Bom de mesa

agosto 17, 2008

Quem gosta de colecionar o Prato da Boa Lembrança já pode preparar o bolso e mais espaço em algum cantinho da casa. Nos dias 26, 27 e 28 de agosto acontece o 5º Festival São Paulo Bom de Mesa, com menus especiais em nove restaurantes bacanas da capital.

O evento da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança agita um encontro de chefs da casa e convidados que trazem sabores de todo o Brasil. Este ano, o tema envolve os 100 anos da imigração japonesa e cada prato deve conter um ingrediente típico do Japão.

O preço do menu completo (com direito ao prato de cerâmica, mas sem bebidas) varia de R$ 85 reais no Arábia, que traz o chef Celso Freire do restaurante Boulevard, de Curitiba (PR), a R$ 120 no Terraço Itália, que abre espaço para o chef Dantas do Maracangalha, de São Luiz do Maranhão (MA). Só de espiar os menus dá pra sacar que o valor é bem justo. Boa oportunidade de conhecer algumas fusões bem interessantes.

A lembrança do festival é do Luiz Minervino, colecionador inveterado dos pratos, que enviou a dica ao Braun Café e já deve estar preparando um espaço na parede da sala para novas aquisições.

Veja a lista dos participantes do 5º Festival São Paulo Bom de Mesa 2008:

Amadeus – A chef Bella Masano recebe o chef André Saburó do restaurante Quina do Futuro (Recife)
Menu Festival (servido apenas no jantar, terça a quinta, das 19h à 0h) – Vieiras com massago (ovas), nori (algas) e flor de sal;  Camarões e cubos de salmão ao molho quente de saquê licoroso; Robata de polvo com azeite de paprica doce e Atum levemente marinado com limão siciliano e redução de shoyu premium.
Preço: R$ 145 o cardápio em 5 etapas incluindo uma sobremesa.
Amadeus – Rua Hadock Lobo, 807 – Cerqueira César (SP). Tel.: (11) 3061-2859.

Arábia – A chef Leila Youssef Kuczynski recebe o chef Celso Freire do restaurante Boulevard (Curitiba)
Menu do Festival (servido só no jantar) – Entrada: ovo poché com pure de verduras, crocante de pão arabe e azeite epicé.  Prato principal I: Ravioloni de rim de vitela com coalhada seca e jabá. Prato principal II: Paleta de cordeiro confit com molho de alho doce, pure de lentilha e crocante de cebola. Sobremesa: Brochette de frutas grelhadas, com calda de especiarias e sorbet de romã.
Preço: menu completo por R$ 85. Prato principal: R$ 55.
Arábia – Rua Haddock Lobo, 1397 – Cerqueira Cesar (SP). Tel.: (11)3061-2203.

Cantaloup – O chef Renato Carioni recebe a chef Simone Bert do restaurante Wanchako (Maceió)
Menu Festival (servido só no jantar) – Entradas: Cebiche triplo (peixe, polvo e camarão) curtidos no limão, com salsa de aji amarillo (pimenta peruana), acompanhado de batata doce e uma pasta de polvo levemente picante). Prato Principal : File de peixe grelhado com lula e camarão sobre pasta de umitas (pasta de milho), em uma salsa de cebola levemente picante, com calda de aji panca (tempero peruano). Sobremesa: Torta fria de manga.
Preço: R$ 102 por pessoa.
Cantaloup – Rua Manoel Guedes, 474 – Itaim Bibi (SP). Tel.: (11) 3078-3445.

Empório Ravióli – Roberto Ravioli recebe o chef Massimo Battaglini da Osteria Mattiazzi (Belo Horizonte)
Menu Festival (servido no almoço e no jantar) – Entrada: Insalatina ai frutti di mare e scaglie di sedano, sú borlotti nostrani (Saladinha de frutos do mar com lascas de salsão sobre feijões rajados). Prato Principal:  Stinco  d’agnello con purea di zucca al balsamico stravecchio (Stinco de cordeiro com pure de abobora com balsamico extra velho).
Preço: R$ 95 por pessoa .
Empório Ravióli – Rua Ramos Batista, 390 – Vila Olimpia (SP). Tel.: (11)3846-2908.

Marcel – O chef Raphael Durand Despirite recebe o chef Juarez Campos do restaurante Oriundi (Vitória)
Menu Festival (servido somente no jantar) – Entradas: Salade Niçoise ma faço e Bouillabaisse Capixaba. Prato Principal: Boeuf A La Bourguignone ” Sous-Vide”(Cozido em vinho tinto à baixa temperatura e à vácuo acompanhado de mousseline de batatas trufadas). Sobremesa: Riz Imperatrice Brullée Arroz doce com frutas cristalizadas e aromas cítricos com uma fina camada de açúcar caramelizado.
Preço: R$ 98 por pessoa.
Marcel – Rua da Consolação, 3555 – Jardim Paulista (SP). Tel.: (11) 3064-3089.

