Uma tarde em Montalcino

julho 2, 2011

Sonho realizado: degustação em Montacino, na Tenuta Vitanza e meio Brunello de lembrança

Fazer um tour em uma vinícola da Toscana era uma das minhas metas na viagem à Itália, mas o tempo era curto e alugar um carro estava fora de questão.

Veja mais fotos de Montalcino no Flickr do Braun Café.

Felizmente, em Siena, encontrei uma portinha simpática com a placa da Wine and Tours. A agência oferece pacotes de meia tarde, um dia ou até dois para as regiões de Chianti – incluindo uma passagem por San Gimignano e suas torres medievais -, Montepulciano e Montalcino. Os preços variam de 38 euros (de micro-ônibus) a 80 euros (de Land Rover). Fomos de micro-ônibus, tranquilamente, e saiu mais barato do que alugar um carro. Além disso, não precisamos agendar visitas antecipadamente ou correr com reservas.

Regra clara: Brunello di Montalcino deve ser 100% Sangiovese, da região, envelhecer por 3 anos em carvalho e mais 6 na garrafa

Para quem tem tempo e alguns ‘dinheuros’ a mais, recomendo uma olhadinha no site da vinícola Villa Dievole, que tem um resort de vinhos! Provei um delicioso rosé Dievole 2010 em Siena me surpreendi ao visitar o site. O pacote Tuscan Flavors, por exemplo, inclui três dias (duas noites) no resort, incluindo café da manhã, tour com degustação e jantar com degustação,  por 480 euros para duas pessoas. Me parece um bom investimento.

Voltando à agência, próxima à Piazza del Campo, consegui reservar exatamente o dia da visita a Montalcino, em uma quinta-feira (alegria total).

Degustação da casa: Chianti Colli Senesi, Brunello di Montalcino 'Tradizione' e Supertoscano 'Quandrimendo' Vitanza

No tour Gran Brunello, o visitante passa uma tarde na comuna de Montalcino, conhecida mundialmente pela produção do premiado Brunello di Montalcino. O vinho, elaborado exclusivamente com uvas Sangiovese da região, foi batizado de ‘Brunello’ pela família Biondi Santi, no século 19, devido à cor escura da variedade ‘grosso’, além de ter sido o primeiro a receber a Denominação de origem controlada e garantida (DOCG).

No caminho, de uma hora e meia, fomos degustando a paisagem da região, com seus lindos campos verdes recheados de vinhedos. Interessante notar que cada fileira de videiras era finalizada com belíssimas roseiras. Mas por trás do detalhe charmoso, está uma ferramenta para proteger o cultivo das uvas, já que as pragas se manifestam primeiro nas rosas.

Pecorino da região (suave e macio) e azeite produzido só para consumo da família acompanham a degustação

A primeira parada, e mais deliciosa, foi a visita às instalações da jovem vinícola Tenuta Vitanza, que iniciou sua produção em 1994 e oferece diferentes blends de Brunello di Montalcino. O Brunello de 1995 já recebeu altos pontos da Wine Spectator (93) e colocou a Vitanza em evidência no mercado.

O Brunello tem regras claras. Deve ser armazenado por três anos em barricas de carvalho francês e por mais seis anos em garrafa. E nada de plantar outro tipo de uva, que não seja Sangiovese no terreno. “Os inspetores aparecem às vezes, de surpresa”, contou Lilian, sobrinha dos donos da vinícola e responsável pelos tours. “Se encontrarem uma vinha sequer de outra casta, você está desclassificado”.

Lilian, a sobrinha dos donos da Tenuta Vitanza, conduz o tour e a degustação pelo mundo dos vinhos toscanos

Na sequência são degustados três vinhos da casa: Chianti Colli Senesi (‘Colinas de Siena’), Brunello di Montalcino ‘Tradizione’Super Toscano ‘Quandrimendo’ Vitanza. Este último é elaborado com 50% Sangiovese e 50% Merlot, uva preferida de Rosalba Vitanza, segundo sua sobrinha Lilian, que está entre os seleto grupo de dez funcionários da vinícola.

Os três vinhos eram muito bons, mas em primeiro lugar ficou o Brunello, redondo, encorpado, perfeito e tudo mais. O Chianti também era ótimo, mas não chegava ao nível da atração da casa. O Super Toscano da tia Rosalba era interessante, mas o que vale nesta categoria é a criação do produtor. Segundo Lilian, há supertoscanos com sete uvas diferentes. Nem sempre o resultado é ‘super’.

