Os prazeres da carne argentina
julho 5, 2009

Estación Sur: jantar completo por R$ 39,90 incluindo bife ancho e batatas suflê. Foto: divulgação
Aqui vão duas dicas de argentinos bacanas com ótimo atendimento, em São Paulo: o Estación Sur, nos Jardins, e o Che Bárbaro, aberto este ano na Vila Madalena.
O Estación Sur oferece uma opção interessante no jantar de terça a sexta-feira. Por R$ 39,90 é possível escolher o menu completo com saladinha de rúcula, aceto balsâmico e parmesão de entrada, uma canequinha de caldo de legumes como cortesia para esquentar (delicioso o caldo), três opções de prato principal – incluindo o bife ancho (contra-filé argentino) com batatas suflê da foto acima (minha escolha) – e panqueca com ‘dulce de leche’ de sobremesa (bem ‘dulce’).
A relação custo/benefício do menu completo é muito boa já que somente o bife ancho sai por R$ 39,90 no cardápio normal. Vale a pena para um jantar mais especial sem gastar muito.
Além do atendimento ágil e muito atencioso, o Estación ainda criou uma ‘cola’ para que o cliente escolha o ponto da carne que realmente deseja, já que o conceito de ‘ao ponto’ pode variar bastante. A primeira página do cardápio exibe cinco fotos com os pontos de cozimento das carnes – do mais vermelho ao bem passado. O meu foi o número quatro (ao ponto mais para o bem passado), que estava suculento na medida certa. Adorei a ideia.

Fotos no cardápio para escolher a carne no ponto certo e boutique para fazer um churrasco argentino em casa. Foto: divulgação
O ambiente do Estación é muito gostoso e o local também conta com uma ‘Boutique’ de carnes, acessórios para churrasco e vinhos, para quem quiser se aventurar em casa. A carta de vinhos oferece boas opções a preços não muito ao ponto. Meia garrafa do macio Malbec Hacienda del Plata saiu por R$ 36.
O Che Bárbaro, filial do argentino Bárbaro, na Vila Olímpia, já segue o lado mais descontraído da Vila Madalena e funciona como bar e restaurante. Estive por lá para tomar uma cerveja de 600 ml (R$ 6) com os amigos (eles também oferecem Quilmes de 960 ml por R$ 15) e petiscar.
Para acompanhar a ‘cerveza’ prove a salsicha parrilheira, uma porção de linguiça macia e picante na medida certa (R$ 15) e o Matambrito, capa da costela de boi bem desfiada e sem gordura, com pãezinhos (R$ 24). E reserve um tempo para bater papo com o Sr. Eduardo, um dos proprietários da casa, que deixou Buenos Aires há 40 anos para morar no Brasil trazendo as delícias da culinária argentina e muita simpatia.
Entre outras boas surpresas do Che encontrei o Felipe, gerente da casa, que trabalhava no extinto Quatrotto – um dos melhores almoços da Vila Olímpia, que infelizmente fechou as portas por problemas de administração. Peça a ele as dicas de vinhos e você vai sacar como é bom ser atendido por uma pessoa que gosta do que faz. Aliás, os órfãos do Quatrotto ganham uma sobremesa de cortesia do Felipe: panqueca com doce de leite argentino e sorvete de creme para quebrar o ‘dulce’. ¡Bárbaro!
Estación Sur – Al. Joaquim Eugênio de Lima, 1.396, Jardins – São Paulo (SP). Tel.: (11) 3885-0133.
Que Bárbaro – Rua Harmonia, 277, Vila Madalena – São Paulo (SP). Tel.: (11) 2691-7628.
Bárbaro – Rua Dr. Sodré, 241A – Vila Olímpia (SP). Tel.: (11) 3845-7743.
Sub Zero, Antarctica de fácil aceitação
junho 28, 2009

Sei que estamos em pleno inverno, mas para o varejo esta é a hora de lançar uma cerveja e esperar que o consumidor tome gosto pela gelada até o verão. Por este motivo, a Ambev me convidou para entrar literalmente numa fria e conhecer a Antarctica Sub Zero.
A nova aposta da gigante de bebidas é suave e refrescante – nada tem a ver com a Antarctica, que continua no mercado – e promete agradar até quem não é muito chegado em cerveja. Como diria o apresentador Bolinha, é uma “melodia de fácil aceitação”.

