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Adoro caminhar pelas ruas de São Paulo, sem compromisso, e descobrir um lugar novo. Se for meio escondido é mais legal ainda. Foi assim com o Crepe de Paris, um bistrô aberto há poucos meses no final de uma pequena vila de lojas na Rua Augusta, do lado dos Jardins.

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Estava passeando por lá, do lado dos Jardins, quando um boneco de chef com o cardápio na calçada me convidou a conhecer o restaurante. Já adorei o piso de azulejo decorado e a iluminação natural proporcionada pelo teto de vidro no corredor, além do simpático mezanino no andar superior.

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O Crepe de Paris parece ser uma boa pedida para um café com crepe de nutella ou crème brûlée, um almoço light com salada e crepes salgados (de R$ 16 a R$ 22) ou um jantar romântico com a seleção de vinhos franceses indicada por Pierre Murcia, o simpático proprietário do bistrô ao lado de sua esposa Adriana.

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Optei por um almoço light com filé de frango grelhado extremamente macio (difícil de encontrar na maioria dos restaurantes), arroz integral e legumes em julienne (tiras finas de abobrinha, pimentão e berinjela grelhadas com bastante azeite e cebola). Estava gostoso, embora eu não seja muito chegada em pimentões, mas o preço (R$ 34) não era leve.

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Na empolgação não perguntei o valor do prato do dia, que foi uma das sugestões do garçom, e quase engasguei com o café na hora de pagar a conta. Pelos mesmos 34 reais eu poderia ter pedido cassoulet, filet ao poivre ou fettuccine com camarões, que estão no cardápio. Sugeri que os pratos do dia sejam apresentados em um papel preso ao cardápio.

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Dexter pediu um crepe simples de presunto e queijo, que saiu muito bem na foto (R$ 18), mas ainda sinto falta das versões com trigo sarraceno do extinto Crepe de France.

Tirando o preço salgado do prato light, o Crepe de Paris ainda renderá novas visitas pelo capricho na elaboração dos pratos e pelo atendimento bastante atencioso.

Bistrô Crepe de Paris
– Rua Augusta, 2.542 (Loja 12) – Cerqueira César. Tel.: (11) 3063-1675

Programa sem erro

junho 20, 2009

Rondelli verde com molho romanesca do Pasta & Vino

Rondelli verde com molho romanesca do Pasta & Vino

Aqui vai uma dica cultural e gastronômica, sem erro, para o final de semana: a adaptação de “A Comédia dos Erros“, em cartaz no Teatro Imprensa, e um jantar no Pasta & Vino, na sequência. Junte estes dois clássicos, em boa companhia, e a felicidade está garantida.

Há muito tempo queria conhecer o Pasta & Vino, aberto em 1992, nos Jardins, que oferece um extenso cardápio da cozinha italiana 24 horas. É uma ótima pedida para fugir do cheese salada, que rima com a fome pós-balada, e das cantinas do Bixiga lotadas pelo público dos teatros.

Boa pedida após um programa cultural ou balada em São Paulo

Cantina 24 horas: Boa pedida após um programa cultural ou balada em São Paulo

Depois de assistir a divertidíssima adaptação de Shakespeare, a convite do querido Marcelo Laham, que arrancou gargalhadas e aplausos espontâneos da plateia (veja aqui um trecho da peça), juntamos os amigos de fé para jantar por volta das 23h no restaurante que não para nunca.

Para começar a celebração pedimos um leve vinho Trentino, o Mezzacorona (R$ 58), com a ajuda do sommelier Bartholomeu, que agradou a todos.

Rigatoni com abobrinha e parmesão (R$ 22 a porção individual)

Rigatoni con Le Zucchini: a bela dupla abobrinha e parmesão por R$ 22 (porção individual)

O couvert (R$ 6), simples e gostoso, inclui pão italiano, manteiga, sardela e bom patê de queijo. Para animar a espera, que pode ser longa, alertou Laham, divida a sopa de cebola (R$ 25,50) com alguém. A porção é farta e concentrada, porém deliciosa e vem com uma camada de pão gratinado com queijo por cima – bem melhor do que o minestrone (R$ 20), que estranhei ser feito com caldo de feijão.

