Vinhos para fazer a festa

dezembro 19, 2010

O aveludado Cabernet Sauvignon Fleur Du Cap (Foto: Mario Nagano)

Tempos de festas pedem vinhos mais bacanas para celebrar. Aproveitando a ocasião fiz um aspanhado de dicas, começando por um set no Flickr do Braun Café com uma degustação que pode inspirar as compras de Natal e Ano Novo.

Lima, o sommelier, abrindo paladares na degustação de vinhos (Foto: Mario Nagano)

A seleção de rótulos da importadora Casa Flora foi realizada em meados de novembro pelo sommelier Lima, responsável pela cave do hotel Blue Mountain, inaugurado em maio deste ano, em Campos do Jordão (SP). O momento foi perfeito após um dia de muito trabalho no Intel Editor´s Day, evento que reuniu jornalistas de tecnologia em Campos – e o querido Mario Nagano fez uma ótima cobertura fotográfica da degustação.

Cava, o elegante espumante da cataluña (Foto: Mario Nagano)

Provamos um refrescante Cava brut Don Román, um Sauvignon Blanc Manor House da sul-africana Nederburg 2008 (meu favorito), o tinto português Duorum Colheita 2009 e o redondo sul-africano Cabernet Sauvignon Fleur Du Cap 2006.

Sauvignon blanc sul-africano com inesquecível aroma de pimentão (Foto: Mario Nagano)

Para quem está mais para temperança neste fim de ano, minha dica é cidra (ou sidra) francesa. Felizmente importadoras como a Mistral estão apostando nesta bebida leve, refrescante e de baixo teor alcoólico (de 2,5% a 4,5%). Para incentivar as compras de fim de ano, a Mistral está trabalhando com dólar fixo a R$ 1,65 para garrafas que custam a partir de US$ 20 (ou a partir de US$ 10 para meia garrafa).

Rótulos com mensagem

'Carpe Diem': rótulo pronto para a virada

Quer dar um vinho de presente? O rosé chileno 2008 da Vinã Carpe Diem é saboroso, aromático e fácil de agradar. Além disso, o nome já é um bom desejo de ano novo. Descobri este ano no Lola Bistrô, durante a Restaurant Week. Custa R$ 35 na Casa do Porto.

Oremus: uma bênção para a sobremesa natalina

Para presentear no Natal e acompanhar os doces da ceia, minha dica é o vinho de sobremesa Tokaji Late Harvest 2006 “Oremus” (Vega Sicília)  – mensagem perfeita para a ocasião. Provei na casa da Kay e do Mau com cupcakes após um delicioso jantar (veja as fotos no Flickr). O sabor incrível puxado para o maracujá é uma bênção.

Panetone Bauducco tipo Bold’Oro sem frutas envolto em açúcar de confeiteiro

Ontem experimentei o primeiro tenro pedaço do Natal: o panetone da Bauducco sem frutas, antes conhecido como Bold’Oro, coberto de açúcar de confeiteiro, com geleia de framboesa. Ao provar a massa extremamente macia, com essência suave e o sabor mais azedinho da framboesa, tudo o que eu conseguia comentar era ‘hummm…’.

O panetone sem frutas já virou tradição em casa, mas o verdadeiro sabor do Natal, para mim, começa em dezembro – não em outubro como temos visto ultimamente – ao provar uma fatia de panetone com frutas cristalizadas. Também não recuso invenções ‘panetônicas’ além das gotas de chocolate (trufas, leite condensado, goiabada, prestígio, light, doce-de-leite e até salgado), mas adoro a ideia de uma versão tão simples, que você mesmo pode inventar.

Massa extremamente macia. Teste com geleia de framboesa foi aprovado

Geleias, nutella, frutas secas picadinhas, nozes, calda de frutas vermelhas e sorvete de creme vão muito bem com o ‘panetone zerado’, que já foi tema de outros ‘toasts’ aqui no Braun Café.

A embalagem inclui um saquinho de açúcar de confeiteiro com essência de baunilha. Basta despejar o açúcar no saco plástico que embrulha o panetone, chacoalhar e a cobertura padrão está pronta.

Tão bom e tão raro, o panetone 'zerado' não é muito fácil de encontrar

O produto não é muito fácil de encontrar e nem sequer é exibido no site da Bauducco, mas encontrei ofertas do panetone sem frutas na web. Este ano, o Dexter achou um exemplar no Supermercado Yayá, no Paraíso, mas acho que outras pessoas também gostaram da ideia e neste domingo o panetone estava ‘zerado’. Espero que a Bauducco melhore a distribuição.

