McGourmet… ‘trashic’

março 15, 2007

Por Cíntia Costa*

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Sanduíche campeão ‘over blaster plus’ de suflê de McFish. Foto:divulgação

A vida de jornalista tem seus privilégios, como o de ser convidado para um jantar Gourmet do McDonald’s e ver, com exclusividade, algo que não chegará às lojas da rede: Mclanches versão black tie.

Ambiente intimista e elegante, meia luz, faqueiro e louça chics e carta de vinhos variada embalaram um anúncio na noite da terça-feira de uma nova parceria com o governo acerca de seus cybercafes – que nada tinha a ver com seus lanches.

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McChicken Grill com aquarela de molhos. Foto: Cíntia (gulosa) Costa

Porém, aproveitando a oportunidade para provar à imprensa que sua comida não é trash só por ser fast, a rede norte-americana chamou a chef goiana Maria Luiza Cetenas para preparar um banquete com os mais variados quitutes feitos a partir de ingredientes usados nos seus lanches.

Foram servidos charutinhos de McTasty; balinhas de cheddar envoltas em folhas de cenoura; polpetone de BigMac com chocolate e calda de Coca-cola reduzida; espetinho de frango (McChicken) com molhos doces de limão, maracujá e laranja; soda italiana de maracujá vermelho; millfolhas de maçã caramelizadas; sorvete de calda de chocolate do sundae e raspadinha de morango. Pra fechar a noite, um (Mc)cafezinho, do jeito que a Braun gosta.

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Polpetone de BigMac com chocolate e calda de Coca-Cola reduzida. Foto:divulgação

O espetáculo, na minha opinião, ficou por conta do mini sanduíche (quase um appetizer) de folhas de batata com McFish, este em forma de uma espécie de suflê de peixe cremoso, saboroso e suave – fenomenal.

Apesar da pompa, o jantar era inegavelmente mcdonáldico. Primeiro, porque tudo tinha aquele gostinho particular do Mc. Segundo, porque, a despeito dos talheres brilhosos, os pratos exigiam uma certa interatividade: segundo Cetenas, comer com as mãos é chic e deve ser incentivado (ao dizer isso, ela nos fez experimentar a calda de Coca com os dedos).

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Soda italiana de maracujá vermelho ou ‘Redoxon de Maracujá’. Foto: Cíntia Costa

Por fim, apesar de mostrar que é possível ser fast e elegante, a empresa não conseguiu desfazer a fama de trash. O teor calórico dos pratos parecia ser menor, inclusive pela ausência dos pães, mas não muito distante dos Mc-números oferecidos nas lanchonetes.

Mas, ei! Nada de culpar o restaurante por engodar! Segundo seus representantes, não adianta reclamar se você cabula aulas de educação física da faculdade. Como eu.

*Cíntia Costa mergulhou recentemente no jornalismo de tecnologia, adora junkie food e é imune aos efeitos das calorias. Além de cobrir o evento para o IDG Now! teve a disposição de fazer um toast dessa loucura toda. Bem-vinda ao Braun Café 2.0!

Soda rimonada, né?

março 11, 2007

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Na loja Comercial Marukai, que vende o Calpis (toast abaixo) na Liberdade, por 5,50 reais você pode experimentar Ramune, a verdadeira soda pop.

Leve e doce, este refrigerante foi criado no Japão em 1876 e hoje é vendido até em garrafinhas de diversos formatos e marcas por lá. O nome é uma derivação do inglês ‘lemonade’, que deve ter virado ‘remonade’ até chegar em ‘ramunê’.

Mais do que o sabor, a graça está na embalagem toda invocada. No lugar da tampinha de metal, o gás do refrigerante é preservado por uma esfera de vidro. Ao tirar o lacre e pressionar a tampa, a bolinha entra na garrafa e você bebe sua ‘soda rimonada, né?’

Leia atentamente as instruções antes de abrir a simpática garrafinha azul da marca Shirakiku e divirta-se com o humor involuntário da tradução. “For even more delicious this drink chill before open”. É soda…

Comercial Marukai – Rua Galvão Bueno, 34 – Liberdade (SP). Tel: (11) 3341-3350. Sábado das 8h às 20h.

O Yakult da felicidade

março 11, 2007

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Na tarde da última quarta-feira vi uma “moça do Yakult” perto do trabalho. Elas existem e ainda fazem as entregas de Yakult feitas pela internet. Uma bela forma de fazer comércio eletrônico, preservando o tradicional porta-a-porta e as lembranças da infância de muita gente.Ver a moça do Yakult parar seu carrinho branco em frente ao prédio onde eu morava, quando criança, era a visão da felicidade. A tristeza era olhar para aquelas lindas embalagens me chamando na geladeira e só poder tomar um Yakult – tá… às vezes dois – por dia.