Café dos Biondi Santi, os criadores do 'Brunello', no centro de Montalcino

Após a degustação, acompanhada de suave queijo pecorino da região, que eu queria muito levar pra casa, e azeite produzido para consumo da família, é possível adquirir os vinhos provados a preços extremamente animadores. O Brunello di Montalcino Vitanza 2005 custa 22 euros. Meia garrafa da safra 2003 sai por 10 euros.

No Brasil, os vinhos da Tenuta Vitanza são comercializados pela importadora Magnum e os preços começam em R$ 200. É de chorar, mas o fato é que eu estava de mochila e tinha uma longa viagem pela frente. Pelo menos trouxe meia garrafa do Brunello 2003, que veio bem agasalhada nas milhas blusas e chegou intacta.

Depois da degustação, um café e um docinho na cidade dos vinhos encantados

O passeio inclui uma parada pela histórica Abadia de Sant´Antimo, construída no século 10, onde monges entoam cantos gregorianos todas as manhãs.  O interior extremamente simples e medieval, destoava dos duomos grandiosos das capitais italianas, mas ao contrário destas, me pareceu um lugar realmente sagrado. O jardim ao redor era tão agradável que ficamos fazendo fotos e atrasamos a excursão.

A última parada, ao cair da tarde, foi a cidade de Montalcino, repleta de lojas com ofertas tentadoras de rótulos locais. Reserve um tempo para um café ou uma taça de vinho no Caffé Fiaschetteria Italiana 1888, fundado pelo próprio Ferruccio Biondi Santi, inventor do Brunello. A enoteca, nos fundos, oferece o Brunello da família por 85 euros a garrafa.

Brunello da família Biondi Santi (85 euros). Lojas oferecem embalagens reforçadas para quem se empolgar nos vinhos para viagem

Para quem não resistir à tentação de embrulhar alguns Brunellos para viagem, as lojas oferecem embalagens reforçadas com isopor. A Enoteca La Fortezza Di Montalcino, localizada no interior da fortaleza da cidade, é uma delas. O lugar é lindo e merece uma visita.

A dica do tour em Montalcino também está na coluna Blue Chip, do Valor Econômico, de 28 de junho.

Caffé Fiaschetteria Italiana 1888
Piazza del Popolo, 6 – Montalcino, Siena, Itália 

Tel.: +39 0577 849043

Enoteca La Fortezza Di Montalcino
Piazzale Fortezza – Montalcino, Siena, Itália
Tel.: +39 0577 849211

Wine and Tours
Via Casato di Sotto, 12 – Siena, Itália
Tel.: +39 0577 46091

Os encantos de Siena

junho 19, 2011

Siena é um convite à 'dolce vita'. Entardecer na Piazza Del Campo, uma taça de Brunello di Montalcino e outra de pinot grigio

Siena é uma encantadora cidade medieval na Toscana. Depois do agito de Roma, pegamos o trem para lá e a ideia inicial era ficar um dia, seguindo viagem por outras cidadezinhas da região. Na primeira vista do alto da cidade, largamos as mochilas e nos apaixonamos. Encontramos o Bed & Breakfast Le Camerini Di Silvia, em uma residência típica toscana, e namoramos Siena por quatro dias.

Veja mais fotos das delícias de Siena no Flickr do Braun Café.

Dentro dos muros da cidade antiga, em cada cantinho há um lugar especial. Pelas ruas de pedra (sem calçada), você encontra o quitandeiro, o sapateiro, o artista em seu atelier, o confeiteiro e por aí vai. E entre uma viela e outra, de vez em quando, há uma surpreendente vista dos verdes campos toscanos. Inacreditável.

Prosciutto e pecorino no Trattoria Fonte Giusta, com uma garrafa de Chianti, ao fundo.

A culinária local é vasta e deliciosa. Começamos por um jantar na Trattoria Fonte Giusta, localizada na rua Camollia, onde estão as principais lojas da cidade. Entre elas, tentadoras vitrines de massas, vinhos  e doces como a torta de frutas e castanhas Panforte, uma especialidade local (as docerias vendem embalagens pequenas de diferentes sabores para presente. Não deixe de trazer).

