Ristorante Greppia em um dos becos românticos de Verona

Ao passear por Verona, o viajante compreende o que levou Shakespeare a se inspirar na romântica cidade ao Norte da Itália para situar a peça Romeu e Julieta. A ‘goiabada com queijo’ deve ser invenção nossa mesmo, mas outras inúmeras delícias do Vêneto cortejam os visitantes.

Passeando pelo Corso Porta Borsari, uma das principais ruas da cidade, é impossível deixar de admirar vitrines de pasticcerias e bares de vinhos seculares. Isso sem contar a sorte de charmosos restaurantes escondidos como romances secretos em cada canto da cidade.

"Cartas (de vinhos) para Julieta": Ecoteca Segreta é um convite à degustação de sabores do Vêneto

A culinária local também é caracterizada por pratos com polenta, radicchio, flor de abobrinha (o legume supremo) e carne de cavalo, que me aventurei a provar no recomendado Ristorante Greppia.

Em uma tarde chuvosa, cheguei cedo para o almoço em uma belíssima viela, no centrinho de Verona. Logo ali também está a Enoteca Segreta, um lugar incrível para degustar os excelentes vinhos da região. Seria um programa perfeito após um show na arena de Verona, o ‘mini Coliseu’ da cidade.  A temporada de ópera na arena romana vai de meados de junho a 3 de setembro. Já pensou?

Entrada, 'coperto' e uma taça de bom Valpolicella da casa

No Greppia pedi uma taça de bom Valpolicella da casa (3 euros), provei os pãezinhos do couvert (3 euros) e aproveitei a entrada para matar a curiosidade: sfilacci cavallo (salada de carne de cavalo finamente desfiada com lascas de parmesão e rúcula – 8 euros). O sabor é ótimo e bem similar ao de carne de boi. Pode ser uma boa ideia para tentar reproduzir em casa, com carne louca, talvez.

Sfilacci Cavallo - carne de cavalo (tradição da culinária de Verona) cozida e desfiada com rúcula e lascas de parmesão

Para o principal, escolhi uma massa (o ‘primi piatti’): nhoque de batata ao molho branco de mascarpone (o queijo ‘mágico’) e radicchio, que apreciei lentamente com o vinho e meia garrafa de água mineral. A conta saiu 24 euros. Barato não é, mas foi um almoço delicioso, para guardar de recordação. E estou certa de que um restaurante equivalente em São Paulo seria muitas vezes mais caro.  Saudade da Itália…

Nhoque de batata ao molho de mascarpone e radicchio

Provei a polenta assada com bacalhau à vicentina (12 euros), outro prato típico da região, no ristorante S. Eufemia. Estava bacana, mas nada de outro mundo. Já o aromático vinho Bianco di Custoza, que acompanhou o jantar (10 euros meia garrafa), foi inesquecível.

Baccalà alla vicentina con polenta do S. Eufemia

Em uma pausa para o lanche provei um ótimo crepe de espinafre no La Batida, acompanhado de suco de laranja natural. O pequeno café, próximo à suposta casa de Julieta, é uma ótima pausa para um lanche ou ‘gelatto’ em Verona.

Delicioso Bianco di Custoza, da Azienda Agricola Cavalchina

Fiquei sonhando com um spaghetti ao vôngoli e flor de abobrinha que vi no menu da Osteria Sgarzarie, em uma das travessas de Verona. Infelizmente ficou só no amor platônico.

