Arimbá é o novo pote de delícias da chef Angelita
setembro 11, 2015
Neste sábado (12), a chef Angelita Gonzaga abre as portas de sua nova cozinha caipira de raiz, no bairro da Vila Pompeia. Batizado com o nome dos potes de barro onde os tropeiros guardavam doces, o Arimbá reúne pratos das cozinhas tropeira, campeira e caipira sob o comando da chef capixaba. Este é o segundo projeto da chef capixaba, que deixou o restaurante Garimpos do Interior, em fevereiro do ano passado, e agora abre o Arimbá com mais três sócios.
O Braun Café esteve por lá esta semana para conhecer o restaurante em fase de teste. Na entrada, você já sente o aroma do fogão à lenha em uma cozinha aberta onde a chef capixaba, que deixou -Garimpos do Interior, prepara o rojão (espeto gigante de carne suína, R$ 39,90), milho assado (R$ 5,50) e pratos feitos no disco de arado. “Quando a roda de ferro perde o corte é usada na cozinha. Vira um frigideirão”, ela conta enquanto dá um agito da cozinha.
Entre as opções para bebericar estão caipirinhas, as ‘marvadas’ (cachaças aromatizadas como a de mexerica e cambuci) e cervejas artesanais brasileiras (Capitu, Revenge, Divina e Bacuri) selecionadas pela sommelier Paty Albehy. Dos não alcoólicos vale provar a ‘Calminha’, limonada com capim-limão (R$ 7,80) e o clássico guaraná Cotuba, do interior de SP.
Abrimos os trabalhos com a porção de bolinhos de galinha e farinha de milho, bem sequinhos. Casou bem com a pimentinha da casa e uma Original (R$ 11,50 a garrafa). Outra porção sensacional é o pastel de angu com recheio de queijo, que a Angelita também oferecia no cardápio do Garimpos do Interior. É meu favorito.
O principal foi o Matuto, delicioso ensopado de feijão manteiga e carne de costela (R$ 39,90) com farofinha de milho. Para completar, pedi uma couve refogada. As porções são bem servidas e rolam até para três pessoas. E tem opção para os vegetarianos: Moquequinha de palmito fresco e banana da terra, com vinagrete de pimenta de cheiro e arroz.
Já aviso que é um pouco difícil escolher um prato entre as opções apetitosas do cardápio. Eu e o querido amigo Fábio Almeida, que me acompanhou no jantar e fez a linda foto de abertura aqui do post, ficamos de olho nos pratos feitos no disco de arado, como o ‘Arroz Bêbado’ com toucinho, linguiça na cachaça e couve, e o ‘Chuletão’.
Finalizamos com um café coado na mesa, à moda caipira. Falando nisso, gostei da ideia do Café Caipira, servido das 16h às 18h, com sabores da infância. Tem bolinho de chuva, bolo de fubá, queijo da Serra da Canastra e até Toddy batido gelado. Hummm. É pra voltar sempre.
Arimbá Restaurante
Rua Ministro Ferreira Alves, 464-B – Pompéia – São Paulo – SP
Aberto de Terça a Sexta das 16h às 23h.
Sábado, domingo e feriados, das 12h às 18h.
Tel.: (11) 3477-7063 / 3477-7064
No Facebook: Arimbá Restaurante
Revelações de um “Jantar Secreto”
dezembro 14, 2014
Imagine que você resolveu sair para jantar à dois, assim, sem reservar, em um restaurante que está bombando na cidade, uma quinta-feira chuvosa depois de um temporal daqueles. E depois do mau-humor da espera, do vinho e da comida talvez nem tão incrível assim, chega a conta nada romântica. Pavor? Rebobine…
Agora você está na porta de uma casa na Aclimação. O endereço foi revelado na noite anterior. Você não sabe o que vai comer, beber ou quem vai sentar-se ao seu lado para te acompanhar na aventura. Na sala de estar, uma charmosa mesa à luz de velas te espera para revelar deliciosos sabores em um menu completo e autêntico, de “memórias gustativas”, cuidadosamente harmonizado com cervejas importadas. O cenário melhorou né? Então bem-vindo ao “Jantar Secreto”.
Naquela quinta-feira estávamos em cinco. Eu, um casal de amigos do coração, e outro jovem e simpático casal, que ficou ouvindo todas as nossas histórias de viagens pela Itália.
A querida sommelier, Larissa Januário, deixou todos à vontade com sua simpatia e espontaneidade enquanto nos apresentava a primeira cerveja: uma Ballast Point Pale Ale dourada e aromática, feita em San Diego (EUA). Cozinheira de mão cheia, Larissa veio “du Goiás”, ama pequi e também sabe fazer cerveja, mas não quer se arriscar a servir suas criações. “Se alguém disser que não gostou da minha cerveja, não vou suportar”, confessou dando risada.
