Caminho para a Índia
abril 20, 2008

(O delicioso caminho para a Índia, do lado de casa. Foto: Divulgação)
Nem sempre é fácil fazer um pedido em três pessoas, especialmente diante do vasto cardápio de um restaurante indiano. Há algumas semanas estive no meu vizinho, o Tandoor, com duas amigas e fizemos o que eu chamo de pedido perfeito. Todas ficaram muito satisfeitas e sobrou apenas a boa lembrança para contar a história.
Tandoor é um forno côncavo feito com um barro especial do Norte da Índia onde são preparadas carnes assadas no espeto ou o naan, um pão achatado como o sírio, assado nas bordas do forno. Ele é servido quente, bem macio e seu sabor levemente adocicado casa muito bem com molhos chutney, de iogurte com hortelã, de tamarindo e outros servidos de entrada. Você pode variar pedindo o naan de alho, mas não dispense os molhinhos.

(Frango e naan: especialidades do forno de barro. Foto: divulgação)
Para beber, se não estiver a fim de um chardonnay ou de uma cerveja leve, que harmonizam muito bem com a temperada comida indiana, peça o Lassi – yogurte batido com groselha que leva essência de rosas e que tembém tem uma versão batida com sal. Quem já esteve na Índia recomenda o yogurte para rebater os efeitos dos inevitáveis pratos apimentados de lá. Nós pedimos o Sherbet, refresco simples com a groselha vitaminada indiana.
Degustando o naan fica mais fácil estudar o cardápio de um restaurante indiano. Digo estudar mesmo porque você se depara com praticamente todas as carnes, peixes e vegetais preparados das mais variadas formas e de difícil pronúncia. Escolhemos o Saagwala Gosht (carneiro cozido em purê de espinafre, tomate e gengibre), o Vegetable Curry Mix (vegetais ao molho curry), uma porção de arroz branco e o Murg Tikka Masala (cubos de frango lentamente assados no tandoor com cebola e especiarias).

(Entrada do Tandoor, bom preço e ótima comida. Foto: divulgação)
O “lentamente assados” nos custou uma espera maior do que a habitual, mas valeu a pena. Os cubos de peito de frango com cebola estavam tenros e deliciosos, como todo o pedido. Para arrematar pedimos uma porção de Kesari pullao, o arroz, desta vez com especiarias – o vermelho intenso e o consequente sabor dão mais graça ao acompanhamento.
O pedido não tinha nada apimentado, mas quem quiser arriscar já encontra a sinalização dos picantes no cardápio. Ao final da refeição, o trio ficou satisfeito. Reparei que, apesar dos temperos fortes, a comida era leve e não me deixou com azia, como já aconteceu no querido Gopala Prasada, popular vegeta-indiano da cidade. Prefiro sair do restaurante com lembranças da Ásia, com ‘s’.
A conta do banquete foi justa: R$ 40 por pessoa. Pulamos a sobremesa e não pedimos bebidas alcóolicas, mas o preço é inferior ao de concorrentes como o Govinda ou o Ganesh. E quem trabalha pelas redondezas ainda pode pagar menos. No almoço, durante a semana, das 12h às 15h (exceto nos feriados) é servido um buffet das especialidades, que custa R$ 20 por pessoa.
Tandoor – Rua Dr. Rafael de Barros, 408, Paraíso. São Paulo. Tel: (11) 3885-9470.
Só mais um cafezinho
abril 9, 2008
O juiz da 31ª Vara Civel do Tribunal de Justiça de São Paulo precisa tomar um café e estudar um pouco mais sobre direito eletrônico.
Não bastou a justiça ordenar o bloqueio de todo o YouTube para preservar a intimidade de Daniela Cicarelli e seu namorado na Espanha, agora uma nova ordem judicial ameaça bloquear todo o WordPress no Brasil.
Tecnicamente, segundo a Abranet, a ordem judicial direcionada a um blog com conteúdo criminoso – Pedro Doria achou melhor omitir o endereço por segredo de justiça – determina o bloqueio de todo o WordPress e não apenas do blog. A associação de provedores tenta explicar a questão ao juiz.
Enquanto ainda estamos no ar, aproveito para publicar duas belas imagens da Bolsa do Café, em Santos.
Esta ótima dica de passeio dos amigos Maurício e Kay pode ser uma opção aos 3 milhões de internautas residenciais brasileiros que correm o risco de ficar sem a leitura de seus blogs favoritos neste final de semana.

Pergunte o pó…
abril 7, 2008
“It´s all in the beans… and I´m just full of beans.”
O slogan pertence a uma marca de café. E quem dirige a empreitada? Consegue imaginar?
Quando vi essa home page fiquei imaginando as reações de quem tomaria um café de David Lynch – é ele mesmo, o diretor cult de cinema – no pacato intervalo do almoço. Entrar em um período de longo “Silêncio”? Sair para comprar cigarros e nunca mais voltar? Voltar ao expediente com uma nova idendidade? Imagino que a idéia seja defintivamente fugir da mesmice.
Gui Felitti me tirou da rotina ao enviar esse link na semana passada. Ele tinha acabado de comprar uma cafeteira de espresso da Electrolux por menos de 400 reais. Fiquei surpresa e logo consultei minhas fontes baristas para saber se era um bom negócio.
A cafeteira em questão não tem moedor – faz uma certa diferença moer o grão na hora – mas a pressão (15 bar) é igual à das boas marcas, como a linha de consumo da italiana Saeco.
Felitti acertou em cheio. Como diz o Mau Fogaça, sem a pressão certa, o café não fica cremoso e azeda até o melhor pó do mundo. Nem o David Lynch resolve.
Quem faz espresso em casa pode investir em ‘blends’ mais bacanas. A dica do Henrique Martin é o “Cafeterie” do Café do Ponto (17 reais o pacote de 500g no Pão de Açúcar) e o Café Suplicy ‘Torra Escura’ (cerca de 40 reais o quilo). Kay e Mau indicam Astro Café e Fazenda Pessegueiro.
Não dispenso um bom espresso, mas em casa ainda fico com o café fresquinho, passado na hora. E mesmo no coador de papel, um Confraria do Cafeera faz uma bela diferença.
Coado, espresso ou na cafeteira italiana, todo mundo tem seu café favorito. Qual é o seu?
O segredo do Seu Oswaldo
março 23, 2008