Ótimos crepes de presunto speck (ao fundo) e espinafre com gorgonzola no La Batida

Ristorante Greppia

Vicolo Samaritana, 3 – Verona, Itália
Tel.: 00 39 045 800-4577

Enoteca Segreta
Tel.: 00 39 045
Vicolo Samaritana, 10 – Verona, Itália
Tel.: 00 30 045 801-5824

Ristorante S. Eufemia
Via Emilei, 21/b – Verona, Itália
Tel.: 045 800-6865

Osteria Sgarzarie
Corte Sgarzarie, 14/A (Travessa do Corso Porta Borsari) – Verona, Itália
Tel.: 045 800-0312 / Cel.: 339 443-4208
E-mail: osteriasgarzarie@alice.it

La Batida
Via Capello, 4 – Verona, Itália
Tel.: 045 801-2188

Quitanda em Florença, no clima da Toscana

Após a calmaria de Siena e Montalcino, chegamos à efervescente Florença e nos instalamos perto da estação de trem, mas a uma certa caminhada do centro. Veja mais fotos de Florença no Flickr do Braun Café.

Na cidade dos Medici, os patronos do renascimento, tínhamos um compromisso com as artes. A concorrida Galeria Ufizzi, endereço obrigatório em Florença, já estava reservada desde a primeira semana de viagem. Recomendo a  compra dos ingressos (10 euros com taxa) com pelo menos uma semana de antecedência no site www.uffizi.firenze.it

Se quiser admirar o belo Davi, de Michelangelo, reserve mais 10 euros para a entrada (incluindo a taxa de reserva) na Galeria Dell’Accademia ou fique com a réplica, exibida a céu aberto, em frente à Ufizzi.

Salada morna de batatas e polvo do Al Chirola di Jimmy

A Biblioteca dos Medici (Biblioteca Medicea Laurenziana), projetada por Michelangelo, também é imperdível. Vale visitar só a Biblioteca sensacional (3 euros) e dispensar a cadetral. E a Piazzalle Michelangelo é muito recomendada pela linda vista da cidade ao entardecer.

Dispense o audioguide e baixe os podcasts gratuitos do Rick Steves com guias detalhados de museus e caminhadas em Roma, Firenze e outras cidades da Itália.

Vale lembrar que ainda estamos na Toscana e a cidade oferece uma série de opções interessantes ‘per mangiare’. Coloquei abaixo as dicas do Marcelo Jabour, advogado e gourmet, que fez ótimas recomendações em Firenze. No cansaço após os passeios, entretanto, optamos por restaurantes vizinhos ao Bed & Breakfast.

Primi piatti no Jimmy: risoto de aspargos com provolone defumado

O primeiro jantar ainda seguiu o esquema à italiana. No Al Chirola di Jimmy provei uma excelente salada morna de polvo com batatas e um cremoso risoto de aspargos com provolone defumado. Excelente.

Depois do Jimmy, resolvemos variar. Na segunda noite jantamos em um ótimo ‘ristorante cinese’ chamado Osir (hein?), com direito a tacinha de prossecco como cortesia na chegada. Meu frango tailandês com legumes estava leve e saboroso.

Na última noite fomos conhecer o grego Odysseia, há dois quarteirões do B&B. Sem falar italiano, muito menos grego, tivemos um pouco de dificuldade de escolher os pratos no começo, mas a filha dos donos falava um pouco de inglês e tudo se resolveu.

Presente dos gregos: Queijo feta assado no alumínio com cebola roxa, páprica, pimentão e tomate

A entrada, chamada Manuri, é uma ótima ideia para fazer em casa: queijo feta assado no alumínio com páprica, cebola roxa e rodelas de pimentão. Vai muito bem com pão sírio. Para beber, o Fábio pediu uma ‘Fanta grega’ e eu fui de vinho grego (retsina), mas acho que a laranjada estava mais amiga.

Os pratos principais era meio que um mix de especialidades na grelha. Experimentei o Suluvlaki (pedaços de peito de frango envoltos em bacon, com salada grega, molhinho de páprica com ricota). Só achei que as fritas não ‘ornaram’.

Suluvlaki: peito de frango com tiras de bacon, salada grega e... fritas

Eu ainda pedi um doce da casa, um folhado com nozes e mel, bem similar aos doces sírios e um café. O problema é que insisti em provar o café grego. A garçonete perguntou umas duas vezes se era isso mesmo que eu queria e fui firme na decisão. Resultado: tomei o pior café da minha vida. Praticamente uma água quente com pó de café, sem gosto. Já experimentei e gostei bastante do café turco, que também é feito com o pó sem coador, mas aquele ‘café de grego’ não rolou.

