Delícias da Turquia

novembro 20, 2011

Por Cecília Araújo*

Quando for à Turquia traga temperos e chás dos mercados de rua, aprenda a falar cominho em turco – eles colocam ‘kymion’ em tudo quanto é comida – e reserve espaço para as sobremesas, exceto um doce chamado ‘A ŞURE’. Ah sim: não deixe de fazer um passeio de balão na Capadócia. Estas são as dicas básicas da amiga Cecília, que esteve por lá em maio e fez uma seleção de quitutes  turcos para o Braun Café.

Çay: peça o chá turco de romã ou maçã

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Despedida alla milanese

agosto 20, 2011

Cotoletta alla milanese de vitelo no restaurante 'A Summer Place'

Quando me perguntam se gosto de comer bastante, ultimamente, mostro uma foto do jantar de despedida da Itália. Em Milão encarei o maior bife à milanesa que já comi na vida, acompanhado de saladinha de alface, azeitonas e doces tomates cereja, além de uma porção de batatinhas assadas que o garçom sugeriu.

A cotoletta alla milanese é um dos pratos típicos de Milão, a última parada após 22 dias de encantos e sabores da ‘terra nostra’.

O clássico risotto milanese atua bem como coadjuvante

O risotto alla milanese também é muito bom… como coadjuvante. Este foi meu ‘primi piatti’ no restaurante ‘A Summer Place‘, em frente ao hotel, mas fiquei de olho no milanesa de vitelo do Fábio. O estabelecimento leva o nome de um filme de Holywood, da década de 60, produzido pelo pai do proprietário. Na homenagem, ele espalhou fotos, pôsteres e todas as referências possíveis nas paredes do restaurante.

Antepasto: salames variados e massa de pizza crocante

Mas a cena principal do jantar era o bife tão bem servido como o que pedi no dia seguinte, só que mais tenro. O antepasto com salames da casa e massa de pizza crocante com azeite também estava gostoso.

Na última noite chuvosa em Milão, voltando de um passeio pelo belo museu do Castello Sforzesco, paramos no restaurante e pizzaria One Wal della Speranza. Foi lá que provei o delicioso e gigantesco bife à milanesa empanado até o osso.

A última ceia na Itália: grandioso bife à milanesa do 'One Way della Speranza"

“Não vale pedir ajuda para ele, hein?”, disse o garçom brincalhão ao casal, enquanto servia o filé no prato de uma pizza média (12 euros). Mal sabia ele que eu estava preparada para devorar a cotoletta sem deixar rastros. No fim do jantar recebi cumprimentos: “Bravo!”, exclamou o garçom.

Quando for a Milão não deixe de reservar com muita antecedência uma visita ao convento Santa Maria delle Grazie para ver de perto o afresco da Santa Ceia, de Da Vinci. Juro que tentei um ingresso na semana anterior, mas nada feito. Outra dica preciosa, se não estiver chovendo como foi meu caso: visite o Lago de Como, a 40 minutos de Milão, perto da divisa com a Suíça.

A Summer Place
Via Lazzaro Palazzi, 23 – Milão, Itália
Tel.: +39 02 2940 5454

One Way della Speranza
Via Lecco, 7 – Milão, Itália
Tel.: +39 02 2951 4542

Aproveito o ‘toast’ para incluir dicas preciosas do amigo Paulo Guastella, que já morou por lá e descobriu cantinhos interessantes da cidade. Grazie bello!

Happy-hour:

“Você paga o drink e come o quanto quiser”. Sugestões de lugares:

Exploit – Via Pioppette, nº 3 – Tel.:  +39 02 8940 8675

Bar Straf (do Hotel Straf) – Via San Raffaele, 3 (na rua ao lado da Rinascente) – Tel.: + 39 02 805081

Iguana Café – Via Papa Gregorio Xiv, 16 – Tel.:  +39 02 8940 4195 (em Ticinese, região ‘cool’ de Milão)

Restaurantes:

Tratoria Toscana na região da Porta Ticinese
Corso di Porta Ticinese 58 – Tel.: +39 02 8940 6292      

PapperMoon: tradicional com bom preço e qualidade
Via Bagutta, 1 (colado na estação do metrô San Babila) – Tel.: +39 02 7602 22 97     

Comidinhas:

Panzerotti Luini: pastel folhado com recheio de ‘mozzarella, pomodori freschi e basílico’ ou de ‘mozzarella com pesto de basílico’. Via S. Radegonda, 16 – Tel.: +39 02 8646 1917 (travessa do Corso Vittorio Emmanuelle bem ao lado do Cinema tradicional de Milão).

Piadina:
sanduíche fininho. Você escolhe o recheio. Muuuito bom!

