Terra à vista!

janeiro 16, 2008

 Por Ronaldo Miranda*

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Nestes tempos em que se prega a melhor relação entre custo e benefício, é comum que tenhamos de fugir dos bairros centrais para comer bem gastando pouco. Claro que há exceções, assim como elas existem quando se diz que comida de padaria é ruim.

Então esse post se propõe a ir na contramão de todos esses dogmas, apresentando uma padaria central onde se come bem e barato. Bom, você poderia argumentar que é fácil encontrar padarias com bons sanduíches em São Paulo, mas estou falando de pratos, e particularmente, de bacalhau que, convenhamos, não é um bife com fritas.

Se você é amante da iguaria portuguesa, não pode deixar de experimentar uma das seis opções da Padaria Aracajú, localizada o coração de Higienópolis, um dos bairros mais nobres da capital paulistana.

Indicada pela mãe da minha namorada, cujo ISO alimentar passa sobrando os 9000, a Padaria Aracaju oferece porções generosas com preços entre R$ 19,50 e R$ 26,00, que dão fácil fácil para duas pessoas. Tudo podendo ser acompanhado por vinho da casa ou uma long neck geladinha.

As opções são Bacalhau à Zé do Pipo, com natas, à Liberdade, à Portuguesa, com broa e à Gomes de Sá.

Como debutantes no local, Fernanda e eu chegamos tarde e tivemos de experimentar [pela primeira vez] a única opção restante, que era o bacalhau com broa. Ele vem desfiado e gratinado, com cebolas, azeitonas, tomate e broa de milho. E vem acompanhado de batatas ao murro. Sobrou de embrulhar pra levar pra casa, e tenho que dizer que há muito não comia um bacalhau tão bom. E olha que já morei em Portugal.

aracaju02.jpgSe você, como eu, não quiser nem pensar em comida após essa esbórnia, sugiro que entre na padaria [sim, as mesas são na calçada] e leve para casa uns doces portugueses, que são vendidos por quilo em tamanho mini, sendo assim possível fazer um mix de tortinhas com amêndoas e os tradicionais pastéis de nata e toucinho do céu. Humm…

Para evitar a falta de algum desses pratos pode-se também encomendar o seu preferido, para comer in loco ou levar pro almoço de família. Basta telefonar com um dia de antecedência.

PS: Caso você não goste da culinária portuguesa, vi no balcão várias opções de pães recheados lindos lindos, e também uma variedade impressionante de doces árabes [!!!].

Padaria AracajúRua Maranhão, 760 [esquina com a Aracajú] – São Paulo. Tel: (11) 3666-8857

*Ronaldo Miranda é designer, bom garfo e autor das tiradas do Blog do Ronaldo. A ele devo os primeiros ‘toasts’ que deram origem ao Braun Café.

Melhor do mundo?

janeiro 14, 2008

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Se você visse uma confeitaria chamada “O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo”, não ficaria morrendo de vontade de provar esse bolo? Eu passei em frente à loja, aberta no ano passado no bairro dos Jardins, em São Paulo, e fiquei com vontade só de olhar a fachada, pintada de chocolate.

Pois a jornalista Luciana Coen, companheira de trabalho, amiga, patinadora, cantora, escultora, mãe e chocólatra (pelamordedeus!) resolveu matar a curiosidade. Na semana passada pegou um cartão da loja e foi perguntando “Mas o que é esse Melhor Bolo de Chocolate do Mundo? Quero ver!”.

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Em poucos segundos formamos, na redação do IDG Brasil, o grupo de jornalistas e patrocinadoras de 1,5 kg do “Melhor Bolo de Chocolate do Mundo”: Lu Coen, Dani Braun, Taís Fuoco e Luiza Dalmazo. A data da entrega? Segunda-feira, o primeiro dia de todas as dietas do mundo.

Cortamos o bolo há poucas horas. O delivery vinha com recomendações: “Conservá-lo na geladeira”; “Retirar 30 minutos antes de servir”; e a melhor “Para não desmanchar o merengue aquecer uma faca na água quente, secar e cortar o bolo.”

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Espera aí…  merengue? Sim, meu caro leitor, “O melhor bolo de chocolate do mundo” não é exatamente um bolo. A receita vinda de Lisboa, que abriga a sede da confeitaria desde 1987, é feita com camadas de suspiro de chocolate, intercaladas com mousse de chocolate e uma espessa cobertura de chocolaaate…

Afinal, esse bolo/torta é gostoso? Sim. É doce? Bem – como disse Dalmazo, “estou com a maior sede do mundo”. Mas ainda há opção de chocolate meio-amargo. Agora, o título de “melhor do mundo” eu não daria.