“Não tome mais de um ou vai ter dor de barriga Dani!”, dizia minha mãe brava, enquanto eu olhava para a geladeira com cara de desconfiada achando que os tais lactobacilos vivos dentro daquele potinho de 80g eram um mito.

De fato, naquele minúsculo potinho de Yakult há um exército de milhões de lactobacilos, cada um do tamanho de um mícron, vivinhos da Silva. Enquanto você bebe seu Yakult e fica com gosto de quero mais na boca, eles arriscam suas vidas atravessando os campos ácidos e infernais do estômago para dominar a flora intestinal e deixar sua vida mais feliz.

Mas o Yakult é tão gostoso. Ah… deixa essa história pra lá! O que é que tem tomar os seis de uma vez? Bom… outro dia o Nando contou na redação que esvaziou seis potinhos em um copo e mandou ver. Depois se mandou para o banheiro.

Para nossa alegria, entretanto, os japoneses que inventaram o Yakult também criaram o Calpis, que me foi apresentado por Mário Nagano, uma fonte inesgotável de informações sobre a cultura nipônica. O Calpis é uma bebida láctea fermentada a base leva leite desnatado, água, frutose e lactobacilos, digamos assim, mais sossegados. No site deles dizem que faz bem até para alergia.

“É um refresco”, disse Mário ao me apresentar uma bela garrafinha de 500 ml com algo que mais parecia um suco de leite dentro. Realmente parece um Yakult mais leve. Experimentei os sabores natural, de limão, laranja – que parecem estranhas misturas de Yakult com soda – até que o Nagano trouxe o maravilhoso Calpis Ajwai Fruits Drink.

Deliciosa, a bebida leva sucos de maçã, laranja, banana e abacaxi. E o melhor é que você pode tomar um litro deste refrescante ‘suco de leite’ sem levar bronca, sem se preocupar com a invasão do exército de lactobacilos japoneses e ainda ser uma pessoa mais saudável. É o verdadeiro Yakult da felicidade. Prove sem medo.

O Calpis pode ser encontrado no bairro da Liberdade na Comercial Marukai. Segundo, a Dona Silvia, que deve ser a proprietária, e a garrafinha de 500 ml custa 4,50 reais.

Comercial Marukai – Rua Galvão Bueno, 34 – Liberdade (SP). Tel: (11) 3341-3350. Sábado das 8h às 20h.

Por Renata Mesquita*

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Foto: Henrique Martin

De tanto ligar da rua para contar coisinhas gostosas que encontro por aí (afinal, quem aguenta esperar para encontrar com a amiga para contar? viva o celular pós-pago!), Braun me vira com essa: “Por que não escreve você? Estou inaugurando a Era dos toasts terceirizados, hahaha”. Bom, lá vamos nós, então.

Pão de queijo rústico ou bolinho de arroz superdesenvolvido?
Em um dia daqueles de inspiração consumista-decór, naquela visitinha básica ao Etna, não se atenha ao circuito de móveis e acessórios. Dê uma paradinha antes (ou depois) para um café e um pão de tapioca. Vale suuuuper a pena. De longe, ele parece um pão de queijo meio rústico; de perto, um bolinho de arroz superdesenvolvido. Confesso que a primeira mordida foi meio naquelas, reticente… e se for borrachudo? Apaixonei na hora!

A massa, suave, leva um pouco de queijo e é uma ótima opção para aquela fominha fora de hora. Depois que eu saí espalhando a descoberta, a Luana, cozinheira e quituteira de mão cheia, vira para mim e diz: “É mesmo, eu já experimentei e é ótemo!”. E só agora que ela diz??? De agora em diante só vou ao Etna só para comer o pãozinho de tapioca (o que é uma tremenda mentira, mas vamos fingir que não para o Henrique ficar feliz).

Dooooce de leeeeite
O Henrique e eu fazemos parte da comunidade “Não me conformo que o Havana não vende doce de leite aqui no Brasil”. (Faço um parênteses que pode levar os leitores do BraunCafé a quererem me bater, mas vamos lá: eu adoro TUDO do Havana, menos o alfajor – prefiro os uruguaios – e o atendimento da loja do Anália Franco).

Enfim, um dia, novamente frustrados com essa triste constatação, estávamos olhando a vitrine do balcãozinho do Havana no Anália Franco (antes de eu detestar o atendimento deles) quando vimos ELE, o brownie. Com aquele moooonte de doce de leite escorrendo e uma coisa amarela esquisita em cima. “É creme inglês”, disse a mocinha. Tá.