Nakombi – A chef Lucien Taira recebe o chef Paulo Góes do restaurante Montagú (Rio de Janeiro)
Menu Festival (servido somente no jantar) – Entrada: Atum empanado com shitake , acompanahdo de salada de palmito, caviar de  tapioca, mel de wasabi  e azeite de curry. Prato Principal: Magret de pato marinado com shoyu e vinho do porto acompanhado de muffim de cogumelos. Sobremesa: Mousse de chocolate branco servida com coulis de manga e gengibre e goiaba confit.
Preço: R$ 90 por pessoa.
Nakombi – Rua Pequetita, 170 – Vila Olimpia (SP). Tel.: (11) 3845-9911.

Supra – O chef Mauro Maia recebe a chef Mônica Rangel do restaurante Gosto com Gosto (Visconde Mauá)
Menu Festival (servido no almoço e no jantar) – Couvert completo (pães diversos, incluindo o verdadeiro Pão de Queijo de Minas com manteiga fresca especial temperada com sal de Guérande), Piattino di Legumi e Formaggio Caprino Marinati (legumes e queijo de cabra fresco marinados) e Pasta Sorpresa dello Chef (degustação de massa recheada com milho verde e queijo da Serra da Canastra). Antepasto: Polenta con Salsiccia Casalinga di “Minas” in Umido (Polenta amarela com lingüiça caseira produzida no sudoeste de Minas ao molho de tomates frescos e legumes). Prato de Massa: Tortelli di Pollastra Campesina e “Ora-pro-nobis” in Brodo  (Massa com recheio de galinha caipira e ora-pro-nobis servida em suculento caldo de galinha clarificado finalizado com um leve toque de cachaça mineira artesanal envelhecida). Sobremesa: Budino di Gorgonzola Dolce in Salsa di Guaiava (Pudim de queijo  gorgonzola doce servido sobre fino disco de massa, com calda de goiabas vermelhas quente).
Preço: R$ 110 por pessoa.
Supra – Rua Araçari, 260 – Itaim Bibi (SP). Tel.: (11) 3071.1818.

Terraço Itália – O chef Samuele Oliva recebe o chef Dantas do restaurante Maracangalha (São Luiz)
Menu Festival (servido somente no jantar) – Entrada: Salada de Camarão Rosa com Cubos de Queijo Coalho e Manga, Gengibre e Gergelim Preto. Prato Principal:  Risoto de Cuxá com Cubos de Tofú Marinado no Shoyu e farofa de Camarão Seco. Sobremesa: Gateau com Línguas de Bacurí.
Preços: menu completo por R$ 120.  Prato principal por R$ 75.
Terraço Itália Restaurante – Av. Ipiranga, 344, 41º Andar – Centro (SP). Tel.: (11) 2189-2929.

Vinheria Percussi – Silvia Percussi recebe o chef Auricélio Romão da Pousada do Zé Maria (Fernando de Noronha)
Menu Festival (servido no almoço e no jantar) – Entradas: Cornetto Di Mare (Ceviche de cavala e atum de Noronha marinados e temperados e Noce di Capesante (Vieira com molho de vôngoles servida com cebola e quenelle de berinjelas). Prato Principal: Tagliolini neri com cicale del mare (Massa fresca artesanal preparada com tinta de lulas e servida com molho de cavaquinhas). Sobremesa: Sformato di jaca (Flan cremoso de jaca com sorvete de tapioca).
Preço: menu completo por R$ 99. Prato principal: R$ 69.
Vinheria Percussi – Rua Cônego Eugenio Leite, 523 – Pinheiros (SP). Tel.: (11)3088-4920.

Japa de família

agosto 4, 2008


O Shigue é um restaurante japonês simples, familiar e acolhedor, no bairro do Paraíso. Na semana passada, fui matar a curiosidade e explorar o local com uma amiga.

A parte boa de um japonês que não tem rodízio é estudar o cardápio em busca de sabores diferentes. Começamos com um Sunomono, saladinha de algas, frutos do mar e pepino com molho agridoce (R$ 9,50). Boa entrada, embora não tenha atendido a expectativa. Exceto pelo camarão no topo e pelo kani desfiado, os frutos do mar não estavam lá.


Outra entrada gostosa é o bolinho de arroz quente recheado (R$ 4 a unidade). O de salmão cozido desfiado é o mais pedido e foi a escolha certa.