Começamos com um petisco alemão: canapés de linguiça Blumenau fresca com mostarda escura, uma fina fatia de pepino e cebolinhas para refrescar, em pão de milho torradinho. O chef, Gustavo Rigueiral, apaixonado por novos sabores e ingredientes frescos, contou que a ideia surgiu com a Larissa durante um jogo da Copa. O resultado do jogo com a Alemanha a gente não comenta, mas o petisco era saboroso e leve. E quando faltava aquele último canapé no prato, naquele momento “vai que é tua”, veio uma segunda rodada. Um refil de alegria.
A entrada e sua cerveja acompanhante foram um dos pontos altos do jantar, na minha opinião. Lá estava eu falando da cervejaria Baladin, pela qual me apaixonei na Itália, quando Larissa sai da cozinha com uma garrafa de Baladin Wayan nas mãos. “Não acredito!”, exclamei. Depois de provar a cerveja artesanal com especiarias fiquei mais emocionada ainda.

O chef Gustavo explicando a entrada incrível do jantar e a sommelier Larissa que me surpreendeu com a cerveja italiana Baladin Wayan
Da memória de infância, em Santos, e do cuscus paulista da esposa, Gustavo tirou um casamento de casquinha de siri e cuscus cremoso com brotinhos de coentro e vinagrete de cebola roxa com pimenta biquinho. Era pra comer de colher, literalmente. O ácido e crocante da cebola mesclado à suavidade do siri no cremoso cuscus-casquinha, com brotinhos delicados por cima eram tudo de bom. Equilibrado, reconfortante e perfeito com a explosão de sabores da Wayan.
No prato principal, mais revelações. Já ouviu falar de “flat iron”? Pouca gente conhece esse corte dianteiro do boi porque que a maioria dos açougues não oferece, mas vale procurar em casas especializadas (o Paladar escreveu sobre o tema em outubro. Veja aqui). O prato veio embalado pela floral Mermaid’s Red, red ale californiana da Coronado Brewing.

Entrada triunfal: casamento de casquinha de siri e cuscus paulista com vinagrete de cebola roxa, pimenta biquinho e brotos de coentro
Para acompanhar o filé bem macio e de sabor marcante, foi servido um leve purê de milho com folhinhas de cambuquira e um molho com pequi. E aí o Gustavo revelou que torcia o nariz para o fruto e chegava a sair de casa quando a Larissa prepara algum prato com o ingrediente. Mas um belo dia, o chef descobriu que pequi vai bem com ingredientes lácteos e aí surgiu uma nova chance para o pequi. A gente adorou experimentar. Não sobrou um pedacinho de filé no prato.

A red ale californiana Red Mermaid’s acompanhando o “iron flat”, um filé especial com purê de milho e molho de pequi
Por fim, quando você acha que já descobriu tudo do jantar secreto, vem a sobremesa. Primeiro, todos recebem marmitinhas de alumínio fechadas e suas taças são servidas com a trappiste Gregorius, escura e potente (9,8% de grau alcóolico). E então o chef dá “ok” para abrirmos as marmitas e descobrirmos a rabanada de brioche, sua versão da memória natalina, com calda de creme e cumaru, a baunilha da Amazônia. Enquanto servia a calda em um bule, Gustavo falava da manteiga de pistache, que você vai descobrindo quando passa a colher no fundo da marmita. E a cerveja dos monges só intensifica os sabores. O resultado é divino e você não quer que acabe.
Aproveito para revelar que já conheço dos anfitriões há um bom tempo. A Larissa, das coberturas de tecnologia e depois no mundo dos blogueiros. Ela com o Sem Medida, que virou um espaço on-line de gastronomia, e depois o Gustavo com o Chef-à-Porter, nome de sua empresa de catering, tortas e pães. Tempos depois, a gente se encontrou na rua e descobri que eles tinham se mudado para o meu prédio. Adorava subir no nono andar pra ficar batendo papo com esses vizinhos. Era raro sair de lá sem uma marmitinha.
Quando soube do “Jantar Secreto”, que já teve 26 edições neste ano de estreia, já vibrei com a ideia. E ainda tive a felicidade de conhecer a cozinha autoral do Gustavo e o lado sommelier da Lara com os amigos Alê e Fabi, que também conhecem o casal de longa data. Sim. O mundo é um ovo de codorna bem temperado.
A experiência toda, com harmonização de cervejas, custa R$ 130. Sem as cervejas sai por R$ 90. As reservas são feitas pela plataforma Food Pass em algumas datas por mês (fique de olho). Se preferir levar vinho, a rolha não é cobrada, e se tiver restrições alimentares, o chef adapta o menu secreto para você. Duvido que, depois de tudo isso, você queira volta à cena do primeiro parágrafo.