A porção de presunto cru, macio e saboroso, e pecorino da região estava divina. O pão italiano muito macio também nos surpreendeu (bem melhor do que o pão duro de Roma). Já o Chianti que pedimos (10 euros a garrafa) podia ser mais fresco. Estava calor e serviram o vinho na temperatura ambiente. Tristeza.

Panforte, a torta medieval de Siena. Vontade de ter uma mala só de doces, malas e vinhos para trazer de Siena

Experimentamos boas massas na trattoria: o pici (um spaghetti mais grosso, tradicional de Siena) com ragu de javali e fetuccine com ragu de pato.

O agito da cidade, que tem duas universidades, está na Piazza del Campo, com seu belo Palazzo Comunale, rodeado de pássaros ao entardecer. É um convite irrecusável a uma taça de vinho (7 euros, em média).

Pizza com presunto speck e mascarpone na Piazza del Campo

Os restaurantes e bares ao redor são bem turísticos e caros, mas não resisti a uma pausa para relaxar e apreciar a vista. Por lá dividimos uma saborosa pizza com presunto speck e mascarpone (10 euros) e duas taças de vinho (Brunello di Montalcino e um refrescante pinot grigio). Valeu a pena.

Vinhos da região são muitos e estão por toda parte. Entre uma esquina em outra encontramos o Le Bonfà di Giangio, uma salumeria e enoteca muito agradável, onde provei um excelente rosé Dievole Rosato 2010 (100% sangiovese)  na temperatura certa. A vinícola Dievole conta com um ‘hotel e wine resort‘, que deve ser sensacional. Fica para a próxima…

Delicioso rosé de sangiovese da toscana Dievole, que tem um resort de vinhos...

Os sandubas de frango empanado e hambúrguer do bar mataram a fome, mas não empolgaram. O negócio é ficar nas taças de vinho com uma porção de frios e queijos locais, deixando o tempo passar.

Entre um passeio e outro, um gelatto sempre vai bem. A vitrine da gelateria Brivido é uma tentação. Desta vez, o sorvete de chocolate foi acompanhado do sabor creme inglês. Muito bom.

Um sorvete 'piccolo' de chocolate e creme inglês da Brivido.

Wi-Fi grátis é raridade nos estabelecimentos de Siena. Felizmente conhecemos o Zest Cafe Winebar, ao lado do santuário de Santa Catarina (di Siena). O café oferece internet grátis aos clientes, comidinhas e massas rápidas e carta de vinhos interessante. Provei uma deliciosa tortilla espanhola de salmão com aspargos e salada. O Dexter ‘mangiou’ um penne ao sugo com manjericão e ficamos felizes da vida navegando na internet.

Tortilla espanhola de salmão e aspargos do Zest. Wi-Fi grátis, ótimo atendimento e carta de vinhos convidativa

O simpático Giacomo abriu o Zest há dez meses e apostou em um ambiente mais moderno, que contrasta com os estabelecimentos da cidade. Vale fazer uma pausa para um lanche, café ou uma tacinha de vinho com mix de presuntos e salame. O atendimento é nota dez.

A festa do caracol
Siena é famosa pelo Palio, uma corrida de cavalos disputada entre as 17 ‘contrade’ (comunidades ou bairros) da cidade. Cada contrada possui uma bandeira e um animal como referência. Por conta disso, a cada esquina, o viajante encontra uma estátua,  fonte ou azulejo simbolizando uma pantera, águia, tartaruga, caracol etc., que marca os limites da comunidade.

Festa da contrata do caracol. Momento veramente italiano

Nossa hospedagem ficava na contrada do caracol (Chiocciola), que estava promovendo uma ‘quermesse’ praticamente no quintal do B&B. A dona ficou preocupada e nos alertou sobre o barulho, mas queríamos mesmo era entrar na festa.

Nos acomodamos em uma das longas mesas de madeira ao ar livre, bem no estilo ‘Poderoso Chefão’, e provamos o cardápio fixo servido em pratinhos de plástico. Dividimos o prato de churrasco (bisteca, costelinha e uma linguiça ‘toscana’ sensacional), penne ao ragu de carne de boi com cogumelos e um acompanhamento simples e divino: grão de bico cozido, refogado com azeite e alecrim. Esse eu vou fazer em casa.