Na hora do principal foi um pouco difícil escolher entre as seções de sushis, milanesas, yakissobas, grelhados, lámens etc.. Eu estava com vontade de comer peixe cru mesmo e entrei no Teishoku Combinado – 8 fatias de peixes variados, 2 niguiris e 2 uramakis – que acompanha porção de arroz, missoshiru (com tofu e pedacinhos de nabo) e saladinha e alface (R$ 25). Peixes  excelentes.

Também matei a vontade do tradicional shimeji na manteiga (R$ 13,90). A porção bem servida e com bastante cebolinha estava no ponto certo.

Para acompanhar, além da cerveja de garrafa grande geladinha (R$ 5), minha amiga resolveu experimentar uma dose de Shochu (pronuncia-se ‘sotchu’), aguardente destilado de batata, arroz ou cevada.

Servida com gelo, a bebida é bem aromática e parece um meio termo entre gim e cachaça. Beberiquei um poquinho e gostei. A Ciça apreciou o sabor do perigo e repetiu a dose (R$ 11).  Ainda bem que o Shigue  fecha cedo.

Shigue – Rua Doutor Sampaio Viana, 294, Paraíso – São Paulo. Tel.: (11) 3885-9606. Segunda a sábado, das 11h30 às 14h30 e das 18h30 às 22h (fecha domingo).

Lado B, Lado A

julho 28, 2008

Indicar lugares bacanas para comer e beber bem, sem culpa, especialmente na conta bancária, sempre foi um dos principais objetivos deste blog. E foi com o intuito de saber se a gastronomia de um hotel cinco estrelas também é acessível às pessoas físicas, que aceitei o convite de um jantar itinerante para conhecer os novos espaços gastronômicos do Renaissance São Paulo Hotel, na terça-feira (22/07).

Após assumir meu “Lado B”, assim como outros blogueiros-jornalistas que estavam no evento, logo fui recebida com uma taça do leve, equilibrado e refrescante Taittinger Brut Reserve (R$ 198). Bom… Vale ressaltar que todo o jantar foi harmonizado com ‘vinhos top’, da importadora Expand e nesse quesito, o único argumento que harmoniza com seu bolso é o que se pode chamar de ‘preço da felicidade’. E champagne é uma bebida cara, não tem meio termo, só meia garrafa ou… Milagre de natal.

Tudo bem. Não podemos beber champagne todo dia, mas sair do trabalho, ou do cinema, na região da Avenida Paulista e fazer uma pausa para um happy hour com comida japonesa é possível, não? Essa é a proposta do Lobby Sushi, o novo sushi-bar do Renaissance, um pequeno espaço aproveitado ao lado do bar do lobby.

A degustação preparada pelo chef Herrara incluiu sushis de enguia, salmão com ovas e baby polvo. Todos muito frescos e saborosos. Mas o que me chamou a atenção foi sabor do minúsculo molusco chamado Idako, melhor do que o polvo convencional.

Carlos Eduardo Netto, diretor de bares e restaurantes do hotel, contou que o baby polvo é vendido em conserva em lojas especializadas, no bairro da Liberdade, assim como a água-viva em conserva, que também está no cardápio. Ao lado dos sushis foi servida uma cumbuquinha com o Chirashizuchi, um ‘sushi aberto’ (arroz japonês coberto com sashimis de salmão, atum e pepino) meio difícil de manobrar com o hashi, porém gostoso.


Os temakis (com preços de R$ 13 a R$ 17,50) ganham um toque especial com uma ‘temaqueira’ redonda. Não chequei a experimentar, mas pela foto não devem ficar atrás dos sushis degustados. Os preços são acessíveis. O menu do chef custa R$ 26 por pessoa e pode ser adaptado a pedido do freguês.

Harmonizar vinhos com comida japonesa não é fácil. A escolha da Expand foi o italiano Faìve Rose Brut, produzido na região do Vento com uvas cabernet sauvignon e merlot. Além do tom mais claro em relação aos rosés tradicionais, o Faìve (faísca, em italiano) é também mais leve e frutado no ponto certo para não roubar os sabores dos peixes. Preço da felicidade: R$ 78.

Continuamos nossa jornada no Terraço Jardins, o restaurante internacional do Renaissance, comandado pelo simpático Chef Gayber Silveira, eleito o melhor de toda a rede Renaissance (Brasil sil sil!).

As novidades no Terraço são um espaço reservado para o Chá da Tarde, do qual falaremos em outro toast (daaarling) e o Chef´s Table, uma degustação com harmonização de vinhos no jantar preparado pelo chef em frente aos comensais.