McItália: Salada de folhas verdes, parma e lascas de parmesão, com molho especial e croutons

Durante o dia nos esbaldamos no McDonald’s italiano, que é muito mais criativo do que o nosso. Nas entradas, por exemplo, eles oferecem o gamberi (três camarões médios empanados) por 3 euros. Entre os sandubas especiais, destaque para o CBO (Chicken, Bacon and Onion), com pedacinhos de onion rings e pão salpicado de bacon, e o Matrimônio (cheese salada com pedacinhos de presunto parma no pão ciabata macio). Até a salada era bacana: rúcula, alface, lascas de parmesão e presunto parma com molho de azeite e limão. Recomendo.

A bisteca fiorentina ficou para uma próxima. O esquema do bife mais famoso da cidade exige disposição física e financeira. Para se ter uma ideia, a bisteca é vendida a 4 euros, em média, por cada 100 gramas. Até aí tudo bem, mas a porção mínima varia de 800 a 1.200 gramas. Difícil…

Bisteca fiorentina: 4 euros cada 100 gramas. Mínimo de 800 gramas a 1,2 quilo.

Al Chirola di Jimmy
Viale F. Strozzi, 16r (zona Fortezza) – Florença, Itália
Tel.: +39 055 4625049

Odysseia Cucina Grega
Via Agnolo Poliziano, 7r – Florença, Itália
Cel.: 389 8809550 / 333 6660951

Ristorante Osir
Viale S. Lavagnini, 22r – Florença, Itália
Tel.: +39 055 474942

Dicas de advogado gourmet em Firenze:

Il profeta
Via Borgognissanti, 93 R – Florença, Itália
Reservas: +39 055 212265/055212265

Trattoria Angiolino di Saccardi Riccardo
Via Trento, 739, San Donnino Campi Bisenzio – Florença, Itália
Tel.: +39 055 8739438

Trattoria S. Zanobi – Cucina Tipica Fiorentina
Via San Zanobi, 33 – Florença, Itália
Tel.: +39 055 475286       ‎

Vineria Mazzanti – Osteria
Via dei Magazzini, 3-red – Florença, Itália
Tel.: +39 055 293045       ‎

Uma tarde em Montalcino

julho 2, 2011

Sonho realizado: degustação em Montacino, na Tenuta Vitanza e meio Brunello de lembrança

Fazer um tour em uma vinícola da Toscana era uma das minhas metas na viagem à Itália, mas o tempo era curto e alugar um carro estava fora de questão.

Veja mais fotos de Montalcino no Flickr do Braun Café.

Felizmente, em Siena, encontrei uma portinha simpática com a placa da Wine and Tours. A agência oferece pacotes de meia tarde, um dia ou até dois para as regiões de Chianti – incluindo uma passagem por San Gimignano e suas torres medievais -, Montepulciano e Montalcino. Os preços variam de 38 euros (de micro-ônibus) a 80 euros (de Land Rover). Fomos de micro-ônibus, tranquilamente, e saiu mais barato do que alugar um carro. Além disso, não precisamos agendar visitas antecipadamente ou correr com reservas.

Regra clara: Brunello di Montalcino deve ser 100% Sangiovese, da região, envelhecer por 3 anos em carvalho e mais 6 na garrafa

Para quem tem tempo e alguns ‘dinheuros’ a mais, recomendo uma olhadinha no site da vinícola Villa Dievole, que tem um resort de vinhos! Provei um delicioso rosé Dievole 2010 em Siena me surpreendi ao visitar o site. O pacote Tuscan Flavors, por exemplo, inclui três dias (duas noites) no resort, incluindo café da manhã, tour com degustação e jantar com degustação,  por 480 euros para duas pessoas. Me parece um bom investimento.

Voltando à agência, próxima à Piazza del Campo, consegui reservar exatamente o dia da visita a Montalcino, em uma quinta-feira (alegria total).