Grão de bico refogado no azeite com alecrim. Simples e delicioso

Depois do jantar ‘veramente italiano’, acompanhado do vinho tinto da quermesse, o aroma de Nutella me conduziu à barraquinha de crepes para finalizar a celebração. Depois me arrastei feito um caracol para o B&B.

Em Siena há agências especializadas em tours pelas vinícolas de Chianti, Montalcino e Montepulciano.  No próximo post, conto tudo sobre a visita à terra do Brunello.

Gelateria Brivido
Via Pellegrini 1 – Siena, Itália
Tel.: 0577 280058

Le Bonfà di Giangio
Via Casato di Sopra, 10 – Siena, Itália
Tel.: +39 057 746 766

Trattoria Fonte Giusta
Via Camollia, 102 – Siena, Itália
Tel.: +39 057 740 506

Zest Cafe Winebar
Costa di Sant´Antonio, 13 – Siena, Itália (em frente ao Santuário de Santa Catarina de Siena)
Tel.: +39 057 747 139

Dica extra: bem em frente ao café Zest há um beco. Siga esse beco e você sairá em uma área incrível com diversas opções de restaurantes bacanas. Depois me conte…

Primeiro prato na Itália: spaghetti a matriciana do Taverna St. Anna

Na Itália se ‘mangia’ bem e muito. No país que defende o ‘slow food’, uma refeição completa consiste em antepasto (frios, queijos etc.), primeiro prato (massa ou risoto), segundo prato (carnes, aves, peixes) com acompanhamentos (‘contorni’) à parte, salada, sobremesa (‘dolci’) e um café expresso (sempre curto).  É um desafio.

O Braun Café volta à ativa após 22 dias pela Itália, passando por dez cidades, com muitas dicas e sabores inesquecíveis na memória, mas tenho de confessar que não consegui fazer a refeição italiana 100% completa em nenhum restaurante (e eu como bastante… Pode acreditar). Veja também o toast de Siena.

Fetuccine Da Neroni (ovos, cogumelos, presunto e ervilha) e meio litro de vinho branco da casa. Boa pedida ao lado do Coliseu.

Vamos degustar as dicas por partes e cidades. No Flickr do Braun Café você pode acompanhar fotos de todos os sabores da viagem, mas aqui vou destacar os lugares mais especiais e fazer algumas recomendações. Vamos a elas:

Reserva: assim como você, os turistas saem dos seus passeios mortos de fome em busca de um bom lugar para comer ou de uma comida barata. Se quiser garantir o seu lugar em um restaurante especial, chegue bem cedo ou ligue antes e faça uma reserva (‘prenotazione’).

Gelatto de pistache e chocolate ao lado da Fontava de Trevi

Couvert: muitos restaurantes cobram o ‘coperto’, que custa 3 euros por pessoa, em média, e vale como uma taxa de serviço. Nesses locais, você não pode dispensar o couvert como faz no Brasil. O negócio é engolir o coperto, que geralmente compreende uma cestinha de pão e grissinis industrializados. Peça um ‘burro’ (manteiga) ou óleo de oliva e tudo ficará bem.

Vinho da casa: ficou perdido na carta de vinhos? Quer uma opção mais em conta? Peça o vinho da casa. Geralmente é um vinho simples, leve e uma jarra de meio litro custa 4 euros (para duas pessoas). Sai mais barato do que Coca-Cola ou suco. Se for apostar nos rótulos, as garrafas inteiras saem de 10 a 20 euros. Prepare-se para tomar vinho todo santo dia.

Pizza especial do Mamma Mia: muzzarela, beringela, espinafre, cogumelos e 'salsiccia'. É feia, mas a massa é fina e o sabor é bom

Pizza: sim… é verdade que a pizza paulistana é melhor, mas a italiana não é tão ruim assim. Para quem gosta de massa fininha e crocante, a pizza (sempre individual) é uma boa pedida, além de ser em conta. A redonda, de tamanho equivalente ao de uma pizza média daqui, custa de 6 a 8 euros e você pode até dividir se não estiver com tanta fome.  Mas a melhor pizza que comi na Itália foi em pedaço, em Veneza. Aguarde pelos próximos toasts.