Um gelatto depois da Santa Ceia: Gelateria Marghera – Via Marghera, 33 (perto da Piazza Santa Maria delle Grazie)

Máscaras de pizza para atrair os turistas

Em Veneza provei a melhor pizza em pedaço da minha vida. Na pequena pizzaria Antico Forno, imensas redondas saem a cada cinco minutos e cada fatia custa apenas 3 euros. Veja mais fotos de Veneza no Flickr do Braun Café.

Confesso que estava rodando a Calle San Polo atrás das dicas de Anthony Bourdain, para almoçar em uma terça-feira nublada, após um passeio pela encantadora e única cidade.  A Cantina do Mori estava fechada e a Ostaria L’Acquasanta, lotada.  A pizza venceu.

Antico Forno: pizza crocante e quentinha em pedaços grandes de 2,50 a 3 euros

Depois de me deliciar com um pedaço de muçarela, tomates cereja e rúcula, ainda dividi uma fatia de muçarela simples e saí feliz da vida para caminhar pela cidade abarrotada de turistas. Mais tarde descobri que a Forno Antico, com apenas dois funcionários – o pizzaiolo e a atendente, que serve as pizzas, bebidas e cuida do troco – era muito bem cotada no Trip Advisor. Os elogios são merecidos.

Cicchetti: as tapas venezianas

O cicchetto (no plural ‘cicchetti’), petisco de balcão para saborear com vinho ou cerveja, é outra especialidade local. Lembra bastante as tapas de Madri. E foi na ‘botecagem’ veneziana que celebrei meu aniversário provando uma porção de quitutes (bacalhau empanado, sardinha acebolada, sardinha curtida no vinagre enrolada em azeitona e um tipo interessante de pimenta redondinha e bem suave recheada com atum). Para acompanhar, uma taça de vinho branco do Vêneto e depois uma cervejinha local.

Doces tentadores na Pasticceria Ballarin

Na alegria da comemoração esqueci de pegar o cartão do bar, que não tinha nome na fachada. Mas o local fica na Calle Cannaregio, próximo à igreja Santi Apostoli e ao Hotel Bernardi Semenzato, onde me hospedei (ótima dica dos amigos Alê e Fabi). Seguindo a mesma rua você encontra a Pasticceria Ballarin, onde pode tomar um bom espresso enquanto é hipnotizado pela vitrine de doces.

Antipasti: o suave aliche branco na Trattoria da Bepi

A poucos metros do bar de cicchetti, na mesma Calle Cannaregio, consegui uma mesa na Trattoria da Bepi para jantar. Já era tarde e estava difícil achar um cantinho na cidade fervilhando de gente. Faça reservas com antecedência se quiser garantir um bom lugar.

Spaghetti com lagostim e vinho da casa

Na entrada provei o aliche branco, bem mais suave do que o peixinho salgado que costumamos encontrar. Com pãozinho italiano e meia jarra de vinho branco da casa, o antepasto já abriu muito bem o apetite para as massas. Fábio foi de spaghetti ao molho de tomate e lagostim. Eu pedi um ótimo linguine com molho de caranguejo. Inesquecíveis sabores de Veneza.

Antico Forno
Sestiere San Polo, 970 – Veneza, Itália
Tel.: +39 041 520 4110

Cantina do Mori
Sestiere San Polo, 429 – Veneza, Itália
+39 041 522 5401  

Ostaria Al Diavo’Lo e L’Acquasanta
Sestiere San Polo, 561/B (Calle Della Madonna) – Veneza, Itália

Tel.: +39 041 277 0307
E-mail: hosteriaaquasanta@gmail.com

Pasticceria Ballarin 
Sestiere Cannaregio, 5794 – Veneza, Itália
Tel.: +39 041 528 5273       

Trattoria da Bepi
Cannaergio, 4.550 (Santi Apostoli) – Veneza, Itália
Tel.: +39 041 52 85 031  (Fechado às quintas-feiras)
E-mail: dabepi@tin.it

Ristorante Greppia em um dos becos românticos de Verona

Ao passear por Verona, o viajante compreende o que levou Shakespeare a se inspirar na romântica cidade ao Norte da Itália para situar a peça Romeu e Julieta. A ‘goiabada com queijo’ deve ser invenção nossa mesmo, mas outras inúmeras delícias do Vêneto cortejam os visitantes.

Passeando pelo Corso Porta Borsari, uma das principais ruas da cidade, é impossível deixar de admirar vitrines de pasticcerias e bares de vinhos seculares. Isso sem contar a sorte de charmosos restaurantes escondidos como romances secretos em cada canto da cidade.