Minestroni com caldo de feijão? Melhor dividir a Sopa de Cebola de entrada

Minestroni com caldo de feijão? Melhor dividir a deliciosa Sopa de Cebola de entrada

Os pedidos principais foram o Rondelli Verde (rocambole com recheio de presunto e muzzarela) ao molho romanesca, do Laham e da Mariana (R$ 22 a porção individual e R$ 44 para dois), o Rigatoni con Le Zucchini (abobrinha refogada e parmesão), da Cecília (mesmo preço do rondelli), e o Scaloppine al Gongorzola (com arroz no próprio molho) para Silvia e Rodolfo (R$ 43). Silvia elogiou a leveza do molho porque gorgonzola, geralmente, é power. E eu tomei tanta sopa que pulei o prato principal, mas provei o rondelli da Mari, que estava ótimo.

Agito: jantar com os amigos até 2h sem ver o tempo passar

Agito: jantar com os amigos até 2h sem ver o tempo passar

As sobremesas parecem tentadoras. Vi a preparação do Merengue com Morango (R$ 13) no balcão e vou reservar espaço para ele na próxima vez.

Outro ponto positivo de um restaurante 24 horas é o agito… ele deixa você matar as saudades dos amigos ou ter um jantar romântico, sem ver o tempo passar. Ali não tem garçom olhando feio para sua mesa ou varrendo seu pé na esperança de que você peça logo a conta. E depois de boas risadas e uma refeição gostosa, cheguei em casa às 2h30 da manhã, feliz da vida.

Pasta & Vino – Rua Barão de Capanema, 206 (Esquina com a Rua Peixoto Gomide) – Jardim Paulista. Tels.: (11) 3081-8747 / 3062-7542. Aberto 24 horas (restaurante e delivery). O restaurante entrega em toda a cidade (a taxa pode variar de R$ 2,50 a R$ 10 dependendo da região).

Happy hour de inverno

junho 13, 2009

Academia da Gula: o melhor caldo verde

Academia da Gula: o melhor caldo verde

O inverno é adorável para experimentar caldos e sopas. Se você também os aprecia, não deixe de provar o caldo verde do Academia da Gula, bar e restaurante com especialidades portuguesas, na Vila Mariana.

Por apenas 9 reais, incluindo uma cestinha de mini pães, tomei o melhor caldo verde da minha vida – com couve bem picadinha e uma linguiça defumada especial (eles chamam de chouriço) que deu um sabor incrível ao caldo.

Peça os deliciosos bolinhos de bacalhau de entrada (R$ 18 com 12 unidades ou R$ 9 com seis), um vinho ou uma Serramalte de 600 ml e seu happy hour de inverno está garantido.

Deliciosos bolinhos de bacalhau (R$ 9 a porção com seis)

Deliciosos bolinhos de bacalhau (R$ 9 a porção com seis)

Outras entradas bacanas são a Alheira (lingüiça de alho, pão e carne de porco grelhada no azeite), as Moelinhas à Portuguesa (cozidas na cerveja) e as Punhetas, uma saborosa porção de bacalhau dessalgado e desfiado, com cebola e azeite para comer com pãozinho (R$ 20). A punheta (sem trocadilhos) é tão apreciada que um grupo de portugueses criou recentemente a Confraria da Punheta de Bacalhau para promover a especialidade.

O local também oferece pratos (para duas ou três pessoas) das receitas tradicionais de bacalhau (ao Forno, aos Murros, ao Brás, à Gomes de Sá, às Natas, ao Zé do Pipo), mas os preços são mais salgados.