Degustação da casa: Chianti Colli Senesi, Brunello di Montalcino 'Tradizione' e Supertoscano 'Quandrimendo' Vitanza

No tour Gran Brunello, o visitante passa uma tarde na comuna de Montalcino, conhecida mundialmente pela produção do premiado Brunello di Montalcino. O vinho, elaborado exclusivamente com uvas Sangiovese da região, foi batizado de ‘Brunello’ pela família Biondi Santi, no século 19, devido à cor escura da variedade ‘grosso’, além de ter sido o primeiro a receber a Denominação de origem controlada e garantida (DOCG).

No caminho, de uma hora e meia, fomos degustando a paisagem da região, com seus lindos campos verdes recheados de vinhedos. Interessante notar que cada fileira de videiras era finalizada com belíssimas roseiras. Mas por trás do detalhe charmoso, está uma ferramenta para proteger o cultivo das uvas, já que as pragas se manifestam primeiro nas rosas.

Pecorino da região (suave e macio) e azeite produzido só para consumo da família acompanham a degustação

A primeira parada, e mais deliciosa, foi a visita às instalações da jovem vinícola Tenuta Vitanza, que iniciou sua produção em 1994 e oferece diferentes blends de Brunello di Montalcino. O Brunello de 1995 já recebeu altos pontos da Wine Spectator (93) e colocou a Vitanza em evidência no mercado.

O Brunello tem regras claras. Deve ser armazenado por três anos em barricas de carvalho francês e por mais seis anos em garrafa. E nada de plantar outro tipo de uva, que não seja Sangiovese no terreno. “Os inspetores aparecem às vezes, de surpresa”, contou Lilian, sobrinha dos donos da vinícola e responsável pelos tours. “Se encontrarem uma vinha sequer de outra casta, você está desclassificado”.

Lilian, a sobrinha dos donos da Tenuta Vitanza, conduz o tour e a degustação pelo mundo dos vinhos toscanos

Na sequência são degustados três vinhos da casa: Chianti Colli Senesi (‘Colinas de Siena’), Brunello di Montalcino ‘Tradizione’Super Toscano ‘Quandrimendo’ Vitanza. Este último é elaborado com 50% Sangiovese e 50% Merlot, uva preferida de Rosalba Vitanza, segundo sua sobrinha Lilian, que está entre os seleto grupo de dez funcionários da vinícola.

Os três vinhos eram muito bons, mas em primeiro lugar ficou o Brunello, redondo, encorpado, perfeito e tudo mais. O Chianti também era ótimo, mas não chegava ao nível da atração da casa. O Super Toscano da tia Rosalba era interessante, mas o que vale nesta categoria é a criação do produtor. Segundo Lilian, há supertoscanos com sete uvas diferentes. Nem sempre o resultado é ‘super’.

Café dos Biondi Santi, os criadores do 'Brunello', no centro de Montalcino

Após a degustação, acompanhada de suave queijo pecorino da região, que eu queria muito levar pra casa, e azeite produzido para consumo da família, é possível adquirir os vinhos provados a preços extremamente animadores. O Brunello di Montalcino Vitanza 2005 custa 22 euros. Meia garrafa da safra 2003 sai por 10 euros.

No Brasil, os vinhos da Tenuta Vitanza são comercializados pela importadora Magnum e os preços começam em R$ 200. É de chorar, mas o fato é que eu estava de mochila e tinha uma longa viagem pela frente. Pelo menos trouxe meia garrafa do Brunello 2003, que veio bem agasalhada nas milhas blusas e chegou intacta.

Depois da degustação, um café e um docinho na cidade dos vinhos encantados

O passeio inclui uma parada pela histórica Abadia de Sant´Antimo, construída no século 10, onde monges entoam cantos gregorianos todas as manhãs.  O interior extremamente simples e medieval, destoava dos duomos grandiosos das capitais italianas, mas ao contrário destas, me pareceu um lugar realmente sagrado. O jardim ao redor era tão agradável que ficamos fazendo fotos e atrasamos a excursão.

