Madri no quintal

agosto 11, 2013

Porção de tosstas do La Madrileña: destaque para a versão com quejo de cabra e cebolas caramelizadas

Tostas do La Madrileña: destaque para a de quejo de cabra e cebolas caramelizadas

Encontrar amigos queridos em um quintal charmoso, provando tapas e vinhos, a tarde toda, é um convite à felicidade.

Passei em frente ao La Madrileña, em Pinheiros, quando fui conhecer o polonês Maria Escaleira, e fiquei curiosa com a bandeira da Espanha no mesmo quarteirão. De cara, a vinoteca e restaurante espanhol bar ficou marcada na memória. Quando descobrimos, no site, que a casa tinha mesas no quintal, não houve dúvida.

Mesinhas no quintal da vinoteca em Pinheiros

Mesinhas no quintal da vinoteca em Pinheiros

A ideia inicial do lugar, aberto por dois brasileiros que viveram anos em Madri, era ter uma importadora e loja de vinhos espanhóis, mas a demora no processo de liberação fez com que os sócios Edson Sarabia e Emerson Mafra abrissem as portas, há um ano e oito meses, servindo comidas típicas – preparadas pela mãe de Edson, Dona Luisa, que é espanhola mesmo. Além das mesinhas na entrada e do quintal, a vinoteca tem um salão no andar superior e abre também para o jantar.

As tradicionais "papas bravas" com molho nervoso

As tradicionais “papas bravas” com molho nervoso

Descendo uma escada e subindo outra fomos levados a um espaço tranquilo e arborizado, nos fundos, que também tem uma parte com cobertura para os dias de garoa. O cardápio, de entradas, tapas e principais está descrito em uma única lousa que a jovem Natália – sobrinha de Edson, nascida no Brasil e criada em Astúrias – leva aos clientes.

Jarra de sangria da casa (R$ 36). Vinhos em taça custam entre R$ 15 e R$ 18.

Jarra de sangria da casa (R$ 36). Vinhos em taça custam entre R$ 15 e R$ 18.

Começamos por uma dupla de tostas de presunto (jamón) com ovo de codorna estrelado e surpreendentes tapas de queijo de cabra com cebola caramelizada (não deixe de provar), que saem R$ 36 a porção com quatro tostas. Outra boa pedida da casa são os pintxos (espetinhos) de frango empanado com molho de mostarda e mel (R$ 18). Para embalar o momento, uma jarra de sangria de vinho tinto, leve e refrescante (R$ 36).

As “papas bravas” (R$ 18) são nervosamente apimentadas, como na Espanha. Não espere batatas assadas com molho “magoado”. E se você é bravo com pimentas vai gostar. A tradicional tortilha com cebola (R$ 12) também é uma boa pedida.

"Croquetas" de frango e queijo roquefort inspiradas na nossa amada coxinha

“Croquetas” de frango e queijo roquefort inspiradas na nossa amada coxinha

Uma curiosidade da casa é a porção de “croquetas de frango com queijo” (R$ 18). “Parece coxinha, mas não é”, disse o garçom, que achou uma boa forma de descrever o quitute. De fato, os bolinhos fritos com massa crocante por fora e macia por dentro recheados de peito de frango e gorgonzola são muito apetitosos e bem inspirados na nossa amada coxinha.

Versão de tiramissú da Dona Luisa com calda de frutas vermelhas.

Versão de tiramissú da Dona Luisa com calda de frutas vermelhas.

Em um dia de calor, o sauvignon blanc Emina, vinho levemente frutado da região de Rueda, é uma das opções (R$ 55). As taças variam de R$ 15 a R$ 18 e o Emerson dá ótimas dicas.

A sobremesa da casa pode parecer um pecado dos mais graves: tiramissu com calda de frutas vermelhas. O clássico italiano é dos meus doces favoritos da vida e não o mudaria por nada, mas confesso que o crime compensa.

