Cerveja Lemon é soda
novembro 20, 2006

Em um misto de curiosidade e altruísmo, resolvi provar a Skol Lemon, nova cerveja draft com sabor limão. A degustação aconteceu na Mercearia do Lili, em Belo Horizonte, onde fazia o calor que jamais chega a São Paulo. Antevendo o resultado, o Dias, dono do excelente boteco, enrolou um pouco para trazer a cerveja e fez algumas ressalvas. Dias e os botequeiros da mesa tinham razão. Cerveja Lemon é soda.
Se você gosta muito de cerveja faça um favor a seu espírito botequeiro e evite versões ‘lemon’. Certa vez, em uma viagem de férias, encontrei uma versão da maravilhosa Grolsch com limão, em um mercado de Amsterdã.
Percorri a cidade atrás de um bar que servisse a Grolsch Lemon até que um barman belo e contente encheu metade do copo com Grolsch e completou com soda limonada. Fiz cara de terror, paguei a bebida e tomei o drink conhecido como panachê – é gostosinho, mas não rola. Se você detesta cerveja e não quer tomar soda com seus amigos no boteco, aí sim chame uma Skol Lemon [e não me chame].
Na última semana de viagem, na Holanda, fui à casa do primo Hans e ele trouxe uma Grolsch Lemon geladinha. Hummm… não gostei.
O negócio é fazer como os mexicanos. A moda começou por aqui com uma fatia de limão no gargalo da Sol – cerveja que ganhou em outubro uma versão pilsen muito boa por sinal. Outra opção interessante é o ‘cullo de burro’ – copinho com limão espremido, sal e pimenta do reino, que você vai bebericando enquanto toma sua cerveja.
Lá no México provei a ‘chelada’ e a ‘michelada’ com uma cerveja chamada Victoria. A ‘chelada’ é servida em um copo com dois dedos de limão espremido, gelo e sal na borda. Caiu maravilhosamente bem com um taco de camarão na Playa del Carmen, um lugar produzido no Photoshop. Já a ‘michelada’ levava uma tal de ‘salsa magui’. Depois entendi que aquela cerveja com limão e cor de Coca-Cola tinha um molho da Maggi mesmo. Só recomendo para quem quiser arriscar na salada.
Ainda não temos a Victoria por aqui, mas já podemos nos alegrar com a Dos Equis (XX) bem ‘chelada’ e mais barata. Para felicidade geral da nação, a Dos Equis Special Larger – pilsen leve com personalidade – começou a ser importada em outubro, pela mexicana Femsa, que comprou a Kaiser e também fabrica a Sol. O pessoal de São Paulo e do Rio de Janeiro já pode começar a prová-la, com ou sem limão, a preços muy amigos.
Feijão maravilha
novembro 15, 2006

Concordo com As Frenéticas e com os nutricionistas: Feijão tem gosto de festa… é melhor e mal não faz. Segundo uma tabela publicada na Folha Equilíbrio, o feijão preto tem mais proteínas, fibras, ferro e outros minerais do que as variedades carioquinha ou fradinho. Ele também tem mais calorias – 117 a porção de 100 gramas contra 78 do feijão carioca – mas essa parte a gente pula… pula bastante, que a caloria vai embora.
Ficou com vontade de fazer um feijãozinho? A versão “Braun&Beans Express” fica de molho de um dia para o outro e depois passa 20 minutos na pressão antes de entrar na panela, que está esperando com muito alho e cebola refogados no azeite. Uma folha de louro, sal e mais dez minutinhos.
No entanto, para preservar mais os nutrientes do feijão maravilha, elimine a pressa e a pressão. Aqui vai a dica do brother Pedro, aluno do curso com nome de seriado da GNT Objetivo Chef: coe a água do molho em um pano de prato fino bem limpinho e reserve. Faça um refogado na gordura do bacon (ou com um pouquinho de óleo), cebola e alho. Refogue o feijão e depois adicione o caldo – se necessário, complete com mais água para cobrir o feijão. Deixe em fogo brando por uma hora, com a panela tampada, e mais 30 minutos ou até chegar ao ponto e voilá! Se quiser, adicione uma folha seca de louro durante o cozimento. Para quem gosta, Pedro indica um pouquinho de coentro picado no final.