Giro d’Italia: molhos secretos da mamma em Bologna
novembro 30, 2014
Quando cheguei em Bologna, a primeira coisa que eu queria saber era onde provar um bom ragù alla bolognese. Foi exatamente o que perguntei à Dona Edda, a simpática senhora italiana proprietária da casinha onde ficamos em Bologna. E ela respondeu de pronto: “O meu! Eu faço! Vocês também gostam de molho de prosciutto e cippolla? Vou trazer mais tarde para vocês”. Fiquei meio sem saber o que dizer. Achei que não tinha entendido direito, mas era isso mesmo. Eu ia experimentar os verdadeiros molho da mamma.
Naquela noite, acabamos indo à Osteria Dell’Orsa, uma antiga taberna no centro histórico, onde circulam turistas e estudantes da universidade mais antiga do mundo. Chegamos cedo (eles não aceitam reservas), famintos e abrimos os trabalhos da cozinha, que oferece pratos quentes e sanduíches com ótimos preços.
Pedimos um bom tinto da casa e uma porção deliciosa de queijo tipo cottage e tigelle, pãezinhos redondos quentinhos tradicionais da Emilia Romagna. Na sequência, um belo prato de tagliarini com o famoso ragù. O molho bem consistente e saboroso já vem misturado à massa caseira, tipo macarronada. Alegria.
Voltamos para casa felizes da vida, sem saber que o melhor estava por vir. Na porta, a Dona Edda deixou uma sacola com a nossa “marmitinha”: um pote de ragu à bolognesa, outro com molho de prosciutto, uma Tupperware grande cheia de tagliarini fresco e um potinho de queijo ralado. É para amar essa pessoa per sempre.
Nem preciso dizer que o molho à bolonhesa da Dona Edda era maravilhoso (suave e equilibrado) e muito melhor do que o da osteria, mas a grande surpresa foi o sensacional molho de presunto cru, cebola e tomatinhos. Perfeito com o levíssimo tagliarini fresco. A porção rendeu duas refeições e agradecimentos sem fim para a Dona Edda. Só faltou ela me dar a receita que eu pedi duas vezes, mas imagino que uma italiana que se orgulha de sua comida também prefira guardar alguns segredos.
Osteria dell`Orsa
Via Mentana, 1 – Bologna
Tel.: + 39 051 231 576
Giro d’Italia: Vinho, drink e jantar em Verona
novembro 20, 2014
Itália, amore mio. Difícil não se apaixonar por uma terra que cultiva tão bem a tradição de seus produtos e a celebração de seus sabores. Felizmente, três anos depois do amor à primeira visita, o Braun Café fez um giro de 15 dias pelo Norte do país. Nos próximos posts, você encontrará dicas preciosas desta viagem pela gastronomia emocional italiana. Veja mais fotos e dicas no Flickr do Braun Café. Andiamo!
Começamos pela romântica Verona, onde osterias e restaurantes se revelam aos amantes da boa comida entre vielas e becos. Em um deles está a Antica Bottega Del Vino, aberta em 1890 a poucos quarteirões da Casa di Giulieta. A carta (lousa) de vinhos em taça e os petiscos (cichetti) no balcão merecem uma parada. Prove uma apetitosa e picante porção de coxinhas de codorna acompanhada de uma taça de vinho branco Lugana por 5 euros.
Vale esticar o happy hour no Frizzante Lab e se perder na respeitável carta de coquetéis do local, que vai dos dry martinis aos moleculares. Se quiser pegar leve recomendo uma taça de Romeu e Julieta, com prosecco, licor de framboesa e gelo. Aos mais animados, a dica é o “Corpse Reviver #2” com gim, vermute e suco de limão siciliano. Os preços dos drinks (7 euros, em média) também são animadores.
O laboratório rendeu uma segunda visita. Dos moleculares provei um drink ‘lúdico’ de prosecco e ‘pérolas’ de licor que estouravam na boca, primeiro frutadas e depois amargas. Desta vez, além de batatinhas fritas, a casa ofereceu uma porção com salame picante, queijo de cabra e pãezinhos. Adorável.
Para o jantar, a duas quadras do Frizzante, descobrimos o Tre Risotti, com boa comida local, atendimento simpático e preços acessíveis. Os pratos custavam de 7 a 10 euros, em média, sendo que o mais caro, um mix de carnes grelhadas para uma pessoa (faminta) custava 10 euros.
O Tre Risotti também mereceu bis. Na primeira vez provei uma tradicional tagliata di manzo (filé mignon ao ponto cortado em tiras com parmesão e rúcula fresca), mas o risoto do dia, de abóbora com gorgonzola, como o nome do restaurante já indica, foi o destaque. Simples, delicioso e inesquecível.
Antica Bottega Del Vino – Vicolo Scudo Di Francia, 3 – Verona, Itália Tel.: +39 045 800 4535
Frizzante Lab – Via Marconi, 15 Tel.: +39 388 436 0548
Ristorante Tre Risotti – Via Poloni, 15 – Verona, Itália Tel.: +39 045 594 408





