Mega panqueca à bolonhesa ao sugo (R$ 22 para dois)

Mega panqueca à bolonhesa ao sugo (R$ 22 para dois)

Por estar próxima a um hotel, a casa ainda conta com café da manhã, pratos do dia variados e massas. No jantar, servem lasanhas e panquecas, que são opções boas e baratas. O prato  com duas panquecas à bolonhesa (muito bem recheadas), molho ao sugo e queijo gratinado custa R$ 22 e satisfaz duas pessoas.

Doces portugueses para exercitar a gula

Doces portugueses para exercitar a gula

Para exercitar sua gula dê uma passadinha no balcão em frente à cozinha e escolha um dos lindos doces portugueses feitos por lá. Depois você vai à outra academia para compensar.

Academia da Gula – Rua Caravelas, 374 – Vila Mariana (Travessa da Rua Tutóia). Tel.: (11) 5572-2571
Horários: Segunda a Sexta das 7h às 23h. Sábados das 9h às 17h.

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Você acha restaurantes vegetarianos sem graça, mas gosta de comida indiana? Então experimente o Gopala Madhava e verás que mesmo sem carne é possível atingir o nirvana gastronômico, pagando pouco.

Em um belo sábado nublado estive por lá com o querido Fábio Almeida, cliente veterano do local originalmente conhecido como Gopala Prasada (as sócias se dividiram e o antigo Prasada ganhou um vizinho ao lado, no mesmo esquema). Eu também já gostava do da e resolvemos matar as saudades em um almoço amigo.

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O Caminho das Índias ovo-lacto-vegetarianas tem fila aos sábados, mas ela anda. Aproveite a espera na escadaria enfeitada com pétalas de rosas e prove a ‘caipirinha’ de mentira – aperitivo de limão, mel e muito gengibre – para esquentar.

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A fila anda porque o esquema é simples e rápido: basta escolher um dos dois cardápios completos ou pedir um pouco de tudo e esperar. Rapidamente chegam a saladinha (alface com trigo e tomate), o suco de frutas com xarope de rosas (à vontade) e a sobremesa. Sim, ela é servida antes, mas não é um costume indiano comer o doce com a salada. Espere pelo almoço.

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Fábio e eu pedimos o mix de menus e nos deliciamos com curry de legumes ao leite de coco (praticamente um bobó sem camarão), pakora recheada (uma berinjela à parmegiana indiana) legumes ao forno, arroz integral e quinua com sementes. Tudo bem temperado, delicioso e saudável.

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Comeu tudo? Agora sim você pode pegar o Gulabjamun, um bolinho de doce de leite incrível embebido em calda de rosas. Eu comeria uns cinco, numa boa.

Satisfeito? Pegue sua comanda de 16 reais, pague e experimente o chai (no Gopala escrevem ‘tchai’), chá indiano com leite bem docinho, na saída. Depois faça um passeio na Rua Augusta, pegue um cinema no Espaço Unibanco e beeeijo tchai!

Gopala Madhava
– Rua Antônio Carlos, 413 – Consolação. Tel.: (11) 3253-3844. Saiba mais em http://www.brauncafe.com.br

Hooligan´s

março 21, 2009

Foto: www.squidoo.com/guinness-merchandise

Homenagem ao atendimento do Mulligan no Dia de São Patrício. Foto: http://www.squidoo.com/guinness-merchandise

Acho que o Dia de São Patrício é o Carnaval irlandês. Os pubs promovem Guinness a preços especiais, decoram suas casas com trevos, seus atendentes se fantasiam com as cores da bandeira da Irlanda, os clientes lotam os pubs, bebem a valer, ficam alegres e descontrolados.

Estive no pub Mulligan na última terça-feira (17/03), para comemorar o St. Patrick´s Day e tive uma boa idéia do que é uma administração ‘descontrol’. Por não cobrar entrada – ao contrário da maioria dos pubs do Clã Guinness que cobravam R$ 60 para homens com direito a um pint – o estabelecimento aberto há poucos meses atraiu uma clientela significativa até demais.