A última parada, ao cair da tarde, foi a cidade de Montalcino, repleta de lojas com ofertas tentadoras de rótulos locais. Reserve um tempo para um café ou uma taça de vinho no Caffé Fiaschetteria Italiana 1888, fundado pelo próprio Ferruccio Biondi Santi, inventor do Brunello. A enoteca, nos fundos, oferece o Brunello da família por 85 euros a garrafa.

Brunello da família Biondi Santi (85 euros). Lojas oferecem embalagens reforçadas para quem se empolgar nos vinhos para viagem

Para quem não resistir à tentação de embrulhar alguns Brunellos para viagem, as lojas oferecem embalagens reforçadas com isopor. A Enoteca La Fortezza Di Montalcino, localizada no interior da fortaleza da cidade, é uma delas. O lugar é lindo e merece uma visita.

A dica do tour em Montalcino também está na coluna Blue Chip, do Valor Econômico, de 28 de junho.

Caffé Fiaschetteria Italiana 1888
Piazza del Popolo, 6 – Montalcino, Siena, Itália 

Tel.: +39 0577 849043

Enoteca La Fortezza Di Montalcino
Piazzale Fortezza – Montalcino, Siena, Itália
Tel.: +39 0577 849211

Wine and Tours
Via Casato di Sotto, 12 – Siena, Itália
Tel.: +39 0577 46091

Os encantos de Siena

junho 19, 2011

Siena é um convite à 'dolce vita'. Entardecer na Piazza Del Campo, uma taça de Brunello di Montalcino e outra de pinot grigio

Siena é uma encantadora cidade medieval na Toscana. Depois do agito de Roma, pegamos o trem para lá e a ideia inicial era ficar um dia, seguindo viagem por outras cidadezinhas da região. Na primeira vista do alto da cidade, largamos as mochilas e nos apaixonamos. Encontramos o Bed & Breakfast Le Camerini Di Silvia, em uma residência típica toscana, e namoramos Siena por quatro dias.

Veja mais fotos das delícias de Siena no Flickr do Braun Café.

Dentro dos muros da cidade antiga, em cada cantinho há um lugar especial. Pelas ruas de pedra (sem calçada), você encontra o quitandeiro, o sapateiro, o artista em seu atelier, o confeiteiro e por aí vai. E entre uma viela e outra, de vez em quando, há uma surpreendente vista dos verdes campos toscanos. Inacreditável.

Prosciutto e pecorino no Trattoria Fonte Giusta, com uma garrafa de Chianti, ao fundo.

A culinária local é vasta e deliciosa. Começamos por um jantar na Trattoria Fonte Giusta, localizada na rua Camollia, onde estão as principais lojas da cidade. Entre elas, tentadoras vitrines de massas, vinhos  e doces como a torta de frutas e castanhas Panforte, uma especialidade local (as docerias vendem embalagens pequenas de diferentes sabores para presente. Não deixe de trazer).

A porção de presunto cru, macio e saboroso, e pecorino da região estava divina. O pão italiano muito macio também nos surpreendeu (bem melhor do que o pão duro de Roma). Já o Chianti que pedimos (10 euros a garrafa) podia ser mais fresco. Estava calor e serviram o vinho na temperatura ambiente. Tristeza.

Panforte, a torta medieval de Siena. Vontade de ter uma mala só de doces, malas e vinhos para trazer de Siena

Experimentamos boas massas na trattoria: o pici (um spaghetti mais grosso, tradicional de Siena) com ragu de javali e fetuccine com ragu de pato.

O agito da cidade, que tem duas universidades, está na Piazza del Campo, com seu belo Palazzo Comunale, rodeado de pássaros ao entardecer. É um convite irrecusável a uma taça de vinho (7 euros, em média).

