Vem kafta!

janeiro 27, 2008

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Quando você começa a achar que conhece a quatroscentona cidade de São Paulo, onde nasceu e sempre morou, ela te surpreende. O bairro do Pari é uma dessas boas revelações.

Recentemente, o Miguel agitou um almoço no Carlinhos Restaurante, especializado em carnes grelhadas e na culinária armênia, que fica neste bairro pouco explorado da zona Norte da cidade. E então percebi porque Miguelito fez um especial sobre as delícias do Pari na Vejinha.

Nosso anfitrião e habitué do Carlinhos fez os pedidos. Só nos preocupamos em degustar as maravilhas da culinária armênia e muitos goles da leve Cerveja Therezópolis, fabricada na região serrana do Rio de Janeiro.

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Se você acha que a cozinha armênia não difere muito da libanesa, espere até provar o arais – pão sírio na chapa recheado com carne moída bem temperadinha. Não tem uma mesa que não peça arais de entrada. A porção com quatro pedaços custa R$ 4,50.

Outra boa pedida é o basturmá, carne de boi curada com especiarias. Este tipo de ‘pastrami armênio’ é servido simples ou, como provamos, com ovos fritos de gema mole, que é uma delícia e sai por R$ 9,50. Matei a fome e a curiosidade.

O tabule, bem molhadinho e mais para o ponto do vinagrete, é o acompanhamento perfeito para a kafta… ah… a kafta. A versão do Carlinhos é bem gordinha, com tempero na medida e grelhada ao ponto. Com certeza, a melhor que eu já comi.

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O pessoal da mesa gostou tanto que se empolgou. Pedimos 14 kaftas.

O pedido até gerou dúvida na cozinha. “São 14 kaftas mesmo?”, indagou uma das cozinheiras. Fui perguntar ao simpático Carlinhos se não era exagero, mas ele olhou para a mesa com mais de dez pessoas e me tranquilizou.

Carlinhos estava certo. Não sobrou uma kafta para contar a história, nem para fazer a foto.

Carlinhos Restaurante – Rua Rio Bonito, 1641, Pari – São Paulo. Tel: (11) 3315-9474

Por Alê Scaglia*

octaviofachada_230.jpgÉ difícil passar em frente ao Octavio Café, na Faria Lima, e não reparar no lugar, o mais novo empreendimento do ex-governador Orestes Quércia. Além de um belo projeto arquitetônico – há quem diga que de longe o prédio parece uma xícara –, o café quer atrair os amantes da infusão pelo olfato: diariamente são feitas duas torras no local para garantir um aroma de café fresco, dentro e fora da casa.

O café já nasce com a idéia de virar franquia global – Quércia exporta os grãos que planta há algum tempo e tem até uma torrefadora em Nova York. Starbucks que se cuide!!!

Na visita feita à casa, não foi o espresso (R$ 3) que mais chamou a atenção. A bebida chegou à mesa sem “aquela” cremosidade e o blend padrão do Octavio carece de força e personalidade, além de denotar um amargor acima do adequado.

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Engraçado foi perceber que a persistência do café é muito boa e esse amargor desaparace rapidamente, deixando lá no fundo da boca uma boa lembrança.

Os principais destaques ficam por conta do ambiente – bem iluminado e bastante aconchegante –, do atendimento – extremamente atencioso – e dos pratos servidos.

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Fui à casa na hora do almoço e, além de ter visto nas mesas ao redor alguns belos sanduíches, daqueles que dão vontade de pedir uma mordida, comi um franguinho de leite com polenta e escarola (R$ 29,40, em uma porção bem servida) que estava qualquer coisa!

O amigo que estava junto comeu uma bela salada, com direito a presunto cru e tudo, que também agradou.

Voltando ao café (a bebida), a responsável pelo blend do Octavio é Silvia Magalhães, que foi 6ª colocada no World Barista Championship-Tokyo (2007), uma espécie de Copa do Mundo de Baristas, com a mistura preparada para a casa.

Além de degustar o espresso – e muitas outras opções de drinks que levam café em sua composição –, os clientes podem levar para casa os grãos ou mesmo o café moído (R$ 16,00 o pacote de meio-quilo).

octaviopoltrona_230.jpgNos planos do Octavio Café também está a criação de uma universidade do café, voltada tanto para entusiastas quanto para a formação de baristas.