Pão: O pão na Itália, especialmente em Roma, é uma dureza e sem sal. Na padaria de um supermercado romano, um vendedor cortava um pedaço do pão de cada dia para o cliente como se estivesse serrando um pedaço de madeira. A roseta romana também não era muito diferente. Só com muito presunto cru e azeite para encarar.

Mesmo com tantas opções de vinho, uma pilsen Peroni, Birra Moretti ou Nastro Azurro vai muito bem nos dias quentes.

Gelatto: O sorvete é sempre uma alegria na Itália. Em uma das tardes quentes de Roma, ao redor da Fontana de Trevi provei meu primeiro gelatto e não parei mais. Acredito que não exista sorvete ruim na Itália, mas há locais mais concorridos como a Giolitti. E aqui empresto a dica do meu amigo Paulo, que morou na Itália e é apaixonado pelos gelatti: “Gelato na gelateria San Geminiano, ao lado/frente da Fontana di Trevi. Tudo è 100% natural e a vendedora era brasileira. Aproveita para provar vários!”

Quem tem boca (e dentes fortes para comer o pão) vai a Roma e é por lá que começamos nossa viagem. Nossa primeira parada foi o simpático Taverna St. Anna, vizinho do hotel, a dois quarteirões da estação Manzoni do metrô. O spaghetti bem al dente com saboroso molho à matriciana, acompanhado do ‘vino rosso’ da casa foi um inesquecível ‘primi piatti’.

Muitas vezes ficamos satisfeitos com o antepasto e o primeiro prato. No geral a conta saía 30 euros para dois, com as bebidas e o café. Outra opção é pedir um primeiro prato e um segundo (carnes) e dividir.  Você faz a regra (exceto pelo coperto que é obrigatório).

Vinho rosé da casa no ótimo Tratoria Alle Fratte Di Trastevere

Entre muitas andanças por Roma, acabamos por optar por restaurantes da vizinhança. O Mamma Mia, por exemplo,   me surpreendeu com o ótimo cordeiro assado com batatas, além de divertidos papos com o garçom sírio e o proprietário egípcio. ‘Tutti buona gente’.

Em uma pausa para o almoço, após a visita ao Coliseu, fugimos das barraquinhas de lanches caros e duvidosos e descobrimos o Ostaria da Nerone, logo ali na área. A casa oferece boas opções de primi piatti como o Fetuccine da Neroni com molho de ovos, cogumelos, presunto, ervilhas.

Risoto de alcachofra e camarão do Trastevere. Parei no primi piatti.

O destaque de Roma ficou para o penúltimo dia, quando segui a preciosa dica de um brasileiro bom de garfo, em Trastevere. O bairro atrai muitos locais e turistas, fazendo fila nas portas de algumas cantinas que pareciam bem interessantes e rola um agito noturno legal na praça.

Anote este nome: Tratoria Alle Frate Di Trastevere. Um lugar bacana, com ótima comida e bons preços. O local estava cheio e não fiz reserva, mas a espera foi curta e agradável com uma taça de vinho branco da casa.

O restaurante oferece diversas opções de bruschetta. Provei a versão com creme de fungui, que estava boa, mas acho que a de tomates deve ser ainda melhor. Apostei no rosé da casa (mezzo litro) e em um excelente risoto de alcachofra com camarões, muito bem servido. O Dexter foi de penne ao molho de salmão e vodka (muito bom).

Um belo tiramisù na despedida de Roma

No fim, não resisti ao ‘dolci’ e provei um pedaço generoso de tiramisù. Incluindo uma caneca de cerveja grande, meia água e um café para encerrar, a conta saiu por 35 euros muito bem gastos. Na volta, de táxi, ainda passamos pelo Coliseu iluminado. Uma bela despedida de Roma, antes de partirmos para a maravilhosa Toscana, que fica para o próximo ‘toast’.

Alle Fratte Di Trastevere Via Delle Fratte Di Trastevere, 49 – Roma. Tel.: +39-06-58-35-775

Mamma Mia –
Viale Manzoni, 52/54 – Roma.  Tel.: +39-06-44-54-720

Ostaria da Nerone – Via Delle Terme Di Tito, 96 (ao lado do Coliseu) – Roma. Tel.: +39-06-48-17-952

Taverna St. Anna – Viale Manzoni, 107 – Roma. Tel.: 339-47-80-745

Delícias do leste

agosto 7, 2010

* Por Jordana Viotto

 

As placas com palavras ininteligíveis, esquisitas e até engraçadas (Droga Pozarowa!, algo como rotas de incêndio, pelo que pude ver nos tradutores online) são o primeiro indício de que a comunicação não será nada fácil. Ainda mais em um lugar como a Polônia, em que pouquíssima gente fala inglês.

