Quanto tive a oportunidade de ir a São Francisco, na Califórnia, na maioria das vezes a trabalho, nunca deixei de provar o caranguejo “King Crab” cozido na hora, com um pãozinho italiano e uma cervejinha perto do Pier 39 do Fisherman´s Wharf.

O melhor lugar é a área das barraquinhas, onde você pode pedir para experimentar antes de escolher entre os diversos e convidativos petiscos de frutos do mar (patinhas e bolinhos de caranguejo, coquetéis de camarão etc.). A dica da prova é da Dani Moreira, que esteve por lá há pouco tempo para degustar seu favorito do local: o clam chowder.

Na tradução literal, clam chowder é uma sopa espessa de moluscos. O nome “chowder” vem do francês “chaudiere”, que significa panela ou cardeirão. Na tradução emocional, o clam chowder é uma sopa amiga, quentinha e gostosa que combina moluscos, peixes ou frutos do mar com batatas, cebolas, leite e temperos. O cremoso clam chowder no estilo de New England é servido no pão italiano. Ainda existem duas variações do chowder: o Manhattan, com base de tomate, e o Rhode Island, com um caldo mais fino (um brodo).


Na volta da viagem, a Dani me presentou com um souvenir especial: uma latinha de clam chowder do restaurante Guardino´s, um dos mais tradicionais da área das barraquinhas – desde 1908. Estive lá em 2002 e comi um caranguejo delicioso. Agora diversificaram o negócio. Mantiveram a barraquinha e, no lugar de restaurante, fizeram uma loja de souvenirs. A receita funciona. Na Boudin Bakery, que faz pães em formato de caranguejo e lagosta, comprei um caranguejo de plástico. É só dar corda que ele faz a “dança do caranguejo”.

Há alguns dias fui degustar meu presente. A latinha conta a história do Seu Salvatore Guardino, que deixou a Itália em meados do século 19 em busca de ouro na Califórnia. Acabou apostando nos preciosos frutos do mar, trouxe a ‘famiglia’ e as gerações vêm perpetuando a alegria de milhares de turistas.

Abri a latinha e as lembranças da cidade, que merece a declaração de amor de Louis Armstrong. Bastava colocar na panela, adicionar leite e dissolver devagar, no fogo baixo, mas ‘sem fever’, alertava o rótulo. A consistência é bem firme, então adicionei leite até o ponto que mais me agradou. Montei a mesa, fiz a foto que está nesse toast, e degustei o clam chowder.

Dava pra sentir os diversos pedaços de mariscos, vôngoles e batatas. O sabor, no entanto, era distante dos frutos do mar, mas me trouxe outra boa recordação: uma sopa Campbell´s de letrinhas que tomei quando criança. Foi à luz de velas, na cozinha da minha mãe, na Rua Cotoxó. Estávamos sem energia. Nunca me esqueci daquele jantar.

Chocolate Fudge

Dani Moreira também contou que tomou o melhor sorvete de sua vida no Pier 39. Chocolate Fudge é o sabor. E a casquinha é feita na hora e coberta com chocolate. Seria uma barraquinha do Ghirardelli, o rei dos chocolates da área? Segundo a Dani, dá pra achar o lugar pelo aroma. Ela afirmou, categoricamente, que esse chocolate fudge superou o sorvete de figo que tomou na Itália.

Sopa de legumes 3.2.1

outubro 6, 2008


Nada como uma boa sopa de legumes feita em casa, com carinho e um pouco de tempo, para espantar o frio, a tristeza ou até uma ressaca. Não fico sem uma boa sopinha e essa aqui aprendi com minha mãe, mas fui gerando novas versões com o tempo.

A receita leva tomate, cenoura, abobrinha madioquinha e temperos (alho, cebola e cebolinha). Na mais recente experimentei refogar carne moída antes de adicionar os legumas e finalizei com tomilho fresco, que espalhou um cheiro de felicidade pela casa. A versão ‘Braun 3.2.1’ mereceu uma foto e esse ‘toast’.

Começo tirando a pele e a semente dos tomates. A dica é fazer um ‘xis’ com a faca nas duas extremidades e jogá-los na água fervente. A pele solta que é uma beleza, mas eles estão ‘pelando’ então é melhor escorrê-los e esperar um pouco.