Certamente vou garantir meu pedaço com frutas cristalizadas, mas achei legal dar esta dica a quem deseja criar seu próprio sabor natalino. Feliz panetone de Natal!!!

Creme dental? Não... mostardas alemãs especiais

O que seria das salsichas e dos embutidos alemães sem suas saborosas mostardas? Isso, é claro, já contando com as cervejas locais.

Pensou que os tubinhos coloridos da foto eram de creme dental? Não se engane. Estes são alguns exemplares de mostardas especiais vindas diretamente da Alemanha na bagagem do marido da Tati Schnoor, que nos deu essa ótima dica gastronômica.

A mostarda da embalagem azul é a mais popular da Alemanha

A Tati, que não nega suas raízes alemãs e é fã destas iguarias, conta que o tubo azul da marca Thomy é a mostarda padrão feita com água, vinagre, mostarda, sal, açúcar e temperos. “É a mais popular na Alemanha toda”, diz.

Já o tubo vermelho, da Löwensenf, traz sabores mais fortes, com água, vinagre, sal e semente de mostarda. “A mostarda de tubo menor tem menos água e mais concentração de mostarda, por isso, é mais forte, fora o fato de ter a semente”, explica nossa especialista ao Braun Café.

Löwensenf: mais concentrada, com sementes de mostarda

Agora você já sabe o que pedir aos amigos que viajam à Alemanha, ou trazer como presente de viagem – além de ficar esperto para não escovar os dentes com mostarda.

Pesquisando a dica da Tati, encontrei uma loja online especializada em produtos alemães chamada Stuttgard, de Blumenau (SC). Além da Löwensenf  ‘extra-forte’ (da foto) e de uma versão ‘meio-forte‘, a loja online vende cervejas, salsichas, chucrutes e muito maisl. Dá até para agitar uma Oktoberfest em casa. Danke darling!

Harmonização de dois favoritos: spaghetti a carbonara e a belga Tripel Karmeliet

Resolvi juntar dois sabores favoritos para um desafio de harmonização com cervejas: spaghetti a carbonara e uma belga tipo tripel.

Sinceramente eu nunca pensaria nesta combinação, já que costumo acompanhar massas com vinhos, mas esta foi uma das sugestões da querida Ana Franco quando mencionei minha cerveja preferida. Segundo ela, a belga tipo tripel acompanha muito bem caças (avestruz, codorna, coelho) e massas com molhos gordurosos como pesto e carbonara (oba).

Belga tripel acompanha caças e massas com molhos gordurosos (carbonara, pesto etc.)

Conheci a Tripel Karmeliet, há alguns anos, em uma importadora de cervejas belgas que estava chegando a São Paulo. Enquanto sentia o aroma floral daquela cerveja cremosa, levemente frutada e cítrica, escutava sua história. A receita, que leva três grãos (aveia, cevada e trigo), foi criada por irmãs carmelitas na cidade de Derdemonde – a mais ou menos 30 minutos de carro de Bruxelas – em 1679.

Sim, meu caro leitor, as freiras belgas já conheciam os segredos das geladas há mais de 330 anos e criaram uma bebiba abençoada, além de muito preciosa (comprei uma garrafinha de 330 ml por R$ 19,90 na Adega Tutóia neste experimento).

Desde 1679: receita de freiras carmelitas com aveia, cevada e trigo

Para honrar as carmelitas, preparei a receita tradicional do carbonara (sem creme de leite e com queijo Pecorino), que foi garimpada pelo amigo André Nigri. Ele conta que o nome ‘alla carbonara‘ vem do cozimento em fornos à lenha ou carvão (‘carbon’) usados pelos camponeses dos Apeninos para preparar o molho, originalmente com penne e não spaghetti. Faz sentido. Na próxima vou de penne.

O preparo do carbonara é simples e só tem um segredo: costumo apagar o fogo antes de finalizar a massa com os ovos e queijos. Caso contrário, os ovos podem ficar mexidos e a ideia é que o molho fique fuido e homogêneo – não macarrão com ovos mexidos e nadando no creme de leite como já vi por aí. E o pecorino, uma versão mais leve do parmesão, feito com leite de cabra, faz muita diferença. Nesta receita usei o Pecorino Romano Zarpellon (pedaço de 190 gramas por R$ 14,90 no Pão de Açúcar).