Após 50 minutos de trânsito na cidade chuvosa, eu só queria beber minha Guinness com o amigo Pedro, atualmente chef do bar Jazz nos Fundos aos sábados (que chique hein ‘Predo’?). Tinha boas recomendações da Silvia Bassi sobre a comida. E realmente o pessoal da cozinha faz um bom trabalho (ótima porção de picantes chicken wings e gostosas batatinhas ‘jacked’ com cream cheese e cheddar), o que salvou a noite. Pena que só conseguimos pedir alguma comida lá por volta da uma da manhã, quando um garçom simpático, veio nos atender. Antes disso, vou listar alguns episódios da noite:

21h – Conseguimos um cantinho no balcão do pub abarrotado e o semi-pint (menos de 400 ml) de Guinness era servido em copos de plástico. Espero seja apenas no St. Patrick´s Day.

22h – Os clientes continuavam a encher o pub. Encontramos um amigo do Pedro em uma mesa no salão inferior. Algum tempo depois, na hora de pagar a conta, os clientes viram que suas mochilas haviam sido furtadas. Sim… elas foram comprar cigarros e nunca mais voltaram… (ainda não sei como a casa resolveu isso);

"Good things come to those who wait". Foto: http://epica-awards.com

"Good things come to those who wait". Foto: http://epica-awards.com

22h15 – A banda começou a tocar música irlandesa no andar de cima e animou o público a bater os pés no chão. Lá embaixo eu via o teto balançar tanto que comecei a rezar para São Patrício. Funcionou e a estrutura da casa é bem forte;

22h30 – O pub resolveu interromper a entrada dos clientes. Formou-se uma fila na porta, que não andava, mesmo após a saída de diversos clientes que também enfrentaram outra fila enorme para pagar;

22h40 – O amigo Renato foi nos encontrar e empacou na fila. Levei uma Guinness para acalmá-lo. Outras pessoas na espera não estavam tão felizes;

22h50 – O trânsito no salão era pior do que o que peguei para ir ao pub. O atendimento do bar não conseguia dar conta. Cheguei a ver um barman tentando abrir uma garrafa de cerveja com uma faca de serra. O cliente então pediu a garrafa e abriu no dente;

23h30 – Acabou a Guinness. Avisaram que teríamos de esperar a reposição, mas a Guinness também foi comprar cigarros e…

00h – As pielsens irlandesas Harp e (Oh my god!) Killkenny estava quentes. Pedi uma Eisenberg, que estava estranhamente salgada;

00h30 – O salão estava vazio e Renato tinha conseguido entrar. Pegamos uma das mesas do pub e ficamos batendo papo. No andar de cima, a banda tocava “Wish you were here” e pessoas bêbadas cantavam junto, desta vez, trançando os pés;

00h45 – Só então descobrimos que havia outra promoção: comprando uma Killkenny você ganhava mais uma. Oh my god! Finalmente começamos a aproveitar a noite.

01h – O garçom veio avisar que a cozinha estava para fechar e então pedimos nossas porções, ótimas por sinal.

02h – Pagamos a conta, a camiseta e fomos para casa. Afinal, quarta-feira não era dia de santo.

Naquela terça, cheguei a dizer que o pub devia se chamar “Hooligan´s”.  Sinceramente espero que todos tenham sobrevivido ao atendimento maluco e chegado bem em casa. Eu cheguei feliz com minha camiseta da Guinness (5 pints + 20 reais) e uma conta significativa, que também vai servir de lembrança na fatura do cartão. No dia seguinte, estava no Dia de Estrupício, mas ainda quero voltar ao Mulligan, sem a bênção de São Patrício e sem carnaval.

Atualização: Voltei ao Mulligan em junho e tudo mudou. O atendimento foi ótimo. Veja o comentário neste post com 7 dicas de lugares para comer e beber em São Paulo.