Para os nerds de plantão, a casa ainda oferece Wi-Fi gratuito, computadores conectados à rede e um lounge de “iPoltronas” com sistema de som embutido para quem quiser curtir o som de seu iPod enquanto prova um cafezinho.

Octavio Café – Av. Brigadeiro Faria Lima, 2996, Jardim Paulistano – São Paulo. Tel: (11) 3079-4478.

*Alê Scaglia é jornalista, executivo de comunicação e também se diverte contando como a vida é boa no Braun Café.

Negócio da China

janeiro 22, 2008

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(Camarão ao alho: 25 reais)

Quer conhecer um restaurante chinês de verdade? E que tal comer uma ótima comida e gastar menos do que em um box delivery? Então anote esse nome: Chi Fu.

Estive lá no ano passado e foi uma diversão. “O lugar é bem simples”, alertaram os amigos Marcelo e Bia, que descobriram o restaurante escondido na Praça Carlos Gomes, na Liberdade. “As garçonetes não falam português direito”, avisaram. “Mas a comida é uma delícia e é barato”. Isso já era suficiente para aguçar a curiosidade e a fome.

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(Salão principal do Chi Fu: toalha de plástico e comida de verdade)

A rua deserta em um domingo à noite me lembrava o filme “Aventureiros do Bairro Proibido”, com o Kurt Russel. Ao entrar no amplo salão, logo vi, ao fundo, muitos chineses falando alto e comendo na tradicional mesa redonda com tábua giratória e toalha de plástico. A aventura estava começando.

O cardápio – listas e listas de todos o tipos de carne, com todos os tipos de legumes – traz desde o tradicional “Ninja (brócolis) com carne” até opções inusitadas ou mal traduzidas. “Ínguia”, “Rã frito” e “Capim dois tipos” ficaram para a próxima.

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(Pratos simples, frescos e muito bem servidos)

Desta vez, pedimos ninja; o arroz shop suey, que é uma loucura; a pescada cozida com legumes e gengibre (descobri só depois de comer, que aquele pedação de gengibre não era batata fatiada); e uma bela porção de camarões ao alho e cebolinha, que custava apenas 25 reais.

Enquanto esperava o pedido, fui dar um rolê para fazer reconhecimento do local. A mesa dos chineses estava animada. Brincavam de algum jogo com as mãos e gritavam “Xô! Xô!”, ou algo assim. Descobri outro salão ao fundo, quase tão grande quanto o principal, enquanto era atropelada pelo zigue-zague dos pedidos chegando às mesas, muito bem servidos por sinal.

chifuconta.jpgLogo atrás do balcão, tanques reservam peixes que logo vão entrar na neurótica linha de produção. Saí fotografando tudo até que o chinês do balcão me interrompeu no caminho da cozinha. Ele não falava português, mas saquei que não rolava o tradicional “visite a nossa cozinha” por lá.

A garçonete, segundo os amigos que me levaram, já tinha feito um upgrade e entendia melhor o pedido em português. A anotação e a conta, no entanto, eram feitos em ideogramas mesmo.

Só tive problemas com a cerveja. A garrafa de Bohemia veio quase quente. “Você tem mais gelada?”, perguntei. “Só Bohemia”, respondeu a garçonete. “Mas vocês têm um balde de gelo?”, insisti. “Não. Bohemia”, respondeu. E então pedi Coca-Cola.

A comida estava uma delícia e valeu cada centavo (R$ 20 reais por pessoa). Na próxima aventura quero descobrir o que é o tal “Capim dois tipos”.

Restaurante Chi Fu – Praça Carlos Gomes, 168 – Liberdade – São Paulo. Tel: (11) 3104-2750

Com a colaboração de Luciana Coen*

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Na última sexta-feira tive a oportunidade de provar, novamente, O melhor bolo de chocolate do mundo. Com patrocínio de Luciana Coen, experimentamos a receita “meio-amarga”. Tirei fotos, mas a da divulgação (acima) é bem mais apetitosa.

Como imaginávamos, é bem mais gostosa e leva o chocolate francês Valrhona com 70% de cacau. A versão “tradicional doce”, que encomendamos na segunda-feira, é feita com a concentração de 53% de cacau do mesmo chocolate – bem doce.