"Cartas (de vinhos) para Julieta": Ecoteca Segreta é um convite à degustação de sabores do Vêneto

A culinária local também é caracterizada por pratos com polenta, radicchio, flor de abobrinha (o legume supremo) e carne de cavalo, que me aventurei a provar no recomendado Ristorante Greppia.

Em uma tarde chuvosa, cheguei cedo para o almoço em uma belíssima viela, no centrinho de Verona. Logo ali também está a Enoteca Segreta, um lugar incrível para degustar os excelentes vinhos da região. Seria um programa perfeito após um show na arena de Verona, o ‘mini Coliseu’ da cidade.  A temporada de ópera na arena romana vai de meados de junho a 3 de setembro. Já pensou?

Entrada, 'coperto' e uma taça de bom Valpolicella da casa

No Greppia pedi uma taça de bom Valpolicella da casa (3 euros), provei os pãezinhos do couvert (3 euros) e aproveitei a entrada para matar a curiosidade: sfilacci cavallo (salada de carne de cavalo finamente desfiada com lascas de parmesão e rúcula – 8 euros). O sabor é ótimo e bem similar ao de carne de boi. Pode ser uma boa ideia para tentar reproduzir em casa, com carne louca, talvez.

Sfilacci Cavallo - carne de cavalo (tradição da culinária de Verona) cozida e desfiada com rúcula e lascas de parmesão

Para o principal, escolhi uma massa (o ‘primi piatti’): nhoque de batata ao molho branco de mascarpone (o queijo ‘mágico’) e radicchio, que apreciei lentamente com o vinho e meia garrafa de água mineral. A conta saiu 24 euros. Barato não é, mas foi um almoço delicioso, para guardar de recordação. E estou certa de que um restaurante equivalente em São Paulo seria muitas vezes mais caro.  Saudade da Itália…

Nhoque de batata ao molho de mascarpone e radicchio

Provei a polenta assada com bacalhau à vicentina (12 euros), outro prato típico da região, no ristorante S. Eufemia. Estava bacana, mas nada de outro mundo. Já o aromático vinho Bianco di Custoza, que acompanhou o jantar (10 euros meia garrafa), foi inesquecível.

Baccalà alla vicentina con polenta do S. Eufemia

Em uma pausa para o lanche provei um ótimo crepe de espinafre no La Batida, acompanhado de suco de laranja natural. O pequeno café, próximo à suposta casa de Julieta, é uma ótima pausa para um lanche ou ‘gelatto’ em Verona.

Delicioso Bianco di Custoza, da Azienda Agricola Cavalchina

Fiquei sonhando com um spaghetti ao vôngoli e flor de abobrinha que vi no menu da Osteria Sgarzarie, em uma das travessas de Verona. Infelizmente ficou só no amor platônico.

Ótimos crepes de presunto speck (ao fundo) e espinafre com gorgonzola no La Batida

Ristorante Greppia

Vicolo Samaritana, 3 – Verona, Itália
Tel.: 00 39 045 800-4577

Enoteca Segreta
Tel.: 00 39 045
Vicolo Samaritana, 10 – Verona, Itália
Tel.: 00 30 045 801-5824

Ristorante S. Eufemia
Via Emilei, 21/b – Verona, Itália
Tel.: 045 800-6865

Osteria Sgarzarie
Corte Sgarzarie, 14/A (Travessa do Corso Porta Borsari) – Verona, Itália
Tel.: 045 800-0312 / Cel.: 339 443-4208
E-mail: osteriasgarzarie@alice.it

La Batida
Via Capello, 4 – Verona, Itália
Tel.: 045 801-2188

Quitanda em Florença, no clima da Toscana

Após a calmaria de Siena e Montalcino, chegamos à efervescente Florença e nos instalamos perto da estação de trem, mas a uma certa caminhada do centro. Veja mais fotos de Florença no Flickr do Braun Café.

Na cidade dos Medici, os patronos do renascimento, tínhamos um compromisso com as artes. A concorrida Galeria Ufizzi, endereço obrigatório em Florença, já estava reservada desde a primeira semana de viagem. Recomendo a  compra dos ingressos (10 euros com taxa) com pelo menos uma semana de antecedência no site www.uffizi.firenze.it

Se quiser admirar o belo Davi, de Michelangelo, reserve mais 10 euros para a entrada (incluindo a taxa de reserva) na Galeria Dell’Accademia ou fique com a réplica, exibida a céu aberto, em frente à Ufizzi.

Salada morna de batatas e polvo do Al Chirola di Jimmy

A Biblioteca dos Medici (Biblioteca Medicea Laurenziana), projetada por Michelangelo, também é imperdível. Vale visitar só a Biblioteca sensacional (3 euros) e dispensar a cadetral. E a Piazzalle Michelangelo é muito recomendada pela linda vista da cidade ao entardecer.

