Amigo de fé

julho 6, 2006

— Você gosta de comida japonesa?
— Sim
— Opa! Conheço um japonês na Liberdade muito bom e barato… sensacional.
— Maravilha! E como se chama?
— Ah… não me lembro. Estava escrito naqueles símbolos sabe?
— Sei.
— Fui com uns amigos e o sashimi deles é fantástico.
— Bacana… então onde fica exatamente?
— É na Liberdade… numa daquelas ruas lá. Quando eu for te dou um toque. Você tem que conhecer esse japa!

Ah… o velho conto do restaurante japonês na Liberdade que é um achado. Acredito que já ouvi essa história pelo menos umas oito vezes. Até hoje não conheci o japonês escondidinho em um beco do tipo “Além da Imaginação” com seu nome escrito em kanji, katakana ou hiragana, onde rodízio é barato e sensacional.

Conheci sim, na semana passada, um restaurante tradicional japonês, que fica na Liberdade, mas não está escondido, que exibe seu nome ocidental em um amplo letreiro e que oferece um rodízio a 32 reais, com mais sashimi de excelente qualidade do que qualquer outra coisa.

Sem desmerecer os achados, que certamente são ótimos e ainda quero conhecer, o Sushi Yoshi, ou simplesmente AMIGO, é um pequeno restaurante típico japonês, na Rua da Liberdade, onde você tira os sapatos, toma uma Original e escolhe entre os pratos a la carte, o rodízio e o festival, que tem mais pratos quentes – indicado para o perfil ‘Adoro comida japonesa! Só não como peixe cru’.

O rodízio segue o estilo ‘Vamos ao que interessa’ – missoshiru (indicado para preparar o estômago antes do peixe), guioza no vapor (e não frito pelamordedeus) e shimeji na manteiga. E então, rodeados por um cenário de salsinhas japonesas e nabos chegam variados sushis e sahimis de salmão, atum, tainha, atum grelhado e meca, o suave ‘atum branco’. Tudo muito saboroso.

No sashimi, o meca confunde-se com o peixe prego, “mas este é perigoso”, comentou o senhor Yoshizumi atrás de seu balcão de sushiman, enquanto cortava as cenouras para os próximos clientes atendidos até 3 da manhã. O trocadilho aqui é inevitável: Amigo é… coisa pra se guardar.

AMIGO (Sushi Yoshi) – Rua da Liberdade, 607. Tel (11) 3277-1616. Em frente à Casa de Portugal, na esquina com a Barão de Iguape.

Qual é o seu conceito de liberdade? O da choperia que leva esse nome é bem amplo. Bar (chope Brahma), karaokê, restaurante japonês, snooker e churrascaria. Até aí, tudo bem, Então… vamos entrar.A Liberdade se abre em portas vermelhas almofadadas, com espelhos e detalhes em dourado. Ao cruzá-las você passa por um corredor com sofás e já observa, a sua frente, profissionais do karaokê cantando Besame Mucho em japonês. Continue…

Agora você entrará em um amplo galpão. À direita está a cozinha de onde saem os grelhados, assim como o aroma que marcará sua noite de diversão, suas roupas e seus cabelos…

Ao fundo do galpão seis mesas de sinuca lhe esperam. Ao redor, televisores mostram as letras do Besame Mucho em japonês, assim como os animados vídeos do karaokê. No teto se espalham, de forma desordenada, milhares de luminárias e bolas coloridas. Nas paredes, sequências de pôsteres com temas igualmente diversificados: Massas, Beatles, Carros, Urso, Disco Voador etc. Na janela falsa pousa uma garça de plástico rodeada por uma vegetação sintética.

O conceito se estende aos frequentadores. Membros da comunidade, descolados, moças que atuam na noite, deslocados, divertidos e por aí vai. Quem põe ordem nessa liberdade toda é uma japonesa baixinha e simpática que gosta de ser chamada de “Mama”. É com ela que você deve reservar sua mesa, pedir um shimeji na manteiga ou uma picanha, tomar muitos chopes, jogar sinuca, cantar “Strangers in the Night” ou o samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense de 1989 (“Liberdade, Liberdade! Abre as asas sobre nós”) olhando para a garça de plástico e, de fato, ser livre…

Choperia Liberdade: Rua Glória, 523. Tel: (11) 3207-8783.

O boi alegre

julho 5, 2006

Recentemente li uma matéria na Folha de São Paulo sobre um hambúrguer lançado pelo restaurante Estik, em Madri, que custa 250 reais – não tem vírgula… são 250 pilas mesmo. A facada se deve ao boi Kobe – originário da região de Kobe, no Japão, conforme explica o leitor Marcus no comentário abaixo – e é um animal feliz, ou talvez seja a última linha da encarnação de alguém que foi quase bacana.