Agora o conselho do querido Daniel, que cozinha divinamente em panelas Le Creuset: para evitar o desconforto provocado após um bom prato de feijão, outra dica boa para a sua saúde e para a de quem estiver por perto é retirar, com uma colher, a espuma que vai se formando durante o cozimento. Os íntimos agradecem.
E qual seria a razão para que o feijão preto seja o trivial dos cariocas e que o carioca seja o dos paulistas? Cultura? Logística? Calorias? Lancei a questão em uma mesa de bar para os amigos cariocas Adri e Cláudio e só ficamos com mais vontade de comer feijão, feijão, feijão. Que maravilha.
Luiz Fernandes é bi no Boteco Bohemia
novembro 13, 2006

(Galera no Valadares saiu na coluna social do BaresSP sobre o Boteco Bohemia)
Duas fatias de beringela empanadas recheadas com carne moída, mussarela, tomate e manjericão. Imagine uma porção desses bolinhos se mande para o Bar do Luiz Fernandes, no Mandaqui. O boteco aberto em 1970 foi bi-campeão do Boteco Bohemia 2006, encerrado ontem (12/11), com a ‘Surpresa da Dona Idalina’. Em 2005, a dona Idalina ganhou a versão paulista do Comida di Buteco com seu bolinho de bacalhau.
Em segundo lugar ficou a “Linguiça do titio ao forno” do Botequim Bar & Gril (assada com batata e cebola) e em terceiro a coxinha do Veloso Bar, que vem ganhando moral entre os botequeiros. Ela merece – assim como a caipirinha do Souza – embora eu ainda prefira a versão mais crocante do Frangó.
No festival deste ano visitei o Valadares (de baixo), com o pessoal da foto. Eles concorreram com o croquete de frango recheado de queijo Minas. Gerou expectativa, mas ainda acho que é melhor comer logo a coxinha do Veloso. Não perca a viagem e peça o concorrente do Boteco Bohemia 2004, “Batatas na Serragem” – porção de batatinhas (não ‘babatinhas’ Felitti) com farofa temperada.
Outra surpresa boa foi o “Cana Pé-Quente” do boteco A Lapinha (saiba mais sobre ele na seção Botecos do BraunCafé). Fora o trocadilho, a idéia é genial: polentas assadas em formas de empadinha, recheadas de ragu de calabresa, polvilhadas com parmesão e um toque de pesto de manjericão para quebrar. Sensacional.
No site do festival você encontra a lista completa dos participantes, os ganhadores em outras categorias e vídeos tentadores das receitas concorrentes. Acho que uma versão simplificada da lista online seria mais bacana para guiar os botequeiros em 2007. Fica aqui a dica.
Onde fica o Mandaqui? Em Santana. O Alê Scaglia, que é fã do Veloso, nasceu lá e levei bronca por perguntar se era longe. Então vamos pra lá dizer ao garçom “Mandaqui mais uma Bohemia!”. Não deu para resistir Alê.
A Lapinha – Rua Coriolano, 336 – Lapa. Tel: (11) 3672-7191
Bar Luiz Fernandes – Rua Augusto Tolle, 610 – Mandaqui. Tel: (11) 6976-3556
Botequim Bar & Grill – Rua Caraíbas, 621 – Perdizes. Tel: (11) 3673-2977
Aperitivos Valadares – Rua Faustolo, 463 – Lapa. Tel: (11) 3862-6167
Veloso Bar – Rua Conceição Veloso, 56 – Vila Mariana. Tel: (11) 5572-0254
Quando saí de férias
novembro 12, 2006
Outro dia vi uma matéria com o Claio Blat fazendo um tour pelo bairro do Bom Retiro promovendo o filme “Quando meus pais saíram de férias”. Me lembrei de um toast de dar água na boca, que estava devendo ao Braun Café.
Quando saí de férias, em agosto, fiz um passeio por lá com meu amigo Fábio (comendo um sanduíche de falafel no toast abaixo) e fomos ao Shoshi Delishop.
Não sou da comunidade, mas gosto muito desse restaurante judaico com cardápio variado, bom preço e o atendimento carinhoso dos donos Adi e Shoshana Baruch. A cozinha é comandada pelo filho do casal, Nir. A foto ao lado, tirada do site do Shoshi, mostra o modesto salão do restaurante.