Dispense o audioguide e baixe os podcasts gratuitos do Rick Steves com guias detalhados de museus e caminhadas em Roma, Firenze e outras cidades da Itália.

Vale lembrar que ainda estamos na Toscana e a cidade oferece uma série de opções interessantes ‘per mangiare’. Coloquei abaixo as dicas do Marcelo Jabour, advogado e gourmet, que fez ótimas recomendações em Firenze. No cansaço após os passeios, entretanto, optamos por restaurantes vizinhos ao Bed & Breakfast.

Primi piatti no Jimmy: risoto de aspargos com provolone defumado

O primeiro jantar ainda seguiu o esquema à italiana. No Al Chirola di Jimmy provei uma excelente salada morna de polvo com batatas e um cremoso risoto de aspargos com provolone defumado. Excelente.

Depois do Jimmy, resolvemos variar. Na segunda noite jantamos em um ótimo ‘ristorante cinese’ chamado Osir (hein?), com direito a tacinha de prossecco como cortesia na chegada. Meu frango tailandês com legumes estava leve e saboroso.

Na última noite fomos conhecer o grego Odysseia, há dois quarteirões do B&B. Sem falar italiano, muito menos grego, tivemos um pouco de dificuldade de escolher os pratos no começo, mas a filha dos donos falava um pouco de inglês e tudo se resolveu.

Presente dos gregos: Queijo feta assado no alumínio com cebola roxa, páprica, pimentão e tomate

A entrada, chamada Manuri, é uma ótima ideia para fazer em casa: queijo feta assado no alumínio com páprica, cebola roxa e rodelas de pimentão. Vai muito bem com pão sírio. Para beber, o Fábio pediu uma ‘Fanta grega’ e eu fui de vinho grego (retsina), mas acho que a laranjada estava mais amiga.

Os pratos principais era meio que um mix de especialidades na grelha. Experimentei o Suluvlaki (pedaços de peito de frango envoltos em bacon, com salada grega, molhinho de páprica com ricota). Só achei que as fritas não ‘ornaram’.

Suluvlaki: peito de frango com tiras de bacon, salada grega e... fritas

Eu ainda pedi um doce da casa, um folhado com nozes e mel, bem similar aos doces sírios e um café. O problema é que insisti em provar o café grego. A garçonete perguntou umas duas vezes se era isso mesmo que eu queria e fui firme na decisão. Resultado: tomei o pior café da minha vida. Praticamente uma água quente com pó de café, sem gosto. Já experimentei e gostei bastante do café turco, que também é feito com o pó sem coador, mas aquele ‘café de grego’ não rolou.

McItália: Salada de folhas verdes, parma e lascas de parmesão, com molho especial e croutons

Durante o dia nos esbaldamos no McDonald’s italiano, que é muito mais criativo do que o nosso. Nas entradas, por exemplo, eles oferecem o gamberi (três camarões médios empanados) por 3 euros. Entre os sandubas especiais, destaque para o CBO (Chicken, Bacon and Onion), com pedacinhos de onion rings e pão salpicado de bacon, e o Matrimônio (cheese salada com pedacinhos de presunto parma no pão ciabata macio). Até a salada era bacana: rúcula, alface, lascas de parmesão e presunto parma com molho de azeite e limão. Recomendo.

A bisteca fiorentina ficou para uma próxima. O esquema do bife mais famoso da cidade exige disposição física e financeira. Para se ter uma ideia, a bisteca é vendida a 4 euros, em média, por cada 100 gramas. Até aí tudo bem, mas a porção mínima varia de 800 a 1.200 gramas. Difícil…

Bisteca fiorentina: 4 euros cada 100 gramas. Mínimo de 800 gramas a 1,2 quilo.

Al Chirola di Jimmy
Viale F. Strozzi, 16r (zona Fortezza) – Florença, Itália
Tel.: +39 055 4625049

Odysseia Cucina Grega
Via Agnolo Poliziano, 7r – Florença, Itália
Cel.: 389 8809550 / 333 6660951

Ristorante Osir
Viale S. Lavagnini, 22r – Florença, Itália
Tel.: +39 055 474942

Dicas de advogado gourmet em Firenze:

Il profeta
Via Borgognissanti, 93 R – Florença, Itália
Reservas: +39 055 212265/055212265

Trattoria Angiolino di Saccardi Riccardo
Via Trento, 739, San Donnino Campi Bisenzio – Florença, Itália
Tel.: +39 055 8739438

Trattoria S. Zanobi – Cucina Tipica Fiorentina
Via San Zanobi, 33 – Florença, Itália
Tel.: +39 055 475286       ‎

Vineria Mazzanti – Osteria
Via dei Magazzini, 3-red – Florença, Itália
Tel.: +39 055 293045       ‎

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