La Madrileña
Rua Cônego Eugênio Leite, 1127 – Pinheiros – São Paulo
(11) 3034-0344

A sopa de beterraba barszcz 'uma das entradas do polonês Mara Escaleira

A sopa de beterraba barszcz é uma das entradas do polonês Mara Escaleira

Novo endereço: O restaurante mudou para a Rua Mourato Coelho, 53, também em Pinheiros. (informação da gerente Vanessa Wica, em 17/01/2014, ao Braun Café)

O nome “Maria Escaleira” é um homenagem à avó portuguesa da proprietária Vanessa Medrado Wica, que abriu o restaurante ao lado do marido, o chef Andrzej Wica, para oferecer culinária caseira da Polônia e do leste europeu. “Os poloneses que vêm aqui comentam que se lembram da comida da mãe ou da avó”, conta Vanessa.

Porção de Lango Bread, o "bolinho de chuva" salgado da Polônia

Porção de Langos Bread, o “bolinho de chuva” salgado da Polônia

O cardápio inspirado no livro de receitas da avó de Andrzej tem entradas (R$ 17) como a saborosa sopa barszcz (“barsh”), com toque de vinagre e pedacinhos de beterraba. Minha irmã gostou tanto que ficou com desejo de só pedir, e repetir, barszcz na próxima visita. Outra surpresa boa é a porção de langos bread,  bolinhos fritos com massa de batata que mais parecem bolinhos de chuva. Os langos são acompanhados de cream cheese e um agradável chutney de cebola roxa que ameniza o tom salgado dos bolinhos.

Goulash polonês com atrigo sarraceno e creme de cenoura

Goulash polonês com trigo sarraceno e creme de cenoura

Nos pratos principais (porções individuais de R$ 30 a R$ 35, em média) há clássicos como o goulash (picadinho de carne com molho de vinho e páprica) e o pierogi (massa cozida, similar a um ravioli, com recheio de batata e queijo e variações com queijos e espinafre, chucrute ou salmão). Além do chef, o crédio também vai para a cozinheira Thais H.Carvalho.

Pierogi com recheio de batata e queijo com molho de manteiga e bacon crocante

Pierogi com recheio de batata e queijo ao molho de manteiga e bacon crocante

A versão polonesa do goulash acompanha trigo sarraceno e um creme de cenouras levemente adocicado. Optamos pelo pierogi recheado de batata e queijo com molho de manteiga e pedacinhos de bacon crocante. Simples, bem feito e equilibrado. Pena que, desta vez, não sobrou espaço para a sobremesa, que conta com opções interessantes como bolo de sementes de girassol e o Piernik, tradicional bolo de mel com recheio de doce de damasco e cobertura de chocolate (R$ 14).

A fachada do Maria Escaleira, em Pinheiros

A fachada do Maria Escaleira, em Pinheiros

No almoço, durante a semana, o menu tem preços bem convidativos (R$ 25 a R$ 26, o prato) e inclui o ‘Stroganoff Maria Escaleira’ servido com arroz e purê de batata (R$ 29).

Para acompanhar os pratos há opções como vodka polonesa e vinhos. A taça do chileno Cefiro tem preço salgado (R$ 16).

Maria Escaleira
Rua Mourato Coelho, 53 – Pinheiros
São Paulo – SP
Tel (11) 2364-9913

Os doces da Dona Tita

julho 14, 2013

As trufas da "Dona Tita"

As trufas da “Dona Tita”

Com dois anos de idade, a pequena Andrea resolveu fazer um ovo frito. Enquanto a mãe lavava o carro, a caçula Tita, única menina de cinco filhos da família Borges, colocou uma cadeira em frente ao fogão e quebrou um ovo, com casca e tudo, na frigideira. Dona Cleuza levou um susto quando encontrou sua filha sapeca olhando curiosa para ver o que ia acontecer ao ovo, com o fogo desligado. Aquele foi o primeiro episódio de uma doce história com a cozinha.

Tita virou a confeiteira da família e dos amigos. Fazia, e ainda faz, bolos, doces e outros quitutes para as celebrações. Depois de muitos elogios e incentivos, aos 33 anos, Andrea Drska, casada com o Moacir e mãe de dois filhos, resolveu arrastar a cadeira de novo para perto do fogão. No fim do ano passado, ela deixou a área comercial de uma grande empresa e decidiu apostar em seu talento criando a “Dona Tita”. Na cozinha de casa, no bairro do Ipiranga, Andrea e sua aliada, a designer Alessandra Tanabe, se dedicam à arte de preparar e decorar docinhos, bolos, trufas, bem casados e outros quitutes para eventos e festas.

