervas aromáticas, cenoura, pepino, macarrão de arroz e carne de porco bem fininha, enroladinhos no finíssimo papel de arroz. A regra é comer com as mãos, sem frescura. “A única frescura que se permite nessa casa é da comida”, diz outro recadinho. Os molhinhos de amendoim e de pimenta dão mais uma graça a essa refrescante entrada que também tem uma versão de carne de porco e camarão e outra de shimeji. (Um por R$ 12 e quatro por R$ 36).

Pho Bo: o tradicional caldo vietnamita que você finaliza do seu jeito.

Seguindo para o principal, vou te contar que há anos tenho vontade de provar o autêntico caldo vietnamita Pho Bo, desde quando assistia o saudoso Anthony Bourdain em uma de suas viagens ao Vietnã. O momento chegou. Pedi uma cervejinha e fiquei esperando meu caldo perfumado com sete especiarias, fatias de carne bovina, broto de feijão e talharim de arroz que chegou fumegante à minha mesinha (a versão vegana é o Bun Chay com tofu e shimeji). A versão pequena, com menos macarrão, sai por R$ 34 e é de bom tamanho. A grande custa R$ 39.

Um dos sócios – são dois argentinos e um franco-vietnamita – me explicou com todo o carinho como provar o Pho: Primeiro você tempera o caldo ao seu gosto com folhas frescas (coentro, hortelã e manjericão) servidas separadamente e espreme um quarto de limão. Se quiser incluir Sriracha para apimentar “vai ficar beeem potente”, disse o anfitrião – fica potente mesmo então recomendo pegar leve. Enfim, posso dizer que essa é daquelas comidas que te abraçam, com muito sabor. Traz paz e felicidade.

Para finalizar, pulei a sobremesa e fui direto ao café da casa, o Cà Phé Sua Dá, perfeito para o momento de serenidade pós Pho Bo. O coador vietnamita vai liberando o café em gotinhas, lentamente, sobre uma boa dose de leite condensado. Aguarde. Depois pessoal traz pedras de gelo e você termina de preparar a bebida perfeita para fechar o almoço.

A conta, com duas long necks, saiu por R$ 72 muito bem pagos. Já quero voltar logo para provar os sandubas e o drink Coc-Tai Dua Ót com pimenta, vodka, coentro, limão e pepino. Que delí!

Bánh Mi Vietnam
Rua Dr. Seng, 44 – Bela Vista
Reservas: (11) 97754-1856
Quartas, quintas e sextas-feiras das 12h às 16h e das 18h às 22h.
Sábados somente com reservas das 13h às 16h e das 19h às 22h.

Insta: https://www.instagram.com/banhmisp/
Face: https://www.facebook.com/BanhMiSP/

O poderoso Capuano

junho 24, 2012

Clássico fusilli caseiro com meia bracciola ao sugo da cantina Capuano

Fusilli ao sugo com bracciola. Essa é a especialidade da Cantina Capuano, no Bixiga, e minha dica para quem deseja ‘mangiare una bela pasta’ com preço acessível, em São Paulo. Continue lendo »

Bar amigo

outubro 15, 2008


O Bar Amigo Gianotti, no Bixiga, vem fazendo amizade com os paulistanos há 40 anos. Sua especialidade é a fogazza crocante e generosamente recheada com diversos sabores listados verbalmente pelos garçons (calabresa, atum, muzzarela, provole, frango, cheddar etc.) e que ainda podem ser combinados.


Estive no bar do palmeirense Toninho Gianotti recentemente por conta do Boteco Bohemia, mas já tinha ouvido falar muito bem do lugar também conhecido como Magrão – apelido do corintiano que atendeu a freguezia por muitos anos e nunca engordou com as deliciosas fogazzas e massas caseiras (recebi boas recomendações do fuzilli e do nhoque de mandioquinha servido todo dia 29).