O cardápio bem variado mistura as influências da culinária judaica ashkenazi, dos judeus do leste europeu, que tem como principais ingredientes batatas e peixes, e a cozinha sefaradi, da península ibérica, com influência árabe, explicam os donos no site.
Da cozinha de Nir, portanto, saem antepastos como arenque, beringela curtida, sardinha com molho de coalhada e o tradicional ghelfite fish, bolinho frio bem leve de peixe moído – acho que falta um pouquinho mais de peixe na massa – servido com molho hrein (raiz forte e beterrada), que é levemente picante e bem gostoso. A porção de varenike, massa recheada de batata e cebola com molho de cebolas fritas, também é boa.
Para os dias frios, recomendo um prato de tchulent, a feijoada judaica. No Shoshi, o cozido inclui feijão branco, salsicha de vitelo, batatas e carne de peito de boi. Outra opção é a ótima costela de boi, que pode vir com uma massinha judaica ou trigo sarraceno.
Entre os mais pedidos está o frango assado com batatas e mel, que deve ser sensacional porque estava esgotado das três vezes que fui ao Soshi. Da próxima vez chegarei mais cedo.
Shoshana, cujo nome significa rosa em hebraico, não te deixa ir embora sem provar uma de suas sobremesas. Siga o conselho e peça o excelente pudim de caramelo. Superou o pudim de leite da minha tia Elza, que comi quando criança. Definitivamente não vou esperar pelas próximas férias para voltar lá.
Se sobrar espaço no estômago recomendo uma passada na doceria Burikita. Especialidade judaica vendida em padarias da ex-Iugoslávia, a burikita é um folhado com diversas opções de recheios doces e salgados. A vitrine tem outros doces tentadores. Feche com um café!
Shoshi: Rua Correia de Mello, 206 – Bom Retiro (SP). Tel: (11) 3228-4774 (Sábado até 15h)
Burikita: Rua Três Rios, 138 – Bom Retiro (SP). Tel: (11) 3227-2654 (Sábado até 16h)
Se meu fusca falafel
novembro 5, 2006
O falafel – bolinho de favas e grão-de-bico – é uma espécie de acarajé das arábias. Nos países árabes e nas ruas de Nova York, barraquinhas de rua vendem os bolinhos no pão sírio, com molho tahine e vegetais curtidos.
Me lembro vagamente de ter visto, pela primeira vez, esse sanduíche em um filme policial onde o cara interrompia uma perseguição para fazer uma boquinha em uma barraca de falafel. Fui perseguir meu desejo no segundo piso de uma velha galeria na Rua José Paulino. Era uma tarde de sol e estava com o querido Fábio Almeida (foto), que hoje mora em Londres e se especializa em fish and chips ao lado de Rafaella.
Nada melhor do que encontrar uma refeição boa e barata em um lugar suspeito.
No segundo andar da galeria se esconde o Falafelit Malka e seu delicioso sanduíche de falafel vendido a 10 reais. Atrás do balcão dessa lanchonete, que também tem PFs, está o israelense Malka Levy, um senhor simpático e apressado.
Dividi um sanduba com Almeida porque tinha outra parada gastronômica no Bom Retiro, mas o ideal é pedir um inteiro. A versão do Malka vem com beterraba e repolho curtidos, tomate, cebola e molho tahine. Como diria o pessoal da pamonha “Venha provar minha senhora. É uma delícia!”. Pedi talheres, mas quem consegue comer acarajé, tacos e temaki sem babar, pode dispensá-los. A visita é indispensável.
Infâmias: O nome do local, Falafelit, gerou trocadilhos infames e intermináveis com o nome de Gui Felitti, grande amigo do Braun Café. Suspeita-se que ele mantenha um negócio paralelo ao jornalismo para sustentar dois projetos. Um deles seria um podcast sobre a importância do falafel para a paz mundial, o programa Falafel eat que eu te escuto. Outro deve ser um curta-metragem sobre a história de um rapaz que pega seu carro popular e atravessa a Faixa de Gaza para entregar um sanduíche de falafel à namorada: Se meu Fusca Falafel.
Falafelit Malka: Rua José Paulino, 345, loja 23A – Bom Retiro (SP). Tels: (11) 3222-2157 / 3222-6057