O Seu Oswaldo, inventor do venerado cheese salada com molho de tomates, no lugar dos tradicionais tomates crus, faleceu no final de janeiro. Sua criação, felizmente, continua viva e fazendo a alegria de muita gente que não se importa em pegar fila, especialmente aos sábados, para saborear um sanduba em pé ou em um dos 15 lugares no balcão.
O segredo do tal molho de tomates, que se mistura perfeitamente à maionese a cada mordida, já não é exclusividade da pequena lanchonete da Rua Bom Pastor, no bairro Ipiranga.
Chapeiro vai, chapeiro vem e a concorrência da região acabou descobrindo, ou pelo menos tentanto imitar, a fórmula do Seu Oswaldo.
Renata Bitar, que é do bairro e sempre foi fã do Oswaldo Hamburgueres, diz que já experimentou e aprovou os ‘covers’ da lanchonete Kaskata´s e do bar Gandaia. Outra amiga que mora na região, a Celi, diz que o Kaskata´s tem a vantagem de ficar aberto até as cinco da manhã às sextas e sábados, o que garante o sanduba pós-balada.
Já o Gandaia, cujo chapeiro parece ter vindo do Kaskata´s, aposta na promoção para atrair os fãs do cheese salada com molho. “Você pede dois lanches e ainda tem desconto nas fritas”, lembra Bitar. “A boa pedida é o cheese salada caprichado na maionese, que eles fazem muito bem”, ela recomenda.
Seu Oswaldo deixou seu lugar atrás do balcão, mas pode ter a certeza de que sua idéia vai acabar virando referência. Não se espante se, além do ‘Bauru’, a lanchonete da sua esquina começar a oferecer o ‘Cheese Oswaldo’, no cardápio.
Oswaldo Hamburgueres – Rua Bom Pastor, 1659 – Ipiranga.
Kaskata´s Lanches – Rua Silva Bueno, 1641, Ipiranga – São Paulo. Tels: (11) 6591-3355/2272-0203. Domingo a quarta até 2h. Sextas e sábados até 5h.
Gandaias Bar – Rua Costa Aguiar, esquina com a Rua Lord Crockane, Ipiranga – São Paulo.
Creme Brûlée em Paris
março 19, 2008

*Por Fabi MonteCreme Brûlée (acabo de descobrir que se escreve assim) sempre foi uma de minhas sobremesas favoritas. O sabor é leve, suave e, ao mesmo tempo, tem personalidade. Acho que ela vem da crosta de açúcar queimado que se quebra quando você enfia a colher, revelando aquele creme amarelo clariiiinho.
Sempre que vou a um restaurante e o creminho danado aparece no cardápio, é minha escolha como sobremesa.
Tive o privilégio de experimentar em Paris um creme brûlée muito gostoso. Não sei se é o melhor de Paris, mas para mim teve – e sempre terá – um gostinho especial.

Estava vagando pela cidade, nos arredores do Jardim de Luxemburgo, e escolhi, aleatoriamente, um bistrô para almoçar. Com apenas dez mesas, além de aconchegante, o restaurante Les Fontaines é bem localizado – fica exatamente em frente ao Panthéon. Escolhi uma mesa de frente para a porta, de propósito, para ver a cidade passar.Como todo bom turista, pedi um “Menu du jour” e uma taça de vinho. O menu era uma saladinha de folhas verdes e pão, muito pão. Como prato principal, uma massa bem saborosa, acompanhada de um delicioso filé.
A sobremesa não aparecia no menu – à escolha do Chef. E, para minha alegria, era Creme Brûlée. Ponto para os franceses! Gastei 18 euros e voltei a vagar, feliz, pelas ruas de Paris.
Les Fontaines – 9 Rue Soufflot 75005 – Paris.
*Fabiana Monte é jornalista, curiosa, gulosa e tem muita sorte. Adora comer e não sabe o que é engordar. Adora creme brulée e, sem saber, escolheu o lugar certo em Paris.
Dicas
Que tal viajar para sua cozinha e preparar um Creme Brulée? Encontrei uma receita bacana do blog Tomato e Potato.
Uma única vez (que preguiçosa…) preparei um creme brulée no curso do Renato Frias, dono do Chef Du Jour, na Vila Olímpia, em São Paulo. Veja aqui as preciosas dicas do chef:
Após bater os ovos com o açúcar e a baunilha, deixe descansar por 30 minutos para eliminar a espuma. Só depois esquente o creme de leite;
Coloque papel absorvente no fundo da assadeira e água antes de colocar os recipientes com o creme no forno em banho-maria;
Se você não tem um maçarico, pode esquentar uma colher no fogo para queimar o açúcar e fazer seu brulée.