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A questão é que a curiosidade ao ver um bolo de ‘chocolate’ com esse nome é a maior do mundo. Se fosse o “Bolo da Zezé” ou da “Tia Neide” certamente você diria que é uma das melhores tortas que já provou. Acho que “melhor do mundo” carrega muito “peso”, literalmente.

Não dispenso o modesto bolinho Sol de chocolate (fiquei a semana inteira com vontade por conta dessa história toda) que fiz para o café do domingo. Era o melhor do mundo naquele momento. E hoje, uma segunda-feira de chuva em São Paulo, comer um doce pedaço de torta de chocolate foi a melhor idéia do mundo. Obrigada girls!

O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo – Rua Oscar Freire, 125, Jardins – São Paulo. Tel (11) 3061- 2172. Abre diariamente das 10h às 21h.

Spaghetti de cacau

janeiro 12, 2008

Você já se viciou um único prato de um restaurante e toda vez que volta ao lugar não consegue pedir outra coisa? Isso costuma me acontecer em alguns lugares. Fico com uma certa sensação de culpa por não explorar o cardápio, mas já sei que se mudar o pedido vou me arrepender depois. Então vamos eliminar a culpa porque ela não “harmoniza” com boa gastronomia.

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Acredito que muitos clientes do restaurante italiano Buttina não se sentem culpados em pedir “o de sempre”: spaghetti de cacau ao molho de mascarpone com pedaços de presunto parma. A Deca é um destes clientes e bem que me avisou.

Quando estive lá, no ano passado, entendi porque o prato já ocupa um lugarzinho de destaque no menu – atendendo a pedidos. A mistura de sabores do leve queijo mascarpone com o toque adocicado do spaghetti e o salgadinho do parma dão até “alegria de viver”. O prato é simples, perfeito e custa 29 reais.

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A entradinha de cortesia (cascas de legumes empanadas), além de criativa, é muito gostosa. E confesso que, antes de provar o famoso prato da casa, cheguei a me arrepender diante do filé mignon ao molho de azeitonas pretas com spaghetti de meu acompanhante. No entanto, o sabor não era tão incrível como a apresentação.

Concordo com o Josimar Melo quando ele critica a insistência da maioria dos restaurantes em servir o mignon no lugar de outros cortes mais saborosos. Fiquei feliz com meu spaghetti.

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Sinceramente, eu até comeria esse spaghetti em pé, na rua. O que importa é o que sai da cozinha e não a decoração, mas a casa que abriga o Buttina ainda oferece três ambientes muito agradáveis, boa carta de vinhos e bom atendimento. Você pode escolher entre o aconchegante salão da casa, na frente, o mezanino do moderno ambiente intermediário ou ainda sentar-se à sombra de uma jaboticabeira no quintal.

Quando voltar ao Buttina, seja para um jantar românico ou um descontraído almoço ao ar livre com os amigos, você pode até ‘brincar’ que está em um restaurante diferente, sem culpa de pedir “o de sempre”.

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Lavando pratos
Verifique sempre as formas de pagamento antes de ir a um bar ou restaurante pela primeira vez. O Buttina não aceita cartões Visa.

Na noite em que estive lá, um dos clientes foi pego de surpresa. A gerência foi bem compreensiva e disse que ele poderia voltar outro dia para pagar a conta. Excluindo o fato de que as outras mesas ficaram sabendo da situação, talvez por problemas de acústica ou descrição do atendimento, pelo menos a casa é simpática e não mandou o cliente lavar pratos.

Buttina – Rua João Moura, 976, Pinheiros (SP). Tel: (11) 3083-5991 /3088-6840

Très bien!

janeiro 10, 2008

Por Jordana Viotto*

laperovaranda300.jpg O L’Aperô é um simpático bistrô que garante alguma tranqüilidade a quem quer fugir da agitada Mourato Coelho, na Vila Madalena.

São três ambientes: a varanda, o salão interno inferior e uma sala superior com sofás e paredes coloridas, no estilo Mondrian.

A casa serve carnes, saladas, quiches e otras cositas mas.