Carbonara clássico com queijo pecorino. Versão original é feita com penne

Carbonara para dois: Enquanto cozinha a massa, refogue pedacinhos de pancetta (ou bacon magro) em cubinhos e um dente de alho inteiro, no azeite, em fogo baixo. Retire o dente de alho e reserve. Acrescente a massa cozida (al dente) ao refogado, ligue o fogo, mexa e desligue. Na sequência, inclua dois ovos bem batidos, uma colher de sopa de parmesão ralado, a mesma medida de pecorino e misture tudo rapidamente. Na hora de servir inclua pimenta do reino moída na hora, mais um pouco de pecorino ralado e manja que te ha benne.

Com a massa pronta chegou a hora do casamento com a tripel. Percebi como o sabor cítrico da cerveja torna o molho até mais leve – embora carbonara esteja bem longe do light – e o frutado predomina sobre os ovos e o pecorino deixando um paladar final feliz e adocicado. É uma degustação com mais harmonia do que contrastes. A junção dos favoritos foi interessante e animadora. Agora quero repetir o teste em uma versão com pesto.

Toque cítrico da cerveja suaviza o carbonara. Harmonização com final feliz e frutado

Esta e outras experiências de harmonização da turma de ‘food bloggers’ ( links abaixo) troxeram algumas revelações: cervejas vão bem com quase tudo (até com brigadeiro, como disse a Ana) e também podem ser opções aos vinhos no inverno.

Este post faz parte do especial Cerveja e Comida – Harmonização de Cerveja Especial, uma iniciativa Bierboxx e Botecagem com curadoria da chef Ana Franco (Cozinha de Ideias). Onde diversos blogs e sites oferecem dicas de harmonizações perfeitas de cervejas especiais, artesanais e importadas com o melhor da gastronomia toda semana. Acompanhe!

Harmonizações já publicadas na série Cerveja e Comida

  1. Harmonização de Colorado Indica e Ceviche Fusion.
    Por Ana Franco. No Blogbier.
  2. Harmonização de Guinness Draught e Costelinha Suína.
    Por Biso. No Botecagem.
  3. Brigadeiro e Cerveja Colorado Demoiselle.
    Por Ana Franco. No Gourmet Update.
  4. Dicas básicas de Harmonização da Abradeg.
    Por Equipe Agradeg. No Blogbier.
  5. A experiência e a memória gastronômica.
    Por Celso Bessa. No Post Its.
  6. Harmonização Fuller’s Honey Dew com Tartar Refrescante.
    Por Leandro Gonçalves. No Cozinha Pequena.
  7. Harmonização de Baden Baden 1999 e Azeitonas em Crosta de Parmesão.
    Por Ana Franco. No Cozinha de Ideias.
  8. Harmonização de Baden Baden Golden Ale com Canapés de Queijo de Cabra e Geléia de Cereja + harmonização com Spaghetti com Frutos do Mar.
    Por Maria Capai, no blog Diga, Maria!
  9. A Loura e a Diaba – Harmonização Costelinha Thai e Steenbrugge Blond.
    Por Letícia Massula, na Cozinha da Matilde.

Próximos Convidados

Moqueca à Califórnia

maio 14, 2010

(Versão ampliada do post publicado pelo Braun Café originalmente no blog Vital)

Moqueca à luz de velas em São Francisco

Cozinhar para os amigos é sempre uma diversão. Introduzir a culinária brasileira em uma cozinha norte-americana é uma aventura ainda mais saborosa. No final de abril estive em São Francisco, na Califórnia, para um evento de tecnologia, mas desta vez trouxe na mala um pouco da nossa cultura: duas garrafinhas de leite de coco, uma de azeite de dendê e uma pequena cachaça.

Ao final do evento de trabalho, minha última missão na cidade era apresentar a Moqueca Baiana a dois amigos jornalistas, em uma bela e antiga cozinha do bairro Low Haight (região residencial próxima à rua que marcou o movimento hippie na década de 60, a Haight Street).

Compras no Faletti Foods (encontro com Danny Glover)

Confesso que o objetivo inicial era fazer uma feijoada light, mas seria bem difícil (e proibido) trazer carne seca, paio e couve na bagagem e parar de trabalhar para colocar o feijão de molho no dia anterior. Pensei então na moqueca, já que os ingredientes frescos poderiam ser encontrados nos mercados locais. E James, o dono da casa, que também adora cozinhar, me levou a um empório sensacional do bairro, o mercado Faletti Foods.

O Faletti tem produtos incríveis (passei rápido pela tentadora prateleira de molhos especiais antes que tivesse problemas de excesso de peso na bagagem), queijos produzidos na região (compramos um tipo de Emmental excelente para petiscar antes do jantar) e até celebridades.