Enquanto rola o processo do tomate você corta cebola e alho (frescos), descasca a mandioquinha e pica os legumes em cubinhos. A medida é o olhômetro. Costumo usar duas cenouras, três tomates médios, uma abobrinha e meia (italiana) e cinco mandioquinhas pequenas. O ideal é ir picando em um recipiente e ver o equilíbrio das cores dos legumes. Ao terminar seu ‘design’ coloque um litro de água para ferver. Se quiser incluir meio cubinho de caldo de legumes, tudo bem. Na 3.2.1 fiz ao natural mesmo.

Como a ordem dos fatores culinários altera o produto, refogue primeiro a carne moída no azeite com cebola e alho. Quando estiver cozida e liberando o caldo é a vez dos tomates picados sem pele e sem sementes. Esse caldo dos tomates com a carne torna a sopa mais colorida e saborosa. Já deixei os tomates para depois e ficou sem graça.

Em seguida, despeje os legumes na panela e refogue por um tempo. Coloque sal a gosto (com gosto), prove e quando as mandioquinhas começarem a cozinhar despeje a água fervente até cobrir os legumes. Mexa um pouco e deixe a panela semi tampada, no fogo baixo. Ainda dá tempo de tomar um banho após o trabalho.

Sentiu o aroma dos legumes pela casa? É hora de colocar o tomilho fresco, mexer mais um pouco e, se as cenouras estiverem cozidas, sua sopa está pronta. Acerte o sal, arrume a mesa e faça seu prato de felicidade, incluindo parmezão e um pouquinho de pimenta do reino ralados na hora, sem esquecer do pãozinho francês para acompanhar.

Assembléia de botecos

setembro 21, 2008

Prepare-se para botecar. No começo do mês saiu a lista dos 31 bares que concorrem ao Boteco Bohemia 2008, de 1º a 31 de outubro, em São Paulo.

Recentemente conheci o Assembléia Bar, que ficou em 5º lugar no ano passado e volta à lista de concorrentes. Bela dica do brother e vizinho Gui Colugnatti, que também frequenta o Amigo Gianotti. Este  boteco do Bixiga, mais conhecido como Bar do Magrão, é famoso pelas fogazzas e está entre os concorrentes deste ano, que espero conhecer em breve.


O Assembléia é um dos poucos botecos bacanas do Paraíso. Além de escassos, os bares deste bairro familiar da zona Sul fecham cedo. O Academia da Gula, por exemplo, serve ótimos petiscos portugueses e já concorreu algumas vezes no festival, mas encerra às 19h no sábado. Felizmente, o Assembléia vai até meia noite ou até o último cliente que, no sábado passado, era minha mesa, à 1h30.

Localizado em uma esquina tranquila, a poucas quadras da 23 de maio, o Assembléia – nome provavelmente inspirado na proximidade da Assembléia Legislativa – tem pinta de boteco antigo, com um aconchegante salão azulejado, decoração de boleiro – “Bocão”, o dono, é corinthiano roxo – mesinhas de madeira na rua e geladeiras de Bohemia, o que geralmente é um bom sinal.


A cerveja no ponto pode acompanhar um bom pastel individual de carne (R$ 3) ou acepipes de balcão (R$ 55 o quilo). Os tremoços e a mussarela de búfala estavam gostosos, incluindo uma cesta de pão francês fresquinho.

Ainda não provei a linguiça ou a picanha na chapa e o escondidinho recomendados pelo Guizo, mas já fiquei contente em conhecer um boteco legítimo nas redondezas. Agora tenho um vizinho bacana para pedir açúcar (com cachaça e limão) ou uma cerveja quando a geladeira de casa estiver vazia.

E durante a semana, o Assembléia tem uma promoção-trocadilho no happy hour: a “Semana em Conta”. Na segunda-feira, a segunda cerveja de 600 ml é grátis. Na terça-feira, a terceira é grátis e assim vai até quinta-feira.

Assembléia Bar – Rua Tumiarú, 98 – Vila Mariana. Tel (11) 3885-7670 (Fale com a Juliana, que ela dá um jeito de guardar uma mesa).

Cafééééé!

setembro 9, 2008


Além de bons cafés e do ambiente cool, o Vanilla Café da Consolação ainda tem uma conveniência para quem está na área externa. Basta pressionar o botão “Happy Call” grudado na mesa e o garçom vem atendê-lo.

