Minhas pequenas descobertas
março 9, 2007
Por Renata Mesquita*
Foto: Henrique Martin
De tanto ligar da rua para contar coisinhas gostosas que encontro por aí (afinal, quem aguenta esperar para encontrar com a amiga para contar? viva o celular pós-pago!), Braun me vira com essa: “Por que não escreve você? Estou inaugurando a Era dos toasts terceirizados, hahaha”. Bom, lá vamos nós, então.
Pão de queijo rústico ou bolinho de arroz superdesenvolvido?
Em um dia daqueles de inspiração consumista-decór, naquela visitinha básica ao Etna, não se atenha ao circuito de móveis e acessórios. Dê uma paradinha antes (ou depois) para um café e um pão de tapioca. Vale suuuuper a pena. De longe, ele parece um pão de queijo meio rústico; de perto, um bolinho de arroz superdesenvolvido. Confesso que a primeira mordida foi meio naquelas, reticente… e se for borrachudo? Apaixonei na hora!
A massa, suave, leva um pouco de queijo e é uma ótima opção para aquela fominha fora de hora. Depois que eu saí espalhando a descoberta, a Luana, cozinheira e quituteira de mão cheia, vira para mim e diz: “É mesmo, eu já experimentei e é ótemo!”. E só agora que ela diz??? De agora em diante só vou ao Etna só para comer o pãozinho de tapioca (o que é uma tremenda mentira, mas vamos fingir que não para o Henrique ficar feliz).
Dooooce de leeeeite
O Henrique e eu fazemos parte da comunidade “Não me conformo que o Havana não vende doce de leite aqui no Brasil”. (Faço um parênteses que pode levar os leitores do BraunCafé a quererem me bater, mas vamos lá: eu adoro TUDO do Havana, menos o alfajor – prefiro os uruguaios – e o atendimento da loja do Anália Franco).
Enfim, um dia, novamente frustrados com essa triste constatação, estávamos olhando a vitrine do balcãozinho do Havana no Anália Franco (antes de eu detestar o atendimento deles) quando vimos ELE, o brownie. Com aquele moooonte de doce de leite escorrendo e uma coisa amarela esquisita em cima. “É creme inglês”, disse a mocinha. Tá.
Creme inglês com gelatina, ou o que quer que seja, grudento, mas não vem ao caso. Compre o brownie e tire o tal creme inglês (ou não). O que vem abaixo dele – a mistura de doce de leite Havana molinho com um brownie meio-amargo na medida certa – simplesmente é um manjar dos deuses, se é que se pode falar isso de um doce industrializado e vendido num balcão no meio de um shopping.
Churros da Moóca
Por fim, mas não por último, tem o famoso tio do ‘churros’ da Mooca, o “seu” Antônio ou Toninho. Esse simpaticíssimo senhor (na última vez que estive lá, me deu dois abacates de presente…) deve ter uns 157 anos e tá lá, todos os dias, fazendo churro espanhol artesanal para o pessoal – para quem não sabe, o churro do tipo espanhol é frito em espiral e não tem recheio. Fica ótemo com um cafezinho (aviso: já vem adoçado), Nescau batido ou Coca-Cola, mesmo porque é só isso o que tem para beber por lá, mas para mim já está excelente.
Você ainda pode escolher se quer a roda pequena, média ou grande e se quer açúcar ou canela ou só açúcar de acompanhamento. Não recomendo levar para viagem, porque depois de um tempo, sabe como é fritura, né??
Então… Só um detalhezinho: o lugar abre das 3h às 11h. Isso mesmo. É para ir depois da balada… ou, no meu caso, depois de virar uma madrugada fechando. E aproveita, bela, para escutar umas histórias da Mooca… sempre tem alguém por lá contando “causos” sem parar. Ah, deixa o Visa e o Redeshop em casa, porque pagamento lá, só com dinheiro ou cheque.
Veja as fotos destas e outras guloseimas e botecagens no Flickr do grupo Braun Café .
Etna – Av. Eng. Luis Carlos Berrini, 2001 – Brooklin (Segunda a Sábado das 10h às 22h. Domingo das 12h às 20h). Tel.: (11) 2161-7600
Havana – Rua Bela Cintra, 1829 – Jardins – 3082-5722
Churros da Mooca – Rua Ana Néri, 282 – Mooca.
*Rê Mesquita é jornalista, adora inventar moda e cometer deliciosos pecados da gula. Agora a Rê também vai confessar tudo aqui no “Braun Café 2.0”. Ai lindinha… que gostoso viu!
Dia Internacional [da Gula] da Mulher
março 7, 2007
Muitas mulheres ficam revoltadas com essa história de Dia Internacional da Mulher. “Por que não tem dia internacional do homem?”, ouvi alguém dizer na redação. Concordo que as mulheres não precisam de uma data para serem homenageadas e que a igualdade de condições foi há muito conquistada em botecos e pés sujos.Bem fez a Cíntia Costa, que deixou pra lá a polêmica na redação e começou a sonhar diante do e-mail que acabara de receber com a foto das cebolas fritas do Outback, que ela pode saborear de graça no dia 8 de março, se quiser.