Segundo a matéria, que diz que o boi vem da Nova Zelândia, o Kobe é tratado com música clássica, massagem e cerveja (sim cerveja) para ficar bem tenro e saboroso antes de virar filé.

É fato que cerveja amacia a carne. Comprove com a Carne de Panela ao molho de Malzibier do Dona Bêga (atendimento familiar, comida caseira muito boa e criativa). Agora… dar a cerveja direto para o boi é no mínimo genial. Imaginem um boi tomando Guinness e ouvindo rock´n´roll no que ia dar?

Boi, guinness, rock, hamburguer… ah sim… ia dar na Casa Belfiori. Lá o preço é amigo, tem cervejas bacanas e, é claro, o drop kick (hamburguer com gorgonzola e bacon, que acompanha batatas meia lua estilo cantina). O famoso paredão de carne só é servido na versão 2.0 do antigo pub, o Clube Belfiori, que tem rock´n´roll ao vivo. Cuidado! Todos que comeram se viciaram…

Clube Belfiori (CB): Rua Brigadeiro Galvão, 871 – Barra Funda. Tel: (11) 3666-8971
Dona Bêga: Avenida Aratãs, 791 – Moema. Tel: (11) 5561-4986

O Dom de fazer PF *

abril 11, 2006

O restaurante D.O.M, comandado pelo… chef… Alex… Atala… está entre os 50 Melhores Restaurantes do Mundo (veja a íntegra aqui). Tudo bem que ficou na 50ª posição, mas é um reconhecimento para o Brasil, a terra onde tudo que se cozinha dá. Uma vez eu fui ao D.O.M em um almoço de trabalho (como pessoa física ficaria difícil).

O meu pedido não envolveu nada parecido com filé do demônio da tasmânia ao molho de trufas negras preparado por virgens celestiais. Comi um legítimo PF. Era o almoço executivo do dia com arroz, feijão, farofa, banana frita e um grelhado a escolha – pedi um peixe. Impossível deixar de comentar que tudo foi servido em panelinhas Le Cruiset. Tudo bem fino, mas deixemos a prataria de lado. Estava bom? Não, excelente.

Quem já fez e/ou já comeu arroz, feijão e bife sabe que o ponto maravilha é uma prova de fogo. Acho que um bom chef ou dono de boteco no Brasil tem de saber fazer PF e Ponto Final.

Leia a Trip de abril com fotos apimentadas de Alex Atala e assista ao chef falando… em… pausas… no ótimo programa ‘Mesa para Dois’ no GNT, com a simpática chef Flávia Quaresma.

*Toast publicado no Blog Atonal .

Feliz desaniversário*

março 28, 2006

La Dolce Vita começa na segunda-feira. Sim, eu sabia que estava de muito bom humor para uma segunda, mas era o dia da formatura… do curso de vinhos para iniciantes da Associação Brasileira de Sommeliers – São Paulo – não é frescura e vale a pena.

A turma do fundão de cinco figuras marcou na Cantina Roperto, tradicional do Bixiga aberta há 62 anos. No dia mais chato da semana, o Roperto não cobra a rolha. É belo… leva seu vinho e bebe feliz. A segunda já melhorou? Espere até o acompanhamento – Perna de Cabrito Assada com Batatas e tomate. Quem viver comerá! O cabrito assado derretendo (mesmo), tenras batatas, seu vinho e suspiros de emoção. Por R$ 41 o prato serve três. E depois de duas taças você quase chora quando um bom e meigo velhinho vem tocar, no vilolino, clássicas canções italianas em sua mesa acompanhado de uma senhora no acordeon. Ela usa roupa de oncinha, mas e daí?

O momento é Don Corleone – ‘Vou lhe fazer um favor e um dia vou cobrar. Esse dia nunca pode chegar, mas se isso acontecer… [vou querer a Perna de Cabrito do Roperto]. Já sacanearam dizendo que era meu aniversário e o velhinho violinista animado tocou “Parabéns a Você”. Tentei consertar, mas… Alice… acorda Alice. Feliz desaniversário!

Pensando bem é assim que esses desaniversários deveriam ser. Bons amigos, vinhos da (nossa) casa, estupenda comida e muitas gargalhadas. Tudo isso na Dolce Segunda. Bravo!

O Roperto fica na Rua Treze de Maio, 579 – Bixiga. Telefones: (11) 3288-2573 / 3284-2987. A toalha de cantina que forra a home page é uma beleza viu?!

*Toast de 28/03/2006 publicado no Blog Atonal.