Mas você consegue se virar com alguns ingredientes:

– duas palavras: Dzień dobry (/dindobre/ = bom dia, boa tarde, oi, serve pra muita coisa) e Dziękuję (/djenkúiê/ = obrigado)

– criatividade para gesticular

– sorte para encontrar pessoas dispostas a ajudar turistas perdidos. É, às vezes, nem os profissionais como atendentes ou garçons estão com AQUELA vontade. Em compensação, é possível achar pessoas tão bacanas que são capazes de desviar seu caminho para te ajudar.

Restaurante com mesinhas para fora em Varsóvia

A primeira coisa que notei quando dei minha primeira caminhada por Varsóvia é que as ruas parecem cenários de filme, de tão charmosas. As floreiras pelas calçadas, os prédios históricos e os cafés e restaurantes com mesinhas na calçada dão aquele ar de cidade romântica e, ao mesmo tempo, descolada.

Não dá pra chegar à Polônia e não provar uma vódega de cara. Não experimentei muitas, mas posso dizer que a Wiborowa é uma boa pedida. Leve, suave, pode ser tomada pura, com gelo ou em um drinque. E garanto: mesmo se você der uma abusadinha (inha), não dá ressaca no dia seguinte.

Se o seu negócio for cerveja, aposte na popular lager Lech.

Pierogi em Cracóvia

A especialidade culinária local, o pierogi, só experimentei quando cheguei à Cracóvia. O pierogi parece um ravioli – uma massa recheada – mas tem um sabor peculiar. A massa é mais leve e o gosto vem principalmente do recheio, que pode ser de carne, repolho ou queijo. Experimentei o de carne e o de queijo. Adorei os dois.

Pilsner Urquell, cerveja local (Praga)

A experiência foi especial porque o restaurante que eu e minha companheira de viagem escolhemos era em frente ao castelo real da cidade, monumento obrigatório aos visitantes. Não me lembro do nome do restaurante, mas é fácil achá-lo. Fica em uma esquina (Straszewskiego com Podzamcze) quase em frente à rampa que leva à entrada do castelo e tem guarda-sóis verdes, da Heineken. Gastamos menos do que o equivalente 25 reais por duas porções e dois chopes, combustível ideal para a viagem de oito horas até Praga.

Café em Praga

Viajamos durante a noite e, quando chegamos lá, tomamos um café da manhã ‘delícia’ no Hotel City Centre. Frutas, pães, geléias, manteiga, iogurte caseiro, leite. Isso mais um quarto lindo e limpíssimo no centro da cidade por 55 euros a diária – uma das melhores ofertas locais entre os hotéis.

(Nota: em Praga, dá para se virar no inglês.)

Depois de uma volta pelo centro – que é tão charmoso quanto as duas outras cidades -, mais uma pausa. Ao redor da praça principal (Old Town Square) há vários restaurantes e cafés ‘bacanudos’ onde demos uma pausa para uma cerveja. Um pint por 10 reais. Ok, caro. Mas tomar uma Pilsner Urquell (a tcheca que mais encontramos nos restaurantes e bares) observando o movimento da praça principal de Praga não tem preço.

Degustação de queijos no Kampa Park

Ainda na linha “15 minutos de glamour e riqueza”, fomos até o restaurante Kampa Park, à beira do rio Vlatva. Um daqueles locais onde você só encontra os “bem-nascidos” de… do mundo inteiro. Pra não perder a pose e não deixar as calças, pedimos uma porção de queijos (Roquefort, Camembert du Calvados, Comtesse di Vicky, Selles-sur-Cher) por 50 reais (é, bem caro… mas tem ‘valor agregado’ J), duas cervejas por 7 reais e uma sobremesa (Strawberry cappuccino com sorvete de baunilha, merengue e frutas silvestres) pela “bagatela” de 20 reais.