O Braun Café teve a grata oportunidade de provar um pouco do talento da Dona Tita. O “review” de trufas, cupcakes e bem casados também contou com a ajuda de colegas de redação, que gentilmente enviaram suas avaliações para este post (veja abaixo).

Cupcake de chocolate com recheio de brigadeiro

Cupcake de chocolate com recheio de brigadeiro

Os quitutes da Tita se destacaram pelo capricho, qualidade, consistência e equilíbrio. Em todas as avaliações, o doce “não muito doce” foi um comentário frequente. Isso mostra a habilidade em saber dosar o açúcar para que uma trufa com recheio de nutella ou um cupcake de chocolate recheado de brigadeiro, por exemplo, não caiam no enjoativo.

A Tita conta que adora fazer bolos e seus cupcakes são realmente adoráveis. O bolinhos de chocolate bem macios, que revelam recheios cremosos de brigadeiro ou de leite condensado, foram aprovados.

O bem casado é um dos motivos de orgulho da confeiteira, com razão. Ao provar o primeiro e delicado pão de ló fofinho unido por uma camada de doce de leite na medida certa, não resisti a experimentar outro, logo na sequência. Sabor de ovo, certamente, passa bem longe do bem casado da Tita. Por pouco não sobrou nenhum para compartilhar. “Muito bem feito”, disse a Laura Naime, que é uma fã exigente deste tipo de doce.

Delicado e macio, o bem casado é um dos orgulhos da Tita

Delicado e macio, o bem casado é um dos orgulhos da Tita

As trufas fizeram sucesso. Provamos sabores com recheio tradicional, de nutella, brigadeiro, cereja e maracujá. Vamos às opiniões dos colaboradores:

“Ao dividir a trufa em duas partes, tem-se a primeira surpresa. No lugar daquela massa homogênea, com cor e cheiro de suco industrial, comum em muitas trufas de maracujá que se compra por aí, o que aparece é um recheio que até parece (veja só!) maracujá. Um amarelo escurecido, com direito às sementes da fruta. O sabor também surpreende, lembra o tradicional mousse de maracujá feito em casa, mas com menos consistência. Aliás, para os mais apressados, é necessário certo cuidado, pois o recheio, quase líquido, pode escorrer bombom afora. A qualidade do chocolate também merece destaque, desde a superfície fina que ressalta o sabor de maracujá até a base mais espessa que traz o toque adocicado.” (Karina Trevizan)

Trufa com recheio cremoso de maracujá de verdade (Foto: Karina Trevizan)

Trufa com recheio cremoso de maracujá (Foto: Karina Trevizan)

“Comi a trufa de brigadeiro e, para a minha surpresa, o recheio era de brigadeiro mesmo, bem molhadinho por dentro. Geralmente, os recheios de brigadeiro – negrinho lá no Rio Grande do Sul –  das trufas são em pasta, pesados e geralmente ficam cristalizados e duros. A sensação é de que ele estava fresquinho. E o melhor é que o chocolate não estava muito duro, o que não machuca a boca nas mordidas, e também não era uma camada exagerada. Foi tudo na medida.” (Gustavo Petró)

“Eu já tinha comido chocolates trufados com maracujá antes, mas nunca o recheio era tão saboroso nem fresco (com direito até a sementinhas da fruta). O chocolate é bem saboroso, mas acho que podia ter mais.”(Roger Modkovski)

Trufa recheada de brigadeiro (Foto: Gustavo Petró)

Trufa recheada de brigadeiro (Foto: Gustavo Petró)

As trufas são encomendadas por dúzias, mas para dar uma ideia de preços, as grandes, do tipo bombom, custam R$ 4,50 a unidade e as trufinhas saem por R$ 3 cada. O cupcake custa R$ 7, em média, e cada bem casado sai por R$ 2. O site www.donatita.com.br está em construção, mas a página Dona Tita no Facebook tem fotos atualizadas dos confeitos para festas.