Espumante Mumm do Napa Valley, queijo local e cerveja Modelo ao fundo

Enquanto estava de olho no badejo (sea bass) chileno entre as apetitosas ofertas da peixaria e as lindas carnes do açougue, eis que entra no mercado um senhor, andando lentamente, muito parecido com o ator Danny Glover (“Máquina Mortífera”, “Ensaio sobre a Cegueira” etc.). Era o próprio, vivendo a vida e comprando algo para seu jantar. “Minha primeira celebridade no supermercado”, comentou James.

Além do badejo em postas e de um pouco de camarão para dar mais sabor, compramos os vegetais (incluindo coentro… sem medo) e o arroz branco tradicional, que fiz questão de preparar à moda brasileira. O arroz não ficou tão soltinho como eu queria porque o produto de lá é feito para ser colocado na água fervente, e não refogado antes, mas até que deu certo e ficou saboroso. Para acompanhar a moqueca provamos um Chardonnay local, muito leve e refrescante.

Bob (esquerda), James (centro) - um brinde à aventura gastronômica

E lá fomos nós para a cozinha do James. Começamos pela caipirinha (a dica é cortar o limão em quatro e retirar a parte branca central, eliminando o sabor amargo), com ‘catchaça’, como eles pronunciam. O James aprendeu direitinho e a Nathacha, designer que mora com ele, também aprovou.

Abrimos um delicioso espumante rosé do vizinho Napa Valley, trazido pelo Robert para comemorar a aventura gastronômica e iniciei os trabalhos. O peixe foi temperado com um pouco de flor de sal – nada como ter um anfitrião gourmet -, sal refinado, pimenta do reino moída na hora e um quarto de limão espremido. Quando comecei a refogar cebola cortada em rodelas no dendê, o aroma da Bahia invadiu a casa e despertou a curiosidade de todos.

Agito na cozinha (Foto: James Niccolai)

Juntei ao refogado uma lata de tomates pelados cortados na hora, em pedaços. Normalmente se usa tomate fresco, mas gosto muito dos ‘pelatti’ e a consistência ajuda a adiantar um pouco o preparo. Após apurar um pouco os tomates, incluí rodelas de pimentão vermelho e amarelo, depois acomodei as postas de peixe na panela. As seis postas pequenas deram para o repeteco de quatro pessoas no jantar e uma marmita para o James no dia seguinte.

Na sequência, um punhado de pequenos camarões (temperados no saquinho com sal e limão) entrou em cena para dar mais sabor e chegou a vez do mágico leite de coco. Embora eu tenha trazido nossa garrafinha brasileira, o ingrediente já é conhecido em lata pelos californianos, que apreciam a culinária tailandesa. Aliás, no fast food tailandês, Coriander (imagina se eles não usam coentro…), na praça de alimentação do Shopping WestField provei a deliciosa sopa Tom Kha Gai (pedaços de peito de frango e cogumelos em brodo com leite de coco, o amigo do coentro).

Moqueca baiana com arroz branco à brasileira. Sabor equilibrado e biz

E falando de um dos mais amados e odiados temperos, o coentro também é um clássico nas moquecas (tanto na baiana como na capixaba, que leva óleo de urucum). Já torci o nariz para ele na vida, mas concluí que é a finalização perfeita do prato. Após 15 minutos de cozimento, no máximo, espalhe um punhado de coentro fresco na moqueca, deixe mais dois minutinhos e seja feliz.

Depois de muito bate-papo sobre vida e comida, chegou a hora de servir minha moqueca. Confesso que, empolgada com a conversa, deixei o peixe passar do ponto e as postas de desfizeram. Sim. Peixes cozinham rapidamente. Os camarões também podiam ser maiores, para ficarem mais visíveis, mas deram uma ótima contribuição à receita.

Bate-papo, tangerinas e doces lembranças da moqueca à Califórnia (Foto: James Niccolai)

Servi os pratos com o arroz branco à moda brasileira, a moqueca e folhinhas de coentro para enfeitar, em uma linda mesa de jantar à luz de velas. Foi um sucesso. Particularmente, gostei muito do sabor, com todos os temperos equilibrados, bom nível de sal e, de certa forma, até que ficou leve para uma moqueca (não incluí pimenta). Acho que foi o espírito do momento. Terminamos a conversa e o vinho com pequenas e doces tangerinas compradas na quitanda do bairro e ótimas lembranças. Nada como cozinhar com alegria, entre amigos e sem estresse. Da próxima vez, a gente convida o Danny Glover.

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