Pizza com presunto speck e mascarpone na Piazza del Campo

Os restaurantes e bares ao redor são bem turísticos e caros, mas não resisti a uma pausa para relaxar e apreciar a vista. Por lá dividimos uma saborosa pizza com presunto speck e mascarpone (10 euros) e duas taças de vinho (Brunello di Montalcino e um refrescante pinot grigio). Valeu a pena.

Vinhos da região são muitos e estão por toda parte. Entre uma esquina em outra encontramos o Le Bonfà di Giangio, uma salumeria e enoteca muito agradável, onde provei um excelente rosé Dievole Rosato 2010 (100% sangiovese)  na temperatura certa. A vinícola Dievole conta com um ‘hotel e wine resort‘, que deve ser sensacional. Fica para a próxima…

Delicioso rosé de sangiovese da toscana Dievole, que tem um resort de vinhos...

Os sandubas de frango empanado e hambúrguer do bar mataram a fome, mas não empolgaram. O negócio é ficar nas taças de vinho com uma porção de frios e queijos locais, deixando o tempo passar.

Entre um passeio e outro, um gelatto sempre vai bem. A vitrine da gelateria Brivido é uma tentação. Desta vez, o sorvete de chocolate foi acompanhado do sabor creme inglês. Muito bom.

Um sorvete 'piccolo' de chocolate e creme inglês da Brivido.

Wi-Fi grátis é raridade nos estabelecimentos de Siena. Felizmente conhecemos o Zest Cafe Winebar, ao lado do santuário de Santa Catarina (di Siena). O café oferece internet grátis aos clientes, comidinhas e massas rápidas e carta de vinhos interessante. Provei uma deliciosa tortilla espanhola de salmão com aspargos e salada. O Dexter ‘mangiou’ um penne ao sugo com manjericão e ficamos felizes da vida navegando na internet.

Tortilla espanhola de salmão e aspargos do Zest. Wi-Fi grátis, ótimo atendimento e carta de vinhos convidativa

O simpático Giacomo abriu o Zest há dez meses e apostou em um ambiente mais moderno, que contrasta com os estabelecimentos da cidade. Vale fazer uma pausa para um lanche, café ou uma tacinha de vinho com mix de presuntos e salame. O atendimento é nota dez.

A festa do caracol
Siena é famosa pelo Palio, uma corrida de cavalos disputada entre as 17 ‘contrade’ (comunidades ou bairros) da cidade. Cada contrada possui uma bandeira e um animal como referência. Por conta disso, a cada esquina, o viajante encontra uma estátua,  fonte ou azulejo simbolizando uma pantera, águia, tartaruga, caracol etc., que marca os limites da comunidade.

Festa da contrata do caracol. Momento veramente italiano

Nossa hospedagem ficava na contrada do caracol (Chiocciola), que estava promovendo uma ‘quermesse’ praticamente no quintal do B&B. A dona ficou preocupada e nos alertou sobre o barulho, mas queríamos mesmo era entrar na festa.

Nos acomodamos em uma das longas mesas de madeira ao ar livre, bem no estilo ‘Poderoso Chefão’, e provamos o cardápio fixo servido em pratinhos de plástico. Dividimos o prato de churrasco (bisteca, costelinha e uma linguiça ‘toscana’ sensacional), penne ao ragu de carne de boi com cogumelos e um acompanhamento simples e divino: grão de bico cozido, refogado com azeite e alecrim. Esse eu vou fazer em casa.

Grão de bico refogado no azeite com alecrim. Simples e delicioso

Depois do jantar ‘veramente italiano’, acompanhado do vinho tinto da quermesse, o aroma de Nutella me conduziu à barraquinha de crepes para finalizar a celebração. Depois me arrastei feito um caracol para o B&B.

Em Siena há agências especializadas em tours pelas vinícolas de Chianti, Montalcino e Montepulciano.  No próximo post, conto tudo sobre a visita à terra do Brunello.

