Leblon na pressão
agosto 21, 2006
O bairro do Leblon, onde a vida é uma novela das oito, abriga alguns dos mais tradicionais botecos do Rio, que os paulistas reproduziram bem, embora os originais preservem iguarias que valem cada centavo da viagem.
Lá você se depara com o Bracarense (o ‘Braca’) e sua delícia de camarão, uma empadinha que tem dois camarões entrelaçados no topo e vem recheada com camarões-rosa e catupiry. Peça uma, tenha paciência se demorar porque eles assam a delícia na hora, dê uma mordida, vire na direção do Cristo Redentor, agradeça aos céus e peça mais uma. Já chope do Braca – aguado, muito gasoso e servido em copo de suco – não estava a altura das delícias do balcão.
Esta é a segunda vez que faço um tour por alguns botecos do Rio – e todos servem chope Brahma (vire-se novamente na direção do Cristo…) – e percebo que o conceito de chope dos paulistas difere nos quesitos harmonia e colarinho. Os amigos cariocas explicam que chope com colarinho acima de um dedo é considerado desperdício. Quer espuma meu camarada? Então peça “na pressão” sempre.
No clássico bar e restaurante Jobi, a pressão funcionou muito bem. Aliás, o Jobi tem uma das cozinhas de boteco mais extensas e competentes que conheço. Do balcão deste lotado boteco no estilo alemão saem tanto excelentes patinhas de caranguejo à milanesa como um sanbuba de filé com queijo no pão francês, que derrete na boca. Jobi Jobá!
Dica de outras viagens ao Rio, o Boteco Belmonte, faz uma senhora empadinha aberta de catupiry e carne seca. O chope (na pressão… rs) é ótimo. E os caras do Belmonte Leblon até criaram um serviço de van para carregar os botequeiros, da Barra da Tijuca ao Leme. Devia virar lei.
Como a maiora dos botecos e restaurantes cariocas fecham cedo, o point da madrugada é a Pizzaria Guanabara – a do Leblon, recomendam os locais e brothers na ponte aérea como Laham. Até 7 da manhã é possível tomar um bom chopinho. A pizza ficou para a próxima viagem.
Bracarense: Rua José Linhares, 85 B. Tel.: (21) 2294-3549
Jobi: Av. Ataulfo de Paiva, 1166-B. Tel: (21) 2274-0547
Belmonte Leblon: Rua Dias Ferreira, 521. Tel: (21) 2294-2849
Pizzaria Guanabara: Av. Ataulfo de Paiva, 1228. Tel: (21) 2294-0797
Se essa rua fosse minha
agosto 19, 2006

Entre a Rua da Cantareira e a Avenida Tiradentes, no Centro, esconde-se a Paula Souza, rua onde chefs, donos de restaurantes, lanchonetes, pizzarias e botecos equipam suas cozinhas, a preços amigos.
Em pouco mais de três quarteirões mágicos encontram-se diversas lojas com tudo o que você precisa para ser feliz no fogão, ou tudo o que você não precisa, mas ainda sim quer ter… de qualquer jeito.
De férias fui testar a resistência entre panelões de refeitório para ‘aquela feijoada’, chapas, frigideiras, espremedores de sucos profissionais, spagueteiras, fogões a lenha, máquinas de cortar massa e até um baleiro de vidro no formato de um Fusquinha – precisar, não precisa, mas é o máximo e só custou R$ 25.
Para relaxar depois de aplacar o vício dos utensílios domésticos dê uma parada na Esquina na Cachaça (Paula Souza com a Cantareira). Lá é possível degustar e comprar uma variedade extasiante de pingas de alambique – desde as bacanas como Germana, Santo Grau, Boazinha, Cachaça do Parol, Espírito de Minas, João Mendes e Chico Mineiro (em diversos níveis de envelhecimento e embalagens), até as mais suspeitas batizadas com trocadilhos como Tira Mágoa, Malvada, Tome Juízo entre outros nomes divertidos também encontrados no site do Museu da Cachaça.
Se ainda estiver de pé, atravesse a rua e adentre o empório Metapunto paraíso de azeites, chocolates, massas e bebidas importados. Lá encontrei toda a linha de chocolates holandeses Droste. As pastilhas de chocolate com laranja (R$ 9) vão muito bem com um café expresso. O dark chocolat com 72% de cacau é ótimo – com café deve ser algo do tipo ‘Suco Gami’.
A adega é bem variada já que o empório trabalha com Expand, Mistral, Casa do Porto, Adega Alentejana etc. Comprei um nacional da Miolo, o Fortaleza do Seival Tannat por R$ 19,50 – jovem, frutado e agradável. A área de cervejas também é bem-servida. Encontrei uma long neck da inglesa Old Speckle Hein, mas o preço estava salgado. Levei a brasileira Devassa por R$ 3,90 – a loira-pilsen e a ruiva-ale foram aprovadas.
Para encerrar sua cruzada gastronômica, avance apenas dois quarteirões na Rua da Cantareira e encontrarás o Santo Mercado Municipal. Se tiver o coração puro e o estômago vazio coma um pastel de bacalhau e tome chopes Brahma no Rocca Bar. No passeio para fazer a digestão é impossível resistir à iguarias do Mercadão. Após uma pesquisa rápida, os quijos mais em conta estavam no Empório Petali, que vende pela internet e entrega compras acima de R$ 100 em qualquer endereço da cidade, sem taxa.