O segredo da Antarctica Sub Zero está em uma dupla filtragem à temperatura de -2ºC, enquanto uma cerveja popular é filtrada uma vez a 0ºC, explicou o simpático mestre-cervejeiro da Ambev, Luciano Horn, ao Braun Café.
Para lançar a cerveja, portanto, o pessoal da Ambev colocou seus convidados numa sala climatizada à mesma temperatura da Sub Zero (que gostoso!). Emprestaram casacos e me senti tão encapotada como os pinguins que passavam pelo vídeo em uma das paredes do ambiente.

Após o discurso do mestre-cervejeiro, uma parede de gelo foi quebrada, vimos mais três apresentações, e finalmente conhecemos a nova pielsen.
A Sub Zero é gostosa e bem leve mesmo, mas cuidado com a empolgação porque seu teor alcoólico (4.6) é quase o mesmo da Antarctica (4.8) lembrou Horn.

“O grande diferencial é o nosso líquido”. Com esta ‘frase marcante’, o diretor de marketing da Ambev, Carlos Lisboa, anunciou o que a empresa definiu como “a cerveja mais refrescante do mercado brasileiro”. Segundo ele, a Sub Zero foi criada após um ano e meio de pesquisas sobre tecnologia de produção e junto ao gosto de 2.500 consumidores. E o resultado é que o brasileiro gosta cerveja bem gelada e pronto.

A novidade chega primeiro aos Estados de São Paulo e Minas Gerais, responsáveis por um terço do consumo de cerveja do País, informou a fabricante. Em breve, os bons bebedores paulistas e mineiros encontrarão a Sub Zero em gôndolas especiais para latinhas e em refrigeradores que liberam bastante fumaça, um “efeito especial” para a nova cerveja, destacou outro executivo de marketing da Ambev.
No bar, acredito que o “efeito especial” da nova pielsen pode ser interessante para quem se empolgar muito na ‘refrescância’ e na leveza – só quero ver a leveza na hora de ir para casa. Mas se você é da turma da Serramalte e das cervejas especiais (agora a piada nerd), a Sub Zero está bem longe de ser ‘fatality’.
Fotos: as fotografias deste ‘toast’ foram tiradas com o celular Sony Ericsson C950, cedido pela fabricante para a cobertura do evento. Com uma Cyber-Shot de 8.1 megapixels de resolução, o aparelho é praticamente uma “câmera que fala”. As imagens foram registradas sem flash e na resolução máxima. O modelo custa cerca de R$ 2 mil pela Claro, mas o valor pode chegar a R$ 600 dependendo do plano contratado com a operadora, informou a assessoria da Sony Ericsson.
Bistrô escondido na Augusta
junho 23, 2009

Adoro caminhar pelas ruas de São Paulo, sem compromisso, e descobrir um lugar novo. Se for meio escondido é mais legal ainda. Foi assim com o Crepe de Paris, um bistrô aberto há poucos meses no final de uma pequena vila de lojas na Rua Augusta, do lado dos Jardins.

Estava passeando por lá, do lado dos Jardins, quando um boneco de chef com o cardápio na calçada me convidou a conhecer o restaurante. Já adorei o piso de azulejo decorado e a iluminação natural proporcionada pelo teto de vidro no corredor, além do simpático mezanino no andar superior.

