Oba Obá

setembro 6, 2008

A liquidação de restaurantes São Paulo Restaurant Week acabou no dia 31 de agosto deixando alguns desgostos, como retratou o Braun Café, mas algumas surpresas boas como o Obá Restaurante, um espaço charmoso e colorido nos Jardins.

O atendimento foi muito simpático e eficiente, sem distinção para clientes atraídos pelo desconto. Outro ponto positivo foi a criatividade na elaboração do cardápio promocional (R$ 25 no almoço) sem deixar de lado as características do restaurante, que faz um mix de cozinha brasileira, mexicana e oriental. Nada de servir spaghetti só para entrar na promoção.


Após um pouco de espera com um casal de amigos no aconchegante andar superior fomos para a mesa. O menu promocional era apresentado logo na primeira página do cardápio. Mais uma estrelinha no caderno. A Folha fez uma avaliação de 14 participantes da Restaurant Week e um dos pontos avaliados era a recomendação do cardápio especial. Muitos  estabelecimentos não passaram no teste.


Entre as opções de entrada do Obá fiquei com as Chimichangas (burritos dourados recheados de pernil, com salsa de abacaxi). O molho de abacaxi deu um toque muito especial aos rolinhos bem saborosos. Adorei. A Ciça foi mais light e escolheu o lindo e leve Rolinho thai de manga com vegetais frescos enrolados em massa de arroz, com molho picante ao lado.


Nos pratos principais, a sensação eram os “Tacos de tinga de pollo faça seus taquitos como no méxico, com carne de frango desfiada num molho de tomate e pimenta chipotle, frijoles refritos, guacamole e creme azedo, de chupar os dedos”, como dizia o cardápio. Ao lado das cumbuquinhas e da panelinha com os ingredientes, as massinhas do taco vinham dentro de uma bolsinha térmica para não esfriarem. Um primor.   O sabor não ficou atrás a apresentação.


Para variar, ou melhor, testar o trivial, escolhi o “Lagarto saudoso como na casa da vovó, recheado de legumes, acompanhado de purê de mandioquinha e finalizado com um molhinho feito com o fundo da panela”. Minha avó vai ficar brava, mas o lagarto do Obá, derretendo de tão macio, superou o dela. E o purê de madioquinha estava no ponto.


E ainda tem a sobremesa. A Ciça matou minha curiosidade escolhendo o Khao tom pad (bolinho thai de banana e arroz ao coco cozido no vapor na folha de bananeira), que era bem suave, insinuando um manjar de coco. Eu resolvi me enrolar mesmo em um perfeito bolo de rolo com sorvete de creme. Uma delícia.


Para acompanhar o almoço, algumas Bohemias long neck, ótimo bate-papo e um cafezinho fechando a tarde com chave de ouro. Dei uma espiada no cardápio da casa e tudo parece ótimo, até a muqueca vegetariana de palmito. Oba, tem volta.

Obá Restaurante – Rua Doutor Melo Alves, 205, Jardins – São Paulo – SP. Tel.: (11) 3086-4774.
Fotos: Ciça Aidar, Paulo e Dani

Antepraça

setembro 2, 2008


Tomar café ou fazer uma refeição ao ar livre é muito melhor do que em um shopping center, claro. Quando vou a um destes templos de concreto procuro resolver o que preciso rapidamente e depois respirar. Ás vezes rola sim uma praça de alimentação, por falta de tempo, de grana, de comida no estômago ou porque estou a fim de comer um quarteirão com queijo mesmo e desencanar.

Aliás, no último sábado (30) perdi a única chance que costumo dar a um Big Mac. Certa vez, com amigas do trabalho, fui ao McDia Feliz com um mês de antecedência. A gente gostava bastante de colaborar. Aproveitando o tema, não recomendo o lanche de Pequim. O hamburguer tinha tanta maionese que nem deu pra sentir o gosto do shop suei. Os sticks de arroz até que são bons, mas não achei a pedida muito feliz.


Mas falando em café, enquanto pessoas passeiam pelos corredores do Shopping Morumbi exibindo seus copos do Starbucks, você pode encontrar um refúgio mais interessante: o Antesala Café. Escondido em um cantinho do shopping, o café oferece um expresso cremoso, um bom suco de laranja e bolos caseiros sensacionais.

Meus pais, fregueses do local, me apresentaram o bolo de banana e o incrível bolo de limão, que derrete na boca de tão macio. O segredo, que minha mãe conseguiu desvendar, é gelatina na massa. Enfim, é uma delícia. O caramel machiatto do Starbucks que me desculpe, mas prefiro me aconchegar no Antesala.

Antesala Café – Av. Roque Petroni Júnior, 1089 – Loja 2401, Nível Inferior (Shopping Morumbi) – São Paulo (SP). Tels.: (11) 5181-1756 / 1764.