Cajé:Rua Paula Souza, 198 (panelão de alumínio nº 28 por R$ 42). Tel: (11) 3311-0301
Companhia das Cozinhas: Rua Paula Souza, 222 (spagheteira Panex por R$ 68). Tel: (11) 3228-4022
Mig Center: Rua Paula Souza, 316 (escorredor de massas de inox por R$ 33). Tel: 3227-5681
Esquina na Cachaça: Rua da Cantareira, 589. Tel: (11) 3328-8220
Metapunto: Rua da Cantareira, 651. Tel (11) 3328-8200
Empório Petali: Rua da Cantareira, 306 (rua E box 19). Tel: (11) 3313-5053
Bagel é pop
agosto 8, 2006

O bagel (‘beigol’), pãozinho em forma de rosca criado por um padeiro austríaco de origem judaica, equivale ao nosso pão francês para os norte-americanos. Lá, os pães redondinhos – integrais, com gergelim, sementes de papoula, queijo, sabor de cebola, passas, ao natural ou torrados etc. – são devorados tradicionalmente com cream cheese e/ou geléia, ou na dupla cream cheese e salmão defumado.
Aqui, o filãozinho dos gringos ganha saborosas reproduções sandubescas na lanchonete Pop´s Sandwich & Coffee, que também serve ometele com aspargos e ainda faz adaptações finas do hot-dog, com salsichas de vitelo ou cordeiro.
Além do sanduba, você tem a árdua tarefa de escolher o sabor do bagel (integral? parmesão? gergelim? cebola? anyone?). Essa dúvida cruel pode lhe trazer de volta ao Pop´s só para provar o mesmo recheio com um bagel diferente – que sofrimento. Entre opções como salmão defumado, vegetais e pastrami, experimentei o integral com rosbife, pepino, cebora e molho tártaro, acompanhado de salada verde (ou chips para quem está tão leve quanto sua consciência), que sai por R$ 16,80.
Enquanto espera para provar que os nossos bagels são mais criativos, divirta-se com a decoração ao estilo Andy Wahrol que rodeia o pequeno salão do Pop´s. Depois do café, não deixe de aproveitar seus 15 minutos de fama: escolha um giz e faça arte nas paredes dos banheiros.
Pop´s Sandwich & Coffee: Rua Bela Cintra, 1541 – Jardins. Tel: (11) 3063-5232
Pãodcast
julho 31, 2006
Quem gosta de cozinhar e tem iPod, o famoso (e caro) player da Apple, ganhou uma mãozinha de Olivier Anquier, o famoso (e belo) chef e padeiro francês.
O Programa do Olivier, transmitido na internet gratuitamente desde 2004, ganhou uma versão para o tocador portátil. Isso significa que você pode (se tiver iPod) levar o Olivier para te alegrar na espera de uma reunião entendiante, para te acompanhar na cozinha, para tomar um café…
E se você não tem iPod, divirta-se no computador mesmo com a didática, o sotaque e o jeito ‘lá em casa’ do chef. O site é recheado de outras dicas e mais de 400 receitas.
No programa de julho, Olivier prepara ‘una sop di cebol gratinad’. A receita é super simples, barata e você fica muito bem na fita. Salgado é só o preço das panelinhas maravilhosas da La Grande Maison que ele usa para servir a sopinha.
Para beber sem estourar o orçamento, indico os vinhos franceses Figaro Rouge 2002 (US$ 10,90 na Mistral) ou Cave de Ladac (R$ 19) no Pão de Açúcar. Voilá… lá em casa.
Cadê o Luizinho?… Assou!
julho 17, 2006
Para ser um apreciador de boa comida é preciso trabalhar o desapego. Por exemplo: nunca dê nome a um animal que você pretende levar, literalmente, para jantar. Ontem, uma amiga contou que ela e os irmãos não comem carne de coelho. Eu suspirei, triste, porque gosto muito da tenra e leve carne desse animal fofinho, mas entendo que nem todos os traumas de infância sejam superáveis.
Tudo ia bem na vida da pequena Gisele até que os coelhinhos de estimação da criançada começaram a entrar na panela. Imagine a cena dos coelhinhos saltitando pelo quintal e as crianças dizendo: “Olha o Joãozinho, que fofo…”, “Olha lá o Floquinho pulando!”, “Mãe! Olha lá o… ué… cadê o Luizinho?”.
Meu pai tinha um ganso de estimação. Uma fera, nascida do maior de todos os ovos da mamãe ganso. Protegia a casa. Brincava com as crianças. Era querido por todos. Tão querido e gostoso que foi compartilhar a mesa com a família… assado. O menino Braun chorou desolado. Hoje, não resiste a um foie gras. E agora entendo porque nunca, por mais que eu insistisse, ele me deu um coelhinho de estimação na Páscoa.
Para quem desenvolveu o desapego, recomendo o coelho cozido ao vinho branco e ervas com polenta cremosa (R$ 33 para dois) da cantina Il Cacciatore, que tem um ambiente muito acolhedor e uma alcachofra de entrada sensacional.
E dos Donuts você tem dó? Não? Então saiba o que eles pensam disso.
Il Cacciatore: Rua Santo Antônio, 855 – Bela Vista. Tel: (11) 3120-5119