O quitute concorrente deste ano foi caprichado: bolinho de carne cozida na cerveja preta envolto em uma camada fina de massa e empenado com mix de castanhas. Como o cardápio está no gogó não tive como saber que o preço da porção era um pouco salgado (25 reais), mas pagaria novamente pelos dez bolinhos divinos, que derretiam na boca. O molho de pimenta biquinho, que é zero ardido e 100% saboroso, deu um toque especial ao bolinho.


Ponto de partida ou fim de noite para os baladeiros da 13 de Maio, o pequeno bar não costuma lotar tão cedo, mas não se importe de pegar uma mesa na calçada, especialmente no calor, e pedir várias geladas ao simpático Toni, neto do Gianotti. Na parte de dentro, onde é proibido fumar, você pode se divertir com a decoração do velho imóvel, que inclui um jacaré de plástico, camisas de futebol, um biotônico fontoura de gesso gigante, capacetes de exército e outras relíquias como uma pilha de latinhas de Brahma de ferro (alguém se lembra delas?), estocadas nos tempos de inflação e descobertas recentemente.


Nas mesas animadas, o que não falta é fogazza (9 reais). Alê Scaglia apostou na de muzzarela com provolone e muitos pedaços de tomate para dar uma quebrada no sabor. Bem crocante e robusta por fora, a massa aberta despejava o recheio saboroso.

Pena que choveu e tivemos de nos acomodar no pequeno mezanino, que não é nada recomendável. Se você não quer chegar em casa impregnado por um inesquecível aroma de fritura, evite subir a cruel escadinha em caracol. Em um quadro, o Toninho (na foto acima à direita) faz piada com a situação: se candidata pelo PPM (Partido da Pinga com Mel) e promete instalar um exaustor. Bom que seja logo. Tirando meu perfume de fogazza, o simpático Gianotti ganhou meu voto e minha amizade.

Bar Amigo Gianotti – Rua Santo Antônio, 1106 – Bela Vista (Bixiga) – São Paulo. Tel.: (11) 3211-3256

Feliz desaniversário*

março 28, 2006

La Dolce Vita começa na segunda-feira. Sim, eu sabia que estava de muito bom humor para uma segunda, mas era o dia da formatura… do curso de vinhos para iniciantes da Associação Brasileira de Sommeliers – São Paulo – não é frescura e vale a pena.

A turma do fundão de cinco figuras marcou na Cantina Roperto, tradicional do Bixiga aberta há 62 anos. No dia mais chato da semana, o Roperto não cobra a rolha. É belo… leva seu vinho e bebe feliz. A segunda já melhorou? Espere até o acompanhamento – Perna de Cabrito Assada com Batatas e tomate. Quem viver comerá! O cabrito assado derretendo (mesmo), tenras batatas, seu vinho e suspiros de emoção. Por R$ 41 o prato serve três. E depois de duas taças você quase chora quando um bom e meigo velhinho vem tocar, no vilolino, clássicas canções italianas em sua mesa acompanhado de uma senhora no acordeon. Ela usa roupa de oncinha, mas e daí?

O momento é Don Corleone – ‘Vou lhe fazer um favor e um dia vou cobrar. Esse dia nunca pode chegar, mas se isso acontecer… [vou querer a Perna de Cabrito do Roperto]. Já sacanearam dizendo que era meu aniversário e o velhinho violinista animado tocou “Parabéns a Você”. Tentei consertar, mas… Alice… acorda Alice. Feliz desaniversário!

Pensando bem é assim que esses desaniversários deveriam ser. Bons amigos, vinhos da (nossa) casa, estupenda comida e muitas gargalhadas. Tudo isso na Dolce Segunda. Bravo!

O Roperto fica na Rua Treze de Maio, 579 – Bixiga. Telefones: (11) 3288-2573 / 3284-2987. A toalha de cantina que forra a home page é uma beleza viu?!

*Toast de 28/03/2006 publicado no Blog Atonal.

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