Cíntia tem razão. Depois de anos de luta pela igualdade de direitos, o que é que nós podemos fazer se os bares e restaurantes insistem em nos oferecer drinks, petiscos e sobremesas na próxima quinta-feira? Bom… nós podemos escolher:
Bar do Arnesto – Você mulher… escolha uma caipirinha de frutas feita com a artesanal Cachaça da Tulha.
Rua Ministro Jesuíno Cardoso, 207 – Vila Olímpia (SP). Tel.: (11) 3848-9432.
Bar do Juarez – Ao pedir uma Margarita Cuervo no happy Hour (das 17h às 20h) a dama ganha outra Margarita e depois tenta manter a classe para sair do bar.
Av. Jurema, 324/332 – Moema (SP). Tel. (11) 5052-4449
Av. Juscelino Kubitschek, 1164 – Itaim (SP).Tel. (11) 3078-3458
Bendita Gelada – Até sexta-feira, das 17h às 20h, este bar aberto recentemente na Vila Madalena oferece uma Bendita Batida Frozen às mulheres feita com (Hum…) Sagatiba.
Rua Fidalga, 375 – Vila Madalena. Tel.: (11) 3097-9255
Outback Steakhouse – Clientes cadastradas no site ganham via e-mail um convite, que dá direito a um aperitivo como cortesia da casa. As opções são a BlominOnion (cebola gigante), o Kookaburra Wings (sobreasas de frango à moda de buffalo) ou as Billy Ribs (costelas de porco com molho Billabong). Lembre-se de levar o e-mail impresso ao restaurante.
TGI Friday´s – Na compra de um prato principal, mulheres correm o risco de enlouquecer ganhando um Oreo Madness (dois sanduíches de pedaços de bolachas Oreo recheados com sorvete de creme e cobertos com calda de caramelo e chocolate) de sobremesa.
Vicolo Nostro – Após se deliciar com a excelente culinária italiana desta bela e romântica casa escondida no Brooklin você tem direito a uma sobremesa à sua escolha, no almoço ou no jantar. Vá com o bolso preparado.
Rua Jataituba, 29, Brooklin. Tel.: (11) 5561-5287
Dia de Guinness!
Entre uma pesquisa e outra na rede descobri que sexta-feira (09/03) é Dia de Guinness no O’Malley’s Bar. Todo dia 9 do mês o preço do pint de Guinness (cerca de meio litro da cerveja stout mais famosa do mundo) cai para nove reais. Nove reais o pint de Guinness na sexta! Grande dia!
O’Malley’s Bar – Alameda Itú, 1529 – Jardins – São Paulo. Tel: (11) 3086 0780
Fast food à francesa
fevereiro 28, 2007
Por Alê Scaglia, de Paris*
Viajar para fora do País é, além de um exercício gastronômico, fonte de uma verdadeira ginástica financeira. Para cada refeição mais ajeitada, é bom ser contido e trocar um almoço por um sanduíche; para cada garrafa de vinho, um suquinho comprado no supermercado é necessário. Pelo menos comigo é assim…
Enfim, em um recente périplo por terras estrangeiras fiz as minhas ginásticas. Em Paris, por exemplo, encarei um gyro pita, o bem conhecido de todos nós (pelo menos já visto, vai) churrasquinho grego. E devo confessar que não me arrependi! Por 5,60 euros comi um sanduba bacana, com fritas e acompanhado de uma cerveja chamada, vejam vocês, Zorbas!
O gyro, pelo menos na França, é feito com carne de frango e de porco e servido com um molho à base de maionese, alface picado, tomate e batatas-fritas. Tudo dentro do mesmo pão. É quase uma maratona da gula. O pão você pode escolher: baguete, pão sírio (pyta) e uma terceira opção que não identifiquei direito.
Onde encontrar? Em praticamente cada esquina tem um. Divirta-se.
P.S.1: A fome era tanta que eu preciso confessar que não deu tempo de fazer foto. Desculpa aê, galera! Mas como existe o Google, essas fotos foram tiradas do site Parisit para pelo menos ilustrar o post.
P.S.2: No Brasil, já tive o desprazer de encarar um churrasquinho grego, pelo amor à profissão, é bom que se diga. Na época da faculdade estava de câmera em uma videoreportagem que mostrava os bastidores de um vendedor da “iguaria” no Largo do Batata. O ambiente de produção até era limpo, mas as carnes utilizadas não eram nada apetitosas – só cortes cheios de sebo, uma coisa horrível. Parece, no entanto, que nos Jardins há um boteco que vem fazendo churrasquinho grego com qualidade. Prometo me informar, provar e contar!
*Alexandre Scaglia é jornalista e grande companheiro nas descobertas do Braun Café. Se empolgou na Europa e voltou cheio de dicas da viagem ao estrangeiro. Manda bala Alê!