O Crepe de Paris parece ser uma boa pedida para um café com crepe de nutella ou crème brûlée, um almoço light com salada e crepes salgados (de R$ 16 a R$ 22) ou um jantar romântico com a seleção de vinhos franceses indicada por Pierre Murcia, o simpático proprietário do bistrô ao lado de sua esposa Adriana.

Optei por um almoço light com filé de frango grelhado extremamente macio (difícil de encontrar na maioria dos restaurantes), arroz integral e legumes em julienne (tiras finas de abobrinha, pimentão e berinjela grelhadas com bastante azeite e cebola). Estava gostoso, embora eu não seja muito chegada em pimentões, mas o preço (R$ 34) não era leve.

Na empolgação não perguntei o valor do prato do dia, que foi uma das sugestões do garçom, e quase engasguei com o café na hora de pagar a conta. Pelos mesmos 34 reais eu poderia ter pedido cassoulet, filet ao poivre ou fettuccine com camarões, que estão no cardápio. Sugeri que os pratos do dia sejam apresentados em um papel preso ao cardápio.

Dexter pediu um crepe simples de presunto e queijo, que saiu muito bem na foto (R$ 18), mas ainda sinto falta das versões com trigo sarraceno do extinto Crepe de France.
Tirando o preço salgado do prato light, o Crepe de Paris ainda renderá novas visitas pelo capricho na elaboração dos pratos e pelo atendimento bastante atencioso.
Bistrô Crepe de Paris – Rua Augusta, 2.542 (Loja 12) – Cerqueira César. Tel.: (11) 3063-1675
Programa sem erro
junho 20, 2009

Rondelli verde com molho romanesca do Pasta & Vino
Aqui vai uma dica cultural e gastronômica, sem erro, para o final de semana: a adaptação de “A Comédia dos Erros“, em cartaz no Teatro Imprensa, e um jantar no Pasta & Vino, na sequência. Junte estes dois clássicos, em boa companhia, e a felicidade está garantida.
Há muito tempo queria conhecer o Pasta & Vino, aberto em 1992, nos Jardins, que oferece um extenso cardápio da cozinha italiana 24 horas. É uma ótima pedida para fugir do cheese salada, que rima com a fome pós-balada, e das cantinas do Bixiga lotadas pelo público dos teatros.

Cantina 24 horas: Boa pedida após um programa cultural ou balada em São Paulo
Depois de assistir a divertidíssima adaptação de Shakespeare, a convite do querido Marcelo Laham, que arrancou gargalhadas e aplausos espontâneos da plateia (veja aqui um trecho da peça), juntamos os amigos de fé para jantar por volta das 23h no restaurante que não para nunca.
Para começar a celebração pedimos um leve vinho Trentino, o Mezzacorona (R$ 58), com a ajuda do sommelier Bartholomeu, que agradou a todos.

Rigatoni con Le Zucchini: a bela dupla abobrinha e parmesão por R$ 22 (porção individual)
O couvert (R$ 6), simples e gostoso, inclui pão italiano, manteiga, sardela e bom patê de queijo. Para animar a espera, que pode ser longa, alertou Laham, divida a sopa de cebola (R$ 25,50) com alguém. A porção é farta e concentrada, porém deliciosa e vem com uma camada de pão gratinado com queijo por cima – bem melhor do que o minestrone (R$ 20), que estranhei ser feito com caldo de feijão.

Minestroni com caldo de feijão? Melhor dividir a deliciosa Sopa de Cebola de entrada
Os pedidos principais foram o Rondelli Verde (rocambole com recheio de presunto e muzzarela) ao molho romanesca, do Laham e da Mariana (R$ 22 a porção individual e R$ 44 para dois), o Rigatoni con Le Zucchini (abobrinha refogada e parmesão), da Cecília (mesmo preço do rondelli), e o Scaloppine al Gongorzola (com arroz no próprio molho) para Silvia e Rodolfo (R$ 43). Silvia elogiou a leveza do molho porque gorgonzola, geralmente, é power. E eu tomei tanta sopa que pulei o prato principal, mas provei o rondelli da Mari, que estava ótimo.