Na chegada, o chef Thomaz Leão já iniciava uma performance. Usando como base uma frigideira wok invertida sobre um fogareiro portátil, ele preparava uma versão do pão indiano naan, que é assado nas bordas internas do forno Tandoor. Boa idéia para quem quiser se arriscar a fazer um naan em casa. E naan ao contrário também dá naan, mas versão que degustamos tinha fermento (a massa básica do naan leva trigo, sal e uma pitada de açúcar). Menos crocante, mas saborosa.

No Terraço, o assunto é alta gastronomia. Na cozinha dos mortais, podemos reproduzir algumas idéias boas como a polenta crocante com recheio de queijo de cabra que acompanhava o macio carré de cordeiro e javali com aspargos e espuma de hortelã, a lá Ferran Adrià. “Temos de acompanhar as tendências”, disse Netto, ansioso pela vinda do gênio espanhol, em novembro, ao Brasil.

Para acompanhar o cordeiro, um vinho com nome e sobrenome, o mais top da noite: Brunello di Montalcino D.O.C.G. Pian delle Vigne 2000, do produtor Marchesi Antinori. O preço: R$ 298 – degustação de alta responsabilidade.

Criei bastante expectativa em relação à bebida, que está bem longe do meu orçamento, e acredito que igualmente do meu paladar. Sem dúvida é um vinho de alta classe, redondo, equilibrado e complexo. Ao contrário do que imaginava, no entanto, ao sorver os primeiros goles daquele Brunello, não ouvi o som de harpas celestiais e o céu iluminado não se abriu sobre a taça – com todo respeito aos 600 anos de história da família produtora. Conseguirei viver sem ele.

Na sequência, filet mignon grelhado, foie gras e palmito pupunha muito macio. Alê Blanco, do Comidinhas, ficou impressionada com o pupunha grelhado. “O meu nunca fica assim”, comentou. E o chef Silveira deu a dica: retire o pupunha da casca, sele na frigideira e depois deve ao forno médio. Boa.


Gostei de estudar os sabores do fígado de ganso derretendo na boca, com um fim levemente adocicado. A experiência foi saborosa e menos complexa com uma taça do Terrunyo Carménère Peumo Valley 2005, uma das preciosidades da Concha Y Toro. O vinho de aroma frutado, encorpado e elegante, sai por R$ 133 para o consumidor. É uma delícia e pode até caber no bolso, um dia.

Pela qualidade do cardápio e dos vinhos, o Chef´s Table vale quanto pesa. Os interessados pagam R$ 190 reais pela experiência.

Quem busca uma refeição mais leve, em calorias e preços, pode apostar no Bytes (belo trocadilho), novo restaurante-lanchonete-cibercafé do Renaissance. E foi lá, ao lado da academia e do spa urbano do hotel, que provamos as mini sobremesas. E, me desculpe, mas diante do delicioso creminho brulée de pistache, do cintilante mousse de framboesa e do copinho de mousse de chocolate meio-amargo, mandei as calorias às favas, ou melhor, à barriga.


O jerez seco e envelhecido Lustau Solera Reserva Península Palo Cortado foi um cavalheiro com todas as sobremesas e superou o vinho do Porto – escolha inteligente da sommelier. Anote o nome e compre sem medo: Lustau Solera Reserva Península Palo Cortado, por R$ 135.


O Bytes ainda merece uma visita. Não houve tempo ou espaço para provar os sanduíches que estão no cardápio que decora uma das paredes. O chef recomendou o de carpaccio de picanha defumada, mostarda Dijon e cebola caramelizada no pão de sete grãos. Quem trabalha na região também pode optar por pratos saudáveis como hambúrguer de salmão, filé mignon orgânico e penne integral com pesto e confit de tomate, saladas ou o Flat Bread, uma massa bem fininha, assada com 20 opções de recheio. Hummm…


Depois da experiência voltei para casa pensando no Brunello do Montalcino. Talvez a alta gastronomia não esteja ao meu alcance, talvez eu invista mais no ‘preço da felicidade’ ou então tente reproduzir algumas dicas valiosas em casa.

Gostei muito das propostas acessíveis do sushi-bar e do Bytes, que entram no circuito do Braun Café. E agora, no fim deste toast gigante, peço licença para voltar ao meu Lado A, e escrever sobre outros bytes. Até a próxima!

Renaissance Alameda Santos, 2233, Jardins (SP). Tel.: (11) 3069-2233.

Fotos: Dani Braun. Milagres: Calenda, Dexter e suas ferramentas maravilhosas.