Pepe legal
fevereiro 24, 2007

Dona Pilar no salão da casa. Foto do site www.paellaspepe.com.br
Imagino que os toats internacionais do Alê tenham deixado muita gente com vontade de comer paella. Como a Espanha é um pouco… digamos assim… fora de mão, recomendo o Paellas Pepe, no Ipiranga, em São Paulo.
A paella preparada nos finais de semana pelo chef Mario, filho da dona Pilar, é servida à vontade (30 reais por pessoa) na casa da família.
É preciso fazer reserva com pelo menos um dia de antecedência por telefone ou até sexta-feira no site. Depois é só chegar e se esbaldar com a receita que leva lagostin, mariscos, vôngoli, camarões, frango e legumes. Para beber, recomendo uma gelada de 600 ml ou a sangria de vinho branco.
Enquanto espera o sino tocar – é o aviso de que chegou hora de entrar na fila para fazer seu pratão – peça ‘Las Tapas’ – tortilla, lula in su tinta, marisco temperado, vinagrete de frutos do mar, um tipo de frio espanhol e cesta de pães (15 reais para até quatro pessoas).
Para quem prefere variar ou então não gosta de paella (¿Cómo?), a casa oferece opções individuais que podem ser pedidas na hora da reserva. Lulas recheadas e até filé com fritas estão no cardápio.
Me lembro da primeira vez que fui desvendar o Paellas Pepe há uns quatro ou cinco anos. O sobrado não tinha placa. Entrei de fininho, meio tímida pelo extenso quintal lateral como se estivesse chegando no almoço de domingo de parentes desconhecidos. Logo a simpática Pilar veio indicar uma das poucas mesas e, em pouco tempo, me senti em casa.
Com o sangue dos conquistadores nas veias, a família Pepe fez o negócio prosperar. O restaurante, que começou modestamente oferecendo shows de música e dança flamenca nas noites de sábado, ganhou placa, manobrista na porta, ampliou o número de mesas e deu um belo upgrade no site. Delivery, eventos e cursos de paella também estão no cardápio.
O curso, para turmas de até seis pessoas, perece bem interessnate. Por 300 reais você faz a aula, almoça e ganha um kit, incluindo um fogareiro que se adapta ao fogão para fazer a paella em casa. Se preferir apenas fazer a aula e almoçar o pacote sai por 100 reais.
O preço aumentou um pouco nestes anos, mas a excelente comida e o esquema ‘lá em casa’ valem os 40 e poucos pilas que você vai pagar para a dona Pilar.
O Pepe ainda oferece um agrado no jantar da sexta-feira. Basta acessar a Promoção no site e levar o cupom impresso. A mesa ganha uma sangria ou uma porção de presunto (jamon) serrano. ¡Oba! Que tal?
Paellas Pepe – Rua Bom Pastor, 1660 – Ipiranga. Tel: (11) 6163-9570
Paella contemporânea
fevereiro 20, 2007
Por Alê Scaglia, de Barcelona*
Talvez o prato mais conhecido da Espanha, a paella encontra em Barcelona um espaço de destaque. Principalmente porque aqui os frutos do mar são abundantes e absurdamente frescos (sim, você lá leu isso em outro toast!). Foi com isso em mente que aceitei de bom grado a sugestão dos grandes amigos Deia e Jorge, moradores da cidade, para um passeio no sábado chuvoso ao Passeig de Gràcia, onde ficam as casas Milà e Batlló.
A idéia era caminhar pela avenida (a Deia sempre diz que essa é a preferida dela, a mais charmosa e chique da cidade), passar pelas obras de Gaudi e fechar a tarde com uma boa paella. A escolha na hora da finalização foi pelo Tapelia, um restaurante que surpreende pelo bom gosto da decoração, pelo atendimento super atencioso e pelos preços justos. A comida? Ótima é a melhor definição.
Comemos duas paellas, uma negra com lulas e outra tradicional, com camarões e vegetais. Ambas estavam ótimas, mas a com tinta de lula, na minha opinião, estava imbatível: o arroz no ponto, o tempero acertado e o alioli (uma espécie de maionese com alho, misturada na paella) justo, para melhorar o que já era bom! Tomamos também uma sangria (com uma dose um pouco exagerada de vermute), que cumpriu seu papel de se equilibrar com a refeição.
Os detalhes são uma coisa à parte: pães de entrada quentinhos, um azeite extra-virgem delicioso para acompanhar, as paellas servidas em panelas com porções para duas pessoas diretamente na mesa… Tudo isso em um ambiente aconchegante, daqueles que não dá vontade de ir embora.
Para finalizar, a conta: com 20 euros por pessoa é possível fazer uma refeição deliciosa – e bebendo vinho! Eu simplesmente amo essa cidade!
Tapelia – Passei de Grácia, 15 – Barcelona. Tel: 933 428 188
*Alexandre Scaglia é jornalista e grande companheiro nas descobertas do Braun Café. Teve a sorte de visitar Barcelona no último final de semana, se empolgou e mandou dois toasts de lá. Gracias Alejandre por salvar este blog da ressaca de Carnaval e inaugurar a ala dos correspondentes do “Braun Café 2.0”.