Agito: jantar com os amigos até 2h sem ver o tempo passar
As sobremesas parecem tentadoras. Vi a preparação do Merengue com Morango (R$ 13) no balcão e vou reservar espaço para ele na próxima vez.
Outro ponto positivo de um restaurante 24 horas é o agito… ele deixa você matar as saudades dos amigos ou ter um jantar romântico, sem ver o tempo passar. Ali não tem garçom olhando feio para sua mesa ou varrendo seu pé na esperança de que você peça logo a conta. E depois de boas risadas e uma refeição gostosa, cheguei em casa às 2h30 da manhã, feliz da vida.
Pasta & Vino – Rua Barão de Capanema, 206 (Esquina com a Rua Peixoto Gomide) – Jardim Paulista. Tels.: (11) 3081-8747 / 3062-7542. Aberto 24 horas (restaurante e delivery). O restaurante entrega em toda a cidade (a taxa pode variar de R$ 2,50 a R$ 10 dependendo da região).
Abaixo a mistura!
junho 17, 2009

Se existe uma palavra mais indigesta para se referir a uma comida é ‘mistura’. A segunda pior é “janta”. Meus amigos sabem que eu detesto essas palavras e adoram brincar de “irritando Daniela Braun”. Eu fico brava e eles se divertem.
Esta semana recebi a foto acima, enviada pela querida Rê Mesquita. Prefiro não saber o que está em promoção do “Dia da Mistura” neste supermercado paulistano, mas em três anos de blog, falando de comidas gostosas, almoços, jantares (não ‘jantas’) e botecos, tenho de me manifestar.
Não sou fresca para comida (só não gosto de dobradinha e jiló), mas chamar o que não é acompanhamento de ‘mistura’ é degradar a comida. É dizer que comeu arroz e feijão com uma gororoba qualquer, uma mistureba.
Se alguém me pergunta “O que tem de mistura pra janta?” eu largo o fogão, entrego os cardápios do delivery e a pessoa vai jantar a mistura que deseja.
Com a palavra ‘bife’ já me acostumei. Também não gostava muito, mas é um corte de carne (nem todo filé é bife e vice-versa) então tudo bem. Eu faço um bom bife de contrafilé e fico feliz com ele – não na ‘janta’, mas no jantar, por favor.
Agora, a visão do apocalipse, para mim, é aquela marmita no trabalho com tudo bem juntinho (o arroz, o feijão e a carne). Aí a pessoa esquenta aquele grude, sem individualidade, e come tudo junto sem perceber o sabor. Isso é mistura… e que fique longe de mim.
Cada comida tem seu lugar. Um baião de dois (do Bar Biu, que é uma delícia), é tradicionalmente um mexidão e eu adoro. Aliás, também levo comida ao trabalho, às vezes, mas em uma marmita com divisória. Elas são baratinhas e resolvem o problema. Por favor, respeite sua comida. Abaixo a mistura!

Carne de panela da Braun, com abobrinha refogada e arroz
Aprendi a fazer uma carne de panela ótima, com acem, cebola, tomates picadinhos e caldo de picanha na pressão. Popularmente, esta carne seria chamada de ‘mistura’, mas quem falar isso em casa fica sem acem!
Tempere meio quilo de acem em cubos (pode ser braço também) em um recipiente com vinagre, uma colher de chá de alho picado, e um tablete de caldo de picanha moído. Deixe marinar por uns 20 minutos enquanto corta meia cebola e dois tomates.
Frite a cebola picada no óleo, coloque a carne e refogue. Adicione os tomates e frite bem a carne até que ela fique corada. Jogue um litro de água fervente, tampe e deixe 25 minutos na pressão. Retire, deixe reduzir o caldo até a consistência que deseja e sirva com arroz e abobrinha refogada. Delícia!