Deixando as porcentagens de lado, fico com o meio-amargo. Na primeira garfada você não quer que aquele pedaço acabe nunca mais. No fim, ainda resta a doce polêmica: “Será mesmo o melhor do mundo? Deixe-me provar mais um pouquinho…”melhorbolo_233.jpg

A receita secreta criada pelo português Carlos Braz Lopes, em 1987, não leva farinha, mas merengue de chocolate e mousse. Por isso, conforme apurou Lu Coen, o bolo não é vendido por quilo.

Na loja (foto de divulgação ao lado), a fatia sai por R$ 7,50 e pode ser acompanhada de uma tacinha de porto ou de um café Suplicy, recomenda o fornecedor. Já o bolo de 14 pedaços sai por R$ 85 e o de oito pedaços custa R$ 59.

Tirando a taxa ‘meio-amarga’ do delivery (R$ 15), vale a pena passar na loja e levar um bolo grande. Outra dica da divulgação é que a Valrhona também está chegando ao Brasil. Por enquanto tem um escritório comercial em São Paulo. Oba.

O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo – Rua Oscar Freire, 125, Jardins – São Paulo. Tel (11) 3061- 2172. Abre diariamente das 10h às 21h.

*A apuração da Lu saiu melhor do que a encomenda. Fui pedir informações e até press release com fotos de divulgação ela descolou. Só tenho a agradecer pela maior paciência do mundo.

O suflê da boa lembrança

janeiro 18, 2008

Por Luiz Minervino*

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(Suflê de queijo com alho-poró do Restaurante Marcel)

Sei que não estamos na época mais propícia do ano para falarmos de suflês, um prato típico francês, de forno, portanto pesado e aconselhável para dias frios.

Mas, para começar, devo dizer a vocês que sou um fanático seguidor da Associação da Boa Lembrança. O nome já diz quase tudo, mas a história merece ser contada com alguns detalhes.

Quando visitamos um lugar diferente, conhecemos alguém interessante ou assistimos a um filme genial, sempre guardamos um souvenir. Seja uma fotografia, um cartão ou um ticket usado. Por que não fazer isso quando degustamos um prato criativo e bem preparado?

A idéia é de Danio Braga, fundador e vice-presidente da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança. Inspirado pelos costumes que trouxe da região onde nasceu, a Emilia Romagna, e de Parma, sua cidade natal, Danio resolveu estimular, aqui no Brasil, o hábito de se levar uma lembrança simpática depois de uma boa refeição. Aliás, mais do que um simples souvenir, o Prato da Boa Lembrança é uma peça de arte, digna de ser colecionada.

O modelo é muito similar ao da Unione Ristoranti Buon Ricordo, que anualmente lança um guia com todos os restaurantes que oferecem os pratos da boa lembrança na Itália. Hoje, os associados incluem restaurantes de outros países (Japão, Áustria, França e Luxemburgo).

A Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança conta hoje com dezenas de casas entre seus membros. Um número que tende a crescer dia após dia, seja pelo caráter ético do seu estatuto, seja pela nobre proposta de fazer com que ocasiões especiais façam parte da memória afetiva de uma infinidade de pessoas. Entrarei com mais detalhes sobre a associação num futuro post.

Numa das minhas várias idas ao site da associação para checar a chegada de novos pratos, vi que o bistrô Marcel tinha trocado sua receita. No mesmo dia, fui almoçar lá, sozinho mesmo, para aumentar minha coleção. O prato é o Suflê de Queijo Brie com Alho-Poró. Que coisa! Uma leveza como eu nunca tinha visto…

Costumo ir sempre no Marcel, restaurante tradicional francês, com quase 50 anos, especialista em suflês, mas onde prefiro pedir outros pratos típicos como o ótimo steak tartar, por achar o suflê um prato pesado. Por isso é oferecido em dois tamanhos.

Por que demorei tanto para provar os suflês??? Esse é sensacional, já que traduz exatamente seu nome – o queijo é bem percebido e o alho–poró não deixa que ele fique enjoativo.

Restaurante Marcel  – Rua da Consolação, 3.555, Jardins. Tel.: (11) 3064-3089. Rua Hans Oersted, 115,  Brooklin Novo – São Paulo. Tel: (11) 5505-2438.
Av. Hist. Raimundo Girão, 800, Praia de Iracema – Fortaleza. Tel: (85) 3219-7246 / 6767

*Luiz Minervino é economista e adorador da alta gastronomia. Poucos minutos após conhecer o Braun Café nos presenteou com este delicioso toast. Descobri que ele tem 42 pratos da Boa Lembrança! E eu que achava que meus nove já eram demais…