Antepastel

agosto 31, 2008


Até na praia a gente recebe missões gastronômicas. Incrível. Em uma noite de sexta-feira ao comentar que iria a Boracéia, no litoral norte, passar o fim de semana, logo Felitti e Camila me recomendaram o pastel de beringela da barraca da praia. “Pastel de beringela?”, comentei. “Que específico…”. Mas a recomendação era forte e eu tinha de provar a iguaria, embora beringela não seja um dos meus legumes favoritos.

Já ambientada de biquini, protetor solar, pé na areia e uma cerveja, tinha a determinação de mergulhar no mar gelado e encontrar o tal pastel. A praia não era muito grande e logo avistei a faixa “PASTEL” em uma barraca com várias pessoas a alguns metros de onde estava.

Cheguei na barraca dizendo que vinha de São Paulo com a recomendação. O pessoal simpático fez questão de mostrar o recheio do pastel (R$ 4) que é feito na hora: uma espécie de caponata (beringela, pimentão e cebola curtidos no azeite e no vinagre). A moça colocou na massa uma generosa porção do antepasto, salpicou com mussarela ralada, fechou e fritou.


Comer um pastel de antepasto foi uma experiência nova. Já havia experimentado um ótimo pastelzinho de beringela com queijo no Bar do Magrão, mas aquele era diferente. Desviando dos pingos do recheio – conforme já havia alertado Felitti – devorei o ‘antepastel’ e gostei. O quitute só pecou pela massa pesada, meio cream cracker. Mas se as feiras livres paulistanas quiserem copiar a idéia, terão freguesia garantida.

Por Carlos Eduardo Valim*

Depois de conhecer um bar de leite na Cracóvia, se você estiver na rota comuna, com certeza, vai acabar passando por Budapeste, a Viena dada para os cariocas cuidarem.

Lá a dica é estar em pelo menos um dia de semana, para ver o caos, a confusão nas ruas e os húngaros andando pra lá e pra cá num dia útil e também pegar pelo menos um dia do fim de semana. Na sexta-feira à noite, os moradores desaparecem, ninguém mais trabalha e tudo fica fechado até segunda de manhã.

No fim de semana, os turistas dominam a cidade e o melhor: a ponte que dá no Castelo de Budapeste é fechada para o trânsito e uma feirinha toma conta do lugar junto com as comidas mais gostosas: batatonas (pra variar) com molho agridoce, salsichões, pedaços suculentos de carne e o espetacular pão doce húngaro, que você vai ver rodando o dia inteiro nas televisões de cachorro.

Comprou um, o primeiro desafio é não queimar a mão. O cheiro vai pedindo pra comer rápido, mas a pressa só serve pra fazer você ganhar queimaduras de segundo grau. Resista um pouquinho e então quebre a casca dura – o miolo vem junto. Assopre um pouco e pronto! Os sabores de amêndoas (com várias coladas na casca) e baunilha são os garantidos.

*Valim é jornalista e adora se perder pelo mundo alimentando-se culturalmente. Em sua viagem mais recente, ele também passou pela Cracóvia e ainda promete dicas de Roma. Fotos: Valim.

C.C.C.PF

agosto 27, 2008

Por Carlos Eduardo Valim*

(Praça do mercado de Cracóvia: caminho para o PF comunista. Foto: Valim)

Se o convite para visitar um bar de leite soa para você tão atraente quanto um churrasco de papinha, é porque nunca esteve na Polônia, ou melhor, na Cracóvia. Nessa cidade simpática às margens do Rio Wizla e com a maior e mais agradável praça da Europa, com bem pouco esforço dá para encontrar os locais onde os trabalhadores comunistas comiam, a espécie em extinção dos bares de leite, ou bar mleczny.

O lugar tem um nome (Thermidor, se não me engano), mas isso não importa, porque na fachada só está escrito bar mleczny. Se tem leite lá eu não sei e não descobri. Na verdade, é um bandeijão. Numa parede tem a lista das comidas, tudo escrito em polonês, claro. Você pode olhar pelo nome e escolher o que parece mais simpático e tentar pronunciar quando chegar a sua vez.

Eu procurei alguma comida que tinha ziemniak (batata) no nome e me dei bastante bem. A mulher me preparou um PF de batatão, com muita substância por dentro e fritona por fora.

Se quiser cerveja, é só pedir piwo. Como K é “inho” nas línguas eslavas, woda é água e wodka é aguinha. É isso mesmo: “acho que vou beber uma aguinha Wyborowa!”

Outra opção é olhar as comidas e apontar com o dedo. Algumas palavras em inglês eles entendem e a linguagem dos sinais funciona bem. E a conta vai ser de menos 5 euros provavelmente.

Perdi o endereço do lugar, mas é só pegar a Rua Grodzka, o que não é difícil encontrar, porque está no caminho pelo pequeno centro da cidade que leva da Praça do Mercado (foto acima) até o renascentista e charmoso Castelo Wavel, os dois lugares mais importantes da cidade.

*Valim é jornalista e adora se perder pelo mundo alimentando-se culturalmente. Que delícia ter dicas do Valim aqui no Braun Café. Em breve: Budapeste e Roma.