Gelateria Brivido
Via Pellegrini 1 – Siena, Itália
Tel.: 0577 280058

Le Bonfà di Giangio
Via Casato di Sopra, 10 – Siena, Itália
Tel.: +39 057 746 766

Trattoria Fonte Giusta
Via Camollia, 102 – Siena, Itália
Tel.: +39 057 740 506

Zest Cafe Winebar
Costa di Sant´Antonio, 13 – Siena, Itália (em frente ao Santuário de Santa Catarina de Siena)
Tel.: +39 057 747 139

Dica extra: bem em frente ao café Zest há um beco. Siga esse beco e você sairá em uma área incrível com diversas opções de restaurantes bacanas. Depois me conte…

Primeiro prato na Itália: spaghetti a matriciana do Taverna St. Anna

Na Itália se ‘mangia’ bem e muito. No país que defende o ‘slow food’, uma refeição completa consiste em antepasto (frios, queijos etc.), primeiro prato (massa ou risoto), segundo prato (carnes, aves, peixes) com acompanhamentos (‘contorni’) à parte, salada, sobremesa (‘dolci’) e um café expresso (sempre curto).  É um desafio.

O Braun Café volta à ativa após 22 dias pela Itália, passando por dez cidades, com muitas dicas e sabores inesquecíveis na memória, mas tenho de confessar que não consegui fazer a refeição italiana 100% completa em nenhum restaurante (e eu como bastante… Pode acreditar). Veja também o toast de Siena.

Fetuccine Da Neroni (ovos, cogumelos, presunto e ervilha) e meio litro de vinho branco da casa. Boa pedida ao lado do Coliseu.

Vamos degustar as dicas por partes e cidades. No Flickr do Braun Café você pode acompanhar fotos de todos os sabores da viagem, mas aqui vou destacar os lugares mais especiais e fazer algumas recomendações. Vamos a elas:

Reserva: assim como você, os turistas saem dos seus passeios mortos de fome em busca de um bom lugar para comer ou de uma comida barata. Se quiser garantir o seu lugar em um restaurante especial, chegue bem cedo ou ligue antes e faça uma reserva (‘prenotazione’).

Gelatto de pistache e chocolate ao lado da Fontava de Trevi

Couvert: muitos restaurantes cobram o ‘coperto’, que custa 3 euros por pessoa, em média, e vale como uma taxa de serviço. Nesses locais, você não pode dispensar o couvert como faz no Brasil. O negócio é engolir o coperto, que geralmente compreende uma cestinha de pão e grissinis industrializados. Peça um ‘burro’ (manteiga) ou óleo de oliva e tudo ficará bem.

Vinho da casa: ficou perdido na carta de vinhos? Quer uma opção mais em conta? Peça o vinho da casa. Geralmente é um vinho simples, leve e uma jarra de meio litro custa 4 euros (para duas pessoas). Sai mais barato do que Coca-Cola ou suco. Se for apostar nos rótulos, as garrafas inteiras saem de 10 a 20 euros. Prepare-se para tomar vinho todo santo dia.

Pizza especial do Mamma Mia: muzzarela, beringela, espinafre, cogumelos e 'salsiccia'. É feia, mas a massa é fina e o sabor é bom

Pizza: sim… é verdade que a pizza paulistana é melhor, mas a italiana não é tão ruim assim. Para quem gosta de massa fininha e crocante, a pizza (sempre individual) é uma boa pedida, além de ser em conta. A redonda, de tamanho equivalente ao de uma pizza média daqui, custa de 6 a 8 euros e você pode até dividir se não estiver com tanta fome.  Mas a melhor pizza que comi na Itália foi em pedaço, em Veneza. Aguarde pelos próximos toasts.

Pão: O pão na Itália, especialmente em Roma, é uma dureza e sem sal. Na padaria de um supermercado romano, um vendedor cortava um pedaço do pão de cada dia para o cliente como se estivesse serrando um pedaço de madeira. A roseta romana também não era muito diferente. Só com muito presunto cru e azeite para encarar.