Os ogros de plantão, que perguntam “cadê a comida” na frente de um prato de folhas, que me perdoem, mas vale sentar numa das mesinhas da varanda pelo menu de saladas da casa.

A base delas é o tomate, a alface e aquelas batatinhas francesas (agora me foge o nome) bem crocantes.

Elas vêm com queijo ralado e temperadas com aceto balsâmico. Provei uma com endívias, queijo roquefort, maçã e nozes que é uma loucura.

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Para acompanhar, a casa tem uma carta de vinhos interessante (franceses, claro), mas num dia de calor, a cerveja de garrafa que chega trincando também cai perfeitamente.

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L’Aperô – Rua Mourato Coelho, 1343 – Vila Madalena Tel: 3814-2445

*Jordana Viotto sempre conta ao Braun Café suas descobertas sobre as delícias da vida.

Vou fazer esse ‘toast’ retroativo mesmo. Peço desculpas, mas não posso deixar de contar a epopéia do peru, que resolvi preparar pela primeira vez no último Natal e de dar a dica da ‘lentilha 2008’.Para começar deu tudo certo. O sabor do peru (Sadia) ficou ótimo, a textura muito macia, o termômetro subiu na hora e foi tudo uma delícia. Quero agradecer a Marisa, minha mãe, que acompanhou o processo pelo telefone (rs), e à querida Gisele, que me deu uma receita de tempero fácil e maravilhosa.

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Peru realmente é um prato para datas especiais. Você deve se dedicar a ele. Só o processo de assar leva mais de três horas para um peru de três quilos. Agora entendo porque é feito praticamente uma vez por ano. Mas a regra número um é que você deve se divertir com tudo isso.

Primeiro você começa a pensar no peru com uns quatro dias de antecedência. É claro que ele pode ser feito no mesmo dia, para quem acredita que ele já vem temperado e descongela a ave no microondas.

Nada contra, mas acho que o Natal é um momento de tradições familiares. Isso quer dizer que eu já estava falando do peru com minha mãe e meus amigos uma semana antes de assá-lo, no sábado, dia 21, para uma celebração ‘pré-Natal’. E também significa que não acreditamos no tempero do fornecedor e nem no microondas.

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O peru foi descongelado na geladeira por 48 horas e só então temperado. No dia de temperar, uma quinta-feira, abri uma cerveja e resolvi me divertir. Lavei em o peru, tirei o saquinho plástico com os miúdos (tem gente que esquece lá dentro), tirei fotos e então segui a excelente dica da Gi. Aqui vai:

“Amasse com um pilão dentes de alho, sal grosso, alecrim e tominho frescos. Não bata no processador! E espalhe bem pelo peru. Antes de assar, pegue um limão siciliano, faça furinhos nele com o garfo e coloque-o dentro do peru.”

Incluí grãos de pimenta do reino para amassar no tempero, espalhei bem e coloquei até sábado marinando na geladeira. No dia do preparo reguei o peru com um copo de vinho branco, amarrei as coxas com barbante, cobri com alumínio e beleza. Depois de uma hora e meia, o alumínio deve ser retirado para que o peru, até então cozido, deva dourar.

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Neste momento é importante controlar a ansiedade. É Natal, tenha paciência e regue o peru com o caldo da assadeira a cada 30 minutos, mais ou menos. Parece que o ele nunca mais vai ficar dourado, que você está fazendo alguma burrada, mas tenha fé. Ele vai ficar lindo, como nas fotos das revistas de culinária, e o termômetro indicará que está pronto – embora a esta altura você já tenha se esquecido de que existe um termômetro, já tenha acendido a luz do forno umas 20 vezes e já tenha tomado alguns goles de vinho…

Agora a dica do reveillon, com agradecimentos ao Pedro, que tem uma santa paciência, e à minha mãe, idem.

A tradicional lentilha da ceia de ano novo pode ser servida fria, com uma espécie de vinagrete. Lave bem a lentilha seca, deixe de molho na água fria por umas três horas, cozinhe na panela normal (sem pressão) por dez minutos (até ficar al dente) e escorra a água.

Enquanto a lentilha esfria, pique tomates (sem sementes), cebolas e um dente ou dois de alho. Dê uma dourada neles com azeite na frigideira e acrescente às lentilhas. Adicione salsinha picada, cebolinha e tempere com limão (ou vinagre de vinho branco), azeite e sal (ou shoyu). Coloque na geladeira e sirva após a contagem regressiva. Alimenta e ainda dá sorte!