Ali na mesa

julho 26, 2008

Por Renata Mesquita*


Os rodízios de sushi continuam proliferando pela cidade, mas se você nunca experimentou certas preciosidades (nenhum docinho feito à base de feijão ou balas de alga, por exemplo) ou não teve a sorte (que, quando pequena, eu julgava azar) de ter um japonês legítimo por perto para fazer você comer coisas estranhas como lâminas de alga secadas ao sol versão stand alone, cortadas em tirinhas, chamadas Kombu, (Valeu, seu Takeshi!), não pode dizer que seja um admirador de verdade da culinária nipônica.

As tirinhas

Ter sido forçada a voltar para a acupuntura, e com tempo para realizar as sessões apenas aos sábados, trouxe para a minha vida a realização de um desejo que eu acalentava há muito tempo: frequentar mais o bairro da Liberdade. Cada visita tem sido uma descoberta. Gastronômica e consumista.


Mas a maior delas se deu por indicação de nosso japonês Mário Nagano: o Restaurante Katsuzen fica escondido, tem mesas simples e cara de estabelecimento “de raiz”, uma proprietária que é uma figura e sempre vem perguntar o que você achou da refeição. Um de seus sushimen é proveniente do Nordeste (como já foi comprovado cientificamente, eles têm um dom natural para a coisa, apesar da falta quase total de japoneses na colonização de nossos belos estados nordestinos). Ah, e tem opções chinesas, também, no cardápio. Tudo muito simples, sem frescura nenhuma.

Se um dos charmes do Katsuzen é o fato de ele lembrar qualquer restaurantezinho que você encontraria de verdade no Japão fora das áreas turísticas, o apelo gustativo é que ele é especializado em milanesas. Enormes e gordos filés de contra-filé ou de carne de porco ao gosto do freguês, servidos com gohan, missô, pepininhos, repolho e tomates. De entrada, uma saladinha exótica que mistura macarrão de fécula de inhame, presunto, pepino, cebola roxa, tomate e… pedacinhos de omelete!! Isso sim é que é experimentar algo japonês de verdade!


Se você não gosta de fritura (tá, tá, eu sei que faz mal, mas a massa pelo menos não tem gosto de óleo), fique tranqüilo: o Katsuzen tem sushi, sashimi, guioza, tempura (inclusive na versão doce, de sorvete), yakissoba e mais uma porção de pratos com nomes típicos que ainda não consegui decorar, sempre a la carte. Independente da sua “corrente” oriental, vale pelo clima e pela experiência!!

*Renata Mesquita é jornalista e adora descobrir novas delícias para o Braun Café. Fotos: Henrique Martin.

Por Jordana Viotto*


(Docentes & Decentes: o melhor feijão verde de Fortaleza)

Desde que voltei de Fortaleza, onde passei uma semana de férias em fevereiro, pensar nas palavras “feijão” e “verde”, nessa seqüência, é suficiente para fazer meu estômago roncar. O feijão verde, o caranguejo e, claro, peixes e frutos do mar, são os pratos mais típicos da região. Mas de todos esses, o feijão verde é absolutamente imperdível.

O melhor preparo da cidade é o do Docentes & Decentes, um local simples, com um atendimento legal, preços honestos e pratos perfeitamente preparados. O restaurante fica numa das principais avenidas de Fortaleza e serve o feijão verde em um caldeirãozinho de ferro misturado num creme feito de nata e queijo coalho.

O pessoal de lá diz que o Docentes usa ingredientes “secretos” – dizem eles que nem os mais talentosos na cozinha conseguem fazer a receita ficar igualzinha se feita em casa. A mistura chega à mesa fervendo e serve duas pessoas. Fiquei quase viciada nessa delícia, tanto que quase todos os dias, durante uma semana, eu dava um jeito de passar por lá.


(50 Sabores: experimente antes de escolher)

A sobremesa era geralmente na Sorveteria 50 Sabores (foto acima). Além dos clássicos como flocos, chocolate, morango e côco, o local serve sorvetes exóticos como os de tapioca, doce de leite, bacuri, sirigüela e caipirinha.

Decisão difícil, mas para mim, que adoro doce, o de tapioca era perfeito. Também adorei o de doce de leite flocado e me surpreendi com o de caipirinha – o sabor é bastante parecido com o da bebida. E a melhor parte? A placa que convida a todos a experimentar “quantos sabores quiser” antes de escolher.

Docentes & Decentes – Avenida Santos Dumont, 6180 – Fortaleza (CE). Tel: (85) 3265-3267

Sorveteria 50 saboresAv. Beira Mar, 4690 – Fortaleza (CE). Tel: (85) 3263-1714

*Jordana Viotto sempre conta ao Braun Café suas descobertas sobre as delícias da vida.