Mesmo com tantas opções de vinho, uma pilsen Peroni, Birra Moretti ou Nastro Azurro vai muito bem nos dias quentes.

Gelatto: O sorvete é sempre uma alegria na Itália. Em uma das tardes quentes de Roma, ao redor da Fontana de Trevi provei meu primeiro gelatto e não parei mais. Acredito que não exista sorvete ruim na Itália, mas há locais mais concorridos como a Giolitti. E aqui empresto a dica do meu amigo Paulo, que morou na Itália e é apaixonado pelos gelatti: “Gelato na gelateria San Geminiano, ao lado/frente da Fontana di Trevi. Tudo è 100% natural e a vendedora era brasileira. Aproveita para provar vários!”

Quem tem boca (e dentes fortes para comer o pão) vai a Roma e é por lá que começamos nossa viagem. Nossa primeira parada foi o simpático Taverna St. Anna, vizinho do hotel, a dois quarteirões da estação Manzoni do metrô. O spaghetti bem al dente com saboroso molho à matriciana, acompanhado do ‘vino rosso’ da casa foi um inesquecível ‘primi piatti’.

Muitas vezes ficamos satisfeitos com o antepasto e o primeiro prato. No geral a conta saía 30 euros para dois, com as bebidas e o café. Outra opção é pedir um primeiro prato e um segundo (carnes) e dividir.  Você faz a regra (exceto pelo coperto que é obrigatório).

Vinho rosé da casa no ótimo Tratoria Alle Fratte Di Trastevere

Entre muitas andanças por Roma, acabamos por optar por restaurantes da vizinhança. O Mamma Mia, por exemplo,   me surpreendeu com o ótimo cordeiro assado com batatas, além de divertidos papos com o garçom sírio e o proprietário egípcio. ‘Tutti buona gente’.

Em uma pausa para o almoço, após a visita ao Coliseu, fugimos das barraquinhas de lanches caros e duvidosos e descobrimos o Ostaria da Nerone, logo ali na área. A casa oferece boas opções de primi piatti como o Fetuccine da Neroni com molho de ovos, cogumelos, presunto, ervilhas.

Risoto de alcachofra e camarão do Trastevere. Parei no primi piatti.

O destaque de Roma ficou para o penúltimo dia, quando segui a preciosa dica de um brasileiro bom de garfo, em Trastevere. O bairro atrai muitos locais e turistas, fazendo fila nas portas de algumas cantinas que pareciam bem interessantes e rola um agito noturno legal na praça.

Anote este nome: Tratoria Alle Frate Di Trastevere. Um lugar bacana, com ótima comida e bons preços. O local estava cheio e não fiz reserva, mas a espera foi curta e agradável com uma taça de vinho branco da casa.

O restaurante oferece diversas opções de bruschetta. Provei a versão com creme de fungui, que estava boa, mas acho que a de tomates deve ser ainda melhor. Apostei no rosé da casa (mezzo litro) e em um excelente risoto de alcachofra com camarões, muito bem servido. O Dexter foi de penne ao molho de salmão e vodka (muito bom).

Um belo tiramisù na despedida de Roma

No fim, não resisti ao ‘dolci’ e provei um pedaço generoso de tiramisù. Incluindo uma caneca de cerveja grande, meia água e um café para encerrar, a conta saiu por 35 euros muito bem gastos. Na volta, de táxi, ainda passamos pelo Coliseu iluminado. Uma bela despedida de Roma, antes de partirmos para a maravilhosa Toscana, que fica para o próximo ‘toast’.

Alle Fratte Di Trastevere Via Delle Fratte Di Trastevere, 49 – Roma. Tel.: +39-06-58-35-775

Mamma Mia –
Viale Manzoni, 52/54 – Roma.  Tel.: +39-06-44-54-720

Ostaria da Nerone – Via Delle Terme Di Tito, 96 (ao lado do Coliseu) – Roma. Tel.: +39-06-48-17-952

Taverna St. Anna – Viale Manzoni, 107 – Roma. Tel.: 339-47-80-745