A resposta não é assim tããão automática. Algumas vezes tivemos de apelar para os sinais, mas a idéia foi divertida. “Doutor Reginaldo”, logo disse o amigo Almeida apertando o botão. Em alguns momentos achei que a garçonete não estava de bom humor. Seria uma TPM ou o barulho infernal daquela campainha que tocamos milhares de vezes? Será que eles ouvem um grito do tipo “Caféééé!”?


Quando a garçonete chegar, a dica é pedir pelo nome: “Vanilla Café”. O expresso com espuma de leite e xarope de baunilha dispensa adoçante e é muito gostoso. Aliás, café com baunilha não tem erro.

O Mocha Caffé também é bom e tem o charme do ‘mosaico de calda de chocolate’, mas ainda fico com o Vanilla, sem desenho mesmo.


O cardápio de drinques cafeinados, descafeinados e alcóolicos é bem interessante. Após três cafés, já no modo “formiga atômica”, arriscamos a carta de vinhos. Pena que o português escolhido foi duro de abrir.

Após diversas tentativas na mesa, a garçonete teve de levar a garrafa de volta para pedir uma mãozinha. O problema é que muitas mãozinhas acabaram esquentando a bebida. Merece uma campainha: “Caféééé!”

Vanilla Café (Unidade Consolação) – Rua Antônio Carlos, 404 – São Paulo. Tel.: (11) 3262-3943.

O Vanilla Café tem 11 lojas em São Paulo, três no Rio de Janeiro, duas no interior paulista (Taubaté e São José dos Campos), uma em Fortaleza e uma em Torres. Consulte a lista no site www.vanillacaffe.com.br.

O que é que a Bahia tem?

setembro 7, 2008

Por Alê Frata*


Nada como conhecer um lugar bacana nas férias, não? Mas sempre rolam as dúvidas de como será a pousada e, principalmente, a comida…

O trajeto até Barra Grande, povoado localizado na Península de Maraú, no sul da Bahia, foi longo. Saímos da Vila Mariana em São Paulo por volta das 7h30, num domingo ensolarado, sem saber exatamente como iríamos chegar, mas depois de andar de táxi, avião, barco, carro, lancha e, finalmente, a pé chegamos em nosso destino por volta de 19h. O guia que nos recebeu no pier da Barra Grande logo de cara nos deu dicas de pousadas, passeios e restaurantes.


Não pela sua participação no programa ‘Mais Você’, mas pela simpatia do lugar, A Tapera nos conquistou mesmo antes de a conhecermos.

A entrada do lugar, especialmente decorado e colorido, me lembrou um rancho dos desenhos animados. O restaurante fica ao lado da casa de sua dona, a chef Naiá, como se fosse sua enorme varanda.


Nosso guia havia indicado a lagosta, prato que Naiá ensinou para a Ana Maria Braga, na TV, mas como bons carnívoros, fomos direto à Picanha (R$ 45) e ao Filet Mignon (R$ 42), que se destacou e teve direito à repeteco num outro dia.

A generosa porção de filet foi servida numa chapa de ferro, junto com manga, abacaxi, abobrinha, tomate, pimentão, cebola e banana da terra, todos assados na própria chapa e cobertos com um molho agridoce. Nem tive coragem de pedir a receita, pois deveria ser um segredo de família. Para acompanhar: arroz, farofa amarelinha, batatas fritas e, óbvio, pimenta da boa.

Fomos muito bem servidos pelo gentil garçom e, diga-se de passagem, o povo baiano da Barra Grande foi muito hospitaleiro. Esse pessoal sabe como tratar os turistas.

Na saída do restaurante, uma senhora muito simples nos aborda na porta e nos pergunta se a comida estava boa. Reconhecendo-a pelas fotos expostas no mural do restaurante, disse que estava ótima e perguntei se estava falando com a famosa cozinheira da Ana Maria Braga. Ela humildemente me respondeu: “Isso é o que dizem por aí.”

A Tapera
Rua Dra. Lili, s/n – Barra Grande – Maraú (BA).
Tel.: (73) 3258-6119.
http://www.atapera.com.br

*Alê Frata é publicitário, músico do rock´n´roll e um grande brother. Agora, o Alê visita a nossa cozinha e nos deixa com vontade de viajar 12 horas até Maraú.