Strawberry Cappuccino

E apesar do imenso gasto e das porções nada imensas, o serviço nem é tão bom. Só vá pela pausa à beira do rio e pelos 15 minutos de glamour e riqueza…

Subimos até o castelo da cidade e passamos por uma barraca de “super fresh drinks”. Necessário nos mais de 30 graus do verão de Praga.

Barraca de “super fresh drinks” à base de frutas na subida para o castelo de Praga

Na descida, passamos por um parque onde há vários cafés e restaurantes legais a preços ok e uma winery. Não comemos, mas deu vontade. Se tivesse um dia a mais, certamente aproveitaria.

Queijo com cerveja e molho de mostarda no restaurante Malostranská

No dia seguinte, o almoço foi mais modesto no preço e mais caprichado no tamanho. Comemos no Malostranská, comida típica tcheca a preços ok, em frente ao Museu Kafka (obrigatório). O queijo com cerveja é legal pelo inusitado (mais ou menos 6 reais), mas a salsicha assada na cerveja preta (7 reais) é simplesmente espetacular. Para acompanhar, o repolho é uma boa pedida.

Salsicha assada na cerveja preta do restaurante Malostranská

Para terminar, não dá pra pular a visita ao Viva Praha (Rua Celetna, 10, pertinho da praça principal), uma (fantástica) fábrica de chocolates onde dá pra ver o pessoal preparando as balinhas e docinhos, visitar o Museu do Chocolate e, claro, comprar doces para a família toda. E, no caso das garotas, para as TPMs do ano inteiro.

Funcionários fazendo doces no Viva Praha

*Jordana Viotto sempre conta ao Braun Café suas descobertas sobre as delícias da vida. Se quiser mais dicas do leste europeu, leia também o post da Cecília, que esteve por lá no ano passado e também adorou.

São Francisco (EUA) à primeira vista

São Francisco, na Califórnia, é a cidade maravilhosa dos Estados Unidos e uma das mais legais do mundo – não é a toa ter uma canção chamada ‘I left my heart in San Francisco‘. Por conta do trabalho, na área de tecnologia, tive a oportunidade de visitá-la algumas vezes e a mais recente tinha sido em maio de 2006, época em que o Braun Café foi criado.

Clam Chowder no Pier 39 - Sopa de mariscos e caranguejo são sabores da cidade

No fim de março, o dever e a Autodesk me chamaram de volta. A jornada foi longa (26 horas só dentro do avião) e a estada curta (cheguei na tarde de quarta, trabalhei na quinta e voltei para o aeroporto às 13h da sexta). Mesmo na correria deu para matar a saudade do vento gelado do Pacífico – que te obriga a usar agasalho mesmo em alto verão – de sabores característicos como a sopa de mariscos (Clam Chowder) e a carne de caranguejo no Fisherman´s Wharf e do hambúrguer bom e barato do Red´s Java.

Combinado de pastel, bolinho e patas de caranguejo

Desta vez também deu tempo de descobrir dois lugares muito bons com preços razoáveis: o italiano Il Fornaio e o chinês R&G Lounge, em Chinatown. Este último foi recomendado pelo Anthony Bourdain em um episódio sensacional de ‘No Reservations’ em São Francisco – fiquei feliz da vida ao ver que o ‘Tony’ adorou o Red´s Java, no fim do programa.

Para começar a sentir o que torna São Francisco tão especial, sua primeira parada deve ser o Pier 39, no Fisherman´s Wharf. Lá você encontra toda uma sorte de lojas de souvenir e uma variedade de restaurantes especializados em frutos do mar.

Vista do Pier 39 no Neptune´s Palace

Quando pisei na cidade pela primeira vez, em 1999, fui jantar por lá, na Crab House e me encantei pelo ‘king crab’. O gigantesco caranguejo centola cozido vinha acompanhando de pão caseiro e molho de manteiga. Depois de começar a me lambuzar tentando manejar o utensílio para quebrar as patonas do caranguejo entendi porque me ofereceram um babador.

Desta vez, ao lado de Claudiney, querido jornalista da velha guarda da tecnologia e ótimo companheiro gastronômico, fomos ao Neptune´s Palace, no Pier 39. O clam chowder (US$ 5) foi o que mais valeu a pena – ainda prefiro a Crab House.

Il Fornaio - Ótima cozinha italiana e carta premiada pela Wine Spectator e 2009

Depois do almoço dê uma parada na Chocolate Heaven e você nem precisa ir até a Ghirardelli, tradicional loja de chocolates da cidade, após o Pier 39. A variedade de chocolates da Heaven é de enlouquecer.