Parabéns à Tita por confiar em seu talento e fazer o que gosta. Espero que muitas pessoas provem os deliciosos resultados. Agradeço também a todos os colegas que mandaram suas opiniões e participaram deste doce review. Grazie!

Dona Tita
(11) 2061-7108
contato@donatita.com.br

Tutto Italiano

março 17, 2013

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Rossini, o primo do Bellini com morangos, entre os drinks do Tutto Italiano

Vou tirar o pó da mesa aqui do Braun Café para recomendar um restaurante e bar que faz uma homenagem aos sabores e ao estilo da Itália. Aberto em meados do ano passado nos Jardins, o simpático e descontraído Tutto Italiano é uma boa pedida para um drink, jantar ou ambos (a casa também abre para o almoço).

As mesinhas na varanda, logo na entrada, são um convite aos aperitivos no fim do dia. Além dos vinhos em taça (R$ 18, em média) ou garrafa, a carta de drinks tem uma área especial para clássicos como Negroni, Bellini e Spritz (R$ 23 cada). Provei o Rossini, uma versão do Bellini com creme de morangos e prossecco (leve e bem doce). O Fábio foi de Negroni, um dos exemplos de que a Itália ama Campari. Eles também amam a bela atriz Claudia Cardinale, sucesso na década de 60, que estampa os jogos americanos ao lado de Enzo Ferrari.

Negroni e Claudia Cardinale

O Negroni e a Claudia Cardinale

Se quiser ficar só nas entradas para acompanhar os drinks, não faltam opções apetitosas como a burrata com aliche, pinolis e tomatinho (R$ 26 ) ou o Peposo, receita toscana de carne cozida lentamente com vinho e cesta de pães para não deixar escapar nenhum pouco do molho delicioso (R$ 26).

O cardápio faz jus ao nome, tem “tutto” de bom – da saltimboca à bisteca de vitelo à milanesa (R$ 48), dos risotos às massas (carbonara, matriciana, vongole, frutos do mar etc.). A galinha d’angola ao molho de pimenta verde (R$ 48) também parece interessante. É aquele negócio: você faz o pedido já pensando nas opções para a próxima vez (dá uma olhada no cardápio).

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Depois  do Peposo resolvemos optar por uma massa para os dois. Os pratos são individuais e a casa não traz a porção dividida (seria mais simpático se o fizessem), mas oferece um pratinho extra.

O linguine ala matriciana estava saboroso, embora o sal tenha passado do ponto e a presença de cebolas tenha me surpreendido um pouco – diz o cardápio que é a tradicional receita da cidade de Amatrice.

Linguine à matriciana (com cebola)

Linguine à matriciana (com cebola)

Aliás, se quiser preparar uma massa à matriciana em casa recomendo uma visita ao site www.matriciana.com.  A página, em italiano, descreve a verdadeira receita da cidade e destaca que o queijo pecorino tem que ser o suave de Amatrice. “Nada de pecorino romano salgado e forte, que altera o sabor”.

Depois de um Peposo, duas taças de vinho e una pasta não sobrou espaço para a sobremesa. O tiramissú (R$14) estava lá, em destaque, convidando ao dolce ao lado da panna cotta, da baba ao rum, do merengue de morango e tutto mais.

Tutto Italiano
Alameda Tietê, 665 (esquina com a Rua Melo Alves) – Jardins
Tel.: (11) 3061-9639
E-mail: tutto@tuttoitaliano.com.br
Horários: Segunda a quinta das 12h às 16h e das 19h à meia-noite. 
Sexta e sábado: das 12h às 2h
Domingo: das 12h às 17h

No Bueno, a especialidade é o teishoku. “No sushi. No sashimi”

No salão térreo do restaurante japonês Bueno, na Alameda Santos, um cartaz dá o recado aos clientes: “No sushi, no sashimi!”. A especialidade da casa é o teishoku, o PF japonês. “Aqui servimos o que os japoneses comem no dia-a-dia”, diz Wilson, que era cliente da casa e acabou virando sócio. Continue lendo »