Creme inglês com gelatina, ou o que quer que seja, grudento, mas não vem ao caso. Compre o brownie e tire o tal creme inglês (ou não). O que vem abaixo dele – a mistura de doce de leite Havana molinho com um brownie meio-amargo na medida certa – simplesmente é um manjar dos deuses, se é que se pode falar isso de um doce industrializado e vendido num balcão no meio de um shopping.

Churros da Moóca
Por fim, mas não por último, tem o famoso tio do ‘churros’ da Mooca, o “seu” Antônio ou Toninho. Esse simpaticíssimo senhor (na última vez que estive lá, me deu dois abacates de presente…) deve ter uns 157 anos e tá lá, todos os dias, fazendo churro espanhol artesanal para o pessoal – para quem não sabe, o churro do tipo espanhol é frito em espiral e não tem recheio. Fica ótemo com um cafezinho (aviso: já vem adoçado), Nescau batido ou Coca-Cola, mesmo porque é só isso o que tem para beber por lá, mas para mim já está excelente.

Você ainda pode escolher se quer a roda pequena, média ou grande e se quer açúcar ou canela ou só açúcar de acompanhamento. Não recomendo levar para viagem, porque depois de um tempo, sabe como é fritura, né??

Então… Só um detalhezinho: o lugar abre das 3h às 11h. Isso mesmo. É para ir depois da balada… ou, no meu caso, depois de virar uma madrugada fechando. E aproveita, bela, para escutar umas histórias da Mooca… sempre tem alguém por lá contando “causos” sem parar. Ah, deixa o Visa e o Redeshop em casa, porque pagamento lá, só com dinheiro ou cheque.

Veja as fotos destas e outras guloseimas e botecagens no Flickr do grupo Braun Café .

Etna Av. Eng. Luis Carlos Berrini, 2001 – Brooklin (Segunda a Sábado das 10h às 22h. Domingo das 12h às 20h). Tel.: (11) 2161-7600

Havana – Rua Bela Cintra, 1829 – Jardins – 3082-5722

Churros da Mooca – Rua Ana Néri, 282 – Mooca.

*Rê Mesquita é jornalista, adora inventar moda e cometer deliciosos pecados da gula. Agora a Rê também vai confessar tudo aqui no “Braun Café 2.0”. Ai lindinha… que gostoso viu!

Fast food à francesa

fevereiro 28, 2007

Por Alê Scaglia, de Paris*

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Viajar para fora do País é, além de um exercício gastronômico, fonte de uma verdadeira ginástica financeira. Para cada refeição mais ajeitada, é bom ser contido e trocar um almoço por um sanduíche; para cada garrafa de vinho, um suquinho comprado no supermercado é necessário. Pelo menos comigo é assim…

Enfim, em um recente périplo por terras estrangeiras fiz as minhas ginásticas. Em Paris, por exemplo, encarei um gyro pita, o bem conhecido de todos nós (pelo menos já visto, vai) churrasquinho grego. E devo confessar que não me arrependi! Por 5,60 euros comi um sanduba bacana, com fritas e acompanhado de uma cerveja chamada, vejam vocês, Zorbas!

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O gyro, pelo menos na França, é feito com carne de frango e de porco e servido com um molho à base de maionese, alface picado, tomate e batatas-fritas. Tudo dentro do mesmo pão. É quase uma maratona da gula. O pão você pode escolher: baguete, pão sírio (pyta) e uma terceira opção que não identifiquei direito.

Onde encontrar? Em praticamente cada esquina tem um. Divirta-se.

P.S.1: A fome era tanta que eu preciso confessar que não deu tempo de fazer foto. Desculpa aê, galera! Mas como existe o Google, essas fotos foram tiradas do site Parisit para pelo menos ilustrar o post.

P.S.2: No Brasil, já tive o desprazer de encarar um churrasquinho grego, pelo amor à profissão, é bom que se diga. Na época da faculdade estava de câmera em uma videoreportagem que mostrava os bastidores de um vendedor da “iguaria” no Largo do Batata. O ambiente de produção até era limpo, mas as carnes utilizadas não eram nada apetitosas – só cortes cheios de sebo, uma coisa horrível. Parece, no entanto, que nos Jardins há um boteco que vem fazendo churrasquinho grego com qualidade. Prometo me informar, provar e contar!

*Alexandre Scaglia é jornalista e grande companheiro nas descobertas do Braun Café. Se empolgou na Europa e voltou cheio de dicas da viagem ao estrangeiro. Manda bala Alê!