Se o orçamento estiver apertado, ande uns dois quarteirões para frente, vá até as barracas que ficam em frente aos restaurantes, perto da padaria Boudin Bakery (que diverte os turistas com seus pães em forma de caranguejo lagosta, tartaruga, jacaré etc.). Escolha uma barraca que tenha mesa do lado, peça um king crab cozido na hora, uma latinha de cerveja (embrulhada do saco de pão) e seja feliz.

Salada de espinafre, queijo pecorino, bacon, cogumelos grelhados e molho balsâmico quente do Il Fornaio

No jantar, Claudiney queria ir a um italiano e fez a aposta certa. O Il Fornaio é um lugar extremamente agradável, com ótima comida e preços bacanas. Além disso, a carta de vinhos do lugar foi premiada pela revista Wine Spectator em 2009.

Provei um bom minestrone de entrada (faltou um pouco de sal) e uma saladinha como principal: espinafre fresco, pecorino, bacon, cogumelos grelhados e molho de balsâmico quente (nada light e muito saborosa). Meu colega optou pelo fetuccine verde (massa da casa) com molho pomodoro que parecia apetitoso. Para esquentar optamos por um Chianti Clássico Ruffino Santedame 2006 (US$ 36) – ótima relação custo benefício entre as diversas opções de rótulos e preços da carta.

Cookies da casa. Café e padaria durante o dia

Na saída descobrimos que o Il Fornaio tem um café logo na entrada, que funciona durante o dia, servindo pães e cookies, que pareciam incríveis. Já deu saudade do lugar.

A culinária oriental é muito bem representada em São Francisco. E a dica do jantar, no dia seguinte, veio do Bourdain. Quando falei do martini de lichia do R&G Lounge, Claudiney logo topou o jantar em Chinatown.

Martini de lichia em Chinatown. Dica do Anthony Bourdain

O R&G é um autêntico chinês frequentado basicamente pelos locais. Difícil ver um ocidental entre milhares de clientes que se acomodam nos três grandes salões do lugar. Sua especialidade é o caranguejo centola empanado (sim, é possível deixar algo gostoso mais gorduroso e… gostoso), mas fizemos outras opções. Pedi um caldo de camarão, cogumelo e melão, sim o ‘chuchu do mundo das frutas’.

Camarões em molho especial com nozes caramelizadas

A melhor pedida veio do Claudiney: um prato com uns doze camarões  bem graúdos, em um molho especial (algo parecido com maionese, mas só sei que estava ótimo) acompanhando de nozes caramelizadas. Uma combinação diferente e deliciosa por apenas 16 dólares.

Pato de Pequim com massinha chinesa. Melhor desfiado

Para acompanhar o camarão, pedimos um arroz ‘tipo shop suei’ com pedacinhos de kani, camarão e legumes, além do pato de pequim servido com molho teriaki, cebolinha e uma massa chinesa para você montar seu sanduíche. Estava gostoso, mas seria melhor se a carne estivesse desfiada e não em pedaços. Depois do banquete e de um bule de chá de jasmim (cortesia), saí de Chinatown parecendo o ‘kung-fu panda’, mas valeu a pena.

Hamburguer bom e barato com vista para o Pacífico

A despedida rolou no Red´s Java. Antes de ir para o aeroporto passei no IDG de São Francisco para dar um alô e o simpático James Niccolai, me levou para um café.

O Red´s é um lugar sem frescuras, muito barato e que ainda tem mesas no pier para você degustar seu sanduba feito em um pão meio francês meio italiano, tomando um sol e olhando o outro lado da Bay Bridge.

Cheeseburguer no pão ítalo-francês, fritas e Coca-Cola

Como chegamos depois das 11h, o lugar não estava mais servindo café-da-manhã. Perdi as panquecas e o ‘pão com ovo’, mas resolvemos encarar cheeseburguer, fritas e Coca-Cola, para ‘não perdermos a tradição’, iniciada em 2002, com o Bob McMillan, na visita anterior ao IDG. Saí de lá contente, direto para o aeroporto, cantando ‘I left my diet in San Francisco’. E esta foi mais uma despedida da cidade mais bacana do mundo.